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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Como "escapar" dos conflitos interiores ?

Sou estudante de Filosofia e Astrologia, passo a vida com grandes questões na cabeça e consigo sempre dar bons conselhos aos outros mais que a mim mesmo. 

Como não defini propriamente a minha carreira até agora, sinto-me em constante luta comigo próprio e principalmente com o mundo, qual Atlas com o mundo as costas... Sinto-me muitas vezes preso e profundamente melancólico. 

Como arranjar vias de escape para me poder "mexer" à vontade 
e resolver a ferida do meu Quíron? 

José, Lisboa

Adaptado de Astrodienst
Esta questão lembrou-me dum fenómeno que acontece muitas vezes (sempre?) com aqueles de nós que se dedicam à Astrologia. O nosso objetivo principal é perceber quem somos, como funcionamos. Estudamos o nosso Mapa Astrológico à exaustão, se preciso for. Mas ainda assim, por mais avançado que seja o nosso conhecimento teórico, acabamos sempre com uma visão limitada, enviesada do nosso próprio Mapa. Afinal, como poderia assim não ser? Quando olhamos o nosso reflexo no espelho, não vemos o que os outros vêm, mas sim aquilo que estamos predispostos a reconhecer - as rugas, o nariz esquisito, os cabelos brancos, ou o sorriso espetacular, o olhar brilhante, o estilo impecável.

E é por isso que astrólogos procuram astrólogos. Como diz o ditado, "em casa de ferreiro, espeto de pau". Ter o nosso Mapa analisado por outra pessoa é como se tivéssemos passado imenso tempo a olhar para uma estátua, sempre da mesma posição: quando já quase nos convencemos que pouco mais há para saber, chega alguém que diz "Mexe-te um pouquinho da tua visão cristalizada e olha para isto de outro ângulo, de outra perspetiva". De repente, descobrimos o que até agora nos era inacessível pelo nosso próprio preconceito. O nosso Mapa Astrológico, aquele "velho amigo" que sempre acompanhou os nossos estudos, revela agora novas facetas, novas camadas de significados complexos e inexplorados.

Serve isto tudo para dizer que, quando olhei para o seu Mapa, vi muito mais do que aquilo que apontou no e-mail. Todos os conflitos interiores sugeridos no Mapa contêm, em si mesmos, propostas de solução. Porque para cada aspeto de tensão (quadratura ou oposição) encontramos um aspeto de harmonia (trígono ou sextil) que ajuda a descobrir soluções, caminhos, possibilidades de avanço construtivo pela vida fora.

Voltando à sua questão, é muito natural que se sinta melancólico, preso às suas circunstâncias e indefinições. O momento atual pede-lhe uma grande dose de solidão, de mergulho nas suas profundezas conscientes e até inconscientes para compreender de que matéria é feito. Para resgatar a sua auto-suficiência, a sua resiliência emocional, aquela certeza primitiva de que é capaz de sobreviver a tudo - até mesmo a "carregar o mundo nas costas" (o trígono Plutão-Lua está a ser ativado, via sextis, pelo trânsito atual de Plutão em Capricórnio). 



Esta reflexão é fundamental para lhe dar a sustentação interior de que precisa quando tenta avançar na sua vida profissional. O mais provável é que não tenha um rumo profissional convencional nem nada que se lhe pareça: Quíron conjunto ao MC é mesmo assim... Não é suposto "resolver" a ferida emocional que Quíron representa, e que no seu caso diz respeito a sentir-se digno de amor, de carinho, de cuidado, de proteção. Mas isso não significa que deva resignar-se, antes pelo contrário! Tudo o que não puder fazer por si, fá-lo-á pelos outros. Para tal, será útil canalizar os seus talentos empáticos e artísticos (Lua em Peixes na Casa 5) e o enorme poder pessoal para lidar com os seus recursos, sejam materiais ou não (Plutão em Escorpião na Casa 2, que forma um grande trígono com a Lua e Quíron).

No mundo ideal, você consegue brilhar social e profissionalmente pelo seu cuidado com os outro mas também pelo modo carismático como expressa as suas ideias (Sol em Caranguejo, Mercúrio em Leão, ambos na Casa 10). Este é um dom extraordinário, o de inspirar os outros a viver a sua Criança Interior - uma mistura de carpe diem (Leão) com aconchego e proteção (Caranguejo). Mas este propósito luminoso precisa reconciliar-se (porque está no topo de um Yod) com o fardo que você sente que carrega, o seu lado ultra-responsável e que parece disposto a tomar para si mesmo todas as dores do mundo (o tal stellium em Capricórnio). E reconciliar-se também com a sua tremenda sensibilidade, com as suas emoções à flor-da-pele que o fazem sofrer o sofrimento dos outros, sem julgamento e sem defesas (Lua em Peixes). 

