segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Princípios da Crença Wicca

O Conselho de Bruxas Americanas foi constituído em Abril de 1974 (e dissolvido no mesmo ano), numa altura em que a ausência de uma organização Wicca a nível nacional e internacional dava azo a equívocos, favorecendo a construção de imagens distorcidas d’ “A Arte” (como também é designada esta religião) perante a opinião pública. O objectivo principal do Conselho era “separar o trigo do joio”, mostrando para o interior do movimento wicca e, sobretudo, para o exterior, quais os princípios comuns a todos os Wiccans, demarcando-se categoricamente do Satanismo e de outras seitas derivadas e devolvendo ao termo “Bruxo(a)” o seu significado original. O texto produzido veio clarificar muita da confusão surgida até então e permanece, hoje, uma referência incontornável na forma wicca de encarar a religião e a vida.
__________________________________________________________

Princípios da Crença Wicca

Introdução

O Conselho dos/as Bruxos/as Americanas considera essencial definir a Bruxaria moderna [Wicca] em termos da experiência e necessidade americanas.
Não estamos limitados/as pelas tradições de outros tempos e de outras culturas, e não devemos fidelidade a nenhuma pessoa ou poder maior do que a Divindade que se manifesta através do nosso ser. Como Bruxos/as Americanas, acolhemos e respeitamos todos os ensinamentos e tradições afirmativos da vida, e procuramos aprender e partilhar os nossos conhecimentos dentro do nosso Conselho. É neste espírito de receptividade e cooperação que adoptamos estes princípios da crença Wicca.Tentando ser inclusivos, não pretendemos abrir-nos à destruição do nosso grupo por aqueles que só querem o poder para si próprios, ou pelas filosofias e práticas contraditórias aos nossos princípios. Tentando excluir todos aqueles cujas atitudes sejam contrárias às nossas, não queremos negar a participação a ninguém que não esteja sinceramente interessado no nosso conhecimento e crenças, qualquer que seja a sua raça, cor, género, idade, origem nacional e cultural, ou preferência sexual.

1. Praticamos rituais para nos sintonizarmos com o ritmo natural das forças da vida, marcado pelas fases da Lua e pelas estações e meias-estações do ano.

2. Reconhecemos que a nossa inteligência nos dá uma responsabilidade única em relação ao meio ambiente. Procuramos viver em harmonia com a Natureza, em equilíbrio ecológico, oferecendo auto-realização e consciência dentro de um conceito evolucionário.

3. Reconhecemos a existência de um poder muito superior ao que é aparente à pessoa comum. Por estar muito para além do que é vulgar, é por vezes designado de “sobrenatural”, mas vêmo-lo como estando no centro do que consideramos ser o potencial natural de todos nós.

4. Vemos o Poder Criativo do Universo manifestando-se através da polaridade, como Masculino e Feminino, e que este Poder Criativo existe em todas as pessoas, funcionando através da interacção masculino-feminino. Não valorizamos um mais do que o outro, sabendo que um sustenta o outro. Valorizamos o sexo como prazer, como símbolo e incarnação da vida, e como uma das fontes de energia utilizadas na prática mágica e na adoração religiosa.

5. Reconhecemos a existência de mundos exteriores e interiores, ou psicológicos, também conhecidos como Mundo Espiritual, Inconsciente Colectivo, Planos Interiores, etc – e vemos na interacção e entre estas duas dimensões a base dos fenómenos paranormais e dos exercícios mágicos. Não negligenciamos uma dimensão em prol da outra, porque ambas são necessárias à nossa auto-realização.

6. Não reconhecemos nenhuma hierarquia autoritária, mas honramos aqueles que ensinam, respeitamos aqueles que partilham o seu conhecimento superior e a sua sabedoria, e apreciamos aqueles que se entregam corajosamente a actividades de liderança.

7. Vemos religião, magia e sabedoria na vida como estando unidas, da mesma forma que vemos o mundo e as vidas dentro dele – uma visão e uma filosofia de vida que identificamos como Witchcraft – a Visão Wicca.

