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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Astrologia do Coração Partido: Trânsitos de Plutão

Indiferente às discussões sobre o seu estatuto astronómico (planeta? planetóide? ...), Plutão mantém a sua enorme influência astrológica. A morada de Plutão no nosso mapa natal é a sede dos nossos medos mais recônditos, dos esqueletos há muito guardados no armário do Inconsciente, fonte de traumas, vergonhas, mas também de imenso poder e resiliência.

Quando Plutão transita afectando um dos nossos planetas pessoais, nada fica como dantes. Não dentro de nós, e certamente que não nos nossos relacionamentos. Plutão força-nos a confrontar o nosso lado mais sombrio, os nossos pesadelos mais antigos, as nossas obsessõezinhas inconfessáveis. Traz à tona as feridas do Passado que nunca chegaram a cicatrizar (por mais que tenhamos tentado "perdoar & esquecer"). Torna-nos mais possessivos que o habitual, mais desconfiados, mais esquivos. Ou então confronta-nos com pessoas dominadoras, que tentam esmagar-nos a vontade própria para que tenhamos a oportunidade de descobrir de que matéria somos realmente feitos, onde reside o nosso maior poder e como utilizá-lo para nos preservarmos. 

Porque Plutão é também sentido de preservação, de sobrevivência. O instinto animal partilhado por todos os seres vivos, e que tem como único objectivo prevalecer sobre tudo o resto a qualquer preço - e que se danem as obrigações morais ou as conveniências sociais. Durante um trânsito de Plutão, há uma sensação de ameaça eminente. Podemos projectá-la no nosso chefe (que nos quer tramar...!), nos nossos colegas de trabalho (que se querem safar às nossas custas...!), no nosso companheiro ou companheira (que anda a esconder qualquer coisa...!), no governo (que só sabe lixar-nos a vida e os bolsos...!) Todos os sentidos (incluindo o da intuição) entram em alerta máximo, atentos ao mínimo sinal de perigo. 

Por mais paranóicos que nos tornemos, há sempre qualquer fogueirazita a alimentar a fumaça dessa paranóia. Sim, há mesmo alguém a tentar tramar-nos - conseguimos senti-lo mesmo que não saibamos explicar como. A questão é perceber quem. E se no comportamento suspeito/condenável dessa pessoa não estará reflectido algum aspecto mais sombrio que em nós próprios tentamos negar. Pois que se as circunstâncias da nossa vida reflectem o nosso estado de Alma, quanto mais negra for a situação maior é a sombra inconsciente que nos compete confrontar. 

As intensas experiências com Plutão deixam-nos mental e emocionalmente exaustos, pedindo mais isolamento, mais privacidade. Mas no processo reaprendemos algo de valioso sobre a capacidade de resistir à adversidade, purgando males antigos e renascendo das suas cinzas. Se para isso tivermos de investigar a fundo os reais sentimentos e motivações daqueles que nos são mais próximos, que seja. Talvez tenhamos a lucidez de ir mais longe e perceber que muita do que sucede numa relação é bagagem emocional do Passado - e como podemos culpar quem hoje está ao nosso lado pelas nossas feridas mal curadas? 

Um relacionamento que sobreviva ao impacto tremendo de um trânsito de Plutão tornar-se-á ainda mais sólido, mais profundo, muito mais íntimo e cúmplice. Ultrapassadas as desconfianças, os segredos e os ciúmes, atingimos uma consciência maior das nossas verdadeiras motivações e tornamo-nos mais capazes de aceitar a sombra de quem está do nosso lado. Com toda a sua escuridão, Plutão encerra no submundo dos tabus os incalculáveis tesouros do Inconsciente. Tenhamos pois a coragem de os resgatar.

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