Claro está que muito mais haveria para analisar. Mas o essencial é isto: você está a ser chamado para "acordar", para reconhecer que pode e deve ter um papel importante na transformação do mundo lá fora, que pode e deve tornar-se responsável pelas suas ideias de solidariedade e renovação social ainda que isso não se traduza numa carreira convencional e deixe bastante expostas as suas emoções, os seus instintos. A sua ferida quirónica e as suas lutas internas não vão desaparecer, nem é suposto: encare-as como um combustível, uma razão para nunca deixar de tentar mais e melhor, um dom (de amor, de criatividade) que pode e deve colocar ao serviço dos outros, em vez de uma "maldição" que deve carregar penosamente pela vida fora. Honramos as nossas feridas emocionais quando encontramos uma forma de aliviar nos outros aquilo que nos dói em nós.

Ou como escreveu Nietzsche, é preciso ter caos dentro de nós para fazer nascer uma estrela que dança.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Ensinar: Vocação ou Prisão?

Como posso ter Quíron em Gêmeos na Casa 9 e ter escolhido ser professora? 
Odeio essa profissão e não vejo a hora de sair dela. 
Agora, ao mesmo tempo que sou professora de português, busco o caminho da terapia floral e atuo também como terapeuta para futuramente ter condições financeiras de sair desta prisão do magistério. 
Eu só quero ser feliz.

Tatiana, RJ

Adaptado de Astrodienst
Todos temos talentos que expressamos com facilidade, com naturalidade, e mesmo com muito prazer. Da mesma forma, existem em nós dificuldades, debilidades, limitações inatas, feridas emocionais cuja cura parece impossível.

Cada pessoa se define, até certo ponto, pelo modo como escolhe lidar com esses "pontos fracos". E aqui o verbo essencial é mesmo escolher: tenhamos maior ou menor consciência disso, somos nós que decidimos de que forma vamos lidar com aquilo que nos causa dor ou medo. Varrer pra debaixo do tapete? Esconder no armário? Falar com um amigo? Com um psicoterapeuta? Deitar as culpas para cima dos outros? Dizer que é azar, karma, destino...? Ou encontrar uma profissão que nos obrigue a lidar com isso, dia após dia após dia? Escolher o que fazer é da nossa inteira responsabilidade individual, por muito ou pouco informada que seja essa decisão. 

Neste Mapa Astrológico encontramos a "semente" de uma pessoa inteligente, criativa, extrovertida, positiva e auto-motivada, que adora brilhar e expandir os seus horizontes mas que tem ao mesmo tempo um lado sério, reservado, responsável e intensamente emocional, profundamente empenhado em ser a melhor versão possível de si mesmo.

E no meio de tudo isto, eis que surge Quíron, o misterioso "curandeiro ferido", em grande destaque. 

Quíron em Gémeos
Sei, sinto, acredito no fundo de mim mesma que não sou inteligente. Doi-me a minha capacidade de aprender, de comunicar, e ao mesmo tempo sinto uma ânsia tremenda de adquirir informação, de estar em contacto - mesmo que nada do que eu faça sirva para apaziguar esta dor.

Como que observando distanciadamente todos os planetas do outro lado do Mapa, esta "ferida incurável" interfere diretamente com os relacionamentos (Vénus), com a capacidade intelectual (Mercúrio) e com a satisfação das necessidades emocionais mais elementares (a Lua).

Comecei a análise do Mapa com o adjetivo "inteligente" porque este Quíron pede clareza de ideias. Mas a inteligência que aqui surge refletida não é uma inteligência convencional: 

- O Ascendente Libra sugere uma abordagem lúcida e lógica de qualquer situação.

Mercúrio está em Virgem: pensamento super-analítico, super-analítico! Na Casa 12, precisa de isolar-se do quotidiano de vez em quando e vaguear um pouco pelo reino do sonho e da imaginação - mas o poder de observação e de raciocínio está lá. E em estreita colaboração criativa (sextil) com Saturno em Escorpião - que lhe dá um radar investigativo para aprofundar a análise de qualquer questão, por mais incómoda ou traumática que seja.

- A Lua em Sagitário, juntinho a Urano retrógrado na Casa 3. Este é um elemento determinante daquilo a que chamaria "inteligência não-convencional": uma intuição apuradíssima, quase clarividente, que lhe permite saber instintivamente e prematuramente muitas coisas a que um normal esforço mental não teria acesso. Este acesso quase sobrenatural a um conhecimento que está muito para além de qualquer análise racional manifesta-se na forma como você comunica e aprende com as outras pessoas.