8. Auto-intitular-se “Bruxo/a” não faz o/a Bruxo/a, nem o faz a hereditariedade, a colecção de títulos, graus ou iniciações. Um/a Bruxo/a procura controlar as forças dentro de si próprio/a que tornam a vida possível, de forma a viver bem e com sabedoria, sem prejudicar os outros e em harmonia com a Natureza.

9. Acreditamos na afirmação e na concretização da vida, num processo de contínua evolução e desenvolvimento da consciência que dá significado ao Universo que conhecemos e ao papel pessoal que cada um de nós nele desempenha.

10. A nossa única animosidade contra o Cristianismo, ou contra qualquer outra religião ou filosofia de vida, acontece na medida em que as suas instituições defendam a sua via como “a única via”, tentando negar a liberdade dos outros e suprimir outras formas de prática e crença religiosas.

11. Como Bruxos/as Americanos/as, não nos sentimos ameaçados/as pelos debates sobre a história da Arte, as origens dos mais variados termos, a legitimidade dos vários aspectos das diferentes tradições. Preocupa-nos o nosso Presente e o nosso Futuro.

12. Não aceitamos o conceito de Mal absoluto, nem veneramos qualquer entidade conhecida por "Satanás" ou por "Diabo", definida pela tradição cristã. Não procuramos o poder através do sofrimento dos outros, nem aceitamos que o benefício pessoal possa vir apenas da negação do benefício de outrem.

13. Acreditamos que devemos procurar na Natureza aquilo que contribui para a nossa saúde e para o nosso bem-estar.

sábado, 13 de outubro de 2007

Tarot - VIII. A Força

"A força selvagem do génio é muitas vezes predestinada pela Natureza, para ser finalmente vencida por uma força silenciosa. O vulcão expele os seus jactos vermelhos com terrível força, como se fosse atingir as estrelas. Mas a calma e irresistível mão da gravidade apanha-os, e devolve-os à Terra."

Peter Bayne (escritor escocês, 1830-1896)


Simbologia e Arquétipo

Uma mulher, com um lemniscato sobre a cabeça, segura a cabeça de um leão de modo firme porém delicado. Em alguns baralhos a jovem surge abrindo a boca do leão, noutros fechando-a.


A Viagem do Louco

Seguindo os conselhos do guerreiro d’O Carro, o Louco triunfou sobre os seus inimigos e sente-se vitorioso, poderoso, arrogante, e até um pouco vingativo. Há dentro dele uma paixão que fervilha, e que ele mal consegue controlar. É neste estado que o Louco encontra uma jovem mulher que luta com um leão. Acorrendo em seu auxílio, o Louco chega a tempo de a ver fechar a boca do leão, delicadamente mas com firmeza. Aliás, o animal que parecia tão selvagem e feroz há poucos instantes, está agora sob o total domínio da jovem. Impressionado, o Louco pergunta-lhe como conseguiu tal proeza, ao que ela responda: “Força de vontade. Qualquer besta, não importa o quão selvagem, acaba por se vergar perante uma vontade superior”. Por momentos os olhos do Louco cruzam-se com os da sua interlocutora, e ele apercebe-se que ela, apesar da sua juventude e docilidade, possui grande poder e sabedoria. “Da mesma forma”, continua ela, “existem muitos impulsos indesejados dentro de nós. Não é errado senti-los, mas é errado deixar que nos controlem. Somos seres humanos, não bestas irracionais: podemos comandar essa energia, dirigi-la a objectivos mais elevados”. O Louco sentiu que a sua raiva se acalmava e, sentindo-se mais esclarecido, afastou-se com a certeza de que não fora apenas o leão a ser domado naquele dia pela força pura e inocente de uma jovem mulher.








A Força no baralho Quest (Llewellyn)






Notas Interpretativas

Tal como o signo que a rege, Leão, a carta d’A Força representa coragem e energia: a força selvagem do leão, e a vontade inabalável da jovem. Ela não tem medo, é absolutamente perseverante e indomável. Ela é a prova de que a força interior é muito mais poderosa do que a força física bruta. Na obra “Qabbalistic Tarot”, Wang compara esta carta com uma das virgens de Vesta, que cuidavam do fogo sagrado da Deusa do Coração. O fogo é algo que inspira medo, queima e pode facilmente fugir do controlo. Mas algures no tempo perdemos o medo dele – mas não o respeito. E com vontade e inteligência, soubemos transformá-lo numa ferramenta preciosa.






