E-book "Profissão: EU!"

E-book "Profissão: EU!"
Da autora do blog "Nodo Ascendente", já à venda em raquelfialho.com

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Yule - O Solstício de Inverno

In ancient days the folk of old
When chilled with fright by winter's cold
Did kindle up a great Yule fire
With leaping flames in its great pyre;

So to entice the waning sun
To rise again and wider run;
It's fiery course across the sky,
To warm them so they would not die.

So we, whose minds now sense a chill
Of anger in the evil will,
The human conflict, hate, and strife,
Which hold a menace over life;

Would kindle up a flame of love
That we within our hearts may move,
In Yuletide joy, with love embrace
And thus abide in peace and grace.


in Yule Fires, John G. MacKinnon


O termo Yule terá tido origem na palavra islandesa Jōl, designação de um festival pagão germânico celebrado durante 12 dias em torno do solstício de Inverno. Jōl significa “roda”, em referência ao ciclo anual de sucessão das estações. Este é o Sabbat que assinala o renascimento do Deus-Sol, após a noite mais longa do ano.


Embora existam muitas lendas pré-cristãs acerca do Yule, poucas revelam detalhes da sua prática pelos povos nórdicos, embora seja consensual que se tratava de uma ocasião muito festiva. De acordo com Adam de Bremen, os reis Suecos sacrificavam escravos a cada nove anos, durante o Yule, no templo de Uppsala. Estes festejos invernais permaneceram em uso na Islândia durante a Idade Média, mas a chegada dos Protestantes (que não viam a festa com bons olhos) veio prejudicar a continuação da tradição.


Um escritor inglês medieval relata que os missionários cristãos enviados para evangelizar os povos germânicos do Norte Europeu tinham instruções para introduzir temas cristãos nas festas pagãs, mantendo-as no seu aspecto cultural mas mutando-as no seu cariz religioso. Assim terá nascido o Natal, criado a partir de histórias que associavam o nascimento de Jesus de Nazaré ao Yule (um pouco como terá sucedido com o Samhain e o Dia de Todos-os-Santos). A ideia de associar o nascimento de Cristo ao Solstício de Inverno terá sido igualmente influenciada pela Saturnália, o maior festival público da Roma pré-cristã, que de um dia (17 de Dezembro) se tornou numa semana de folia (até 23 de Dezembro) em honra de Saturno.


Muitos dos símbolos que hoje associamos ao Natal derivam do Yule nórdico:


O tronco de Natal (Yule log)

No Yule dos povos germânicos antigos, o Deus Thor seria uma das figuras centrais. Thor, senhor dos trovões, era também associado ao carvalho, e por isso seria costume utilizar um tronco de carvalho como forma de venerar a divindade. O tronco, escolhido no Solstício de Inverno do ano anterior, era decorado com pinhas e agulhas de pinheiro. Pequenos pedaços de papel contendo os desejos para o novo ano eram introduzidos na folhagem, o tronco era queimado durante o Yule e as suas cinzas preservadas, pois dizia-se que possuíam propriedades mágicas.


Algures entre os sécs. XVIII e XIX, o tronco de Natal tornou-se numa apreciada sobremesa originalmente confeccionada por pasteleiros franceses, e é este o formato pelo qual melhor o conhecemos.


A árvore de Natal (Yule tree)


As árvores, como o tronco do Yule, estiveram sempre associadas à veneração do Deus Thor, em especial durante o Solstício de Inverno. Mas é a S. Bonifácio que a tradição atribui a criação da primeira árvore de Natal. Bonifácio, um missionário cristão, terá derrubado o Carvalho de Thor em Geismar, deixando que um jovem abeto se desenvolvesse junto às raízes da árvore morta. Para Bonifácio o abeto tornou-se um símbolo do triunfo do Cristianismo sobre as crenças pagãs, e mais tarde seria Martinho Lutero o primeiro a colocar luzes na árvore de Natal.


O azevinho (holly) e o visco (mistletoe)


O azevinho era, para os druidas, a planta mais sagrada, aquela que governava sobre o Inverno e o seu solstício. Os romanos pré-cristãos consideravam-no símbolo de Saturno, celebrado precisamente na Festa do Sol a 25 de Dezembro. Quanto ao visco, os seus frutos surgem por volta do Solstício de Inverno, e seriam também utilizados nos rituais celtas. Mais tarde surgiu o costume, de origem britânica, que sentencia que duas pessoas que se encontrem debaixo do visco devem beijar-se.



O Neopaganismo moderno celebra o Yule como o final das noites escuras e frias, das trevas da morte e da estagnação. Aqui é possível estabelecer um paralelismo muito próximo com o Natal cristão: assim como a Deusa-Mãe dá à luz a Criança Divina, o Deus-Sol que fará voltar os dias longos, o calor e a vida à Terra adormecida, também a Virgem Maria fez nascer Jesus, o Messias que veio iluminar a Humanidade com a sua palavra divina. Independentemente daquilo em que acreditamos (ou dos nomes diferentes que pretendem distinguir coisas na realidade muito semelhantes), este é sem dúvida um momento de alegria e esperança: a Luz está já a caminho, e com ela dias melhores virão!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte III

CÉREBROS E COMPUTADORES

Se compararmos o cérebro a um computador poderemos compreender melhor os processos físicos que nele ocorrem. Um computador consiste num mecanismo electrónico que contem programas, e que é capaz de processar informação proveniente de fontes internas e externas. Por exemplo, o nosso computador pode ter um programa de e-mail, um processador de texto e um programa de desenho. Quando queremos ver o nosso e-mail, damos a ordem para que o computador se ligue ao servidor e publique os resultados dessa ligação no nosso monitor, de modo a que possamos interagir com eles a um nível consciente.

Um computador pode processar informação em apenas um programa, num determinado instante. Pode parecer que lida com vários programas simultaneamente, mas o que na realidade faz é “saltar” entre os programas que estão activos e os inputs que vai recebendo de fontes externas. Esses “saltos” são tão rápidos que normalmente não nos apercebemos deles, parecendo-nos que o computador executa várias tarefas simultaneamente quando, na realidade, é capaz de processar apenas uma tarefa de cada vez.

Tal como o computador, o cérebro contém centros de processamento com “programas” para os nossos 5 sentidos, além de inputs de todos os órgãos internos até ao nível das células. Porém, ao contrário do computador, o cérebro é um organismo vivo, que funciona por processos electroquímicos, e por isso nunca se desliga. O cérebro funciona em contínuo, processando biliões de “bites” de informação contidos nos dados sensoriais provenientes do contacto com o meio exterior.

Sabemos menos do funcionamento do cérebro do que de qualquer outra coisa existente no mundo físico. Um dos desafios mais difíceis tem sido o facto de não ser possível encontrar uma localização física para a memória. Aliás, existe já um considerável conjunto de provas científicas que apontam para um conceito de memória que não está circunscrito ao cérebro físico. Este e outros aspectos serão discutidos mais à frente, mas por agora veremos de que forma a ciência actual explica a memória.

Memória de Longo Prazo

A nossa memória de longo prazo contém todas as informações que alguma vez foram processadas no cérebro durante o seu período de vida. Isso inclui factos, números, nomes, imagens. A maioria das pessoas não será capaz de se lembrar o que comeu ao almoço no dia 5 de Abril de há 20 anos, ou a matricula de todos os veículos que se cruzaram consigo no seu passeio mais recente. E no entanto esta informação permanece armazenada no cérebro, com todos os seus detalhes. A memória declarativa pode ser comparada ao disco rígido do computador. As suas informações permanecem guardadas até que um “programa” as active, mostrando-as no “ecrã” da consciência. Se me quiser lembrar onde parei o carro quando terminar as minhas compras no supermercado, essa informação torna-se imediatamente disponível a partir da minha memória.

Memória Procedural

A memória procedoral inclui acções, hábitos ou capacidades que aprendemos por repetição. Exemplos incluem jogar ténis, andar de bicicleta, andar, nadar, tocar um instrumento musical. A memória procedural permite-nos desempenhar tarefas rotineiras sem ter de pensar conscientemente naquilo que estamos a fazer. Se eu trabalhar no supermercado e parar o carro diariamente no mesmo sítio, acabarei por me dirigir a esse sítio no final do expediente sem ter de pensar “onde parei o carro?”.