Estes três fatores já servem para demonstrar que você é, de fato, uma pessoa inteligente. A razão porque se tornou professora? Talvez para provar a si mesma que é inteligente. Que é capaz de dominar o reino de Gémeos onde o seu Quíron a faz sentir tão vulnerável. Outras pessoas decidiriam fugir de tudo isso - não aprender, não ensinar. Você, decidiu o contrário. Enfrentar o desafio, por muito que lhe custe. É que não se trata apenas de transmitir informação. Com Quíron na Casa 9, você precisa de sentir que consegue inspirar e guiar outras pessoas na sua própria expansão de horizontes intelectuais. E com o Nodo Ascendente em conjunção a Quíron, esse desígno torna-se ainda mais importante: representa um desafio essencial na sua evolução pessoal, em que cada conquista lhe traz profunda satisfação pessoal e convicção de que mais um obstáculo foi ultrapassado com sucesso.

Você tem dentro de si um mestre (Lua-Urano) e um discípulo (Quíron), em simultâneo. Pode às vezes parecer que são incompatíveis, que as suas "batalhas quirónicas" não lhe trazem bem-estar, segurança emocional, paz interior. Mas é provável que o magistério tenha sido uma etapa essencial ao desenvolvimento dos seus talentos quirónicos, que agora pretende colocar ao serviço das outras pessoas. De certa forma, vai continuar ensinando e aprendendo, só que num nível diferente. 

Até isso acontecer, pergunte-se de que forma pode levar a sua Lua-Urano para a sala de aula. Como pode tornar a sua abordagem ao ensino mais criativa, mais estimulante e aprazível para si e para os seus alunos, muito mais inovadora e democrática com os talentos e as capacidades de cada um deles, individualmente. E, já agora, cuide também do seu Sol - que ele é um menino positivamente mimado! :-) Partilhe tudo o que a apaixona com outras pessoas que sintam o mesmo, permita-se brilhar e ser admirada por aqueles que entendem a sua visão, a sua paixão. 

Afinal, a sua viagem ainda agora começou.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Quíron em Touro e a Crise Portuguesa

Faço parte da última geração que nasceu com Quíron em Touro. A vulnerabilidade associada ao sentido de valor próprio e à capacidade para assegurar uma vida estável parecem ser características deste posicionamento, ainda que tal se possa manifestar de modo muito diferente. Para algumas pessoas, isso pode representar grandes dificuldades na relação com o corpo e as suas necessidades. Para outras, a falta de recursos financeiros que leva a contar os dias de mês a mês, de vencimento em vencimento (ou de subsídio em subsídio). 

Actualmente Portugal atravessa o período mais negro da sua História recente. Talvez os mais antigos se lembrem de tempos igualmente difíceis - ainda que as dificuldades fossem outras - mas para aqueles que como eu cresceram em liberdade e estabilidade, que aprenderam a confiar nas instituições - por mais ineficientes e mal geridas - e a acreditar que o voto faz a diferença, estes são tempos de completa estupefacção.

Mapa Astrológico da Revolução de Abril de 74
Adaptado de Astrodienst
Lembrei-me que muitas pessoas da minha idade (nascidos entre 1977 e 1980, mais coisa menos coisa) terão Quíron em conjunção ao Sol em Touro do actual regime democrático português (ver mapa astrológico do 25 de Abril). A construção deste Estado português parece ter-se sempre regido pela melhoria das condições de vida em termos muito concretos. E sem dúvida que os dinheiros europeus contribuíram de forma decisiva para esta sensação de que nada nos faltará jamais, da parabólica ao automóvel novo de 3 em 3 anos, do estatuto inatacável de funcionário público à inconsciente herança salazarista de que "está tudo bem assim e não podia ser de outra maneira". 

Tudo isto é Touro em modo "agora-não-me-apetece-evoluir-que-aqui-está-se-muito-bem". O comodismo, o consumismo, a inércia. Talvez a identidade natural renascida no 25 de Abril sempre tenha ressoado no nosso Quíron em Touro. E como a mentalidade predominante, talvez tenhamos calado a nossa inerente falta de sentido de valor com as benesses com que a má governação nos ia anestesiando. Se podíamos arranjar facilmente um emprego na Função Pública, porque nos haveríamos de questionar sobre os nossos talentos? Para quê pensar se o trabalho que fazíamos tinha qualidade se no final do mês o salário estava sempre garantido? E porquê colocar em causa a ineficiência, as cunhas, a incompetência, a injustiça, se sempre assim tinha sido e sempre assim seria? Don't make waves.

Valores, valores. Já não nos podemos esconder: Quíron em Touro sofre com o estado do país, e sofre muito. A já famosa crise de valores. Afinal, o que é mesmo importante para nós? Quem não encontra sustento por cá abandona o país com amargura e desilusão. Entre os que cá ficam, alguns manter-se-ão na ilusão de que isto "há-de passar" (Touro em negação é assim, agarra-se ao que é seu e espera pacientemente que tudo o resto volte ao sítio). Mas para muitos já não há como voltar atrás, à ingenuidade de que somos um país desenvolvido que, apesar das dificuldades, caminha lentamente no bom sentido. A crise força-nos a enfrentar a nossa debilidade quirónica. O que valho eu? O que restaria em mim se tudo o que é meu me fosse tirado? O meu corpo? Os meus talentos? O que tenho em mim de útil, de válido, de valioso, que possa garantir o meu sustento? O que posso eu construir que seja sólido, estável, à prova de crise?

