quinta-feira, 6 de junho de 2013

Sonho de um Dia Perfeito

Já imaginou o seu dia perfeito? Se pudesse passar um dia eterno a fazer qualquer coisa, o que seria? Chegar ao topo do Everest? Vencer um Grande Prémio de Fórmula 1? Talvez algo mais simples, como nadar no mar ou desfrutar de um picnic com os amigos numa fantástica tarde de sol...

As hipóteses são muitas, tão individuais como cada pessoa é única, mas comum a todos os "dias perfeitos" seria a emoção de nos sentirmos VIVOS, realizados, profundamente felizes. 

Sou especial e os deuses sorriem-me no meu dia perfeito.
Tudo o que eu tenho de mais autêntico, vibrante e criativo é-me devolvido pelo mundo inteiro no meu dia perfeito. 

O Sol no Tarot
Universal Rider-Waite
Astrologicamente, a ideia de um "dia perfeito" surge associada à casa V, ao signo associado que é Leão e ao respectivo regente, o Sol. Podemos encontrar a nossa Criança Interior na casa V do mapa astrológico, no signo onde essa casa começa e nos planetas que aí possam estar. Para quem tenha filhos ou queira vir a ter, a casa V reflecte o que esse(s) filho(s) representam para nós, como os vemos e nos relacionamos com eles, e de que forma eles nos inspiram a expressar a nossa própria criatividade.

Quem conhece o Tarot sabe que o Arcano Maior do Sol é muitas vezes representado por uma ou duas crianças sorridentes, brincando num jardim resplandescente de luz. Esta é a imagem que sempre associo à casa V, pois esta é a casa da pura diversão, da alegria imensa que há para descobrir num perfeito dia de Sol. 

No dia perfeito que imaginámos, não somos exactamente nós, adultos responsáveis e cheios de coisas para fazer, que lá estão a divertir-se. É a nossa Criança Interior, a criança que um dia fomos e a Criança que sempre seremos. Aquela parte de nós que sabe que é especial, que sabe que é feita da mesma matéria de que são feitas as estrelas e os cometas. Aquela parte de nós que brilha com luz própria, que é inocência e pura alegria ao mesmo tempo. 

É esta parte de nós que se apaixona perdidamente, que é capaz de criar inspirada e inspiradoramente, que traz ao mundo um pouco da centelha divina para que o mundo se admire, e maravilhe, e se torne infinitamente melhor por isso. Esta é a parte de nós que vive o eterno dia perfeito. 

De que serve viver sem paixão? Olhando a casa V podemos (re)descobrir o que nos faz mesmo vibrar, e que incessantemente procuramos (mesmo sem nos darmos conta) nas outras pessoas, ou nas actividades profissionais, ou (frequentemente) nos filhos e sobrinhos em quem projectamos a nossa Criança Interior, e que esperamos que a vivam por nós - já que "ainda" são jovens e ingénuos, que nós já estamos "velhos para certas coisas..."

Criatividade é uma das palavras-chave da casa V, e muitas vezes a expressão mais fiel da nossa Criança Interior surge nos hobbies que nos mantêm ocupados durante horas a fio. Há hobbies muito comuns, outros que pouca gente entenderá (coleccionas latas? com essa idade?). Mas independentemente da sua natureza, os hobbies são como pedaços do nosso dia perfeito que tentamos encaixar num quotidiano mais ou menos desapaixonado. 

E que dizer da paixão à primeira vista (ou à segunda ou à vigésima), que nos tira o chão e nos leva às nuvens sem pedir licença...? Danem-se as convenções sociais, a responsabilidade e até a timidez, pois que se vai esgotar o ar respirável se aquele anjo na Terra por quem perdemos o juízo não nos der um vislumbre do dia perfeito com o seu sorriso....

Por mais que estejamos presos aos deveres da "adultice", todos merecemos viver em pleno a nossa Criança Interior. Deixá-la brincar em liberdade, levá-la a passear pelas coisas que a apaixonam, sentir a profunda alegria de ser imortal por um dia. Durante as horas em que voltamos à infância para brincar aos índios e caubóis com o nosso filho. Durante os minutos em que nos sentimos especiais por mostrarmos aos outros o quão especiais eles são. Durante os breves instantes em que uma ideia genial nos atinge como um raio, e o coração bate furiosamente depressa, mobilizando-nos para dar corpo e alma a uma tela vazia, a um piano silencioso ou a um velho móvel esquecido no sótão.