Memória de Curto Prazo

O “output” do cérebro é mostrado no nosso “ecrã” consciente. Enquanto escrevo isto, a minha consciência está concentrada naquilo que estou a fazer, e é isso que neste momento ocupa a minha memória de curto prazo. Este tipo de memória pode ser equiparado à memória RAM do computador. É uma parte da memória dedicada à tarefa do presente, e é esvaziada logo que essa tarefa seja terminada.


Recordar

Cada som que alguma vez ouvimos, cada palavra, cada imagem, cada toque, cheiro ou saber, estão guardados na memória de longo prazo, assim como as emoções que sentimos no momento em que essas recordações foram registadas. Embora o cérebro grave cada pedacinho de informação das nossas vidas quotidianas, normalmente somos apenas capazes de recordar aquilo que passou pelo “ecrã” da nossa memória de longo prazo. Não seríamos capazes de nos lembrar da matrícula de todos os carros com que nos cruzamos no caminho para o emprego, mas se nos concentrarmos numa dessas matrículas em particular, se a repetirmos várias vezes, conseguimos estabelecer uma ligação consciente, e essa matrícula estará mais prontamente disponível quando nos quisermos lembrar dela.


Quanto mais atenção dermos a uma determinada informação na nossa memória de curto prazo, mas acessível essa informação ficará a partir da memória de longo prazo.



Adaptado de: The Nuts and Bolts of Meditation

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte II

O CÉREBRO

O cérebro é um órgão do corpo que, como todos os outros órgãos, está concebido para desempenhar uma ou mais tarefas específicas. Uma das principais tarefas do cérebro é o controlo de todo o corpo físico. O batimento cardíaco, a digestão, a temperatura e todos os processos “automáticos” que nos mantêm vivos são controlados pelo cérebro. Isto é possível através do processamento de informação sensorial interna e externa, como se de um computador se tratasse.

O cérebro também nos fornece um interface de percepção consciente, aquilo a que os cientistas chamam “auto-percepção”. Os inputs dos cinco sentidos são processados pelo cérebro e “mostrados” num “ecrã” mental onde podemos observar e interagir.

Embora o processamento cerebral de informação electroquímica seja relativamente bem conhecido, ninguém sabe como pode o cérebro permitir-nos ter a percepção de nós próprios. Na verdade o cérebro não tem nenhuma localização específica para o armazenamento da memória, por isso a forma como as recordações são formadas e registadas permanece um mistério.

Estas observações mostram-nos dois aspectos do cérebro a considerar: o processo electroquímico puramente físico, e o processo de auto-percepção e memória. Começaremos por abordar a “mecânica”, o aspecto puramente físico do cérebro.

O nosso cérebro é constituído por biliões de neurónios que utilizam a electricidade para comunicar entre si. Estas células estão permanentemente a gerar sinais eléctricos, nunca são “desligadas” ao longo do seu período de vida. A combinação de biliões de neurónios que enviam sinais simultaneamente produz no cérebro uma actividade eléctrica de grandes dimensões. Essa actividade pode ser detectada e mapeada utilizando equipamento biomédico como o Electroencefalógrafo (EEG).

As ondas cerebrais podem ser agrupadas pela frequência e estado mental a que estão associadas:

- Delta: 0.5 Hz a 4 Hz - Sono profundo, sem sonhos
- Teta: 4 Hz a 8 Hz - Sonolência, primeira fase do sono e do sonho
- Alfa: 8 Hz a 14 Hz - Estado relaxado mas alerta
- Beta: 14 Hz a 30 Hz - Estado de elevada concentração

Na realidade não é possível simplesmente mudar de uma frequência de ondas para outra. Todas as frequências estão presentes simultaneamente, mas apenas uma delas é a dominante em cada momento.

O seguinte esquema mostra, de um modo muito simplificado, as três camadas básicas em que está organizado o cérebro humano. O tronco cerebral é vulgarmente designado por córtex reptiliano, e é uma estrutura comum a todos os animais. O tronco cerebral é responsável pela regulação dos sistemas automáticos do organismo, como o batimento cardíaco, a temperatura, a digestão, etc. É também no tronco cerebral que são gerados os impulsos mais rudimentares de auto-preservação (tipo “lutar ou fugir”) e de agressividade.



Os répteis e anfíbios não desenvolvem muito o cérebro para além do tronco cerebral, por isso animais como a rã passam a sua vida dependentes de decisões tipo “piloto automático”. Por exemplo, a decisão de comer é baseada na presença de 3 informações visuais provenientes do ambiente próximo: 1) O alvo está a mover-se? 2) O alvo está próximo suficiente? 3) O alvo cabe na minha boca? Se a informação visual obtida responder “Sim” a estas 3 perguntas, então a rã saltará “automaticamente” tentando apanhar a presa. A decisão de fugir é semelhante: se o alvo estiver em movimento, se for maior do que a própria rã e se estiver demasiado perto, a rã saltará automaticamente para a água, mergulhando até se encontrar a uma distância segura. O mais importante a reter deste exemplo é que a rã não tem a capacidade de decidir como deve reagir. Cada um dos seus movimentos está pré-determinado pelos sinais que são processados pelo cérebro tipo “piloto automático”.

A segunda camada cerebral designa-se por “sistema límbico”, e é responsável pela nossa vida emocional. O sistema límbico não só está envolvido na criação de memórias, como parece adicionar emoções às memórias que vão sendo criadas, tornando essas emoções disponíveis ao nosso “ecrã mental” cada vez que as memórias são relembradas.

A última camada cerebral é chamada de neocórtex, e conhecida como “cérebro racional”. É a área onde são executadas as operações lógicas e de racionalização. De um ponto de vista meramente físico, é aqui que reside o nosso “ecrã mental”, a nossa percepção.


Adaptado de: The Nuts and Bolts of Meditation

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte I

Por sugestão da Cabeça Direita do Monstro de Duas Cabeças (estudiosa das religiões mais obscuras, colega de devaneios metafísicos e querida amiga), começo aqui uma série de posts contendo a tradução/adaptação do livro electrónico “The Nuts and Bolts of Meditation”, de Bill Cozzolino.
_________________________________________________________


INTRODUÇÃO


Se seguirmos um rio contra a corrente, acabaremos por encontrar a sua fonte.


Em todas as épocas da História humana, têm existido cientistas que tentam seguir o curso do “rio” que é o universo físico. A Ciência procura explicar como funciona o mundo material através de observações, hipóteses e experiências destinadas a provar certas conclusões. Cada nova descoberta científica leva a uma nova questão, cada conclusão impulsiona a Ciência a subir um pouco mais, rio acima.

Quando descobrimos como funcionam as coisas, conquistamos o controlo sobre os processos envolvidos. Podíamos ter parado em qual quer ponto do rio das descobertas, mas a nossa necessidade inata de conhecimento tem-nos mantido nesta caminhada, que nos levou até ao átomo, às unidades fundamentais que constituem o universo físico, e mais além! O nosso conhecimento e entendimento dos processos envolvidos no nosso mundo material deu-nos a capacidade de controlar esses processos, e de mudar a forma como vivemos.


A evidência do poder quântico do cérebro está por todo o lado!


Grandes cientistas como Louis Pasteur, Thomas Edison e Albert Einstein deram passos gigantescos no conhecimento, aparentemente de um dia para o outro! Os poderes mentais que encontramos em alguns dos maiores especialistas incluem as extraordinárias capacidades para calcular números e datas, para memorizar material escrito, visual e oral, para assimilar automaticamente outras linguagens, e para tocar instrumentos musicais sem nunca o ter aprendido.

Será que todos os nossos cérebros são iguais, ou existe algo mais, uma espécie de “propriedade oculta” que permite certas excepções?

O canal Discovery emitiu recentemente um programa intitulado “Tudo o que precisa de saber sobre o cérebro”, no qual foram reveladas experiências científicas nas quais uma sonda electromagnética colocada num cérebro aparentemente mediano tornava-o capaz de grandes talentos instantaneamente!