E quando sabemos que é tempo de aceitar a mudança em vez de resistir-lhe? Como pode Quíron em Touro aceitar tamanha mudança num País tão avesso à mudança, se nem sabemos o que das nossas vidas pessoais vai sobrar quando tudo isto finalmente tiver um fim... ? Afinal, quando vale a pena agarrarmo-nos furiosamente ao nosso querido modo de vida, e quando é melhor simplesmente partir para longe, para uma nova promessa de abundância e de estabilidade...?

Não tenho respostas. As perguntas levam-me a reflectir sobre a riqueza de significados que está contida em Quíron. Talvez tudo isto nos force a encontrar novas e melhores formas de gerir os nossos recursos, individuais e públicos. Talvez nos desafie a utilizar e rentabilizar talentos que nunca antes levámos a sério. Talvez nos obrigue a construir um novo tipo de estabilidade pessoal e colectiva, mais sólida, mais durável. Talvez nos leve a descobrir que não podemos esperar ser sustentados pelo Estado, por mais impostos-ou-contribuições-ou-taxas que paguemos. Que o nosso valor próprio enquanto indivíduos e enquanto povo pode e deve resistir aos maus orçamentos, aos maus políticos, às más conjunturas interna e externa e a todo a escassez material e moral que este país ainda venha a ter de suportar.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Uma questão de auto-suficiência

Desta vez, são duas questões para um mesmo mapa. E que questões.... Aqui fica a análise possível da primeira delas, a segunda seguirá num próximo post:

1. Tenho Vênus em Câncer em conjunção com Quíron e Júpiter e oposição a Saturno. Como você interpretaria esse aspecto e o que você aconselharia?

Loan, PA

Adaptado de Astrodienst
Quíron é um asteróide descoberto em 1977, com uma trajectória bastante excêntrica que na sua maior parte se encontra contida entre Saturno e Urano. Vários astrólogos de renome têm pesquisado e escrito sobre o seu significado, quer a partir da sua mitologia quer a partir da sua expressão em inúmeros mapas astrológicos. (Para mais informação, consultar o excelente trabalho de Melanie Reinhart, Joyce Mason ou Barbara Hand Clow). Já aqui publiquei um post mais completo sobre Quíron, mas os conceitos-chave até agora desenvolvidos para a compreensão do seu significado incluem o seguinte: uma profunda ferida emocional que não somos capazes de curar em nós próprios, mas que podemos utilizar como meio de auxiliar os outros no seu próprio processo de cura.

Onde quer que encontremos Quíron num tema natal, encontramos uma qualquer sensação inata de dolorosa insuficiência. Neste caso, a presença de Quíron em Caranguejo (ou Câncer :-) na casa 6 sugere uma dificuldade em "nutrir-se" a si próprio. O conceito de "nutrição" associado ao signo de Caranguejo é bastante abrangente, referindo-se tanto a "fome emocional" (de ligações afectivas profundas e sólidas, de se sentir protegido e acarinhado, de sentir que pertence a uma família, uma linhagem, uma herança cultural) como a "fome física" (de alimentos e tudo o resto que o corpo necessita pra se manter saudável). Outra manifestação típica da "fome" de Caranguejo é a profunda necessidade de ter um lar - espaço físico onde se refugia na sua privacidade, e conjunto de pessoas que quem partilha esse esse, e que podem ser a sua família biológica e/ou a família que constituiu para si.

Com Quíron em Caranguejo, toda esta "fome" pode ficar permanentemente insatisfeita. Porque Quíron está na casa 6, é provável que isso se reflicta na sua relação com a sua saúde, mas também com o seu espaço de trabalho e as pessoas que aí se relacionam consigo. Muitas vezes, a "ferida emocional" representada por Quíron pode passar despercebida na maior parte do tempo - mas imagino que não seja esse o seu caso. Com a conjunção Vénus-Júpiter a Quíron, você tenderá a ser uma pessoa muito optimista e expansiva nos seus contactos sociais e relacionamentos afectivos. Possui um charme natural que cativa quem consigo trabalha, e é bastante possível que se envolva afectivamente com algum(a) colega de trabalho. E porque estamos a falar de planetas em Caranguejo, é-lhe muito fácil criar empatia com as pessoas que consigo se cruzam no quotidiano, facilitando para si a resolução de todo o tipo de assuntos mundanos. 

