E-book "Profissão: EU!"

E-book "Profissão: EU!"
Da autora do blog "Nodo Ascendente", já à venda em raquelfialho.com

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Regresso

Namasté!

Após largos meses de inacção, o blog Nodo Ascendente volta a actualizar-se. E porque todos estamos em permanente transformação, também este blog será renovado. Além dos artigos habituais, serão abordados mais temas da actualidade, e de que forma aquilo que aparentemente é alheio às nossas vidas individuais pode na realidade afectar-nos a todos de um modo mais ou menos subtil, e que nem sempre será conscientemente perceptível.

Para tudo isto conto, mais do que nunca, com o input de todos os visitantes do Nodo Ascendente. Embora não seja formalmente um fórum, todos os contributos, comentários e mails são benvindos. Se gostariam de ver algum tema explorado, se têm algum texto interessante que merece ser partilhado, eis o Nodo Ascendente. Este espaço é de todos nós, aproveitem-no!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte VIII

MEDITAÇÃO PARA A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS E ESTIMULO DA CRIATIVIDADE

Thomas Edison e Albert Einstein são apenas exemplos de um grupo muito vasto de cientistas, filósofos, artistas e pessoas de todos os ofícios que reservam um bocadinho do seu dia para dormir a sesta. Quem o faz diz ser capaz de ter novas ideias e de encontrar novas soluções com maior facilidade. Aqueles que meditam sentem os mesmos efeitos, seja durante a meditação ou logo a seguir a ela. Algumas empresas até promovem pausas para a sesta, de modo a melhorar a produtividade dos seus empregados!

Alguma vez tentou aceder sem sucesso a uma recordação que sabia que tinha guardada na memória? “Ah, sei que sei o nome do tal restaurante, está “debaixo da língua” mas não me consigo lembrar!” Quando tentamos aceder a essa fugidia recordação pela primeira vez, ela não surgiu imediatamente, e então começamos a fazer um esforço consciente. Para continuar a conversa, deixamos de lado a tentativa de lembrar do nome escondido (“Hei-de acabar por me lembrar”)… e em pouco tempo, inesperadamente, eis que regressa a recordação desaparecida (“Lembrei-me, finalmente!”)

Quando a memória é acedida pela mente inconsciente, há um súbito aumento de ondas de frequência alfa que momentaneamente se sobrepõem às ondas beta. Isto acontece milhares de vezes por dia. No entanto, o processamento de informação na memória de curta duração produz ondas beta, não alfa. E como só existe um padrão de ondas dominante em cada momento, é por isso que quanto mais nos esforçamos por nos lembrar de algo, mais ondas beta são geradas, mais difícil se torna a ocorrência dominante de ondas alfa que é indispensável ao acesso a memórias de longo prazo.

O mesmo acontece com a criatividade e a resolução de problemas. Quando pensamos numa determinada questão, estamos a produzir ondas beta, e podemos aceder à memória de longo prazo apenas nos curtos instantes em que as ondas alfa se tornam dominantes. Desta forma, temos acesso apenas a uma visão global do problema e das soluções que até já equacionámos e que por isso permanecem activas na nossa mente. E é por isso que, num estado dominante beta, não nos é possível construir um pensamento verdadeiramente novo e criativo.

A chave para a criatividade é conseguirmos desviar a atenção do problema em causa, possibilitando o desenvolvimento de padrões alfa e teta dominantes. Para encontrar novas relações e estabelecer conceitos diferentes, há que rever o problema e depois… colocá-lo de lado e partir para uma frequência teta!

O processo é semelhante à meditação descrita anteriormente, mas não nos devemos deixar adormecer ou deixar que a mente divague: por isso a posição ideal é sentado, e há que ter um alvo onde focar toda a atenção.

1. Defina um horário!

2. Crie um espaço para a meditação.

3. Sente-se numa posição confortável.


Não se deve deitar. Esta forma de meditação deve produzir um estado de plena consciência alerta.

4. Reveja brevemente o problema que deseja resolver.

Faça-o resumidamente, sem se deter nas soluções que já experimentou ou sobre as quais teorizou.

5. Seleccione um alvo para a meditação.

Conte cada inspiração/expiração e, sempre que lhe surgir um novo pensamento, ponha-o de lado, recomeçando a contagem. A respiração funciona como excelente alvo onde concentrar a atenção, mas pode escolher outro desde que não esteja relacionado com o problema em questão.

À medida que a meditação vai prosseguindo, desenvolvem-se padrões alfa mais prolongados e começam a surgir as ondas teta. Sempre que um novo pensamento surge, as ondas alfa aumentam momentaneamente, tentando aceder a memórias pré-existentes, mas o que se pretende são novas ideias – por isso cada pensamento deve ser posto de lado, sem julgamento. Aceite o pensamento e liberte-se dele, recomeçando a contagem. A repetição deste processo vai estimular as ondas teta mais profundas, abrindo caminho para a expressão de novas ideias na mente consciente.

Importante: Não fique “à espera” que lhe surjam novas ideias durante a meditação. Alimentar expectativas em relação a uma solução vai apenas servir para estimular padrões cerebrais já estabelecidos e por isso mesmo não-produtivos. No decorrer da meditação podem de facto surgir novas ideias, mas é mais provável que a maioria delas surja quando voltar a encarar o problema, após a meditação. São aqueles momentos “Como é que não pensei nisso antes?” que tornam possível aceder ao imenso potencial que se esconde por detrás da mente consciente. A meditação limita-se a abrir o caminho. Com a prática, este tipo de meditação produz:

- Estados de concentração mais profundos
- Resolução de problemas e descoberta de novos conceitos
- Maior intuição e capacidade criativa
- Maior consciência das próprias capacidades intuitivas e psíquicas.

A utilização de Sons Binaurais é opcional. Para este nível de meditação, recomenda-se a utilização de sons delta. Eis um exemplo que pode utilizar:

Sons Binaurais - Delta


Ajuste o volume para que seja apenas audível. Os sons binaurais vão estimular e aprofundar os padrões cerebrais teta, mas o praticante de meditação deve sempre esforçar-se por se manter alerta e concentrado. Experimente!


Adaptado de: The Nuts and Bolts of Meditation

sexta-feira, 28 de março de 2008

Espiritismo

“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar. Tal é a Lei!”

Allan Kardec (Professor Francês, 1804 - 1869)

“A morte é a mudança completa de casa sem mudança essencial da pessoa.”