Sem o sonho de um dia perfeito, a realidade torna-se insuportável. Precisamos de paixão nas nossas vidas - ou pelo menos da promessa de paixão. Porque até a simples promessa, o vislumbre, o sonho, já contêm uma tonelada de paixão avassaladora, temperada com uns pozinhos de centelha divina e pronta a ser libertada no mundo ao mínimo sinal de que o dia será, de facto, perfeito. 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Rotinas & Rituais

A maior parte dos nossos dias tem uma cadência previsível. Com muitas possíveis variações, essa cadência inclui sono e vigília, comer e tomar banho, trabalho e repouso. A rotina é alvo frequente de queixume geral - diz que abafa a criatividade, mina a espontaneidade, arrefece a paixão e até causa indigestão se ousamos experimentar algum pitéu mais arrojado. 

Mas se o ter rotinas é algo tão vulgar no comportamento humano, é porque elas são absolutamente necessárias. Em primeiro lugar, há algo de profundamente reconfortante em tudo o que é previsível e ritualístico. Por um lado, sabemos quando e como vai ocorrer aquele pedacinho do nosso dia (é previsível). Depois, estamos lá nós a assistir ao pedacinho, ou a fazer acontecê-lo. É uma espécie de ordem premeditada que nos torna produtivos e eficientes.

E não é por acaso. Qualquer organismo vivo se constroi sobre rotinas. A das reacções bioquímicas ao nível da célula, da multiplicação e morte das células, dos órgãos em perfeita sintonia de funções uns com os outros... Pois se até o batimento cardíaco obedece à rotina de um ritmo...! Em termos estritamente biológicos, a vida não é possível sem uma grande dose de previsibilidade - afinal, o que são as células cancerígenas senão entidades demasiado "espontâneas"...? 

Astrologicamente, a nossa relação com a rotina pode ser analisada a partir da casa VI do mapa astrológico. O signo onde começa esta casa e os planetas que aí estão mostram o grau de rigidez das nossas rotinas, de que modo nos organizamos e como funcionamos em organizações hierarquizadas (principalmente o local de trabalho). Com afinidade natural pelo signo de Virgem, a casa VI reflecte também o relacionamento que temos com a saúde, com o bom ritmo das rotinas do nosso organismo. E de uma forma mais abrangente indica como aperfeiçoamos a nossa capacidade de actuar com eficácia e utilidade no mundo real - ou seja, o nosso trabalho.

Foi Carl Jung quem há muito tempo argumento que o mundo da matéria (Terra) estaria naturalmente oposto ao mundo da intuição (Fogo) - ou pelo menos a nossa percepção humana assim os colocaria, em extremos opostos. A velha discussão entre rotina e criatividade é um bom exemplo deste aparente conflito. Afinal, qualquer pessoa sentirá que quanto mais sobrecarregada é a sua rotina, quanto mais se vê forçada a cumprir horários e tarefas, menos disponibilidade mental e emocional tem para expressar o seu lado criativo, intuitivo, espiritual. 

E assim passamos pesados dias a fio, como se o fardo das nossas responsabilidades quase nos enterrasse a cada passo que damos no fiel cumprimento das rotinas que atribuimos a nós mesmos. Alguns sentirão mais do que outros a falta de espaço/tempo para ser espontâneo, para não ter de seguir nenhum roteiro predefinido e obedecer apenas ao impulso do momento. Mas parece-me que, consciente ou inconscientemente, todos sentimos falta disso, nem que seja uma vez por dia.

É nessa altura que, desviando-nos do que quer que estávamos a fazer, acabamos por ir parar ao e-mail, ao Facebook ou ao YouTube, ou em frente à TV a ver uma ficção qualquer. A nossa sede de criatividade leva-nos a fugir de rotinas demasiado sobrecarregadas. Não que os nossos destinos de escape sejam fonte de esfusiante êxtase, antes pelo contrário. Adormecem, anestesiam, fazem com que a rotina se torne um pouco menos penosa, um pouco mais suportável. 

Nada de mal nisso. Mas porque não conciliar rotina e criatividade? Afinal, sem rotina não há como tornar real o impulso criativo, e sem criatividade a rotina torna-se estéril, auto-limitada. Olhando mais profundamente o signo de Virgem, encontramos o conceito de "ritual", e ritual não é apenas uma coisa que se faz repetidamente, previsivelmente. Não é mais uma rotina. Ritual é qualquer coisa de sagrado. São gestos simples que trazem a nossa consciência para o momento presente, resgatando-a de arrependimentos passados (ai que me esqueci de ir à lavandaria!) ou de preocupações futuras (ai que ainda tenho de passar no supermercado!). 