E que desvantagens podem existir com uma conjunção aparentemente tão benéfica como Vénus-Júpiter? Bem, tudo depende do ponto de vista ;-) Esta conjunção tende a facilitar demasiado a vida ao seu feliz proprietário, que corre o risco de se tornar preguiçoso ou excessivamente confiante porque sabe que, no final, a sorte estará do seu lado, que todas as oportunidades de sucesso que deseje acabarão por lhe surgir sem grande esforço. Por outro lado, se a sua vida é recheada de facilidades, pode não entender verdadeiramente as dificuldades por que passam as outras pessoas, minimizando o seu sofrimento e alienando as suas legítimas necessidades.

Regresso a Quíron, e à sua ferida. A ferida que não é capaz de curar em si próprio. Estará a conjunção Vénus-Júpiter a trazer essa ferida à superfície de cada vez que se lança num relacionamento mais profundo, de cada vez que tenta satisfazer a sua "fome"? Ou, pelo contrário, estará a camuflá-la, escondendo-a por detrás de uma aparente facilidade em relacionar-se e ter sucesso no quotidiano? Podemos ver aqui várias camadas de satisfação, talvez. Numa camada mais superficial, você será super bem-sucedido a criar empatia com os outros, mas bem lá no fundo pode sentir que nunca é suficientemente amado ou compreendido, que não está verdadeiramente integrado no seu local de trabalho ou no seu grupo de amigos. E porque Júpiter tende a aumentar tudo aquilo em que toca, quando a ferida quirónica ascende à superfície pode trazer fases de grande desequilíbrio, em que todos os meios são válidos para tentar curá-la. Isso pode querer dizer excesso de comida, p.ex., ou carência afectiva e busca incessante de afecto em relacionamentos que, objectivamente, nunca foram mais do que contactos superficiais.

Oposto a tudo isto, temos Saturno no seu signo de regência, Capricórnio. Se Caranguejo é "fome" de segurança emocional, Capricórnio será "sede" de reconhecimento social. Podemos equipará-los simbolicamente à tradicional figura da Mãe (aquela que alimenta, dá carinho e protecção - Caranguejo) e do Pai (aquele que estabelece a sua autoridade, impondo limites e fixando a fasquia para o que deve ser o sucesso profissional e social - Capricórnio). Em toda a oposição há a tendência de projectar um dos extremos no exterior, encontrando-o no comportamento das outras pessoas - pelo menos até nos tornarmos conscientes de que esse extremo está dentro de nós. Neste caso, a satisfação da sua enorme fome emocional pode encontrar grandes obstáculos em pessoas autoritárias, rígidas, pouco afáveis no modo de se relacionar consigo. A presença de Saturno na casa 11 sugere que esse é o tipo de amigos que tende a agregar em torno de si, o que nem é de estranhar: os opostos atraem-se, e alguém que projecte a necessidade de ser protegido (Caranguejo) tenderá a atrair pessoas aparentemente mais maduras, com maior estabilidade pessoal e portanto com maior propensão para desempenharem o papel de protector (Capricórnio). Vivida de uma forma menos consciente, esta oposição entre a conjunção Vénus-Júpiter-Quíron e Saturno pode levá-lo a relacionamentos que, ao início, parecem preencher as suas necessidades afectivas, mas que com o tempo tenderão a tornar-se demasiado rígidos, limitantes, até monótonos e com pouco espaço para demonstrações de afecto, e que o poderão fazer sentir-se "desenraizado" de todo e qualquer grupo em que tente estabelecer vínculos afectivos. As pessoas que representam Saturno na sua vida tenderão a fazê-lo sentir-se imaturo, irresponsável, carente.... demasiado dependente dos outros, o que para alguém com um Sol em Leão não será nada fácil de digerir!

Não me considero à altura de aconselhar quem quer que seja, porque todos nós temos as nossas limitações e inseguranças - não sabemos o que é o melhor para os outros, e se soubermos o que é o "menos mau" pra nós próprios já será muito bom! Ainda assim, posso explicar-lhe o que seria na minha perspectiva uma expressão mais construtiva desta oposição.

Há algum tempo, num workshop a que tive o prazer de assistir, um astrólogo que muito admiro explicou que todos nós nos devemos tornar simbolicamente no nosso próprio pai e na nossa própria mãe. Ao observar a sua oposição Caranguejo-Capricórnio, lembrei-me instantaneamente desta ideia. 

E o que é sermos a nossa própria "mãe"? É amarmos quem somos pelo que somos (como uma mãe ama o seu filho incondicionalmente), nutrirmo-nos de corpo e alma com o "alimento" que nos preenche e nos satisfaz. Para tal, é importante identificarmos o "alimento", a necessidade básica e fundamental: no seu caso, com a Lua em Carneiro, você precisará de afirmar a sua individualidade junto das outras pessoas, marcando a sua posição, expressando a sua vontade. Antes de esperar que os outros o reconheçam, reconheça-se a si próprio como alguém que tem o direito de existir, de lutar e vencer, de deixar uma marca no mundo. Se for capaz de fazê-lo independentemente da aprovação dos outros, sentir-se-á mais seguro nos seus relacionamentos: não mais um refém do amor dos outros, mas o co-criador de ligações emocional profundamente enriquecedoras da sua individualidade.

