segunda-feira, 27 de maio de 2013

Herança de Virgem: Humildade e Integridade

"Começam a fazer algum sentido determinadas situações...
A da ovelha negra faz todo o sentido. Não sei se percebi tudo mas gostei, espero que as minhas filhas que também são Virgens como eu não tenham que viver nada por mim, não quero deixar-lhes esse fardo. 
Não quero saber nada em especial, mas tudo o que me possa dizer...faz sentido?"

Malibu, Coimbra

Adaptado de Astrodienst
Nem todas as heranças familiares são bem-vindas... Mas quer sejamos ou não as ovelhas negras do nosso rebanho familiar, não há como escapar ao legado psicológico e emocional que os nossos pais nos transmitem tal como os seus pais já lho haviam transmitido. E de geração em geração esse legado vai-se transformando lentamente, adquirindo novas características e ultrapassando lições já interiorizadas. 

Quer tomemos essa herança com orgulho ou desdém, certo é que ela está lá, todos os dias. Impossível não vê-la, pois se até quando nos olhamos ao espelho ele nos devolve o cabelo dourado da nossa avó materna, o olhar acutilante do nosso pai ou os lábios finos de um tio distante. 

No mapa astrológico encontramos algumas dicas importantes sobre a relação que desenvolmemos com o nosso legado familiar. Nada nos diz se é bom ou mau: afinal, herdar pomares a perder de vista pode ser a fortuna de um filho e o fardo amaldiçoado de outro. Como sempre, o mapa astrológico mostra o ponto de vista do seu dono (ou dona).

Neste caso, encontramos uma herança emocional em que as capacidades intelectuais são importantes, assim como a comunicação, a permanente aprendizagem. Há um certo desejo de notoriedade social, mas também a necessidade de ser sábio (Sagitário) e não apenas "espertinho" (Gémeos). Talvez esta seja uma família de pessoas inteligentes - sem dúvida que sim -, de pessoas com o desejo de ir mais longe, de expandir os horizontes das suas raízes em busca de um conhecimento mais vasto. Terão tido oportunidade de fazer um curso superior? De viajar, ou até emigrar?

Estas são necessidades importantes, que você absorveu e tomou como suas ainda na infância. Podem reflectir desejos insatisfeitos do seu pai ou da sua mãe, ou podem traduzir sonhos que eles conseguiram mesmo concretizar. Em qualquer dos casos, a busca pelo conhecimento dá sentido à sua vida e ao papel que desempenha no seio da sua família, e deve tentar lembrar-se disso mesmo quando outras preocupações mais mundanas a afastem desta "missão".

Por outro lado, o seu mapa mostra um enorme impulso para se relacionar com as outras pessoas (6 planetas na casa VII, a dos relacionamentos!), e que esses relacionamentos se traduzam em algo de útil, algo que a melhore a si enquanto pessoa capaz de dedicar amor, atenção e cuidado aos outros (porque Sol, Lua, Vénus e Mercúrio estão em Virgem). Há aqui um forte espírito de querer servir, não no sentido depreciativo da palavra mas no seu sentido maior. 
Servir (com S grande) a quem está ao meu lado, tornar a sua vida mais fácil, mais confortável, mas eficiente, mais saudável. Servir com dedicação, com abnegaçao, com humildade. Servir sabendo que isso me torna numa pessoa melhor, mais integrada e sintonizada com a ordem natural das coisas. 

Este espírito de missão está profundamente entrosado com os seus valores morais mas também com valores mais amplos, com causas que importam à sociedade e ao bem comum (porque a confiante Lua Nova está em aspecto a Júpiter, a Neptuno e a Urano). Pode por vezes sentir que os seus sonhos e ideais a distraem de aplicar o seu grande sentido prático. Mas este conflito interior pode ser superado à medida que for interiorizando que são os sonhos e os ideais que nos movem a todos, e que a organização do dia-a-dia se torna perfeitamente estéril quando não há uma causa maior a qual se dedique de corpo e alma.

Quanto às suas filhas, o melhor que lhes pode dar é um bom exemplo. Mostre-lhes como a energia de Virgem faz falta ao mundo, como é necessária para impôr ordem ao caos, para corrigir o que não funciona, para trazer um pouco mais de saúde e pureza à sua realidade e à das pessoas que ama. Viva a sua vida como ela lhe foi destinada, e as suas filhas decerto encontrarão em si um modelo inspirador quando for tempo de tomarem responsabilidade pelas suas próprias escolhas.