A Força no baralho Crystal (Lo Scarabeo)







Esta é uma mensagem muito próxima da d’O Carro, a de que é possível vencer controlando os instintos. A diferença é que a carta d’A Força garante que o Querente pode controlar não só a situação, mas também ele próprio. É uma carta que fala de dominar a raiva e os impulsos, de encontrar respostas criativas, de liderança, de manter a própria honra. O fogo, como o leão ou qualquer outra coisa que se queira controlar – uma situação, uma pessoa ou os próprios impulsos –, podem causar danos. A carta d’A Força traz a mensagem de que não se deve desistir nunca, mas ter a coragem de continuar a tentar e a certeza de que é possível vencer.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Wicca



"Yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay"

Ditado Galego




Wicca é uma religião neopagã que recupera a tradição pagã europeia da era pré-cristã, do culto da Terra e dos ciclos naturais. A palavra Wicca vem do inglês antigo, e significa "dobrar ou alterar".

As origens históricas da Wicca não são tema consensual. Gerald Gardner (1864-1964), antropólogo e um dos maiores impulsionadores do movimento Wicca, defendia que este resultava da sobrevivência de várias crenças pagãs matriarcais existentes na Europa pré-histórica, que lhe teriam sido transmitidas por uma anciã chamada “Dafo” ou “Velha Dorothy”. Enquanto alguns investigadores modernos identificam estas personagens com Dorothy Clutterbuck (suposta líder do New Forest Coven de Inglaterra), outros há que defendem que se tratam de duas fontes independentes. Há ainda quem acredite que tudo pode não ter passado de uma criação do próprio Gardner, que assim obteve uma origem mais “credível” para os rituais que reescreveu a partir de tradições antigas, rituais de magia cerimonial e outras fontes mais recentes, como Aradia ou o Evangelho das Feiticeiras, de Charles Godfrey Leland (folclorista, 1824 – 1903). Philip Heselton, iniciado na Wicca e autor de Wiccan Roots e vários outros livros sobre o tema, defende que Gardner não foi o criador dos rituais sobre os quais escreveu, mas que os recebeu de uma fonte anónima credível e os transmitiu de boa-fé.

Desde as primeiras publicações de Gardner, a Wicca tem-se desenvolvido e ramificado em várias tradições com rituais e práticas distintos. Muitas destas tradições permanecem secretas, e requerem alguma espécie de iniciação dos seus membros efectivos. Existe também um movimento de Wiccans Eclécticos, que acreditam não ser necessária qualquer doutrina ou iniciação tradicionais para a prática da Wicca. Em 2001, o American Religious Identification Survey estimava a existência de pelo menos 134.000 adultos praticantes de Wicca nos Estados Unidos.

Conceitos Fundamentais

A inexistência de uma única organização de referência Wicca tem levado a uma crescente heterodoxia nas crenças e práticas dos adeptos Wicca. No entanto, os princípios religiosos e éticos essenciais, de veneração da Natureza como manifestação do Divino, permanecem os mesmos, transmitindo-se oralmente dentro de um coven (grupo de adeptos de Wicca que realizam as práticas religiosas em conjunto) e/ou através de inúmeras obras publicadas sobre o assunto. O ramo eclético preconiza que, dentro dos moldes descritos em seguida, cada um é livre de experimentar e estabelecer a relação com a divindade da forma que sentir ser, espiritualmente, a mais correcta.

Divindade

Para a maioria dos adeptos da Wicca, esta é uma religião duoteísta. A Deusa e o Deus são polaridades complementares que emanam de uma só fonte divina, e que estão presentes em toda a Natureza (dia e noite, feminino e masculino,…) numa generalização do princípio hermético de que “Tudo é dual”. As duas divindades são normalmente simbolizadas como Deus-Sol e Deusa-Lua, e esta por sua vez é uma tripla divindade: Deusa-Virgem (Quarto Crescente, o Nascimento), Deusa-Mãe (Lua Cheia, a Vida) e Deusa-Anciã (Quarto Minguante, a Morte). Algumas correntes da Wicca atribuem à Deusa um carácter pré-eminente, pois ela contém tudo e tudo cria. O Deus é adorado como a centelha da vida, a inspiração que motiva a criação da Deusa, simultaneamente o seu amante e o seu filho. O conceito duoteísta é frequentemente alargado a múltiplas divindades que não são mais do que manifestações do Deus (e.g. Pan, Zeus) e da Deusa (e.g. Diana, Hecate). O número e natureza dos deuses adorados pode variar de coven para coven e até mesmo entre praticantes do mesmo coven.