E o que é sermos o nosso próprio "pai"? É tornarmo-nos responsáveis pela nossa própria segurança, pelo sucesso ou insucesso das nossas escolhas. É aceitarmos as responsabilidades que nos cabe assumir na vida, e encararmos com serenidade as inseguranças e limitações que podem estimular-nos a ir mais além, em vez de nos restringir a atitudes defensivas e de auto-derrota. É também sermos capazes de assumir um papel sólido na vida das pessoas que amamos, oferecendo protecção, segurança, compromisso.

Assim desenvolvendo os extremos desta oposição que o seu mapa lhe propõe viver, terá oportunidade de descobrir o enorme talento de Quíron em Caranguejo na casa 6, que é o de cuidar das feridas emocionais dos outros, proporcionando-lhes um espaço de cura onde se sintam protegidos, aceites, amados. E com uma ajudinha de Vénus e Júpiter - além do MC em Escorpião, signo da regeneração profunda -, não há razão para não fazer disso uma profissão muito bem sucedida - desde que, a seu tempo, seja capaz de trabalhar com dedicação e responsabilidade (Saturno em Capricórnio) em vez de confiar apenas na sorte. 

Por agora é tudo. Fiquem atentos às cenas dos próximos capítulos...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Quíron, o Curandeiro Ferido




Uma antiga profecia dos nativos americanos anuncia que os ensinamentos do Guerreiro Sagrado regressarão à Terra quando o planeta da Cura for descoberto nos céus.



Em 1977, foi identificado um planetóide cuja órbita se encontra entre as de Saturno e Urano. Inicialmente considerado um asteróide, a sua órbita muito excêntrica levou-a a ser classificado também como cometa, dando origem a uma nova classe de corpos celestes até então desconhecidos, e que foram designados pelos astrónomos por “centauros”. A este primeiro centauro, chamaram Quíron.
Na Mitologia Grega, Quíron era o mais notável dos centauros. Tal como os sátiros, a generalidade dos centauros levava uma vida de diversão e deliquência. Mas Quíron não partilhava da mesma linhagem dos seus pares. Filho de Cronos e da ninfa Philyra, era um centauro inteligente, civilizado e amável, excelente professor, e conhecia como ninguém os segredos da Medicina e da Astrologia. A nobreza de Chiron ficou definitivamente registada na mente colectiva com a história da sua morte.



Enquanto filho de um titã, Quíron era imortal. Num incidente entre Hércules e outros centauros, Quíron foi inadvertidamente atingido na coxa por uma das flechas envenenadas com o sangue de Hydra que ele próprio havia oferecido a Hércules. Ferido, Quíron optou por uma vida de reclusão, procurando sozinho uma cura para a dor que lhe havia sido inflingida e que, por mais que o magoasse, jamais seria fatal. Mas ele, que durante tanto tempo fora o mestre de todas as curas, nunca foi capaz de curar-se a si próprio. Passado algum tempo, Hércules visitou Quíron e propôs-lhe uma forma de terminar com o seu sofrimento. Para salvar a vida de Prometeu (acorrentado a um rochedo por tentar roubar aos deuses a chama sagrada do Conhecimento), era necessário que um ser imortal abdicasse voluntariamente da sua imortalidade. Assim, Hércules propôs a Quíron que se sacrificasse, salvando Prometeu e acabando com a sua própria dor. Quíron acedeu a morrer pela liberdade de Prometeu, e pôde finalmente ascender aos céus e descansar em paz.


Quíron em Astrologia
 O “Curandeiro Ferido” revela a ferida mais profunda de cada um de nós, aquela que não pode ser curada, mas que deve ser transcendida através da cura das feridas dos outros. Quíron estimula-nos a aprender com o maior dos sofrimentos, e a transcendê-lo ajudando outras pessoas a ultrapassar as suas próprias feridas. Ironicamente, e como a figura mitológica, seremos capazes de ensinar aquilo que nós próprios não somos capazes de fazer.
No mapa astrológico, Quíron mostra de que forma podemos (e devemos) exercer uma influência curativa nos outros. Essa capacidade raramente se manifesta em termos de cura física, mas sobretudo no que diz respeito a cura emocional, mental ou espiritual. A energia de Quíron estabelece uma ponte entre Saturno e Urano, e por isso pode também indicar uma área da vida onde a repressão cultural (Saturno) sobre a liberdade individual (Urano) é mais profunda, e onde por isso há uma maior vontade de revolta contra o status quo. Pode ser necessário muito tempo para reconhecer e mitigar as dores dessa ferida. Quíron mostra uma parte de nós que consideramos de algum modo inaceitável e, simultaneamente, imutável. No entanto, aquilo que aprendemos ao lidar com as dores quirónicas pode (e deve!) ser colocado ao serviço das outras pessoas.