Enquanto vivemos apenas o momento presente, assistimos à presença de qualquer coisa transcendente no plano material. Escovar os dentes não é apenas escovar os dentes: é sentir a escova nas gengivas, o sabor do dentífrico nas papilas gustativas, a mão que segura a escova e os músculos do braço que se contraem para realizar os movimentos necessários à escovagem. Que milagre, existir tal coisa como papilas gustativas, e músculos, e gel dentífrico. E que eficiência todo este ritual demonstra em obter dentes mais limpos. Mais sãos. 

Se o Universo tende a gerar caos (interpretação criativa da 2ª Lei da Termodinâmica ;-), nada existe de banal no acto de criar ordem, muito pelo contrário. Rotina, saúde, organização, trabalho... são tudo expressões de um ritual muito especial, que é o de trazer ao plano material os inspirados impulsos que nos dá a nossa criatividade. Dar-lhes forma, estrutura, ordem. À nossa maneira (leia-se "escala") somos todos como pequenos deuses, intervindo em cada instante para aperfeiçoar aquilo que já existe ao mesmo tempo que criamos algo de novo. 

Experimente então transformar algumas das suas tarefas diárias em momentos solenes. Só por um instante, concentre-se apenas no que está a fazer. Ligue os seus cinco sentidos à finalidade da tarefa (este gesto de escovar os dentes vai tornar o meu corpo mais limpo, mais saudável). E no final, sinta-se grato por ter dedicado o seu esforço a um Universo mais ordenado. O Universo, certamente, agradece-lhe. 

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Entre 8 Paredes: da Privacidade à Intimidade

Há algum tempo assisti a um programa de TV onde se discutia se e quando deve um casal começar a partilhar os seus momentos de... expulsão de gases intestinais (chamemos-lhe assim). Entre muitas e variadas opiniões, algumas pessoas defendiam a inviolabilidade do espaço nasal e auditivo do parceiro, afirmando ser uma questão fundamental de respeito mútuo a não emissão de substâncias gasosas de origem digestiva, com ou sem ruído associado.

Freud teria por certo interessantes bitaites e soundbytes a adicionar a esta questão, que   tem muito mais significado implícito do que meros ditames de boa educação ou regras de etiqueta conjugal. A mim, fez-me reflectir sobre os conceitos de privacidade e intimidade na esfera dos relacionamentos afectivos. 

No mapa astrológico, a casa VIII mostra o tipo de experiência vivemos quando contactamos intimamente com outra pessoa. O que é isso de "contacto íntimo"? É sexo, claro. Mas também o contacto entre vulnerabilidades, traumas passados, tabus. Neste verdadeiro "quarto de cama" astrológico, deitamo-nos com os esqueletos que costumam estar bem escondidos no armário, com toda a privacidade. E se deixámos alguém entrar? Acabamos por partilhar a cama com essa pessoa, mais os seus esqueletos.

E o inevitável acontece. Descobrem que temos rugas ou celulite, roupa interior desinteressante ou pijamas largos demais, que ressonamos, que nunca repomos o rolo de papel higiénico e que deixamos as peúgas sujas espalhadas pelo chão. Ah, e que temos gases mal-cheirosos.

Tudo isto faz parte do que se chama, sucintamente, a "rotina" do casal. Mas de início nada tem de rotineiro! Queremos agradar, queremos ser a melhor versão de nós mesmos. Que fazer então com todo o conteúdo da casa VIII? Foi lá que guardámos as humilhações da infância, a curiosidade sexual proibida na adolescência, tudo o que sempre nos recriminaram e proibiram, nos fizeram crer que era mau, sujo, imoral. Não deixes tudo desarrumado, não sejas gord@, não sejas porc@, não sejas indecente. E de repente está outra pessoa à porta do nosso quarto, espreitando para dentro, e que fazemos nós? Disfarçamos enquanto for humanamente possível, claro! ;-)

Mas não há intimidade sem partilha integral, verdadeira. E partilhar é, antes de mais, mostrarmo-nos vulneráveis. Aqui me tens, sou assim por dentro. Às vezes um espetáculo tristonho, patético, feio e incorrecto. Outras vezes, nem tanto. Ainda me queres? Ainda me achas dign@ de amor?

Claro que sim! A magia da intimidade é encontrarmos na outra pessoa tudo o que de tristonho, patético, feio e incorrecto tentamos esconder em nós. E por isso não posso evitar olhar com desconfiança para essas teorias que defendem uma "heróica contenção anal" para bem do relacionamento. Sem sangue, suor e lágrimas, vísceras e tudo, de que serve um relacionamento? Que desafios coloca? Que parte profunda de nós comove e transforma?