Agora podemos ver o que se passa dentro do cérebro!


O cérebro humano tem uma “corrente” relativamente constante de actividade electroquímica que acaba por resultar num “oceano” de percepção consciente. Os instrumentos científicos modernos pode mostrar e registar os padrões electroquímicos do cérebro e as suas variações, pelo que nos é possível saber o que se passa dentro do cérebro durante o seu funcionamento.

Sabemos que existe uma relação directa entre o alvo da nossa atenção, as tarefas mentais que desempenhamos e os padrões electroquímicos cerebrais resultantes dessa actividade. Diferentes processos mentais como resolução de problemas, sono, sonho e mudanças de humor produzem diferentes padrões de ondas cerebrais. Esses padrões alteram-se porque temos um controlo consciente da nossa atenção, e aprofundam-se à medida que apontamos conscientemente a nossa atenção para um único alvo. O termo utilizado habitualmente para descrever o controlo consciente do alvo da atenção e a actividade cerebral daí resultante é Meditação. Para muitas pessoas, esta palavra tem conotações místicas, metafísicas ou religiosas, mas o facto é que estamos permanentemente a escolher onde concentramos a nossa atenção, por isso, na prática, estamos sempre a meditar!

O Dr. Tomio Hirai relata que os meditadores Zen conseguem alterar a frequência das suas ondas cerebrais entre Alfa e Teta, consoante a profundidade do seu estado meditativo. De acordo com o Dr. Hirai, “A Meditação não é apenas um estado entre a estabilidade mental e o sono, mas uma situação na qual a mente funciona a um nível óptimo. Nessa situação, a pessoa está relaxada mas pronta para aceitar e responder positivamente a qualquer estímulo que lhe possa chegar”.

A Wikipedia define a palavra Meditação da seguinte forma:

- Estado que é experimentado quando a mente se dissolve e se liberta de todos os pensamentos
- Concentração da mente num único objecto (ex. uma estátua religiosa, o movimento da respiração, um mantra)
- Abertura mental ao divino, invocação da protecção de um poder superior
- Análise racional de ensinamentos religiosos (como o conceito budista de “impermanência”)

… É fácil observar que as nossas mentes estão continuamente a pensar sobre o Passado (memórias) e o Futuro (expectativas). Com intenção, é possível abrandar a mente e observar um silêncio interior, também chamado de experiência do momento presente. Esta é uma sensação subjectiva de estar ligado à universalidade do Ser. A Meditação é o método que permite chegar a esta vivência. É o meio experimental de separar os pensamentos da parte da nossa consciência que os compreende: o observador. Ao desligarmos a mente conseguimos observar os detalhes mais subtis e controlar aquilo a que damos atenção.



Existe já um extenso conjunto de trabalhos científicos que atestam o efeito positivo da Meditação no aumento da resposta imunitária, na redução do stress, na diminuição da dor e na melhoria do estado geral de saúde.


A questão é: a Meditação funciona!


Este livro aborda a Meditação de um ponto de vista puramente científico. O cérebro produz um “rio” de actividade eléctrica detectável, e se o seguir contra a corrente, acabará por encontrar a sua fonte.

Desfrute da viagem!


Fonte: The Nuts and Bolts of Meditation

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Tarot - IX. O Eremita

"Fui para os bosques porque desejava viver deliberadamente, enfrentar apenas os factos essenciais da vida, e ver se podia aprender tudo o que eles tinham para ensinar; para que, quando morrer, não descubra que não vivi."

Henry David Thoreau, filósofo norte-americano (1817-1962)


"Parecia-lhe um ritual necessário preparar-se para dormir meditando sob a solenidade do céu nocturno… uma misteriosa transacção entre a infinidade da alma e a infinidade do universo."

Victor Hugo, escritor francês (1802-1885)


Simbologia e Arquétipo

Um homem idoso com vestes de monge desloca-se na escuridão da noite, numa paisagem inóspita, segurando uma lanterna.


A Viagem do Louco

Depois de uma vida atribulada e longa, de criações, de compromissos, de amores e ódios, de sucessos e fracassos, o Louco sente uma profunda necessidade de se retirar. Encontro o refúgio perfeito numa pequena cabana no meio da floresta, onde pode ler, organizar-se, descansar ou simplesmente pensar. Mas todas as noites ele viaja pela paisagem outonal, levando consigo apenas o bordão e a lanterna.

É durante estes passeios, do ocaso à aurora, observando e examinando tudo o que lhe desperta curiosidade, que ele vê e absorve aquilo que lhe tinha escapado até então, sobre si próprio e sobre o mundo. É como se os cantos secretos da sua mente, cuja existência era até agora desconhecida, fossem lentamente iluminados. De certa forma, ele voltou a ser o Louco: como no início, segue para onde a inspiração o leva. Mas enquanto o Louco levava o bordão sobre o ombro, com uma trouxa de conteúdo desconhecido, o bordão do Eremita está à sua frente. E ele carrega uma lanterna, não uma trouxa. O Eremita é como essa lanterna, iluminado por dentro por tudo aquilo que é.







O Eremita no baralho Fantastical Creatures (US Games)






Notas Interpretativas

Simbolizado pelo signo de Virgem, o Eremita é a carta da introspecção, da análise e, até certo ponto, de uma espécie de “virgindade”. Este não é o momento para socializar: há um desejo de paz interior e de solidão. Nem é o tempo para a acção, para discutir ou tomar decisões. É o tempo para pensar, organizar, reabastecer. Podem surgir sentimentos de frustração e descontentamento nesta etapa de reclusão, além de alguma impaciência no lidar com as outras pessoas. Mas como um artista que se esconde durante algum tempo para depois emergir com a sua obra-prima, este tempo de silêncio permite encaixar todas as peças do puzzle mental antes de passar à acção.

Outro aspecto importante desta carta é que o Eremita parece sempre estar a mover-se. Nunca o vemos fechado no seu refúgio, mas antes deambulando, procurando. Este é o aspecto irrequieto de Virgem, sempre em busca de informação, analisando, estabelecendo relações, sempre céptico e disposto a “ver com os seus próprios olhos”.






O Eremita no baralho Thoth (US Games)







O Eremita pode também representar uma pessoa sábia e inspiradora, um amigo, professor ou terapeuta, alguém que o Querente costuma consultar a sós, alguém que pode não ser do conhecimento dos restantes amigos e familiares do Querente. Esta é uma pessoa capaz de iluminar aquilo que antes era misterioso e confuso. E que pode ajudar o Querente a encontrar aquilo que procura.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Samhain - A Noite dos Mortos

The night is coming the veil is thin
Hear their voices within the winds.

Light the fires and chant out loud,
Feel them walk within the crowd.

The summer is gone
and winter draws near
The veil will open,
welcome them without fear.

Our loved ones past will soon be among our place,
See the veil thinning and you will see their face.

Embrace the night and let your magic be known,
The truth that is here will soon be shown.

Enjoy this time celebrate the worlds within your rites,
The veil is once again thinning, it is again Samhain Night


Samhain Night, de Starrfire Price


Ao pôr-do-Sol do dia 31 de Outubro tem início o Samhain (em inglês pronuncia-se SOW-in, SAH-vin ou SAM-hayne, e significa “Fim do Verão”) uma celebração muito especial da 3ª e última colheita agrícola. A metade do ano dominada pelo Inverno e o Ano Novo celta começam neste Sabbat. Muitas culturas em todo o mundo comemoram o seu Dia dos Mortos nesta data, mas o Samhain da tradição pagã teve origem nos celtas que em tempos habitaram as Ilhas Britânicas. A cultura norte-americana conhece-o por “Halloween”, a Noite das Bruxas, mas é muito mais do que isso: é um momento mágico em que as leis do tempo e de espaço são temporariamente suspensas, e é levantado o véu que separa os mundos.