A cura proposta por Quíron é a da auto-aceitação, mesmo que isso implique uma inconformidade social. Compete-nos elevarmo-nos acima daquilo que encaramos como “restrições”, das respostas condicionadas pelo “como deve ser” com as quais funcionámos durante a maior parte das nossas vidas. À medida que vamos avançando, encontramos formas cada vez mais criativas de lidar com isso e seguir em frente, e tornamo-nos capazes de auxiliar pessoas com feridas quirónicas idênticas.

Quíron nos Signos
Quíron em Carneiro
A ferida está na noção de Eu. Estas pessoas sentem falta de uma identidade própria, e por isso tendem a sentir pena de si próprias sempre que algo lhes causa sofrimento. No centro desta ferida está o modo como cada pessoa é capaz de se sentir realizado com aquilo que é, por dentro e por fora. Não serão capazes de ajudar os outros enquanto não fizerem as pazes consigo próprios. Em vez de deambularem em dúvidas, castigando-se pelo que não são, devem aprender a aceitar o que são. Ao reconhecerem os seus pontos fortes, adquirem a paz de espírito que lhes permite dar aos outros aquilo que aprenderam com a sua própria dor. Essa dádiva terá como principais alvos aqueles que sofrem com questões de auto-estima, como desordens alimentares e auto-mutilação.
 
Quíron em Touro
A ferida está na noção de valor próprio, na negligência, na sensação de que nunca se tem o suficiente. Estas pessoas sentem-se enfraquecidas por uma permanente sensação de abandono. No centro desta ferida está a necessidade de segurança e de prazer sensorial. Touro tem tudo a ver com auto-satisfação, mas com Quíron em Touro nunca se está realmente satisfeito. Em vez de se concentrarem naquilo que não têm, estas pessoas devem aprender a apreciar aquilo que têm. Ao valorizarem o que já possuem (relações pessoais, bens materiais, etc), tornam-se capazes de lidar com a falta de recursos de pessoas a quem faltam bens materiais e/ou afecto.

Quíron em Gémeos
A ferida está no duvidar das próprias capacidades mentais. Estas pessoas estão permanentemente à procura de novos conhecimentos, e sentem-se ameaçadas por quem demonstre algum talento especial para as palavras ou as ideias. No centro desta ferida está a necessidade de ser ouvido e compreendido. Com Quíron em Gémeos, é como se nunca se fosse escutado, ou se cada ideia expressa fosse ser ridicularizada. Em vez de se sentirem ignorantes pelo que não sabem, estas pessoas devem aproveitar ao máximo aquilo que sabem, valorizando os seus talentos e instintos naturais para se abrirem ao mundo a partilharem aquilo que aprenderam com a sua própria experiência. Essa partilha será especialmente útil no auxílio a pessoas com dificuldades de aprendizagem, ou que por alguma razão duvidem das suas capacidades intelectuais.

Quíron em Caranguejo
A ferida está na falta de amor. Estas pessoas sentem-se indignas de ser amadas, e são capazes de dar o melhor de si aos outros, sacrificando-se, para evitar sentir a dor quirónica. Com Quíron em Caranguejo, a necessidade de acarinhar, construir um lar e procurar segurança é totalmente projectada nos outros. Em vez de darem todo o seu amor às pessoas que os rodeiam, estas pessoas devem antes de mais aprender a amarem-se a si próprios. Isso permitir-lhes-á abrirem-se ao mundo e assim distribuir o seu imenso amor pelos outros de um modo mais equilibrado e saudável.

Quíron em Leão
A ferida está na restrição da própria expressão. Estas pessoas não acreditam nos seus próprios talentos, e sentem que nunca têm oportunidade de brilhar. Com Quíron em Leão, a falta de reconhecimento pelas próprias qualidades causa frustração e desencadeia a repressão do seu potencial criativo. Em vez de sentirem pena de si próprios por aquilo que ainda não realizaram, estas pessoas devem aprender a expressar os talentos que já possuem. Que importa se não são o Nobel da Literatura quando escrevem os seus pensamentos num diário pessoal? Que importa se não recebem um Óscar quando realizam filmes caseiros para divertir a família? Quando aprenderem a valorizar os talentos que já possuem, tornam-se capazes de partilhar com o mundo essa preciosa experiência, sobretudo em actividades relacionadas com expressão dramática.

Quíron em Virgem
A ferida está no reconhecimento da própria imperfeição. Estas pessoas não conseguem livrar-se da sensação de que alguma coisa está errada, como se estivessem incompletas, ou lhes faltasse qualquer coisa essencial à sua saúde e bem-estar. Em muitos casos, isso pode manifestar-se como hipocondria, não só no sentido físico mas num sentido emocional e espiritual mais abrangente. Com Quíron em Virgem, a constante preocupação e auto-crítica centram todas as atenções nos pequenos defeitos, ignorando as subtis alegrias da vida. Em vez de se centrarem nas suas imperfeições, estas pessoas devem compreender o quanto podem aprender sobre a sua própria cura com essas mesmas imperfeições. Esta posição de Quíron incentiva a ajuda a pessoas com problemas mentais, e uma abordagem realista de qualquer prática terapêutica.
 