Chico Xavier (Médium Brasileiro, 1910 - 2002)

Em meados do séc. XIX, o francês Allan Kardec introduziu o termo Espiritismo no primeiro volume da sua obra “O Livro dos Espíritos”. “Coisas novas merecem novos nomes”, e esta doutrina que se começava a desenvolver recebia agora um nome próprio. As teorias de Kardec surgiram da sua experiência na observação de uma série de fenómenos cuja explicação só poderia ser artibuída à existência de inteligência não-corpórea (Espíritos). A ideia de que era possível comunicar com os espíritos foi apoiada por muitos contemporâneos de Kardec, incluindo cientistas e filósofos, e o seu trabalho foi continuado por sucessores como Leon Denis, Arthur Conan Doyle e Chico Xavier, entre outros.

O Espiritismo é uma doutrina filosófica, não uma religião, que pretende estudar e reflectir sobre a relação entre os seres incorpóreos (Espíritos) e os seres humanos. O conceito de Deus – fonte suprema de todos os seres e de todas as coisas – não é encarado sob o ponto de vista religioso, mas antes como uma hipótese natural e até necessária para explicar a profunda ligação que existe entre todos os seres humanos. Assim, a concepção de Deus não é muito diferente da do actual paradigma da Cosmologia: o Big Bang é apontado como hipotética causa da expansão do Universo, mas o Big Bang, por si só, é o momento em que todas as leis físicas que conhecemos não existem. Por isso torna-se impossível para a ciência descrever completamente o Big Bang. Do mesmo modo, a doutrina espírita não pretende definir o que Deus é, mas apenas descreve alguns dos seus atributos tal como são observados na Natureza e na alma humana. O movimento Espírita procura enfatizar o estudo da sua própria doutrina nos seus 3 aspectos – científico, filosófico e moral – pelo que não é pedido aos seus seguidores que “acreditem” porque todos são livres de investigar e questionar os princípios do Espiritismo.


Princípios do Espiritismo

- Deus existe, e é Um (contrariamente ao dogma da Santíssima Trindade).

- Cada pessoa possui um Espírito, único e imortal, fruto da criação divina.

- A reencarnação é o mecanismo natural através do qual os Espíritos se apefeiçoam.

- Todos os Espíritos são criados “simples e ignorantes”, e devem progredir no sentido da perfeição.

- É possível a comunicação entre espíritos “encarnados” (“vivos”) e espíritos “desencarnados” (“mortos”), através da mediunidade.

- Toda a acção gera uma reacção, toda a causa um efeito: todos os espíritos são abrangidos por este mecanismo de retribuição ética.

- A Terra não é o único planeta com vida inteligente no Universo.

- Cada Espírito é responsável pelo seu próprio percurso ao longo de toda a sua existência.

- O Espírito regressa à matéria (reencarnação) tantas vezes quanto for necessário para alcançar a perfeição. (Ao contrário do que é aceite na maioria das religiões orientais, os espíritas não acreditam no retorno do espírito através do corpo de um animal como forma de pagamento de dívidas kámicas).

Alguns Conceitos do Espiritismo

Fluido Cósmico Universal é a matéria elementar primitiva, que pode ser transformada de modo a produzir tudo o que existe na Natureza. Pode assumir dois estados distintos: o de eterização ou imponderabilidade (o seu estado original), ou o de materialização ou ponderabilidade (o mundo visível).

A Lei da Causa e Efeito determina que toda a acção da vida moral de uma pessoa tem uma correspondente reacção dirigida a essa mesma pessoa. Este conceito distancia-se do de “karma”, na medida em que não admite qualquer determinismo: o ser humano é responsável tanto pelas suas acções como pelos efeitos que elas têm, inclusive sobre si próprio, e por isso pode a qualquer momento alterar o rumo dos acontecimentos alterando a sua forma de agir.

De acordo com a Lei da Evolução, tudo o que existe no Universo está em permanente evolução. Essa evolução é simultaneamente individual e colectiva: “Ao mesmo tempo que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os mundos em que eles habitam. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados e constituí-lo, vê-lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda do progresso. Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada na Natureza permanece estacionário.” (Allan Kardec, in O Livro dos Espíritos)


O Plano Espiritual é a realidade imaterial onde se encontram os espíritos desencarnados. Estes espíritos possuem formas de percepção que vão muito para além das dos seres vivos, e a sua permanência no Plano Espiritual (ou seja, sem reencarnarem) pode ter uma duração muito variável, mas nunca é eterna enquanto houver algo a aperfeiçoar. De acordo com os relatos de vários espíritos (psicografados por médiuns reconhecidos na comunidade espírita), o Plano Espiritual é muito mais vasto que o Plano Material, e os dois estão em permanente intercâmbio. Além disso, o Plano Espiritual organiza-se por “camadas” com frequências vibracionais diferentes: quanto mais elevada a frequência de vibração, mais evoluídos os espíritos que nela se encontram. O movimento Espírita defende que algumas provas da existência do Plano Espiritual provêm da Física Quântica: a existência de matéria escura (que se supõe ocupar a quase totalidade do Universo), e a falsa percepção da realidade material enquanto substância compacta, quando se sabe que na realidade existe muito mais espaço vazio do que ocupado (basta observar a estrutura do átomo).

A mediunidade é a capacidade de comunicação entre seres humanos e espíritos. Todas as pessoas possuem algum grau de mediunidade, mas algumas são especialmente dotadas e por isso designadas de médiuns. A comunicação pode ser verbal (psicofonia), escrita (psicografia) ou visual (vidência). Algumas religiões cristãs defendem que a Bíblia mostra os “espíritos” como demónios liderados por Satanás, cujo intuito ao comunicar com os seres humanos é o de os iludir. O movimento Espírita refuta essas acusações com dois argumentos: a Bíblia não condena a prática mediúnica em si, apenas o seu uso para finalidades fúteis ou em proveito próprio; e muitos dos textos transmitidos por espíritos a médiuns contêm ensinamentos em total acordo com as ideias de Jesus Cristo.


Práticas do Espiritismo

- Não existe qualquer hierarquia sacerdotal.

- A oração não é um ritual escrito, pois não importa que palavras específicas são utilizadas: o que conta são os pensamentos e intenções colocados na oração. O poder da oração é aumentado quando ela é praticada em grupo.


- O Bem deve ser praticado com abnegação. Por esse motivo, nenhuma actividade mediúnica deve ser financeiramente remunerada.