Na Europa pré-cristã, esta altura do ano marcava o início dos meses de frio e de pouca fartura. Os rebanhos eram recolhidos a abrigos de Inverno, mas alguns animais eram abatidos para que a sua carne servisse de alimento até à Primavera seguinte. Além da sua importância agrícola, os Celtas encaravam o Samhain como um momento muito espiritual: a meio do período que separa o Equinócio de Outono do Solstício de Inverno, os povos antigos atribuíam-lhe grandes poderes de magia e comunhão com os espíritos. O “véu entre os mundos” dos vivos e dos mortos estava, nesta altura, tão fino quanto possível, pelo que era o momento oportuno para convidar os mortos a regressarem para junto dos seus entes queridos ainda vivos. A reunião era comemorada com uma mesa farta, onde sobravam cadeiras para os “convidados invisíveis”, e executavam-se rituais para apaziguar os espíritos e comunicar com o outro mundo. Outras práticas que encontravam no Samhain um momento propício eram a divinação e os pedidos de desejos para o ano novo.



São inúmeras as tradições associadas ao Samhain, e que ainda hoje se praticam:

- Oferecer de comida em altares ou degraus, para alimentar os mortos que nessa noite vagueiem entre nós

- Acender velas às janelas, para ajudar a guiar até casa os espíritos dos antepassados.

- Acender fogueiras que vão conter a energia do Deus morto, iluminar a escuridão da noite, afastar o mal, receber a luz do Ano Novo e purificar o espaço ritual ou o lar.

- Enterrar maçãs à beira das estradas para dar algum conforto aos espíritos que se perderam ou que não têm descendentes que olhem por eles.

- Esvaziar e esculpir abóboras, dando-lhes uma cara alegre de espíritos protectores para que velem pelos vivos nesta noite de magia e caos.

- Não viajar nesta noite; vestir de branco, com disfarces ou roupas do sexo oposto, para enganar os pequenos espíritos que andam à solta a pregar partidas.


Entre a comunidade neo-pagã, o Samhain assume uma grande importância, embora as actividades desenvolvidas nesta noite sejam bastante diversas. Muitos utilizam o tarot ou as runas, outros realizam rituais de homenagem aos mortos e convidam-nos para partilhar da sua refeição onde não faltam as maçãs, o milho, os pratos de carne, as sobremesas com abóbora, a sidra. Há ainda lugar para a meditação, a visualização e a projecção astral.

Em 2007, o Samhain lunar ocorre em 9 de Novembro, com a presença da Lua Nova em Escorpião. Esta é a Lua Negra, que traz consigo um enorme potencial de transformação, de morte e renascimento, de contacto com as emoções do inconsciente e com tudo o que está para além da realidade palpável. É em Escorpião que o Deus-Sol morre, simbolicamente, para voltar a nascer do ventre da Deusa-Mãe no Solstício de Inverno (Yule). Este ciclo perpétuo é essencial à regeneração da terra após as colheitas, e do ser humano, que tem aqui uma boa oportunidade de meditar sobre si mesmo, transformando o velho ego (o Sol que "morre") num novo ego que incorpora já as experiências vividas no último ano e abandona velhos paradigmas que já não são úteis à evolução da alma.


Este é o tempo de reflectir sobre a sua própria mortalidade. Aproveite!


Fontes: The Celtic Connection, The Witches Way, Witchvox

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Sugestão de Leitura

Descobri recentemente um e-book muito interessante sobre meditação. O autor faz questão de disponibilizá-lo gratuitamente, e procura transmitir uma explicação simples mas completa do que é a meditação, para que serve, como praticar, etc , sem conotações místicas ou religiosas. Afinal, esta é sem dúvida uma prática ao alcance de qualquer pessoa, independentemente das suas crenças, e que pode trazer grandes benefícios para mente, corpo e alma.


Infelizmente para alguns, o ficheiro encontra-se em inglês. Se houver interesse, posso dividi-lo e publicá-lo em posts, em Português.




Namaste, e boa leitura!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Signos do Zodíaco - V. Leão

“Fazer tudo aquilo de que se é capaz, é ser um homem. Fazer tudo aquilo que se gostaria de fazer, é ser um deus.”
“Vivo para a posteridade… a morte é insignificante. Mas viver derrotado e sem glória é morrer diariamente.”

Napoleão Bonaparte (nativo de Leão)

Sistema Tropical: 23 de Julho – 22 de Agosto
Sistema Sideral: 16 de Agosto – 15 de Setembro
Sistema Solar: 10 de Agosto – 15 de Setembro
Constelação: Leo
Elemento: Fogo
Qualidade: Fixo
Partes do Corpo: Coração, Plexo Solar
Regência Primária: Sol
Regência Base: -
Exaltação: -
Exílio: Urano/Saturno
Queda: Neptuno
Pedra preciosa: Rubi
Metal: Ouro
Cores: Laranja, dourado
Números: 2, 7, 8, 9
Dia:Domingo

Simbologia

Os leões parecem ter estado sempre ligados ao imaginário da Humanidade de uma forma mágica. No Antigo Egipto venerava-se Sekmet, a Deusa Leoa comandante das chamas que devoram os inimigos de Ra. Ela era temida pelo seu poder destrutivo, mas estava também associada à cura e à força de vontade. Na mitologia hindu, a deusa Durga monta num leão, símbolo do seu despertar para a virtude e para a pureza. No vocabulário hebreu existem sete palavras para denominar o leão, uma das quais pode ser traduzida como “A Luz de Deus”. Aliás, tanto a Tora como a Bíblia contêm inúmeras referências a leões (que só desapareceriam definitivamente do Médio Oriente no séc. XII d.C.). Uma das mais famosas é atribuída ao profeta Isaías, que prevê a vinda do Leão de Judá, o Messias.


Mitologia Grega


O primeiro dos 12 trabalhos de Hércules consistia em trazer ao Rei Euristeus a pele de um leão invencível que deambulava em Argolis, aterrorizando os montes à volta de Nemeia. Vários são os mitos em torno da origem deste leão. Alguns afirma que era filho de um monstro de 100 cabeças – o Tífon – e de uma jovem meia-serpente chamada Equinda. Outras lendas contam que o Leão de Nemeia caiu da Lua para a Terra, e nasceu da relação entre Zeus e Selena (Deusa da Lua). Selena terá libertado o Leão propositadamente, porque a população de Nemeia não lhe quis prestar vassalagem. Há ainda outras fontes que asseguram que o Leão de Nemeia era irmão da esfinge de Tebas.

Hércules deu início à empreitada viajando para Cleona, onde se hospedou na casa de um pobre trabalhado chamado Molorcus. Quando este se ofereceu para sacrificar um animal em prol do sucesso da caça ao Leão, Hércules pediu-lhe que esperasse 30 dias. Se ao fim desse tempo o herói regressasse com a pele do Leão, só então seria feito um sacrifício a Zeus. Se Hércules não cumprisse a sua missão, então Molorcus deveria fazer o sacrifício mas em honra do herói falecido.

Ao chegar a Nemeia, Hércules procurou o terrível Leão, mas cedo descobriu que as flechas eram inúteis contra o animal. Munindo-se de um bastão, Hércules seguiu o Leão até uma caverna com duas entradas. Bloqueou uma e entrou pela outra, e quando finalmente encurralou o Leão, conseguiu agarrá-lo e sufocá-lo até à morte. Algumas versões da lenda contam ainda que Hércules tentou tirar a pele ao Leão, mas não era possível cortá-la ou rasgá-la. Só as próprias garras do Leão se mostraram suficientemente cortantes para o fazer. A partir de então, Hércules passou a utilizar a pele do Leão de Nemeia como armadura protectora, e como sinal de que havia adoptado simbolicamente a bravura do Leão de Nemeia para completar os trabalhos que ainda tinha pela frente. Mais tarde, diz-se que Zeus colocou o Leão de Nemeia nos céus para lembrar a coragem do animal. E o Leão lá permanece, dormindo a maior parte do tempo, e passando a imagem de que, apesar dos enormes dentes e da fama de ferocidade, é na verdade um animal amigável, afectuoso, e um excelente protector da sua prole.