Quíron em Balança
A ferida está na dependência e idealismo do amor. Estas pessoas tendem a relacionar-se de formar obsessiva, tornando-se excessivamente dependentes do outro e/ou quebrando laços afectivos sempre que o outro não cumpre com as suas elevadíssimas expectativas. Com Quíron em Balança, é exigido demasiado do outro, o que acaba por gerar sucessivas desilusões. Em vez de esperar harmonia e perfeição em todos os seus relacionamentos, estas pessoas devem compreender que o conflito pode gerar mais intimidade do que qualquer “amor cor-de-rosa”. Se aprenderem a ser mais independentes, poderão construir relacionamentos mais equilibrados e saudáveis, e auxiliar todos aqueles que se encontrem em situação de co-dependência.

 
Quíron em Escorpião
A ferida está no medo. Estas pessoas preocupam-se incessantemente com a eventual perda irreparável daquilo que têm: bens materiais, entes queridos, uma parte da alma ou a própria vida. Com Quíron em Escorpião, a vida é encarada com permanente preocupação e reserva, por receio de que qualquer momento de alegria possa ser rapidamente ensombrado por uma perda. Estas pessoas devem compreender que perder faz parte da vida, e pode ensinar lições muito valiosas. Aceitar sem medo o que a vida proporciona de “bom” e de “mau” ajudá-los-à a partilhar com o mundo as suas experiências, que serão especialmente úteis para outras pessoas em período de luto ou com dificuldades em gerir o stress.
 
Quíron em Sagitário
A ferida está na sensação de aprisionamento. Estas pessoas sentem-se destinadas a grandes feitos – aventura, perigo, aquisição de sabedoria – mas sentem-se injustamente aprisionadas na sua vida quotidiana, ou num corpo que não lhes permite actividades demasiado vigorosas. Com Quíron em Sagitário, a necessidade de liberdade nunca é satisfeita, acabando por gerar um profundo descontentamento com as circunstâncias da vida que não permite reconhecer a sabedoria das outras pessoas. Em vez de se revoltarem contra o seu destino, estas pessoas devem aprender a encontrar a sabedoria e a expansividade dentro de si próprias e das suas circunstâncias actuais. Com isso abrir-se-ão à oportunidade de partilhar conhecimentos com os outros.
 
Quíron em Capricórnio
A ferida está na falta de reconhecimento e compreensão. Estas pessoas sentem que se esforçam mais, trabalham mais, tomam melhores decisões e expressam-se com maior eficiência, mas que tudo isso é ignorado pelos outros. Com Quíron em Capricórnio, a necessidade de satisfazer as próprias ambições subindo cada vez mais alto impede o usufruto daquilo que já foi conquistado. Em vez de procurar constante validação pública pelo seu status e sucesso, estas pessoas devem aprender a reconhecer o valor daquilo que já construíram, e nisso encontrar uma auto-satisfação que ultrapassa em muito qualquer elogio, aumento ou recompensa pública. Com isso poderão ajudar outras pessoas a concretizar o seu potencial, através de aconselhamento profissional e avaliação de competências.

Quíron em Aquário
A ferida está no isolamento social. Estas pessoas nunca se sentem realmente integradas num grupo, por mais que o tentem. Sentem-se sempre postas de parte. Com Quíron em Aquário, a sensação de ser o “outsider” excêntrico é permanente, e para evitar essa não-pertença pode adoptar-se o comportamento oposto, de isolamento voluntário. Em vez de fingirem ser aquilo que não são, estas pessoas devem ser espontâneas e acarinhar a sua própria excentricidade. Quando aprenderem que podem individualmente ter um impacto positivo no todo e fazer a diferença, tornam-se capazes de ajudar em causas relacionadas com a expressão da individualidade e a defesa dos direitos humanos.
 
Quíron em Peixes
A ferida está na perda da fé. Estas pessoas experimentaram uma grande desilusão nas suas vidas, que as fez perder a fé e as tornou mais amargas, fechando-lhes o coração para evitar futuros dissabores. Com Quíron em Peixes, a desilusão e a traição dificultam a ligação ao Universo, favorecendo o cinismo, a desconfiança e a frieza. Em vez de negarem aquilo em que realmente acreditam, estas pessoas devem compreender que tudo tem a sua razão de ser e de acontecer. Quando interiorizarem o facto de que nenhum sofrimento é em vão, e que perder a fé momentaneamente pode de facto enriquecer essa mesma fé no longo prazo, tornam-se capazes de oferecer ao mundo essa extraordinária lição, sobretudo em grupos dedicados a causas espirituais ou ecologistas.