Faz sentido? ;-)

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Os Elementos: Terra que dá Frutos

Tudo tem o seu tempo determinado,
e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;


A vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma,
porque todos são vaidade.
Todos vão para um lugar;
todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.
Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção;
pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele? 
Eclesiastes 3:1-22 (excertos)

Somos muitas vezes bombardeados com o "cliché" de estarmos todos cada vez mais materialistas. É o dinheiro que move o mundo... ou talvez a mais recente versão do iPhone, sei lá. Comprar, gastar, ter, parecem verbos prioritários para muita gente, enquanto outros pretensos "iluminados" negam qualquer ambição terrena e se entregam a promessas vãs de como-ser-espiritual-em-10-passos.

O elemento Terra é talvez aquele que mais se encontra polarizado nos tempos actuais. É o ter tudo o que dá conforto e status, ou não ter nada desses vícios que corrompem pela ganância e pela avareza. É saturar o organismo com "paletes" de calorias, ou matá-lo lentamente através de distúrbios alimentares (que os há para todos os gostos). 

São os cientistas que nos impingem uma visão mecanicista da realidade em que o ser humano é rei e senhor de todo o planeta (veja-se o fundamentalismo por detrás do Aquecimento Global, como se por modelos e teorias nos tornássemos micro-deuses de ventos e monções). São os fanáticos que proibem o ensino da Teoria da Evolução pois a Bíblia é para ser entendida li-te-ral-men-te (dai-lhes alguma imaginaçãozita, Senhor...!)

A maioria das manifestações de Terra reveste-se de uma profunda aversão à mudança. Terra pressupõe estabilidade, e ninguém quer assistir ao próprio envelhecimento, encarar a sua mortalidade ou a daqueles que ama. Queremos o nosso dinheiro seguro no banco, o tecto de nossa casa protegendo as nossas cabeças dia após dia. Queremos ordem, organização, saber com o que contamos amanhã e daqui a um ano. E nada há de errado com isso: só lutando por construir algo sólido podemos aspirar a deixar marcas permanentes no mundo. De que serve ter ideias brilhantes se não as concretizamos em algo palpável...?

Nesta dualidade reside a essência do elemento Terra, e a razão pela qual continuamos a debater-nos para encontrar o equilíbrio no plano material. Ter tudo porque só assim estamos seguros, ou não ter nada porque na realidade nada nos protege do que está para vir?

Não é fácil encontrar um meio termo. Gosto de imaginar que todo o mundo material é como um pomar. Há que saber semear no tempo certo, colher no tempo certo. Ultrapassar períodos de seca e períodos de cheia com paciência e determinação. Conhecer profundamente aquilo que se planta, respeitar a essência da semente (a de maçã nunca vai gerar um limoeiro!) Prever atempadamente as etapas de florescimento, polinização, maturação do fruto, adequando o adubo e a rega às necessidades de cada etapa. Acima de tudo, há que respeitar a sabedoria infinita da Natureza. E saber esperar.

É isto que fazem os empresários bem sucedidos, não? Em vez de frutos, colhem dinheiro, sucesso profissional e material. Para tal usam do mesmo sentido de responsabilidade para com os seus deveres, da mesma dedicação aos seus projectos, da mesma sensatez na gestão de imprevistos e contratempos. Menos poético falar de dinheiro do que de frutos? Talvez, mas na realidade é tudo o mesmo: dádivas de Terra, da Terra, pequenos pacotes de energia em formato matéria. 

Não é o dinheiro em si que nos torna materialistas. É o não entendermos que o dinheiro não é em si mesmo um objectivo final, mas apenas um instrumento através do qual honramos a Terra que há em nós e aplicamos os nossos melhores talentos e saberes para construir algo que dure. Que seja útil para as outras pessoas. Que valha o nosso maior e melhor esforço.

Na Saúde e na Doença

Todos nós nos preocupamos com a saúde, e com a falta dela. Se é certo que são sobretudo os momentos de crise que nos levam a procurar respostas para além da realidade quotidiano, a doença crónica, prolongada e mais ou menos fatal está entre os maiores catalisadores de crise existencial que o ser humano é forçado a conhecer.

