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quinta-feira, 26 de março de 2009

Tarot - XIV. A Temperança

“A nossa mente é capaz de passar para além da linha divisória que criámos para ela. Para além dos pares de opostos de que consiste o mundo, outras e novas visões começam."

Herman Hesse (Poeta, novelista e pintor germano-suiço, 1877-1962)


“O encontro de duas personalidades é como o contacto entre duas substâncias químcas: se houver reacção, ambas serão transformadas.”

Carl Jung (Psiquiatra e pensador suiço, 1875-1961)


Símbolos Básicos

Um anjo (frequentemente feminino ou assexuado) paira sobre um lago ou rio. Dois copos ou taças unidos por um líquido que flui entre ambos. 


A Viagem do Louco

Prosseguindo com a sua viagem espiritual, o Louco começa a perguntar-se como pode reconciliar os opostos que tem encontrado: material e espiritual (esteve Dependurado entre ambos), morte e nascimento (um leva ao outro na carta da Morte). A certa altura, encontra uma figura alada que se apoia com um pé num riacho, o outro um rochedo. Esta figura é luminosa, e derrama o conteúdo de um recipiente para outro. Aproximando-se, o Louco percebe que um dos recipientes contém fogo, o outro água. E os dois estão a misturam-se, como que por milagre.

“Como consegues misturar fogo e água?”, murmura o Louco. Sem desviar a atenção do que está a fazer, o Anjo responde: “É necessário ter os recipientes certos, e as proporções certas.” O Louco continua a observá-lo, maravilhado. “Pode isto ser feito com todos os opostos?”.”Sim”, responde o Anjo, “quaisquer opostos, fogo e água, homem e mulher, tese e antítese, podem ser harmonizados. Apenas a falta de vontade e a descrença na possibilidade da união mantêm os opostos em posições inconciliáveis.” O Louco começa então a perceber que nele próprio reside a separação que observa no Universo, mantendo vida e morte, mundo espiritual e mundo material separados. Nele próprio, os pólos podem ser fundidos, tal como acontece com os elementos que flúem entre os recipientes do Anjo. Tudo o que é preciso, na verdade, é ter as proporções certas… e o recipiente certo.

 

Notas interpretativas

Sagitário é o signo que rege a carta d’A Temperança, embora à primeira vista tal possa não parecer evidente. Sagitário representa expansão, e a carta, a um nível mais superficial, fala em “moderação”. De facto, a ideia original do fluir de uma taça para a outra pode ter surgido do moderar do vinho com água. No entanto, outra interpretação é possível: a da fusão dos opostos. Sagitário, o centauro, reúne homem e animal numa criatura única. Utiliza arco (estático) e flecha (móvel), que funcionam em conjunto para apontar o caminho. Esta ambiguidade de significados torna A Temperança numa das cartas mais difíceis de interpretar. Crowley deu-lhe o nome de “Alquimia”, e esta pode ser a forma mais adequada de a tentar compreender. 

À primeira vista, a carta d’A Temperança pode avisar o Querente para moderar os seus comportamentos. Mas pode também lembrá-lo que dois pólos, por mais extremos que pareçam, podem ser conciliados. O Querente pode estar perante dois campos aparentemente opostos (escolhas, crenças, familiares ou amigos), sem esperança de uma união, quando a única coisa que falta pode bem ser o afinar das proporções da ambas as partes (como pretender que duas famílias inteiras se comecem a relacionar amigavelmente de uma vez, quando a melhor opção é deixar que esse relacionamento se construa aos poucos, indivíduo a indivíduo).

Por outro lado, A Temperança lembra que o arco e a flecha são inúteis em separado, mas juntos tornam-se numa arma formidável. O Querente pode e deve juntar tese e antítese para obter síntese. Para tal, basta tempo, paciência e experimentação. E, claro, uma boa dose de moderação. A crença de que a fusão do vermelho-sangue com o azul-mar não é possível pode, na realidade, ser a única coisa que de facto impede essa fusão. Altere a crença, meça ambos com cuidado, e terá oportunidade de criar um tom de violeta nunca antes visto.


Fontes: Aeclectic Tarot, Learning the Tarot

2 comentários:

  1. Welcome back!!!

    Já tinha saudades de ler os teus ensinamentos :)

    Esta carta, que analisas muito bem, contém um ensinamento fundamental na compreensão do Cosmos. Atrevo-me a acrescentar algo :)
    É preciso compreender que os opostos são o mesmo em sí, a água que flui de um jarro ao outro é a mesma, tudo depende da capacidade de transmutar um no outro. A diferença entre o amor e ódio, o vermelho e azul é o nível de vibração que cada um tem. Eles são o mesmo em vibrações, graus, diferentes. Quando o Peregrino compreende isso, é capaz de fazer o ódio passar a amor, o azul a vermelho. Essa é a Alquimia.

    Um beijo enorme!!!

    Shin Tau

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  2. Obrigada pelo elogio e, sobretudo, pelo completar das informações. É sempre bom receber input de alguém bem mais experiente em Tarot ;-)

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