- Todas as ideologias e religiões devem ser respeitadas.

- O Espiritismo utiliza uma terminologia própria, desaconselhando o uso de termos “emprestados” a outras correntes como sejam corpo astral, karma, orixá, terreiro, encosto.

- Não existem imagens, altares ou qualquer outro objecto de adoração.

- Não existe baptismo, culto ou qualquer tipo de sacramento. Algumas actividades formais são seguidas como forma de preparação para o contacto com os espíritos.


“Os Espíritos Amigos sempre mostram disposição de nos auxiliar, mas é preciso que, pelo menos, lhes ofereçamos uma base... Muitos ficam na expectativa do socorro do Alto, mas não querem nada com o esforço de renovação; querem que os espíritos se intrometam na sua vida e resolvam seus problemas... Ora, nem Jesus Cristo, quando veio à Terra, se propôs resolver o problema particular de alguém... Ele se limitou a nos ensinar o caminho, que necessitamos palmilhar por nós mesmos.”

Chico Xavier

Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas
Federação Espírita Brasileira
Federação Espírita Portuguesa

sábado, 22 de março de 2008

Ostara - O Equinócio Vernal


"Wake up, wake up
from Your long, wintry slumber,
Lady,
You are blossoming
and Your fertility beckons to the young Warrior.
You are newly sprung,
Like a rose, and long for His touch,
You are butterfly and bud.

On this Equal Night
Your passion is renewed,
Life is growing all around You,
Vines run wild through Your hair,
Grasses and flowers encircle You in love,
And the forest's creatures gather in joy of Your return."


Corcha Mayve Moondancer


O Ostara é o sabbat neo-pagão que celebra o equinócio de Primavera. O termo remonta a Jacob Grimm, que na sua obra sobre mitologia germânica especula sobre a deusa teutónica Ostara (no original, Oestre ou Eastre), senhora da Aurora, da fertilidade, alegria e renovação. Não estando relacionado com nenhuma festividade tradicional em particular, o Ostara reúne vários símbolos associados às comemorações ancestrais do início da Primavera, como o ovo e o coelho (animal que sempre acompanha Ostara pela sua reconhecida capacidade reprodutiva).

Na Wicca, o Ostara celebra a reunião da Deusa-Mãe ao Deus-Sol, que é simultaneamente seu filho e seu amante, e que passou os meses de Inverno no reino da Morte. A Deusa-Mãe torna-se de novo Virgem, e o Deus-Sol que nasceu no Yule (solstício de Inverno) é agora jovem e pleno de energia criadora. Celebra-se aqui o casamento sagrado entre os dois, que daqui a 9 meses produzirá o renascimento do Sol (precisamente no próximo Yule).

Este é o momento para dar as boas-vindas à Primavera, ao renascimento da Natureza, e à abundância do Verão que se adivinha. A luz e a escuridão encontram o equilíbrio perfeito, mas é a luz que está cada vez mais forte de dia para dia. Também as energias masculina e feminina, yin e yang, estão agora equilibradas. É altura de pensarmos na nossa própria renovação, dos nossos pensamentos, sonhos e aspirações, das nossas relações. Pode ser uma boa oportunidade para começar algo inteiramente novo, ou para revitalizar completamente o que já existia.

Vários são os rituais neo-pagãos reservados ao Ostara. Incluem o atear de fogueiras na aurora para pedir a protecção das colheitas, tocar sinos e decorar ovos cozidos. Há ainda a famosa “limpeza de Primavera” para pôr ordem na casa, que muitos neo-pagãos encaram mais do que uma simples tarefa física: é um esforço para “deitar fora” os sentimentos negativos acumulados nos últimos meses, preparando o lar para a Primavera e o Verão.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Tarot - XII. O Dependurado

"A coisa mais bela que podemos experimentar é o misterioso. É a fonte de toda a arte e de toda a ciência. Aquele para quem esta emoção é estranha, aquele que já não consegue parar para reflectir ou deixar-se deslumbrar, vive como se estivesse morto:

os seus olhos estão fechados."


Albert Einstein (Físico alemão, 1879 - 1975)

"Eis o mais extraordinário Paradoxo: quando desistirmos de tudo, teremos tudo. Enquanto quisermos poder, não o teremos. Mas no momento em que não mais o quisermos, teremos mais poder do que alguma vez imaginámos possível."

Baba Ram Dass (Líder espiritual norte-americano, 1931 - )

Símbolos Básicos


Um homem dependurado numa árvore (às vezes numa barra ou cruz Tau). A perna livre está dobrada, formando um 4, e a sua expressão é de tranquilidade, nunca de sofrimento. As suas mãos podem estar presas ou soltas. Em alguns baralhos, caem-lhe moedas dos bolsos ou das mãos.


A Viagem do Louco


O Louco acomoda-se debaixo de uma árvore, com o intuito de reencontrar o seu lado espiritual. Aí permanece durante 9 dias, sem comer, quase sem se mexer. Passam por ele pessoas, animais, nuvens, o vento e a chuva, as estrelas, o sol e a lua. Ao nono dia, sem que saiba conscientemente porque, o Louco trepa a árvore e pendura-se de cabeça para baixo num dos seus ramos, abdicando por um momento de tudo aquilo que é, do que quer, do que sabe e do que ama. Do seu bolso caem moedas, e ele observa-as lá do alto – não as vê como dinheiro, apenas como pequenos pedaços circulares de metal. A sua perspectiva do mundo alterou-se subitamente. O Louco sente-se como se estivesse dependurado entre o mundo material e o mundo espiritual, capaz de vislumbrar ambos. É um momento de êxtase, como um sonho absolutamente claro, nítido. As ligações que nunca tinha percebido, compreende-as agora, e todos os mistérios são-lhe revelados.

Apesar deste momento de clarividência parecer eterno, o Louco percebe que não pode durar muito. Em breve, ele terá de voltar à posição inicial, e nessa altura tudo lhe parecerá diferente. Terá de agir com base naquilo que aprendeu. Mas por enquanto ele continua dependurado, observando e absorvendo.



Notas interpretativas


A carta do Dependurado, regida pelo planeta Neptuno, é considerada por muitos como a mais misteriosa e fascinante do Tarot. Simples mas complexa, atrai e perturba, contradizendo-se de inúmeras formas. O Dependurado simboliza a acção do paradoxo sobre as nossas vidas: é que o que parece contraditório é normalmente verdadeiro, e certas verdades estão escondidas nos seus opostos.