Símbolo da Deusa Tríplice


Animismo

O Deus e a Deusa podem manifestar-se nas pessoas, encarnando temporariamente nos corpos dos sacerdotes e sacerdotizas.

Os Elementos

Toda a força ou forma resulta da expressão de um ou da combinação de vários dos quatro Elementos – Terra, Ar, Fogo e Água. Há ainda um quinto elemento, o Espírito. Os cinco elementos formam as cinco pontas do Pentagrama, um dos símbolos mais importantes da Wicca.

O Círculo

Não existem edifícios dedicados à prática religiosa: qualquer lugar na Terra é adequado ao contacto com a divindade. O ritual inicia-se invariavelmente com a criação do Círculo, uma área circular em torno dos participantes que é purificada pelos quatro elementos. O restante do ritual é conduzido no interior do Círculo, com a invocação dos nomes da Deusa e do Deus, assim como dos poderes da Natureza. O Círculo é considerado uma zona de protecção dentro da qual o indivíduo está protegido, e onde pode atingir estados de consciência alterados, “entre mundos”. O Círculo serve também para conter a energia que é acumulada durante o ritual, até chegar o momento certo de a libertar em direcção ao objectivo pretendido.

As três leis fundamentais

Embora a Wicca não possua qualquer texto sagrado, existe um conjunto de 3 princípios essenciais para a forma de ser e estar de um wiccan.

1.An ye harm none, do what ye will”. Esta é a Wiccan Rede, e também o lema adoptado para o Nodo Ascendente: Faz o que quiseres, desde que não prejudiques ninguém. Deve ser aplicado às práticas mágicas e conduzir a uma atitude aberta e responsável perante a vida em geral.

2. Lei das Três Vezes: Aquilo que fizeres ser-te-á devolvido três vezes mais. Este é uma extensão do conceito do karma, e prevê que cada pessoa está sujeita às consequências dos seus actos, sendo que actos positivos geram retornos positivos, actos negativos atraem retornos negativos. Esta Lei parece confinada à corrente Gardneriana, pois o cumprimento da primeira Lei já assegura todo um código ético que dispensa o receio das consequências para ser eficaz.

3. A última grande crença é a da Reencarnação. Na Wicca não existe paraíso ou inferno, pois a Morte é considerada apenas uma outra forma de existência. Alguns adeptos acreditam que a alma renasce continuamente, para sempre, enquanto outros defendem que, uma vez aprendidas as lições necessárias, a alma conquista o direito ao repouso eterno num local designado na tradição britânica por “Summerlands” (ou “Terras de Verão”). A crença na Reencarnação lida com a questão do karma a um nível muito superior do da Lei das Três Vezes, assegurando que cada pessoa renasce para uma nova vida nas circunstâncias mais adequadas aos actos que praticou na vida anterior.


Para saber mais, consulte as obras de Scott Cunningham (destinadas sobretudo ao praticante de Wicca solitário) e Raven Grimassi (responsável pelo renascimento do paganismo em Itália, a Stregheria).


Fontes:

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Signos do Zodíaco - IV. Caranguejo

"Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos"

Antoine de Saint-Éxupery (nativo de Caranguejo)
in O Principezinho


Sistema Tropical: c.21 de Junho - 22 de Julho
Sistema Sidereal: c.16 de Julho – 15 de Agosto
Sistema Solar: c.21 de Julho – 9 de Agosto
Constelação: Cancer
Elemento: Água
Qualidade: Cardinal
Partes do Corpo: Seios e Estômago
Regência Primária: Lua
Regência Base: -
Exaltação: Vénus
Exílio: Saturno e Urano
Queda: Marte