Desse estimulante tema televisionado, prefiro guardar o exemplo de um casal que celebra toda a demonstração de flatulência com um jocoso comentário humorístico. Estilo "Chiça, que até os sismógrafos em Pequim registaram esse abalo!" É sempre terapêutico usar de um pouco de Ar (leia-se, sentido de humor) para relativizar a importância às vezes exagerada de questões de Água (leia-se, emocionalmente densas). O riso partilhado pode fazer tanto ou mais pela intimidade do casal do que uma tórrida noite de amor. E ajuda a "quebrar o gelo" quando, deitados na cama com os nossos medos, convidamos a entrar o hesitante amante que espreita da porta dizendo-lhe "Queres ser meu cúmplice? Há sempre espaço para mais alguns esqueletos."

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Irmãos (Gémeos ou de qualquer outro signo)

Quando pensamos nas influências decisivas dos nossos anos de crescimento, e o modo como essas influências moldaram os adultos que somos, muitos de nós concentram as suas atenções na relação que tiveram/têm com os seus pais. A relação entre pais e filhos ganhou tal relevo na Psicologia e saberes afins que acabou por chegar à cultura popular actual, onde referências como "mommy issues" ou "daddy issues" servem de metáfora irónica para homens demasiado nostálgicos da comida da mamã ou mulheres em permanente (leia-se "insaciável") busca por um amante mais velho que as controle/proteja.

Mas há outra relação fundamental na nossa "educação para ser humano": o elo que se estabelece entre irmãos. Esta é, provavelmente, a relação mais duradoura que alguma vez teremos, pois começa por volta com o nosso nascimento (ou alguns anos depois) e termina quando morremos (ou alguns anos antes).

De todos os filhos únicos que já conheci, não me recordo de nenhum que não fale, duma forma ou doutra, na solidão que é viver sem irmãos. Nos primeiros anos de vida, é o idílio: centrar as atenções de papá e mamã, não ter de dividir quarto nem brinquedos nem mimos com ninguém. Até que é chegado o momento de dar um passo para fora da esfera eu-no-ninho-do-papá-e-da-mamã. E é nessa altura que damos de caras (ou não) com alguém parecido connosco: um pouco mais velho ou mais novo, a mesma propensão para a brincadeira e para a birra reivindicativa de tudo o que possa ser conquistado dentro do espaço físico e afectivo da família - desde atenção exclusiva a guloseimas.

Astrologicamente, a etapa de explorar intelectualmente o que está para além das fronteiras do ninho está relacionada com o signo de Gémeos (!) e com o planeta que o rege, Mercúrio. Ambos, signo e planeta, simbolizam a experiência de ter irmãos, quer no sentido restrito do termo (irmãos de sangue e/ou de criação), quer no sentido mais vasto - irmãos de idade, de geração, colegas e pares. 

E Gémeos é o primeiro signo de Ar na roda do Zodíaco. Se Ar é conectar, comunicar e relacionar, então o signo dos irmãos é aquele em que encontramos a nossa primeira parceria com alguém que é como nós. O nosso primeiro relacionamento egalitário, chamemos-lhe assim (com os nossos pais nunca nos chegamos a relacionar "de igual para igual", nem mesmo depois na idade adulta).

Talvez por isso a convivência com irmãos desde que se nasce (ou quase) seja uma experiência que não tem comparação com nenhuma outra. Parece que nascemos já programados para amar pai e mãe, mas com os irmãos o amor é um elo que se constroi todos os dias. À custa de rivalidade e de cooperação, de secretismo mas também de grande cumplicidade. E não raras vezes há irmãos que se unem, reivindicando privilégios como se fossem direitos.

Disputas ou alianças fraternais à parte, é com os irmãos que começamos a ter uma visão multifacetada do mundo. Eles instigam-nos a abrir a mente a coisas diferentes, opiniões diferentes. Desafiam-nos a sair do ninho. A aprender a comunicar (de que outra forma poderíamos gritar "Larga esse brinquedo, é MEU?!?!"...?), a lidar com as nossas inseguranças, a testar os nossos limites (de paciência e não só). 

Voltando à Astrologia dos Irmãos, podemos encontrar insights sobre o assunto olhando para a posição de Mercúrio no mapa astrológico, para o signo da casa III e qualquer planeta que aí se encontre. Planetas na casa III mostram frequentemente a forma como vivemos a experiência de ter (ou não ter) irmãos, o que isso representa na nossa vida, e que aspectos da nossa personalidade temos tendência a viver através do(s) nosso(s) irmão(s).  