Esta carta reflecte a história de Odin, que se ofereceu em sacrifício para obter conhecimento. Dependurado na árvore do mundo, ferido por uma lança, sem comer nem beber, Odin passou nove dias. No último, viu no chão as runas que tinham caído da árvore, compreendeu o seu significado, e desceu para as apanhar. Diz-se que todo o conhecimento pode ser encontrado nessas runas.


A principal lição do Dependurado é a de que é possível “controlar” abdicando do controlo: vencemos quando nos rendemos. A figura na carta mostra a derradeira rendição – morrer na cruz por si próprio construída, com um halo que brilha pela glória do entendimento divino. O Louco sacrificou-se, mas saiu vencedor.

É tempo de parar para meditar, para sacrificar o ego em prol de um conhecimento maior. Numa leitura, o Dependurado sugere que a melhor forma de resolver um problema nem sempre é a mais óbvia. O Querente deve parar de resistir: em vez disso, deve tornar-se vulnerável, desistir da sua posição e, com isso, ganhar esclarecimento. As questões que pareciam difíceis de responder ganham agora sentido. Pode ver o mundo de uma forma diferente, com uma clarividência quase mística. O Dependurado implica também um momento em que tudo parece paralisado, altura para descansar e reflectir antes de avançar. Se queremos vencer, devemos abdicar. Se queremos agir, devemos esperar. E será irónico comprovar como, actuando de forma aparentemente contraditória, acabamos por encontrar aquilo que sempre procurámos. Quando nos tornamos no Dependurado nunca mais voltamos a ver o mundo da mesma forma.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte VII

MEDITAÇÃO PARA A SAÚDE FÍSICA E MENTAL

Sobrevivemos até este momento porque fomos capazes de nos adaptar a um ambiente em permanente mudança. Sabemos que o nosso cérebro cresceu, ao longo do tempo, como parte do processo de adaptação. No início, as mudanças foram relativamente lentas, e o cérebro teve tempo para deixar de lado velhos padrões à medida que novos e mais produtivos padrões se desenvolviam. Mas nos últimos 100 anos lançámo-nos num ambiente físico que contém uma quantidade esmagadora de informação sensorial, a qual deve ser processada pelo cérebro 24 horas por dia, 7 dias por semana! Estamos “ligados” de uma forma que os adultos da geração anterior à nossa nem supunham que seria possível. Desde o momento que acordamos temos acesso às notícias, ao e-mail, ao SMS, aos jogos de computador, ao entretenimento televisivo, que mantêm o nosso cérebro num modo de processamento acelerado durante todo o dia. O nosso cérebro é uma máquina electroquímica, por isso está a consumir energia e a produzir desperdícios durante todo este processo.

A meditação é o processo de diminuir a actividade cerebral, centrando a sua atenção num único e simples objecto. Meditar permite ao cérebro entrar num modo de “afinação” em que os desperdícios são removidos, e os recursos reabastecidos. Os resultados físicos da meditação estão bem documentados. A prática prolongada pode expandir a nossa consciência de formas já amplamente constatadas, mas nunca devidamente explicadas. Tentaremos aqui esclarecer alguma dessa confusão à medida que progredimos. Os “resultados” desejados da meditação variam, e também disso falaremos. Mas primeiro uma olhadela aos benefícios físicos da meditação.

Imagine que está a conduzir o seu carro a caminho de casa, depois de um longo dia de trabalho, numa estrada com muitos engarrafamentos. Está rodeada por outros veículos, e tem de ter os vidros fechados e o ar condicionado ligado por causa dos fumos de escape que estão por todo o lado. O seu carro consegue aguentar estas dificuldades, e você também. Mas nenhum dos dois foi concebido para ser usado assim.

O motor do carro foi desenhado para um melhor desempenho em caminho aberto, e neste engarrafamento está a entupir-se com combustível não consumido, algum do qual sai pelo tubo de escape e contribui para a atmosfera já de si muito poluída. A velocidade é mínima, e o motor tem dificuldades em manter-se fresco. Usamos os travões mais vezes por minuto do que faríamos durante um dia inteiro a conduzir em auto-estrada! Chegamos a casa, estacionamos o carro e entramos. Na manhã seguinte, recomeçará o suplício. Em pouco tempo, este carro vai precisar de uma revisão. Mas numa certa noite decidimos sair da cidade depois do trabalho. Chegámos finalmente a uma estrada sem tráfego, a direito por entre os montes. Relaxamos, desligamos o ar condicionado, descemos as janelas e aceleramos tranquilamente. Os hidrocarbonetos não consumidos no ciclo do pára-arranca começam a sair, e o motor parece quase “ronronar” de satisfação.

Este é um exemplo vulgar, mas que nos dá uma ideia do que acontece nas primeiras etapas da meditação. Quando começamos a meditar, tiramos o nosso cérebro do modo caótico de processamento de informação tipo “pára-arranca”, e damos-lhe as condições para que possa seguir tranquilamente por uma “super-auto-estrada” mental. Quando fechamos os olhos e nos concentramos simplesmente em relaxar, os padrões cerebrais alfa, beta e teta inicial começam a aumentar. Os resultados físicos são um aumento dos níveis de noradrenalina, serotonina e beta-endorfina, e um decréscimo dos níveis de lactato no sangue (que estão directamente associados ao stress).

Com a meditação, também a resolução de problemas e o acesso a novas ideias se tornam mais fáceis. Quando o cérebro está ocupado a processar o “ruído informativo” do quotidiano, não há lugar para pensamentos novos ou criativos. Os artistas e poetas chamam-lhe “inspiração”. Albert Einstein e Thomas Edison, entre outras grandes mentes da Humanidade, praticavam algum tipo de meditação. Quando confrontado com um problema que não conseguia resolver, Edison tirava algum tempo para uma sesta na poltrona do seu escritório. (A “poltrona da sesta” ainda pode ser vista no Museu Edison.)

As pessoas que praticam meditação regularmente parecem e sentem-se tipicamente 10 ou 15 anos mais jovens do que as outras pessoas da sua idade. Proporcionar à mente uma “pausa” frequente e deixar que o nosso cérebro faça as auto-reparações de que necessita diariamente pode fazer toda a diferença. Bastam 15 ou 20 minutos, de preferência duas vezes por dia, para dar ao corpo e à mente uma boa “revisão”!