Pedra preciosa: Pérola, Jade
Metal: Prata
Cores: Verde, Azul, Cinzento
Números: 4, 5
Dia: Segunda-Feira



Simbologia

A associação da constelação de Câncer ao elemento Água remonta aos primórdios da Astrologia. Na Antiguidade acreditava-se que o Caranguejo era o primeiro Signo do Zodíaco, porque era através dele que a Vida tinha descido dos céus e entrado nos oceanos primitivos da Terra. Na Malásia, esta constelação era o “Primeiro e Único Caranguejo”, que viveu há muito tempo num buraco no fundo do mar, e era tão grande que as suas idas e vindas causavam das marés. Os Caldeus associavam esta região do céu a um Caranguejo porque estes animais conseguem mover-se de lado e para trás, como o Sol parece fazer ao chegar ao Solstício. Provavelmente associado a uma crença semelhante, os Egípcios viam esta constelação como um escaravelho que empurrava o Sol através dos céus. Alguns filósofos da Antiguidade referiram-se a Caranguejo como as “Portas do Homem”, por onde desciam à Terra as almas que deveriam encarnar. Finalmente, há uma lenda que é comum a várias culturas: quando todos os planetas se encontrarem em Caranguejo, o mundo terminará com uma inundação devastadora.


Mitologia Grega

No Segundo Trabalho, Hércules foi enviado para lutar contra a terrível serpente marinha de 9 cabeças conhecida por Hidra. Durante a batalha, todos os animais ficaram ao lado de Hércules, excepto um gigantesco caranguejo que havia sido enviado pela deusa Hera. O Caranguejo emergiu de uma gruta e agarrou com as suas pinças um dos pés de Hércules, distraindo a sua atenção momentaneamente. Este pequeno incidente quase custou a batalha ao herói, que acabou por matar o Caranguejo e, mais tarde, eliminar a Hidra. Apesar da vitória de Hércules, Hera homenageou a lealdade e coragem do Caranguejo, colocando a sua imagem (assim como a da Hidra) no céu nocturno.

Existem várias explicações para o facto de a constelação de Caranguejo ser constituída por estrelas pouco brilhantes: o Caranguejo ficou demasiado desfigurado no confronto com Hércules, ou talvez Hera lhe tenha tirado a luminosidade como castigo pela derrota.

Entre as estrelas de Caranguejo encontra-se um pequeno grupo conhecido por Asselli (Asnos), na parte de trás da carapaça. Reza a lenda que Hera havia enlouquecido Dionísio, que vagueava sem rumo através do Egipto e da Síria. Dionísio terá então visitado Dodona, para consultar o Oráculo de Zeus sobre como curar a sua loucura. Ao chegar a um enorme pântano, encontrou dois asnos, e neles montou para evitar molhar-se. No final da viagem, percebeu que estava curado e recompensou os asnos colocando-os no céu. Outra explicação descreve que durante a guerra entre os Olimpianos e os Titãs, Dionísio, Hefestos e os Sátiros cavalgaram para a batalha montados em asnos, que com o seu zurrar causaram uma confusão suficientemente grande para afugentar os Titãs.


Significado Astrológico

A chegada de Caranguejo assinala o Solstício de Verão. Nesta altura, a maturação dos frutos conclui a primeira fase do ciclo vegetal, e a Natureza retorna a um estado passivo: as características femininas se expressam na sua máxima força, com a regência da Lua e a exaltação de Vénus. A espera pela colheita, altura em que a foice cortará a vida dos campos, gera uma nostalgia pelo Passado, e extingue todos os impulsos agressivos (queda de Marte), e reduz a capacidade de decisão (exílio de Urano) e de racionalização (exílio de Saturno). Caranguejo é a criança do Zodíaco que sente saudades do ventre materno: meiga, inocente, recusa as responsabilidades e as soluções racionais, e manifesta uma enorme necessidade de estabilidade emocional. Possui uma imensa intuição, uma capacidade premonitória que se torna angustiante porque se concentra na incerteza do que o Futuro trará. O medo do desconhecido leva ao refúgio nas ligações afectivas ao Passado, no lar, nas recordações, nas tradições. Por outro lado, é também a intuição que permite a adaptação às mais variadas situações, na ausência de iniciativa e competitividade, e que serve de guia nos momentos mais difíceis.