Mas afinal porque tem que sofrer o nosso corpo físico? 

A medicina, a neuroquímica e tantos outros derivados científicos procuram descobrir de como acontece a doença, a dor. Quanto ao porquê, isso já é matéria para religiões e correntes filosóficas tentarem responder. Dizem que sofremos para nos purificarmos, para pagarmos por erros passados. Ou sofremos porque estamos em desequilíbrio interno, compete-nos aprender a reencontrar o equilíbrio.

Em Astrologia, os planetas e os signos representam princípios universais. Quando pensamos em Saturno, não estamos a falar apenas dum planeta. Estamos a falar de coisas que parecem tão diversas como o chumbo, o deus Cronos, o sentido do dever, a noção de limites ou aqueles representam a autoridade e a ordem. Saturno é o nome do princípio que é comum a todas estas coisas, que as une em significado porque existe na essência de todas e de cada uma. 

No corpo humano, encontramos Saturno na pele e no esqueleto, por exemplo. Na pele, porque é o limite visível do nosso organismo, aquilo que separa o Eu físico do mundo exterior. No esqueleto, porque é a nossa estrutura essencial, a matéria rígida que nos dá forma  e organização interna. Saturno é, de certa forma, onde começa e onde termina o nosso corpo físico. 

Do mesmo modo, todos os outros planetas têm correlações com partes do corpo, com órgãos ou sistemas. E tradicionalmente os signos regemm diferentes "secções verticais" do organismo, desde Áries/Carneiro na cabeça até Peixes nos pés. 

Utilizando uma perspectiva astrológica sobre o corpo humano, é possível tentar encontrar no mapa astrológico algum tipo de insight para as doenças que nos vão assaltando ao longo da vida. Se qualquer desequilíbrio emocional que não é reconhecido como tal acaba por se manifestar fisicamente, então podemos encontrar nos nossos sintomas físicos indicações preciosas sobre o modo disfuncional como estamos a expressar certas partes da nossa identidade essencial. 

Será a pessoa com problemas auto-imunes pouco assertiva ou demasiado dominadora nas suas relações com o mundo? 

E os asmáticos, terão dificuldade em comunicar aquilo que realmente pensam e sentem?

Como em tudo o que é Astrologia, não vale a pena colocar a questão em termos de causa-efeito. Não é um ou outro planeta que nos põe doentes. Simplesmente os nossos processos internos são feitos de permanentes adaptações, transições, evoluções. Algumas trazem-nos bem-estar, catalogamo-as de "sorte" ou até "felicidade". Outras causam-nos sofrimento, chamamos-lhe "desgosto" - ou "doença", quando o mal-estar é físico. 

Meditar sobre o esboço destes processos internos que encontramos no mapa astrológico não é nenhuma cura milagrosa. Mas ajuda-nos a dar mais um passo no sentido de nos percebermos um bocadinho melhor, e de encontrarmos a nossa própria resposta ao "Porque é que isto me aconteceu a MIM!?!?" - sem intermediários nem respostas pré-definidas à partida. 

E isso, qual aspirina emocional, faz toda a diferença.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Jung e as Ovelhas Negras

"O maior fardo que uma criança tem de carregar é a vida não vivida dos seus pais".

Carl G. Jung, Psiquiatra e Psicoterapeuta Suiço (1875-1961)


Não sei se existirá alguma família que não tenha pelo menos uma ovelha negra. Em certas famílias, a ovelha negra estará talvez melhor camuflada do que noutras - afinal, o que vão as pessoas pensar....? E no entanto estes rebeldes (com ou sem causa) desempenham um papel essencial no desenvolvimento psicológico e espiritual da sua linhagem. Não são apenas desordeiros gerando o caos na sua família de Hoje, mas sim herdeiros de uma importante tarefa: a de prosseguir, no caminho dos seus antepassados, a busca pela integração plena.

E que é isso de integração plena? É o preenchermos as partes de nós que sentimos incompletas. Numa família, isso significa desenvolver os talentos, as competências, as características que foram sendo negligenciadas ao longo do tempo, às vezes durante muitas gerações.