A meditação com vista à melhoria do estado físico e emocional é fácil de praticar. Trata-se de um processo muito simples, sem elaborados “passes de mágica”. Se você é daquelas pessoas que se sente muito mais desperto e concentrado depois de uma pequena sesta, então é provável que já esteja a utilizar esta forma de meditação: trata-se apenas de um “ciclo de sono” curto, praticado durante o dia. Basta seguir estes passos:

1. Defina um horário!

É fundamental que combine consigo próprio um momento diário para a meditação, sabendo que este deve durar aproximadamente 20 minutos. Aquilo que fazemos regularmente cria no cérebro padrões de memória processual, e queremos que a meditação se torne um hábito de modo a que a memória processual nos comece a preparar para esse momento ainda antes de ele acontecer. Se é adepto da sesta, sabe que começa a sentir-se ensonado mais ou menos àquela hora, todos os dias. Por outro lado, se nos convencemos que iremos meditar quando tivermos tempo, é provável que isso nunca chegue a acontecer.

O mais importante é estabelecer um horário, um padrão de meditação. Com isso, a nossa mente começa a preparar-se antecipadamente. Aliás, muitos praticantes regulares de meditação dizem sentir necessidade disso, como se sentissem falta de comer se não conseguissem almoçar à hora a que habitualmente o fazem.

2. Crie um espaço para a meditação.

Deve encontrar um espaço sossegado, onde sabe que não será incomodado; um local sem telefones, sem agitação. No início, esta será uma necessidade imperativa, mas à medida que se desenvolve a capacidade de meditar torna-se possível fazê-lo em qualquer lado.

3. Sente-se ou deite-se numa posição confortável.

Esta é a única forma de meditação que pode ser praticada na horizontal. Quando nos deitamos, sentimo-nos naturalmente sonolentos, o que é óptimo se se pretende uma revigoração física e mental.

4. Escolha um alvo de meditação.

Nesta forma de meditação, podemos concentrar-nos num momento feliz, num lugar tranquilo, ou em qualquer coisa que nos traga sensações agradáveis. Não é problema em divagar de pensamento em pensamento, desde que isso não signifique emoções negativas. A concentração em pensamentos positivos leva a que o cérebro “relaxe”, alterando a sua frequência predominante para alfa, beta e primeiras etapas de teta.

Tente não ser desviado pela tentativa de resolução de problemas. Quinze minutos de “condução livre” na “auto-estrada” alfa, uma ou duas vezes por dia, produz todos os benefícios que pode esperar da meditação, nomeadamente:

- Aumento da capacidade de concentração
- Manutenção do equilíbrio emocional
- Diminuição dos níveis de stress
- Potenciação do sistema imunitário

Além disso, é importante notar que a prática de meditação ou a utilização de sons binaurais estão associadas a um aumento das capacidades psíquicas. Neste tipo de meditação, essa associação pode resultar apenas num aumento daquilo a que chamamos “intuição”.

A utilização de s
ons binaurais é opcional. Para este nível de meditação, recomenda-se a utilização de sons alfa. Eis um exemplo que pode utilizar:

Ajuste o volume para que seja apenas audível. Os sons binaurais vão estimular e aprofundar os padrões cerebrais alfa.


Experimente e comente!

Adaptado de: The Nuts and Bolts of Meditation

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Tarot - XI. A Justiça

O melhor e mais seguro é manter o equilíbrio na vossa vida, reconhecendo que existem grandes poderes à nossa volta e dentro de nós. Se conseguirdes fazer isso, viver dessa forma, sois realmente um homem sábio.

Euripedes (Escritor Grego, 480 - 406 a.C)

Ordem não é a pressão imposta pela sociedade ao indivíduo, mas o equilíbrio que ele consegue estabelecer dentro de si mesmo.

Jose Ortega y Gasset (Filósofo Espanhol, 1883 - 1955)


Símbolos Básicos

Uma figura humana segura a balança numa das mãos (normalmente a esquerda), e a espada erguida na outra. Em alguns baralhos surge de pé, noutros sentada numa espécie de trono, muitas vezes com os olhos vendados.

A Viagem do Louco

O Louco procura um novo caminho, uma nova aspiração e inspiração para a sua vida. Sentado numa encruzilhada sem saber que caminho tomar, repara numa sábia senhora cega que escuta a discussão de dois irmãos sobre uma herança. Eles procuraram-na para que julgasse o seu caso. Um dos irmãos recebeu toda a herança, ou outro ficou sem nada. “ Peço que tudo me seja restituído”, exige o irmão pobre, “não só porque tenho mais direitos, mas também porque não serei perdulário como o meu irmão!”. Mas o irmão rico protesta: “É meu por direito e é isso que interessa, não como vou gastá-lo!” A mulher ouve atentamente, e no final atribui metade da herança do irmão rico ao irmão pobre. O Louco pensa que foi a decisão mais justa, mas nenhum dos irmãos está satisfeita: o rico detesta ter de perder metade da sua riqueza, e o pobre acha que devia ter ficado com tudo.

“Foste justa” diz o Louco à mulher, após a partida dos irmãos. “Sim, fui” responde ela, com simplicidade. “Com apenas metade da herança, o irmão rico deixará de ser tão perdulário. E o pobre terá tudo aquilo de que precisa. Embora não o possam ver agora, esta decisão foi a melhor para ambos.”

O Louco reflecte um pouco naquilo que ouviu, e começa a vislumbrar um novo rumo para a sua vida. Percebe que até agora só se preocupou em conquistar bens materiais para satisfazer ambições mundanas, deixando definhar o seu lado espiritual porque não estava disposto a fazer os sacrifícios necessários para o alimentar. Agora, ele sabe que tem de percorrer o único caminho que ainda não percorreu de modo a restaurar o seu equilíbrio interior. Agradecendo à mulher, afasta-se com um novo propósito: é tempo de restabelecer a igualdade na sua balança interior.

Notas interpretativas

A carta da Justiça é regida pelo signo de Balança, e fala do equilíbrio frio e racional. É ela que diz ao Querente que não pode continuar a fumar ou a beber sem que isso tenha consequências na sua saúde (p.ex.). A Justiça aconselha a cortar com o desperdício, insiste para que o Querente faça tudo o que for necessário para restaurar o equilíbrio físico, emocional, social, espiritual. Num sentido mais prático, esta carta sinaliza um processo legal, documentos, ajustes numa parceria ou casamento. O resultado de tudo isto pode não ser aquele que o Querente deseja, mas será sem dúvida o mais justo. Além disso, apela à honestidade, à responsabilidade, à decisão ponderada e à aceitação das consequências dos próprios actos.