O seu lema? A maré vai mudar.

Como se define? EU SINTO!

Fontes:
Introdução à Astrologia,
de Lisa Morpurgo (Ed. Pergaminho)
Manual de Interpretação Astrológica, de Stephen Arroyo (Pub. Europa-América)
Penumbra, Wikipedia

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Transmutação Mental

“A mente, como os metais e os elementos, pode ser transmutada, de estado para estado, de grau para grau, e condição para condição, de extremo para extremo, de vibração para vibração.

A verdadeira Transmutação Hermética é uma Arte Mental.”

in Kybalion


Os estudiosos do Hermetismo terão sido os primeiros alquimistas, astrólogos e psicólogos, que começaram a desenvolver estas áreas de conhecimento a partir dos ensinamentos de Hermes Trismegistus. O seu conhecimento dos saberes que hoje são considerados ciências, como a Astronomia, a Química e a Psicologia, era também vasto para a época, mas a sua sabedoria ia mais além, transcendendo a Astronomia através da Astrologia, a Química da Alquimia, a Psicologia convencional da Psicologia mística.

A Transmutação Mental é uma arte que surgiu de um dos muitos ramos do conhecimento secreto dos Hermetistas. A palavra “transmutação” tornou-se sinónimo da interconversão de metais, particularmente para a obtenção de ouro, mas o seu significado original é "m
udança de uma natureza, forma ou substância, para outra; transformação.”

Assim, Transmutação Mental é a arte de transformar estados, formas e condições mentais. Os seus efeitos, importantes por si só, são apenas o início de algo maior. O Primeiro Princípio Hermético declara que “Tudo é Mente; o Universo é Mental”, o que implica que a Transmutação Mental seja também a arte de alterar as condições do Universo, dando àquele que a pratica não só o poder de controlar o seu estado mental mas também as condições materiais do Universo do qual é parte integrante.

Tudo o que é hoje designado de “fenómeno psíquico” ou “influência mental” (como as técnicas de visualização sugeridas em muitos livros de auto-ajuda) funciona nestas linhas gerais. Independentemente do nome que se lhe dê, tudo se resume ao Primeiro Princípio Hermético. No entanto, a prática da Transmutação Mental envolve muito mais do que a simples visualização de um desejo que se pretende concretizar. É necessário conhecer os Princípios Herméticos para saber como utilizá-los: os efeitos de um Princípio podem ser anulados apenas com a aplicação de outro Princípio que lhe seja superior.

“Para alterar o seu estado de humor, altere a sua vibração.”

Porque tudo é mental, tudo é energia, tudo vibra (Terceiro Princípio Hermético). Uma pessoa pode tentar irritar-nos, mas não nos pode forçar a perder as estribeiras: somos NÓS que temos o controlo das nossas reacções, independentemente dos estímulos exteriores. As energias “negativas” (ódio, inveja, ciúme…) são estados de vibração de baixa frequência. Para alterarmos o nosso estado de humor, temos de elevar o nosso nível de vibração mental. Mas como fazê-lo?

“Para destruir um nível de vibração mental indesejável, utilize o Princípio da Polaridade e concentre-se no extremo oposto daquilo que deseja suprimir. Elimine o que é indesejável alterando a sua polaridade.”

É então possível dominar a nossa vibração mental pela aplicação do Princípio da Polaridade: no caso em que alguém tenta irritar-nos, devemos então saber que ira e serenidade são os dois extremos de uma mesma coisa, como amor e ódio, alegria e tristeza. Sabendo isso, compreendemos que podemos passar da ira à serenidade se for essa a nossa vontade consciente. E fazêmo-lo, por muito que a outra pessoa se esteja a esforçar por nos irritar. Do mesmo modo um sentimento negativo pode ser contagioso: uma pessoa de mau humor irrita-se com outra, que por sua vez fica irritada com a reacção da primeira e vai “descontar” no próximo que lhe aparecer à frente. E assim sucessivamente. Polaridade e vibração são elementos essenciais na arte da Transmutação Mental. Experimente e verá! ;-)

Fonte: Kybalion