Um irmão é como um reflexo num espelho que nos devolvesse uma imagem diferente daquela que sabemos que é a nossa. Olhamos e... quem é aquele estranho do lado de lá? Queremos conhecê-lo. Observamos como se mexe, como fala, como se comporta. Às vezes idolatramo-lo, queremos ser como ele. Outras vezes estranhamo-lo, tem defeitos e manias que não entendemos nem reconhecemos em nós. E no entanto estamos ligados a este reflexo para toda a vida.

Porque se mãe há só uma, irmãos podem ser muitos (felizmente), e não precisam ser todos geneticamente aparentados. Na essência do relacionamento fraternal está o respeito mútuo pela diferença de cada um, o desejo genuíno de aceitar o outro como ele é, e a certeza inabalável de que ele estará lá para mim, venha o que vier. Isso sim, é um irmão.


P.S. Este post é dedicado à minha irmã, ilustremente representada no meu mapa astrológico por 3 (!) planetas na casa III: Marte que me instiga a lutar pelo que eu quero, Saturno a relembrar-me dos meus limites e responsabilidades, e Júpiter retrógrado incentivando-me a confiar na minha sabedoria interior sempre que parto à descoberta de novos e melhores horizontes.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Mudar de Casa, Transformar a Vida

O anseio por um lar vive em todos nós... 
um lugar seguro onde possamos existir tal como somos sem sermos questionados.

Maya Angelou (Escritora Norte-Americana)

Mudar de casa é uma experiência pela qual a maioria das pessoas acaba por passar, mais cedo ou mais tarde nas suas vidas. 

Enquanto crianças e adolescentes, navegamos na maré profissional e conjugal dos nossos pais. Nessa fase mudar de casa sinaliza uma alteração importante na estrutura familiar (casamentos, divórcios,...) e também, muitas vezes, na escola que se frequenta e nas amizades que se dissolvem para ver nascer afinidades mais favorecidas pela proximidade geográfica. Na adolescência, a nossa verdadeira casa é o nosso quarto, o refúgio que é mesmo só nosso e onde procuramos solitude para enfrentar as questões do crescimento que nos vão desassossegando a cada instante - ou privacidade para estar com os amigos longe de olhares inquisidores.  

Quando nos tornamos adultos independentes, a mudança para a nossa casa é o primeiro passo no sentido de afirmarmos a nossa auto-suficiência para nós mesmos, para a nossa família, para a comunidade inteira. Não se trata apenas de conseguir pagar as contas, mas de ter autonomia suficiente para lidar com todas as responsabilidades inerentes. E, mais do que isso, é aceitar essas responsabilidades de bom grado, não como um fardo desconfortável (ai a roupa suja, que falta faz aqui a mamã...!) mas como um prémio orgulhosamente conquistado com esforço e maturidade.

E o que significa a nossa casa, o nosso lar? Algumas pessoas encontram aí muita da segurança material de que necessitam - uma casa de Terra. 
Este é o fruto do meu trabalho, a fortaleza onde encontro o conforto, a estabilidade e a organização que me ajudam a lidar com as incertezas do mundo lá fora.
Outros vêem a sua casa como um ninho de emoções - uma casa de Água.
Este é o meu porto de abrigo, onde reúno as pessoas que amo e aprofundo os laços que nos unem, onde partilho os meus sentimentos e deixo que me inundem de emoções alheias.
Haverá quem encare a sua casa como um campo de liberdade mental - uma casa de Ar.
Este é o espaço onde sou livre de dizer o que penso, de deixar as minhas ideias fluir para o papel ou para os ouvidos daqueles que me entendem, de procurar respostas para aquilo que não sei e encontrar no que os outros me dizem uma fonte permanente de novas aprendizagens.
E há ainda quem veja na sua casa um centro de inspiração criativa - uma casa de Fogo.
Este é o aconchego que me aquece, que me anima, que me motiva para conquistar o mundo levando comigo aqueles que me inspiram e fazendo-os sentir-se tão especiais como de facto são.

Por isso, o processo psicológico e emocional de mudar de casa pode ter muitos significados diferentes, ser simples ou complicado, rápido ou demorado, libertador ou aterrador (ou um bocadinho de tudo!) Qualquer que seja a razão objectiva por que tomemos essa decisão (alterações financeiras, familiares, profissionais...), ajuda muito pensar no que constitui de facto a nossa casa, do que fugimos quando nela nos refugiamos e de que forma podemos expandir lentamente as suas fronteiras. 

Para deixar entrar novas pessoas e experiências que nos enriqueçam, para aprendermos a sentir-nos mais confortáveis, mais amados, mais compreendidos e mais inspirados. Para que na nossa pequena casa haja lugar para o mundo inteiro.