Significado Astrológico

A entrada do Sol no signo de Leão marca o auge do ciclo Primavera-Verão, época de prosperidade e bem-estar em que o trigo se acumula nas eiras. Leão é isso mesmo: generosidade, magnificência (regência do Sol), e por isso mesmo, exclusão do cálculo e da cautela (exílio de Saturno). O Eu viril, que em Carneiro se dava a ares marcianos e procurava afirmar-se agressivamente, atinge em Leão toda a sua plenitude: é absolutamente seguro de si próprio e afirma-se pelas demonstrações de orgulho e de superioridade, adora as entradas triunfais e melodramáticas, e não se coíbe em gastar o que tem (e o que não tem) por um artigo luxuoso que o vai fazer brilhar ainda mais. A confiança nos próprios meios confere-lhe uma grande resistência à mudança (queda de Neptuno). Não há espaço para a prudência, para as subtilezas técnicas e diplomáticas (queda de Urano), e muito menos para o pessimismo: o Sol exige uma constante demonstração de magnificência, de menosprezo pelos detalhes… enfim, a atitude de um verdadeiro rei. Claro está que, como um verdadeiro Rei-Sol, Leão está sujeito a certas debilidades de carácter (embora jamais as vá assumir!): subestima os seus adversários, tende a ser autoritário, não tem grande sentido de oportunidade, é-lhe difícil adaptar às circunstâncias e acaba por ser demasiado vulnerável aos elogios dos outros, deixando-se convencer por quem quer que o saiba levar pela lisonja. Em compensação, é um optimista inabalável e o mais caloroso dos signos, manifestando os seus afectos sem medida nem reservas.

O seu lema? Sol, jamais a sombra.

Como se define? EU QUERO!


Fontes:
Introdução à Astrologia,
de Lisa Morpurgo (Ed. Pergaminho)
Manual de Interpretação Astrológica, de Stephen Arroyo (Pub. Europa-América)
Penumbra, Wikipedia

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Princípios da Crença Wicca

O Conselho de Bruxas Americanas foi constituído em Abril de 1974 (e dissolvido no mesmo ano), numa altura em que a ausência de uma organização Wicca a nível nacional e internacional dava azo a equívocos, favorecendo a construção de imagens distorcidas d’ “A Arte” (como também é designada esta religião) perante a opinião pública. O objectivo principal do Conselho era “separar o trigo do joio”, mostrando para o interior do movimento wicca e, sobretudo, para o exterior, quais os princípios comuns a todos os Wiccans, demarcando-se categoricamente do Satanismo e de outras seitas derivadas e devolvendo ao termo “Bruxo(a)” o seu significado original. O texto produzido veio clarificar muita da confusão surgida até então e permanece, hoje, uma referência incontornável na forma wicca de encarar a religião e a vida.
__________________________________________________________

Princípios da Crença Wicca

Introdução

O Conselho dos/as Bruxos/as Americanas considera essencial definir a Bruxaria moderna [Wicca] em termos da experiência e necessidade americanas.
Não estamos limitados/as pelas tradições de outros tempos e de outras culturas, e não devemos fidelidade a nenhuma pessoa ou poder maior do que a Divindade que se manifesta através do nosso ser. Como Bruxos/as Americanas, acolhemos e respeitamos todos os ensinamentos e tradições afirmativos da vida, e procuramos aprender e partilhar os nossos conhecimentos dentro do nosso Conselho. É neste espírito de receptividade e cooperação que adoptamos estes princípios da crença Wicca.Tentando ser inclusivos, não pretendemos abrir-nos à destruição do nosso grupo por aqueles que só querem o poder para si próprios, ou pelas filosofias e práticas contraditórias aos nossos princípios. Tentando excluir todos aqueles cujas atitudes sejam contrárias às nossas, não queremos negar a participação a ninguém que não esteja sinceramente interessado no nosso conhecimento e crenças, qualquer que seja a sua raça, cor, género, idade, origem nacional e cultural, ou preferência sexual.

1. Praticamos rituais para nos sintonizarmos com o ritmo natural das forças da vida, marcado pelas fases da Lua e pelas estações e meias-estações do ano.

2. Reconhecemos que a nossa inteligência nos dá uma responsabilidade única em relação ao meio ambiente. Procuramos viver em harmonia com a Natureza, em equilíbrio ecológico, oferecendo auto-realização e consciência dentro de um conceito evolucionário.

3. Reconhecemos a existência de um poder muito superior ao que é aparente à pessoa comum. Por estar muito para além do que é vulgar, é por vezes designado de “sobrenatural”, mas vêmo-lo como estando no centro do que consideramos ser o potencial natural de todos nós.

4. Vemos o Poder Criativo do Universo manifestando-se através da polaridade, como Masculino e Feminino, e que este Poder Criativo existe em todas as pessoas, funcionando através da interacção masculino-feminino. Não valorizamos um mais do que o outro, sabendo que um sustenta o outro. Valorizamos o sexo como prazer, como símbolo e incarnação da vida, e como uma das fontes de energia utilizadas na prática mágica e na adoração religiosa.

5. Reconhecemos a existência de mundos exteriores e interiores, ou psicológicos, também conhecidos como Mundo Espiritual, Inconsciente Colectivo, Planos Interiores, etc – e vemos na interacção e entre estas duas dimensões a base dos fenómenos paranormais e dos exercícios mágicos. Não negligenciamos uma dimensão em prol da outra, porque ambas são necessárias à nossa auto-realização.

6. Não reconhecemos nenhuma hierarquia autoritária, mas honramos aqueles que ensinam, respeitamos aqueles que partilham o seu conhecimento superior e a sua sabedoria, e apreciamos aqueles que se entregam corajosamente a actividades de liderança.

7. Vemos religião, magia e sabedoria na vida como estando unidas, da mesma forma que vemos o mundo e as vidas dentro dele – uma visão e uma filosofia de vida que identificamos como Witchcraft – a Visão Wicca.

8. Auto-intitular-se “Bruxo/a” não faz o/a Bruxo/a, nem o faz a hereditariedade, a colecção de títulos, graus ou iniciações. Um/a Bruxo/a procura controlar as forças dentro de si próprio/a que tornam a vida possível, de forma a viver bem e com sabedoria, sem prejudicar os outros e em harmonia com a Natureza.

9. Acreditamos na afirmação e na concretização da vida, num processo de contínua evolução e desenvolvimento da consciência que dá significado ao Universo que conhecemos e ao papel pessoal que cada um de nós nele desempenha.

10. A nossa única animosidade contra o Cristianismo, ou contra qualquer outra religião ou filosofia de vida, acontece na medida em que as suas instituições defendam a sua via como “a única via”, tentando negar a liberdade dos outros e suprimir outras formas de prática e crença religiosas.

11. Como Bruxos/as Americanos/as, não nos sentimos ameaçados/as pelos debates sobre a história da Arte, as origens dos mais variados termos, a legitimidade dos vários aspectos das diferentes tradições. Preocupa-nos o nosso Presente e o nosso Futuro.

12. Não aceitamos o conceito de Mal absoluto, nem veneramos qualquer entidade conhecida por "Satanás" ou por "Diabo", definida pela tradição cristã. Não procuramos o poder através do sofrimento dos outros, nem aceitamos que o benefício pessoal possa vir apenas da negação do benefício de outrem.

13. Acreditamos que devemos procurar na Natureza aquilo que contribui para a nossa saúde e para o nosso bem-estar.

sábado, 13 de outubro de 2007

Tarot - VIII. A Força

"A força selvagem do génio é muitas vezes predestinada pela Natureza, para ser finalmente vencida por uma força silenciosa. O vulcão expele os seus jactos vermelhos com terrível força, como se fosse atingir as estrelas. Mas a calma e irresistível mão da gravidade apanha-os, e devolve-os à Terra."

Peter Bayne (escritor escocês, 1830-1896)


Simbologia e Arquétipo

Uma mulher, com um lemniscato sobre a cabeça, segura a cabeça de um leão de modo firme porém delicado. Em alguns baralhos a jovem surge abrindo a boca do leão, noutros fechando-a.