Será ovelha negra o contabilista que nasce no seio de uma família de músicos, ou o jardineiro numa família de advogados. A expressão de uma vocação profissional é talvez a forma mais visível que uma ovelha negra tem de se manifestar. Mas há muito mais em jogo do que isso. 

Astrologicamente, observa-se com facilidade a transmissão de certos padrões astrológicos dentro da mesma família. Certos signos que se repetem, ou certos aspectos (sobretudo entre planetas pessoais e um dos mais lentos). Estes padrões mostram recursos preciosos para o desenvolvimento individual e familiar, permitem que cada pessoa construa algo de significativo durante a sua vida e que esse "algo" se torna numa parte importante do legado da sua família. Um elo precioso numa longa cadeia de elos, geração após geração.

Mas por mais "afortunado" que possa parecer um legado astrológico, há sempre uma sombra que aprendemos, com a nossa família, a ignorar. A família de músicos pode ter uma dificuldade tremenda em gerir os seus bens (dirão "mas que importa o dinheiro, se acima de tudo está a arte...?"); a família de advogados despreza todo e qualquer tipo de trabalho manual ("sujar as mãos, eu? nem pensar nisso!"). 


Música exige técnica, técnica exige dedicação, esforço e dextreza. E o despertar dos sentidos, claro. Tudo isto são dons de Terra, tal como o é a capacidade para lidar com questões materiais. Posses, objectos, dinheiro. Terra plenamente integrada é tudo isto, desde o belíssimo timbre de um Stradivarius ao barulhinho dos trocos que levamos no bolso. E depois de muitas gerações de músicos brilhantes de inspiração, eis que surge um contabilista nato. O que ele gosta mesmo é dos números, das contas, do dever e do haver. 

A família horroriza-se, ou talvez fique apenas decepcionada. Na melhor das hipóteses, encara este inédito talento como uma lufada de ar fresco. Um astrólogo traça o seu mapa et voilà, nada de extraordinariamente diferente do resto da família. Este poderia até ser o mais artístico dos filhos, o mais famoso dos netos. E no entanto algo nele o fez seguir o seu percurso astrológico de um modo inteiramente diferente dos seus familiares, desenvolvendo os seus talentos terrenos de forma inédita. 

O quê? Não sei, precisaria dar uma olhadela mais atenta ao mapa fictício deste contabilista imaginário. Mas, como defendia jung, é provável que nada tenha um efeito tão significativo no desenvolvimento de uma pessoa do que a vida não vivida dos seus pais. E nesta "vida não vivida" cabem muitas coisas. Desde logo os sonhos deixados para trás, por se terem revelado "irrealistas" ou "perigosos". Os relacionamentos não vividos, os talentos por explorar, tudo isto é esqueleto no armário dos nossos pais. Alguns esqueletos serão mais ao menos conscientes, talvez até olhados com uma certa nostalgia conformada (ah, o que eu queria mesmo ter sido era piloto/actor/político....). Outros esqueletos vivem sempre na obscuridade do Inconsciente. Reflectirão não tanto as vocações não seguidas mas as necessidades profundas que estão na origem de qualquer vocação. O desejo de ser amado, odiado ou invejado, de inspirar multidões, de viver saltitando entre continentes, de traçar novos caminhos em território inexplorado, ou teorias pioneiras que domestiquem o medo racionalizando o caos....

Algures no Tempo estas necessidades tornaram-se tabu. "Sim, que nesta família não se fala em tontices dessas, isso é para os parvos que perdem tempo acreditando que tais coisas são aceitáveis/possíveis/úteis, não é para nós". E o tabu vai criando raízes, geração após geração. Já ninguém o questiona. Nascem músicos, vivem músicos, morrem músicos. Até ao dia em que aquele que nasceu músico decide que afinal gosta mesmo mesmo é de contabilidade.



Ninguém escolhe ser ovelha negra só pra chatear, ou porque sim, ou porque faz-parte-da-juventude-o-ser-rebelde-e-isso-depois-acaba-por-passar-com-o-tempo. Todos temos o primordial dever de sermos autênticos. E acredito que só assim conseguiremos de facto, com a nossa vida inteira, honrar o legado dos nossos antepassados e dar um passo em frente no sentido da integração plena, do completo usufruto de todos os recursos e talentos intrínsecos à nossa linhagem. 