Enquanto 11º Arcano Maior, a Justiça marca a transição do mundo físico (primeiros 10 Arcanos Maiores) para o mundo metafísico (próximos 10 Arcanos Maiores). É como se ambos os mundos se equilibrassem na sua balança, e a sábia mulher nos dissesse que temos andado a passar muito tempo num deles, que está na altura de nos dedicarmos ao outro. É importante reter que a carta da Justiça não trata de castigo, do que é bom ou mau, certo ou errado. Tratam-se apenas de ajustes. A espada sugere que isso nem sempre será agradável, mas é preciso fazer o que for necessário (mesmo que seja difícil, penoso) para (re)conquistar o equilíbrio.



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Imbolc - A Festa de Brigid


"I honor Thee, Maiden, most blessed Bride
As your candle burns through this night
And thank you for the renewed life you offer us all
As you emerge from the dark to the light."



Excerto de um ritual de Imbolc, por Akasha



O Imbolc é um festival de origem celta que se comemora no meio do Inverno. A data mais consensual varia entre 1 e 2 de Fevereiro, mas algumas correntes do revivalismo celta acreditam que se deva celebrar na primeira Lua Cheia em Aquário (este ano, em 22 de Janeiro), ou na noite em que o Sol atinja os 15 graus desse signo (4 de Fevereiro). O termo Imbolc (pronuncia-se IM-bulk ou EM-bowlk) deriva de “oimelc”, que em Gaélico significa “leite de ovelha” (nesta altura começam a nascer as primeiras crias do ano).

Com origens irlandesas, este Sabbat é dedicado à Deusa Brigid, a guardiã do fogo sagrado que no início de Fevereiro traz à Natureza os primeiros sinais da Primavera que se adivinha. É o momento certo para comemorar o retorno do Sol acendendo velas em todas as divisões da casa, e pedir bênçãos para as sementes e ferramentas agrícolas. A tradição cristã associa-o a Nossa Senhora das Candeias. É ainda um festival muito comemorado na Irlanda, onde várias tradições se têm mantido ao longo dos tempos. Diz-se que na noite do Imbolc a deusa Brigid caminha sobre a Terra, por isso cada membro de uma família deve deixar uma peça de roupa do lado de fora da porta, para que Brigid o abençoe. O chefe da família acende uma fogueira, cujas brasas são depois aplanadas. Na manhã do dia seguinte, as cinzas são observadas em busca de algum sinal de que Brigid tenha por ali passado. Outra tradição do Imbolc é simbolizada pelo arado. Em algumas regiões anglo-saxónicas, este é o primeiro dia em que a terra deve ser arada para preparar a sementeira. Um arado decorado é levado de porta em porta por crianças disfarçadas que pedem comida, bebida ou dinheiro (terá origem no Imbolc o trick-or-treat que hoje se observa no Halloween), e que prometem arar os jardins daqueles que se mostrarem mais avarentos. O arado pode ainda ser “baptizado” com whiskey, e deixado ao ar livre com pedaços de pão e queijo como oferenda aos espíritos da Natureza.

Na Wicca, Brigid é a Deusa Mãe, que agora a alimenta o Filho-Sol a quem recentemente deu à luz (no Yule). No entanto, ela voltou também a ser virgem e deambula no Mundo Subterrâneo, preparando-se para devolver a fertilidade e a abundância à terra. As celebrações neo-pagãs do Imbolc servem por isso como um convite à Deusa, para que volte a viver no nosso Mundo e sobre ele espalhe as suas bênçãos. Esse convite pode ser feito por uma pessoa só ou por um coven, com velas acesas, fogueiras, cânticos, danças ou oferendas. Este é o momento certo para reacordar o espírito que se deixou adormecer pelo Inverno, purificando-o e iniciando-o nas práticas wicca ou reafirmando a sua ligação à Deusa e ao Deus.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte VI

O PROCESSO COGNITIVO

A capacidade cognitiva, de considerar cuidadosamente as opções e tomar uma decisão informada, é exclusiva da mente humana. Quando uma rã sente fome e estão reunidas as condições para que consiga atingir a comida (presença do alimento, ausência de perigos), a resposta da rã é automática. Mas nos seres humanos a capacidade cognitiva permite passar pelo sinal do restaurante, sentir o aroma de uma refeição deliciosa, o estômago a contorcer-se de fome, e mesmo assim decidir não parar para almoçar. A nossa capacidade cognitiva torna-nos capazes de decidir conscientemente perante experiências emocionais contraditórias: cognição e emoção têm uma correlação directa.

A intensidade dos sentimentos ou emoções que vivemos numa certa experiência é inversamente proporcional à nossa capacidade para exercer julgamento racional nessa mesma experiência. O que significa que, à medida que as emoções aumentam perante um determinado conjunto de estímulos sensoriais, diminui a capacidade do cérebro para raciocinar e decidir. Isto é verdade para qualquer experiência, seja a do amor profundo ou a do ódio incontrolável.

O cérebro responde à informação sensorial. Mas seremos capazes de escolher não dar atenção a essa informação? Na explicação científica clássica afirma-se que o nosso processo cognitivo de decisão é função do cérebro físico. No entanto, a ciência clássica não consegue explicar porque somos capazes de escolher ignorar determinada informação, ou de concentrar a atenção em informação que não chega até nós pela memória ou pelo ambiente sensorial. Nenhum outro ser vivo consegue escolher onde concentrar a sua atenção. Mas por agora deixaremos essa questão de lado, ficando com aquilo que sabemos: Os padrões cerebrais alteram-se quando mudamos o alvo da nossa atenção.


A nossa capacidade de escolher onde centrar a nossa atenção dá-nos controlo sobre os nossos padrões cerebrais.


Adaptado de: The Nuts and Bolts of Meditation

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte V

O PARADIGMA

O nosso cérebro possui um padrão ou exemplo de como o mundo físico à nossa volta deve “parecer” e “funcionar” – um paradigma.

O paradigma reside na nossa mente inconsciente. A sua “função” é comparar a informação sensorial actual com a informação que está armazenada na memória. Iniciado no momento do nascimento (se não antes), o paradigma vai evoluindo e fortalecendo-se à medida que vamos amadurecendo e interagindo com o mundo físico através dos sentidos.