A Viagem do Louco

Seguindo os conselhos do guerreiro d’O Carro, o Louco triunfou sobre os seus inimigos e sente-se vitorioso, poderoso, arrogante, e até um pouco vingativo. Há dentro dele uma paixão que fervilha, e que ele mal consegue controlar. É neste estado que o Louco encontra uma jovem mulher que luta com um leão. Acorrendo em seu auxílio, o Louco chega a tempo de a ver fechar a boca do leão, delicadamente mas com firmeza. Aliás, o animal que parecia tão selvagem e feroz há poucos instantes, está agora sob o total domínio da jovem. Impressionado, o Louco pergunta-lhe como conseguiu tal proeza, ao que ela responda: “Força de vontade. Qualquer besta, não importa o quão selvagem, acaba por se vergar perante uma vontade superior”. Por momentos os olhos do Louco cruzam-se com os da sua interlocutora, e ele apercebe-se que ela, apesar da sua juventude e docilidade, possui grande poder e sabedoria. “Da mesma forma”, continua ela, “existem muitos impulsos indesejados dentro de nós. Não é errado senti-los, mas é errado deixar que nos controlem. Somos seres humanos, não bestas irracionais: podemos comandar essa energia, dirigi-la a objectivos mais elevados”. O Louco sentiu que a sua raiva se acalmava e, sentindo-se mais esclarecido, afastou-se com a certeza de que não fora apenas o leão a ser domado naquele dia pela força pura e inocente de uma jovem mulher.








A Força no baralho Quest (Llewellyn)






Notas Interpretativas

Tal como o signo que a rege, Leão, a carta d’A Força representa coragem e energia: a força selvagem do leão, e a vontade inabalável da jovem. Ela não tem medo, é absolutamente perseverante e indomável. Ela é a prova de que a força interior é muito mais poderosa do que a força física bruta. Na obra “Qabbalistic Tarot”, Wang compara esta carta com uma das virgens de Vesta, que cuidavam do fogo sagrado da Deusa do Coração. O fogo é algo que inspira medo, queima e pode facilmente fugir do controlo. Mas algures no tempo perdemos o medo dele – mas não o respeito. E com vontade e inteligência, soubemos transformá-lo numa ferramenta preciosa.






A Força no baralho Crystal (Lo Scarabeo)







Esta é uma mensagem muito próxima da d’O Carro, a de que é possível vencer controlando os instintos. A diferença é que a carta d’A Força garante que o Querente pode controlar não só a situação, mas também ele próprio. É uma carta que fala de dominar a raiva e os impulsos, de encontrar respostas criativas, de liderança, de manter a própria honra. O fogo, como o leão ou qualquer outra coisa que se queira controlar – uma situação, uma pessoa ou os próprios impulsos –, podem causar danos. A carta d’A Força traz a mensagem de que não se deve desistir nunca, mas ter a coragem de continuar a tentar e a certeza de que é possível vencer.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Wicca



"Yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay"

Ditado Galego




Wicca é uma religião neopagã que recupera a tradição pagã europeia da era pré-cristã, do culto da Terra e dos ciclos naturais. A palavra Wicca vem do inglês antigo, e significa "dobrar ou alterar".

As origens históricas da Wicca não são tema consensual. Gerald Gardner (1864-1964), antropólogo e um dos maiores impulsionadores do movimento Wicca, defendia que este resultava da sobrevivência de várias crenças pagãs matriarcais existentes na Europa pré-histórica, que lhe teriam sido transmitidas por uma anciã chamada “Dafo” ou “Velha Dorothy”. Enquanto alguns investigadores modernos identificam estas personagens com Dorothy Clutterbuck (suposta líder do New Forest Coven de Inglaterra), outros há que defendem que se tratam de duas fontes independentes. Há ainda quem acredite que tudo pode não ter passado de uma criação do próprio Gardner, que assim obteve uma origem mais “credível” para os rituais que reescreveu a partir de tradições antigas, rituais de magia cerimonial e outras fontes mais recentes, como Aradia ou o Evangelho das Feiticeiras, de Charles Godfrey Leland (folclorista, 1824 – 1903). Philip Heselton, iniciado na Wicca e autor de Wiccan Roots e vários outros livros sobre o tema, defende que Gardner não foi o criador dos rituais sobre os quais escreveu, mas que os recebeu de uma fonte anónima credível e os transmitiu de boa-fé.

Desde as primeiras publicações de Gardner, a Wicca tem-se desenvolvido e ramificado em várias tradições com rituais e práticas distintos. Muitas destas tradições permanecem secretas, e requerem alguma espécie de iniciação dos seus membros efectivos. Existe também um movimento de Wiccans Eclécticos, que acreditam não ser necessária qualquer doutrina ou iniciação tradicionais para a prática da Wicca. Em 2001, o American Religious Identification Survey estimava a existência de pelo menos 134.000 adultos praticantes de Wicca nos Estados Unidos.

Conceitos Fundamentais

A inexistência de uma única organização de referência Wicca tem levado a uma crescente heterodoxia nas crenças e práticas dos adeptos Wicca. No entanto, os princípios religiosos e éticos essenciais, de veneração da Natureza como manifestação do Divino, permanecem os mesmos, transmitindo-se oralmente dentro de um coven (grupo de adeptos de Wicca que realizam as práticas religiosas em conjunto) e/ou através de inúmeras obras publicadas sobre o assunto. O ramo eclético preconiza que, dentro dos moldes descritos em seguida, cada um é livre de experimentar e estabelecer a relação com a divindade da forma que sentir ser, espiritualmente, a mais correcta.

Divindade

Para a maioria dos adeptos da Wicca, esta é uma religião duoteísta. A Deusa e o Deus são polaridades complementares que emanam de uma só fonte divina, e que estão presentes em toda a Natureza (dia e noite, feminino e masculino,…) numa generalização do princípio hermético de que “Tudo é dual”. As duas divindades são normalmente simbolizadas como Deus-Sol e Deusa-Lua, e esta por sua vez é uma tripla divindade: Deusa-Virgem (Quarto Crescente, o Nascimento), Deusa-Mãe (Lua Cheia, a Vida) e Deusa-Anciã (Quarto Minguante, a Morte). Algumas correntes da Wicca atribuem à Deusa um carácter pré-eminente, pois ela contém tudo e tudo cria. O Deus é adorado como a centelha da vida, a inspiração que motiva a criação da Deusa, simultaneamente o seu amante e o seu filho. O conceito duoteísta é frequentemente alargado a múltiplas divindades que não são mais do que manifestações do Deus (e.g. Pan, Zeus) e da Deusa (e.g. Diana, Hecate). O número e natureza dos deuses adorados pode variar de coven para coven e até mesmo entre praticantes do mesmo coven.

Símbolo da Deusa Tríplice


Animismo

O Deus e a Deusa podem manifestar-se nas pessoas, encarnando temporariamente nos corpos dos sacerdotes e sacerdotizas.

Os Elementos

Toda a força ou forma resulta da expressão de um ou da combinação de vários dos quatro Elementos – Terra, Ar, Fogo e Água. Há ainda um quinto elemento, o Espírito. Os cinco elementos formam as cinco pontas do Pentagrama, um dos símbolos mais importantes da Wicca.

O Círculo

Não existem edifícios dedicados à prática religiosa: qualquer lugar na Terra é adequado ao contacto com a divindade. O ritual inicia-se invariavelmente com a criação do Círculo, uma área circular em torno dos participantes que é purificada pelos quatro elementos. O restante do ritual é conduzido no interior do Círculo, com a invocação dos nomes da Deusa e do Deus, assim como dos poderes da Natureza. O Círculo é considerado uma zona de protecção dentro da qual o indivíduo está protegido, e onde pode atingir estados de consciência alterados, “entre mundos”. O Círculo serve também para conter a energia que é acumulada durante o ritual, até chegar o momento certo de a libertar em direcção ao objectivo pretendido.

As três leis fundamentais

Embora a Wicca não possua qualquer texto sagrado, existe um conjunto de 3 princípios essenciais para a forma de ser e estar de um wiccan.

1.An ye harm none, do what ye will”. Esta é a Wiccan Rede, e também o lema adoptado para o Nodo Ascendente: Faz o que quiseres, desde que não prejudiques ninguém. Deve ser aplicado às práticas mágicas e conduzir a uma atitude aberta e responsável perante a vida em geral.