Talvez os espíritos dos que já partiram e dos que ainda nos hão-de suceder - onde quer que eles estejam - olhem com um misto de admiração e benevolência as bravas ovelhas negras que diariamente se recusam a ser só mais um entre a carneirada. Somos muito mais do que a mera soma das expectativas dos nossos antepassados, o balanço dos seus sucessos e fracassos. E continuamos a prová-lo! - mesmo que isso implique estudar Contabilidade ;-)

P.S. As profissões mencionadas neste post são apenas exemplos utilizados para efeito metafórico, não sugerem qualquer tipo de preconceito nem pretendem reflectir qualquer situação ou pessoa em concreto.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Astrologia do Coração Partido: Trânsitos de Júpiter

Os mais atentos a questões astrológicas perguntar-se-ão como pode Júpiter partir corações. Afinal, este é o planeta das oportunidades, grandes e pequenas, do impulso para ir mais além, expandido conhecimentos e crenças, abrindo a mente a horizontes mais vastos e despertando-a para a espiritualidade. 

Muitos relacionamentos vivem numa falsa auto-suficiência, como se nada exterior ao relacionamento fosse necessário (eu vivo pra ti, tu vives pra mim). As pessoas acomodam-se ao que lhes é familiar, rotineiro, e assim se dizem "satisfeitas". Mas quando um trânsito de Júpiter afecta um relacionamento, é bem provável que surjam então boas oportunidades. E para aproveitá-las é preciso movimento, acção, se não de corpo pelo menos de mentalidade.  Pode acontecer que uma das pessoas esteja atenta a essas oportunidades, ou disponível para segui-las onde quer que possam levar... Como Alice, seguindo o Coelho Branco até ao País das Maravilhas. Mas nem todos os parceiros se querem dar a tal trabalho, e armam-se em Velhos do Restelo (ou em Saturnos, dependendo da mitologia ;-) apontando um dedo acusador às dádivas que Júpiter traz como se de castelos de areia se tratassem. Bem, nunca saberá onde o caminho do Coelho Branco termina se não estiveres disposto a segui-lo, diria Alice.

Nesse sentido, os trânsitos de Jupiter podem trazer grandes mudanças a um relacionamento. Quando uma das pessoas está pronta para novos desafios, Jupiter sinaliza a sua chegada: um nova situação profissional, uma viagem estimulante, uma oportunidade de formação, ou até novos contactos e novos amigos. Claro que nada nos cai no colo sem um mínimo de esforço (diz-me o meu Saturnozinho), ou pelo menos sem que estejamos minimamente atentos ao que se passa à nossa volta. Algumas pessoas estarão mais naturalmente predispostas para entender e seguir as dicas de sorte que Júpiter vai deixando no nosso caminho, outras nem tanto. Mas em teoria qualquer mortal pode (e deve) abrir-se a novas experiências.

Ora por vezes o relacionamento reage mal a tanta "sorte". A pessoa "bafejada pela fortuna" pode sentir que a outra a limita, que não entende os seus sonhos, que não apoia os seus projectos. E para quem assiste ao trânsito de Júpiter do lado de fora, tudo aquilo pode despertar as suas próprias inseguranças e sensação de limitação: "Ele tem tanto potencial, tantas coisas boas a acontecer, e eu nunca saio da cepa-torta..." Muita frustração pode acumular-se de parte a parte, minando lentamente o relacionamento que pode até terminar no momento em que ambos constatarem que acabaram por seguir caminhos completamente diferentes: afinal, o País das Maravilhas está tão distante do parque infantil lá do bairro...


Quando há verdadeira comunicação dentro da relação, os trânsitos de Júpiter podem trazer óptimas notícias para ambos. Necessário é que um saiba estimular o crescimento do outro, sem cobrar e sem invejar, ciente de que todos temos períodos de expansão e períodos de limitação, das nossas capacidades e dos nossos recursos. Júpiter, o grande benéfico, consegue sempre surpreender-nos com novas perspectivas para o nosso desenvolvimento pessoal e para a prosperidade dos nossos relacionamentos: se nisso vemos oportunidades de ouro ou desaires de chumbo, depende apenas de nós.