Ao contrário de um simples filtro, o paradigma não só limita a informação que chega ao nosso “monitor consciente” como também dá forma a essa informação, para que se assemelhe ao padrão já estabelecido com o “aceitável”.

Por exemplo, muitos de nós temos um paradigma de como deve ser a aparência física das pessoas que conhecemos muito bem e com quem estamos muitas vezes. Se um amigo íntimo resolver rapar o seu bigode, podemos não notar essa mudança durante algum tempo, porque o nosso paradigma inclui uma imagem desse nosso amigo COM bigode. Se nos pedirem para descrever esse amigo, incluiremos o facto de que ele tem bigode. O paradigma continua a apresentar a imagem que “esperamos” encontrar, até que tomamos consciência de que alguma coisa mudou na aparência desse indivíduo, e adaptamos o nosso paradigma a essa mudança.

Quando vemos o nosso amigo pela primeira vez sem bigode, podemos ter a sensação de que há algo de “diferente” nele. Isto acontece porque o paradigma adiciona conteúdo emocional à informação que deixa passar para o monitor consciente!

Este exemplo do bigode é na realidade demasiado subtil. O paradigma é muito mais poderoso, e faz mais do que apenas “filtrar” a informação que é apresentada à nossa percepção. É que também tem tudo a ver com a forma como sentimos as experiências que vamos vivendo, e com a nossa capacidade de julgar e avaliar à medida que interagimos com essas experiências.

Por exemplo, um homem de meia-idade foi a um hipnotizador para tentar resolver o seu medo de cavalos. A sua mulher era uma excelente cavaleira, e ele queria poder juntar-se a ela. Não é que não gostasse de cavalos (até gostava), mas quanto mais perto ficava de montar um, mais medo sentia. Este é um homem inteligente, que sabia não haver qualquer razão lógica para a sua fobia. O hipnotizador colocou-o num estado hipnótico, e disse-lhe que se imaginasse prestes a montar um cavalo. O homem sentiu medo de imediato. O hipnotizador disse-lhe que se mantivesse junto ao cavalo, mas que voltasse atrás no tempo, através de todas as experiências que viveu, até que o medo começasse a desaparecer. Com muito pouco esforço, o homem declarou que o medo havia desaparecido. O hipnotizador disse-lhe então para regressar lentamente ao Presente, até ao momento em que o medo regressasse. Rapidamente, o homem voltou a manifestar a sua fobia de montar o cavalo. Tentou explicar o que lhe estava a acontecer, tinha muita dificuldade em falar, como se de um bebé se tratasse. O hipnotizador pediu-lhe então que se mantivesse nesse momento, mas que o descrevesse na sua mente de adulto.


Aos dois anos de idade, era um bebé que estava na fábrica de sapatos do seu pai quando uma correia de uma das máquinas se partiu e soltou, atingindo-o na cabeça com a força de um chicote. Enquanto adulto, o homem não era capaz de se lembrar deste incidente. Sob hipnose, pôde lembrar-se do acontecido nos mais ínfimos detalhes, incluindo o cheiro de cabedal característico do lugar. Na realidade o homem não tinha medo de cavalos: era o cheiro do cabedal que estimulava as emoções vividas numa experiência do Passado!

O modo como sentimos cada experiência da nossa vida quotidiana resulta do nosso paradigma. O medo de andar a cavalo é um exemplo extremo. O nosso paradigma actua em cada momento em que estamos acordados. Aquilo que nos ensinaram a acreditar, a forma como aprendemos a interagir através dos costumes sociais, os nossos sentimentos acerca de diferentes tipos de pessoas, a forma como vemos diversos tipos de ocupações, e todos os aspectos do nosso “gostar” e “não gostar” emocional, são o resultado do nosso paradigma. O importante a reter é que o cérebro não processa a informação sensorial para depois enviar os resultados directamente para o neo-córtex da avaliação consciente. O paradigma, que inclui as emoções envolvidas no nosso padrão ou exemplo, está sempre incluído naquilo que aparece no nosso visor da realidade.

Não temos um centro para emoções “boas” e outro para emoções “más”. As emoções são um espectro contínuo, e nenhuma pode ser distinguida das emoções “vizinhas” a não ser por uma divisão absolutamente arbitrária. Essa divisão é estabelecida pelo nosso paradigma. É por isso que uma tradição, uma crença, uma forma de fazer certas coisas ou mesmo uma palavra como “meditação” produzem significados diferentes associados a emoções diferentes em pessoas diferentes.

Este livro possui vários títulos diferentes devido às questões paradigmáticas contidas na palavra “meditação”. Alguns leitores jamais o olhariam duas vezes apenas com essa palavra no título, mas esses mesmos leitores podem interessar-se por um título como “O cérebro quântico”. E no entanto, qualquer que seja o título, o seu conteúdo é o mesmo!


“Não vemos as coisas como elas são; vêmo-las como nós somos.”

Anais Nin


Adaptado de: The Nuts and Bolts of Meditation

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Tarot - X. A Roda da Fortuna

"A Sorte tudo afecta: lança o teu anzol, porque no riacho mais improvável haverá peixe."

Ovídeo (poeta romano, 43 a.C - 17 A.D.) in Ars Amatoria


"Fortuna, boa noite. Sorri uma vez mais, gira a tua Roda."

Shakespeare (dramaturgo inglês, 1564-1616) in Rei Lear


Simbologia e Arquétipo

Uma roda que gira no sentido dos ponteiros do relógio, com figuras ou animais que nela sobem ou descem. No topo da roda, uma esfinge.


A Viagem do Louco

O Louco resolve sair do seu refúgio (onde viveu como Eremita) para a luz do Sol, como se puxado para cima pela Roda da Fortuna. É tempo de mudança. Com o bordão na mão, ele regressa ao mundo sem qualquer expectativa. Porém, estranhamente, acontecem-lhe coisas à medida que as horas passam… coisas boas. Passando por uma azenha, encontra uma mulher que lhe oferece uma bebida num cálice dourado, e insiste para que ele fique com o cálice, apenas porque simpatizou com ele. Mais à frente, junto a um moinho, o Louco pára a observar um jovem que maneja uma espada. Quando manifesta admiração pela arma, o jovem oferece-a sem pensar duas vezes.