2. Lei das Três Vezes: Aquilo que fizeres ser-te-á devolvido três vezes mais. Este é uma extensão do conceito do karma, e prevê que cada pessoa está sujeita às consequências dos seus actos, sendo que actos positivos geram retornos positivos, actos negativos atraem retornos negativos. Esta Lei parece confinada à corrente Gardneriana, pois o cumprimento da primeira Lei já assegura todo um código ético que dispensa o receio das consequências para ser eficaz.

3. A última grande crença é a da Reencarnação. Na Wicca não existe paraíso ou inferno, pois a Morte é considerada apenas uma outra forma de existência. Alguns adeptos acreditam que a alma renasce continuamente, para sempre, enquanto outros defendem que, uma vez aprendidas as lições necessárias, a alma conquista o direito ao repouso eterno num local designado na tradição britânica por “Summerlands” (ou “Terras de Verão”). A crença na Reencarnação lida com a questão do karma a um nível muito superior do da Lei das Três Vezes, assegurando que cada pessoa renasce para uma nova vida nas circunstâncias mais adequadas aos actos que praticou na vida anterior.


Para saber mais, consulte as obras de Scott Cunningham (destinadas sobretudo ao praticante de Wicca solitário) e Raven Grimassi (responsável pelo renascimento do paganismo em Itália, a Stregheria).


Fontes:

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Signos do Zodíaco - IV. Caranguejo

"Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos"

Antoine de Saint-Éxupery (nativo de Caranguejo)
in O Principezinho


Sistema Tropical: c.21 de Junho - 22 de Julho
Sistema Sidereal: c.16 de Julho – 15 de Agosto
Sistema Solar: c.21 de Julho – 9 de Agosto
Constelação: Cancer
Elemento: Água
Qualidade: Cardinal
Partes do Corpo: Seios e Estômago
Regência Primária: Lua
Regência Base: -
Exaltação: Vénus
Exílio: Saturno e Urano
Queda: Marte

Pedra preciosa: Pérola, Jade
Metal: Prata
Cores: Verde, Azul, Cinzento
Números: 4, 5
Dia: Segunda-Feira



Simbologia

A associação da constelação de Câncer ao elemento Água remonta aos primórdios da Astrologia. Na Antiguidade acreditava-se que o Caranguejo era o primeiro Signo do Zodíaco, porque era através dele que a Vida tinha descido dos céus e entrado nos oceanos primitivos da Terra. Na Malásia, esta constelação era o “Primeiro e Único Caranguejo”, que viveu há muito tempo num buraco no fundo do mar, e era tão grande que as suas idas e vindas causavam das marés. Os Caldeus associavam esta região do céu a um Caranguejo porque estes animais conseguem mover-se de lado e para trás, como o Sol parece fazer ao chegar ao Solstício. Provavelmente associado a uma crença semelhante, os Egípcios viam esta constelação como um escaravelho que empurrava o Sol através dos céus. Alguns filósofos da Antiguidade referiram-se a Caranguejo como as “Portas do Homem”, por onde desciam à Terra as almas que deveriam encarnar. Finalmente, há uma lenda que é comum a várias culturas: quando todos os planetas se encontrarem em Caranguejo, o mundo terminará com uma inundação devastadora.


Mitologia Grega

No Segundo Trabalho, Hércules foi enviado para lutar contra a terrível serpente marinha de 9 cabeças conhecida por Hidra. Durante a batalha, todos os animais ficaram ao lado de Hércules, excepto um gigantesco caranguejo que havia sido enviado pela deusa Hera. O Caranguejo emergiu de uma gruta e agarrou com as suas pinças um dos pés de Hércules, distraindo a sua atenção momentaneamente. Este pequeno incidente quase custou a batalha ao herói, que acabou por matar o Caranguejo e, mais tarde, eliminar a Hidra. Apesar da vitória de Hércules, Hera homenageou a lealdade e coragem do Caranguejo, colocando a sua imagem (assim como a da Hidra) no céu nocturno.

Existem várias explicações para o facto de a constelação de Caranguejo ser constituída por estrelas pouco brilhantes: o Caranguejo ficou demasiado desfigurado no confronto com Hércules, ou talvez Hera lhe tenha tirado a luminosidade como castigo pela derrota.

Entre as estrelas de Caranguejo encontra-se um pequeno grupo conhecido por Asselli (Asnos), na parte de trás da carapaça. Reza a lenda que Hera havia enlouquecido Dionísio, que vagueava sem rumo através do Egipto e da Síria. Dionísio terá então visitado Dodona, para consultar o Oráculo de Zeus sobre como curar a sua loucura. Ao chegar a um enorme pântano, encontrou dois asnos, e neles montou para evitar molhar-se. No final da viagem, percebeu que estava curado e recompensou os asnos colocando-os no céu. Outra explicação descreve que durante a guerra entre os Olimpianos e os Titãs, Dionísio, Hefestos e os Sátiros cavalgaram para a batalha montados em asnos, que com o seu zurrar causaram uma confusão suficientemente grande para afugentar os Titãs.


Significado Astrológico

A chegada de Caranguejo assinala o Solstício de Verão. Nesta altura, a maturação dos frutos conclui a primeira fase do ciclo vegetal, e a Natureza retorna a um estado passivo: as características femininas se expressam na sua máxima força, com a regência da Lua e a exaltação de Vénus. A espera pela colheita, altura em que a foice cortará a vida dos campos, gera uma nostalgia pelo Passado, e extingue todos os impulsos agressivos (queda de Marte), e reduz a capacidade de decisão (exílio de Urano) e de racionalização (exílio de Saturno). Caranguejo é a criança do Zodíaco que sente saudades do ventre materno: meiga, inocente, recusa as responsabilidades e as soluções racionais, e manifesta uma enorme necessidade de estabilidade emocional. Possui uma imensa intuição, uma capacidade premonitória que se torna angustiante porque se concentra na incerteza do que o Futuro trará. O medo do desconhecido leva ao refúgio nas ligações afectivas ao Passado, no lar, nas recordações, nas tradições. Por outro lado, é também a intuição que permite a adaptação às mais variadas situações, na ausência de iniciativa e competitividade, e que serve de guia nos momentos mais difíceis.

O seu lema? A maré vai mudar.

Como se define? EU SINTO!

Fontes:
Introdução à Astrologia,
de Lisa Morpurgo (Ed. Pergaminho)
Manual de Interpretação Astrológica, de Stephen Arroyo (Pub. Europa-América)
Penumbra, Wikipedia

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Transmutação Mental

“A mente, como os metais e os elementos, pode ser transmutada, de estado para estado, de grau para grau, e condição para condição, de extremo para extremo, de vibração para vibração.

A verdadeira Transmutação Hermética é uma Arte Mental.”

in Kybalion


Os estudiosos do Hermetismo terão sido os primeiros alquimistas, astrólogos e psicólogos, que começaram a desenvolver estas áreas de conhecimento a partir dos ensinamentos de Hermes Trismegistus. O seu conhecimento dos saberes que hoje são considerados ciências, como a Astronomia, a Química e a Psicologia, era também vasto para a época, mas a sua sabedoria ia mais além, transcendendo a Astronomia através da Astrologia, a Química da Alquimia, a Psicologia convencional da Psicologia mística.

A Transmutação Mental é uma arte que surgiu de um dos muitos ramos do conhecimento secreto dos Hermetistas. A palavra “transmutação” tornou-se sinónimo da interconversão de metais, particularmente para a obtenção de ouro, mas o seu significado original é "m
udança de uma natureza, forma ou substância, para outra; transformação.”

Assim, Transmutação Mental é a arte de transformar estados, formas e condições mentais. Os seus efeitos, importantes por si só, são apenas o início de algo maior. O Primeiro Princípio Hermético declara que “Tudo é Mente; o Universo é Mental”, o que implica que a Transmutação Mental seja também a arte de alterar as condições do Universo, dando àquele que a pratica não só o poder de controlar o seu estado mental mas também as condições materiais do Universo do qual é parte integrante.