Finalmente, o Louco encontra um rico comerciante sentado sobre uma das rodas da sua carroça. O homem dá-lhe um saco cheio de moedas, justificando-se: “Gosto de dar dinheiro, e decidi que hoje a décima pessoa que passasse por mim receberia este saco de moedas. Parabéns, você é essa pessoa!” O Louco não achava que ainda pudesse ser surpreendido desta forma! É como se tudo o que de bom fez na sua vida lhe estivesse a ser devolvido, numa proporção 3 vezes maior. Neste dia, toda a sorte é sua!





A Roda da Fortuna no baralho Golden Tarot of the Renaissance (Lo Scarabeo)







Notas Interpretativas

A Roda da Fortuna é a carta de Júpiter, e trata da sorte, da mudança, da fortuna que é, quase sempre, boa. Esta é uma virada do acontecimentos para melhor, que traz invariavelmente grande alegra e abundância.

Embora a maioria das cartas do Tarot indiquem o que pode o Querente fazer para melhorar a sua vida, na Roda da Fortuna pode-se simplesmente admitir que, às vezes, o Querente tem sorte, independentemente de tudo o resto. Esta carta pode também significar movimento, evolução, mas o seu principal sentido é o de que haverão mudanças para melhor aparentemente fortuitas, imprevisíveis. O Querente conseguirá “o tal” emprego, “a tal” promoção, “a tal” pessoa especial, “a tal” oportunidade pela qual esperava. Chamemos-lhe destino, recompensa kármica por tudo de bom que já fizemos na vida, ou simplesmente sorte. Mas quaisquer que sejam as “lotarias” da vida do Querente, ele acabou de acertar no “jackpot”!





A Roda da Fortuna no baralho Kayne's Celtic Tarot








sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte IV

CÉREBROS E COMPUTADORES: Que Diferenças?

Vimos que existem algumas semelhanças entre o nosso cérebro e um computador. No entanto, existem quatro diferenças fundamentais entre eles:

1. O nosso cérebro regista tudo!

Enquanto estou a digitar, a memória RAM do computador só transfere a informação para o disco rígido ou para a memória de longo prazo quando eu assim o indicar. Tenho de iniciar o processo de “guardar esta informação”, ou perco tudo o que escrevi até agora!

O nosso cérebro ainda possui um registo do dia em que nascemos. Esse registo contém toda a informação sensorial desde o nascimento. Todas as visões, sons, sabores, toques e cheiros estão lá guardados com grande detalhe.

2. O nosso cérebro regista a informação holograficamente.

Quando pedimos ao computador para “guardar”, todo o trabalho que está temporariamente na memória RAM é transferido para uma localização específica no disco rígido. Se essa localização for danificada, a informação aí armazenada é perdida.

No nosso cérebro não existem “centros de memória” como o disco rígido do computador. O registo das informações é feito de forma holográfica, um conceito difícil de compreender, por isso comparemos um cérebro “vazio” a um jarro com água pura. Digamos que a nossa experiência de nascer é como uma pequena gota de corante azul que cai dentro do jarro com água, e que cada experiência sensorial seguinte é uma gota de outra cor diferente. Vamos assumir que temos um número ilimitado de cores disponíveis, pelo que cada cor representa uma experiência sensorial diferente. Em pouco tempo a experiência de nascer estará “submersa” sob todas as cores ou memórias que fomos acumulando desde esse momento. Podemos pensar que esquecemos essa experiência, mas ela ainda lá está.

Cada pedaço de informação que experimentamos está registado um pouco por todo o nosso cérebro (como cada corante que se vai dissolvendo na água)! Isso significa que não podemos corrigir ou apagar qualquer informação; na realidade, nem sequer podemos “gravar” por cima de um registo já existente. Todas as experiências, desde que nascemos, incluindo as emoções a elas associadas, são registadas pelo cérebro, e esse registo permanece para sempre.

3. O nosso cérebro processa mais do que um “programa” simultaneamente!

Enquanto que a memória RAM do computador consegue apenas processar um programa de cada vez, a memória de curto prazo do nosso cérebro pode processar cerca de 5 a 9 “programas” ou tarefas diferentes e mostrá-las no nosso “monitor” da consciência – todas ao mesmo tempo! Por isso, mesmo que eu esteja concentrada numa determinada tarefa, a minha memória de curto prazo consegue também processar o programa de rádio que ouço, o cheiro da comida quente na cozinha, o movimento físico e o sentido do tacto dos meus dedos enquanto digito no teclado: estes são apenas alguns dos “programas” que estão a decorrer, todos ao mesmo tempo.

4. O nosso cérebro filtra a informação automaticamente!

Existe uma grande quantidade de informação sensorial a chegar ao cérebro permanentemente. Por exemplo, toda a nossa pele está coberta de milhares de milhões de sensores de tacto, dor, calor, etc. Esses sensores não são do tipo on/off; são células vivas que enviam sinais constantemente. O nosso “monitor” da consciência, de memória de curto prazo, pode processar alguns programas ao mesmo tempo, mas não pode lidar conscientemente com toda a informação sensorial disponível.

Para nos concentrarmos naquilo que estamos a fazer em determinado momento, o nosso “filtro consciente” limita a informação que é transmitida à memória de curto prazo. Esse filtro reside na mente inconsciente, e responde à nossa atenção. Ele “diminui o volume” da informação sensorial, para que não nos perturbe. Eis uma forma simples de o demonstrar:

Reconheça que está atento ao que está a ler neste momento. À medida que vai lendo, desvie o seu “monitor da consciência” – a sua atenção – ligeiramente para o peso do seu corpo na cadeira, a sensação dos pés a tocar no chão, os sons que estão à sua volta, as imagens que consegue captar na sua visão periférica e, finalmente, o sabor na sua boca e o cheiro do ar que o envolve.

Estes são inputs sensoriais que o nosso cérebro processa continuamente. O “filtro consciente” reduz o “volume” dos inputs que não requerem a nossa atenção imediata, mas não os ignora por completo.

No exemplo descrito atrás, o leitor tornou-se consciente de certos inputs, e pode ser capaz de recordar o que sentiu durante esse processo, mas é importante lembrar que o nosso cérebro regista tudo o que se passa, a todo o instante. E faz mais do que filtrar a informação de que não necessita nas actividades quotidianas. Com o tempo, o nosso cérebro cria um “programa” que consegue modela a forma como compreendemos a informação que consegue passar para o nosso “monitor consciente”…

Adaptado de: The Nuts and Bolts of Meditation