Tudo o que é hoje designado de “fenómeno psíquico” ou “influência mental” (como as técnicas de visualização sugeridas em muitos livros de auto-ajuda) funciona nestas linhas gerais. Independentemente do nome que se lhe dê, tudo se resume ao Primeiro Princípio Hermético. No entanto, a prática da Transmutação Mental envolve muito mais do que a simples visualização de um desejo que se pretende concretizar. É necessário conhecer os Princípios Herméticos para saber como utilizá-los: os efeitos de um Princípio podem ser anulados apenas com a aplicação de outro Princípio que lhe seja superior.

“Para alterar o seu estado de humor, altere a sua vibração.”

Porque tudo é mental, tudo é energia, tudo vibra (Terceiro Princípio Hermético). Uma pessoa pode tentar irritar-nos, mas não nos pode forçar a perder as estribeiras: somos NÓS que temos o controlo das nossas reacções, independentemente dos estímulos exteriores. As energias “negativas” (ódio, inveja, ciúme…) são estados de vibração de baixa frequência. Para alterarmos o nosso estado de humor, temos de elevar o nosso nível de vibração mental. Mas como fazê-lo?

“Para destruir um nível de vibração mental indesejável, utilize o Princípio da Polaridade e concentre-se no extremo oposto daquilo que deseja suprimir. Elimine o que é indesejável alterando a sua polaridade.”

É então possível dominar a nossa vibração mental pela aplicação do Princípio da Polaridade: no caso em que alguém tenta irritar-nos, devemos então saber que ira e serenidade são os dois extremos de uma mesma coisa, como amor e ódio, alegria e tristeza. Sabendo isso, compreendemos que podemos passar da ira à serenidade se for essa a nossa vontade consciente. E fazêmo-lo, por muito que a outra pessoa se esteja a esforçar por nos irritar. Do mesmo modo um sentimento negativo pode ser contagioso: uma pessoa de mau humor irrita-se com outra, que por sua vez fica irritada com a reacção da primeira e vai “descontar” no próximo que lhe aparecer à frente. E assim sucessivamente. Polaridade e vibração são elementos essenciais na arte da Transmutação Mental. Experimente e verá! ;-)

Fonte: Kybalion

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

YOGA Parte 4 – A Flor de Lótus


O Lótus é o símbolo da expansão espiritual, do sagrado, do puro. Para a religião Budista, uma lenda relata que quando Siddhartha Gautama (nome histórico de Buda) tocou o solo e fez seus primeiros sete passos, aonde pisou cresceram sete flores de lótus. O Budismo afirma que Siddhartha possui olhos de lótus, pés de lótus e coxas de lótus.

Já no hinduísmo, este nenúfar está relacionado com a criação do mundo. De acordo com as escrituras indianas foi do umbigo do Deus Vishnu que teria nascido uma brilhante flor de lótus e desta teria surgido outra divindade: Brahma, o criador do Cosmo.
Ao anoitecer, esta flor fecha-se e submerge na água, surgindo novamente ao amanhecer, voltada para o Sol nascente, como que a louvá-lo. Por essa razão, era igualmente sagrada para os deuses solares egípcios.

Tanto nas gravuras indianas, quanto nas representações de Budas, os deuses costumam aparecer em pé ou sentados sobre a flor, simbolizando a expansão da visão espiritual. Também o conhecimento espiritual supremo é comparado ao florescimento de uma flor de lótus na cabeça.

Esta é uma flor que floresce no lodo dos canais de beira de estrada por toda a Ásia, mas que nem por isso se deixa conspurcar pela lama, mantendo os seus botões limpos e brancos. É por isso que a postura mais recomendada pelos praticantes de Yoga para a meditação tem, simbolicamente, o nome de posição de Lótus: o aspirante espiritual permanece num mundo cheio de tentações, mas a sua mente eleva-se, e purifica-se, transcendendo os estímulos à sua volta.

Fontes: http://www.cacp.org.br/flor-de-lotus.htm
http://www.starnews2001.com.br/lotus/lotus_flower.htm

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Tarot - VII. O Carro

“A arte da guerra ensina-nos não a confiar na probabilidade de o nosso inimigo não surgir, mas sim na nossa prontidão para o receber; não na hipótese de ele não atacar, mas sim no facto de termos tornado a nossa posição inexpugnável.”

Sun Tzu (c.544-496 a.C.) in A Arte da Guerra


Simbologia e Arquétipo

No baralho Rider-Waite, uma biga é conduzida por um guerreiro armado com os símbolos do sol e da lua, lingam e yoni (a haste no escudo alado). Logo atrás do guerreiro, um trono adornado com estrelas. À frente, dois cavalos ou esfinges em repouso, um preto e o outro branco.

O Carro representa o ego maduro, forte, assertivo, seguro de si, em controlo das suas emoções e do meio que o rodeia.

A Viagem do Louco

O Louco está perto de atingir aquilo que se propôs criar quando, há muito tempo, o Mago lhe revelou as ferramentas de que dispunha. Mas agora existem inimigos no seu caminho, ardilosos inimigos humanos, circunstâncias desfavoráveis, até confusão na sua própria mente. Já não há ânimo para prosseguir; ele sente que precisa de lutar até mesmo para manter a posição que já alcançou.

Caminhando ao longo da praia, o Louco observa as ondas que vão e vêm, e pergunta-se como poderá derrotar os seus inimigos e seguir em frente uma vez mais. Nesse momento, ele encontra um guerreiro conduzindo um carro de ouro e prata, com dois cavalos (um preto e um branco) que agora repousam. “Pareces um guerreiro vitorioso”, comenta o Louco. “Diz-me: qual é a melhor forma de derrotar um inimigo?” O guerreiro aponta para o oceano. “Já nadaste no mar e sentiste que a maré te levava para longe da costa? Se tentasses nadar para a frente, não irias a lado nenhum: a maré puxar-te-ia para trás, e com o tempo acabarias por ficar exausto e aforgar-te. A única forma de vencer sem perder toda a energia é nadar paralelamente à costa, e começar a descrever lentamente uma diagonal que te vá aproximando cada vez mais da terra firme. O mesmo acontece quando se enfrenta uma batalha num carro. Consegues vencer ao ficar lado-a-lado com o teu inimigo, nunca ao bater de frente com ele. Os teus cavalos mantêm as rodas em andamento, mas é o teu controlo e a tua direcção que conquistam a vitória. Eles são luz e escuridão, que devem ser conduzidas com harmonia sob a tua orientação.”







O Carro no baralho Bosch Tarots (Lo Scarabeo)








O Louco sente-se impressionado e inspirado. Pensa que finalmente aprendeu como pode vencer a sua própria guerra. Agradece ao guerreiro, mas antes de partir ainda ouve mais um conselho. “Não te esqueças de que não há vitória sem uma total confiança na causa que se defende. E de que a vitória não é o fim, mas o início”.

Notas Interpretativas

O Carro é uma das cartas mais complexas do Tarot. A um nível mais básico, significa guerra, uma luta e, eventualmente, uma vitória arduamente conquistada. Sobre inimigos, obstáculos, a natureza, os monstros que guardamos dentro de nós, ou para ter aquilo que queremos. Mas esta carta é muito mais do que isso. O guerreiro que conduz o Carro enverga os emblemas do Sol, mas o signo por detrás desta carta é Caranguejo, regido pela Lua. O Carro fala de movimento, acção, mas normalmente surge parado.






O Carro no baralho Sidhe (Adam McLean, 2006)







Estas aparentes contradições na representação simbólica do Carro indicam uma união de opostos, como os cavalos branco e preto. Por instinto, eles correm em diferentes direcções, mas devem e podem ser comandados de modo a correrem juntos na mesma direcção. O controlo deve ser exercido sempre que há oposição de emoções, de vontades, de necessidades, de pessoas, de circunstâncias; dando-lhes uma só direcção, a nossa direcção. Para tal, é essencial ter confiança e motivação. Daí que o Carro simbolize também uma nova motivação ou inspiração, que confere dinâmica a uma situação que até agora se encontrava estagnada. A um nível mais prático, pode ainda representar uma viagem, um veículo ou uma mensagem.