E-book "Profissão: EU!"

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Uma questão de auto-suficiência

Desta vez, são duas questões para um mesmo mapa. E que questões.... Aqui fica a análise possível da primeira delas, a segunda seguirá num próximo post:

1. Tenho Vênus em Câncer em conjunção com Quíron e Júpiter e oposição a Saturno. Como você interpretaria esse aspecto e o que você aconselharia?

Loan, PA

Adaptado de Astrodienst
Quíron é um asteróide descoberto em 1977, com uma trajectória bastante excêntrica que na sua maior parte se encontra contida entre Saturno e Urano. Vários astrólogos de renome têm pesquisado e escrito sobre o seu significado, quer a partir da sua mitologia quer a partir da sua expressão em inúmeros mapas astrológicos. (Para mais informação, consultar o excelente trabalho de Melanie Reinhart, Joyce Mason ou Barbara Hand Clow). Já aqui publiquei um post mais completo sobre Quíron, mas os conceitos-chave até agora desenvolvidos para a compreensão do seu significado incluem o seguinte: uma profunda ferida emocional que não somos capazes de curar em nós próprios, mas que podemos utilizar como meio de auxiliar os outros no seu próprio processo de cura.

Onde quer que encontremos Quíron num tema natal, encontramos uma qualquer sensação inata de dolorosa insuficiência. Neste caso, a presença de Quíron em Caranguejo (ou Câncer :-) na casa 6 sugere uma dificuldade em "nutrir-se" a si próprio. O conceito de "nutrição" associado ao signo de Caranguejo é bastante abrangente, referindo-se tanto a "fome emocional" (de ligações afectivas profundas e sólidas, de se sentir protegido e acarinhado, de sentir que pertence a uma família, uma linhagem, uma herança cultural) como a "fome física" (de alimentos e tudo o resto que o corpo necessita pra se manter saudável). Outra manifestação típica da "fome" de Caranguejo é a profunda necessidade de ter um lar - espaço físico onde se refugia na sua privacidade, e conjunto de pessoas que quem partilha esse esse, e que podem ser a sua família biológica e/ou a família que constituiu para si.

Com Quíron em Caranguejo, toda esta "fome" pode ficar permanentemente insatisfeita. Porque Quíron está na casa 6, é provável que isso se reflicta na sua relação com a sua saúde, mas também com o seu espaço de trabalho e as pessoas que aí se relacionam consigo. Muitas vezes, a "ferida emocional" representada por Quíron pode passar despercebida na maior parte do tempo - mas imagino que não seja esse o seu caso. Com a conjunção Vénus-Júpiter a Quíron, você tenderá a ser uma pessoa muito optimista e expansiva nos seus contactos sociais e relacionamentos afectivos. Possui um charme natural que cativa quem consigo trabalha, e é bastante possível que se envolva afectivamente com algum(a) colega de trabalho. E porque estamos a falar de planetas em Caranguejo, é-lhe muito fácil criar empatia com as pessoas que consigo se cruzam no quotidiano, facilitando para si a resolução de todo o tipo de assuntos mundanos. 

E que desvantagens podem existir com uma conjunção aparentemente tão benéfica como Vénus-Júpiter? Bem, tudo depende do ponto de vista ;-) Esta conjunção tende a facilitar demasiado a vida ao seu feliz proprietário, que corre o risco de se tornar preguiçoso ou excessivamente confiante porque sabe que, no final, a sorte estará do seu lado, que todas as oportunidades de sucesso que deseje acabarão por lhe surgir sem grande esforço. Por outro lado, se a sua vida é recheada de facilidades, pode não entender verdadeiramente as dificuldades por que passam as outras pessoas, minimizando o seu sofrimento e alienando as suas legítimas necessidades.

Regresso a Quíron, e à sua ferida. A ferida que não é capaz de curar em si próprio. Estará a conjunção Vénus-Júpiter a trazer essa ferida à superfície de cada vez que se lança num relacionamento mais profundo, de cada vez que tenta satisfazer a sua "fome"? Ou, pelo contrário, estará a camuflá-la, escondendo-a por detrás de uma aparente facilidade em relacionar-se e ter sucesso no quotidiano? Podemos ver aqui várias camadas de satisfação, talvez. Numa camada mais superficial, você será super bem-sucedido a criar empatia com os outros, mas bem lá no fundo pode sentir que nunca é suficientemente amado ou compreendido, que não está verdadeiramente integrado no seu local de trabalho ou no seu grupo de amigos. E porque Júpiter tende a aumentar tudo aquilo em que toca, quando a ferida quirónica ascende à superfície pode trazer fases de grande desequilíbrio, em que todos os meios são válidos para tentar curá-la. Isso pode querer dizer excesso de comida, p.ex., ou carência afectiva e busca incessante de afecto em relacionamentos que, objectivamente, nunca foram mais do que contactos superficiais.

Oposto a tudo isto, temos Saturno no seu signo de regência, Capricórnio. Se Caranguejo é "fome" de segurança emocional, Capricórnio será "sede" de reconhecimento social. Podemos equipará-los simbolicamente à tradicional figura da Mãe (aquela que alimenta, dá carinho e protecção - Caranguejo) e do Pai (aquele que estabelece a sua autoridade, impondo limites e fixando a fasquia para o que deve ser o sucesso profissional e social - Capricórnio). Em toda a oposição há a tendência de projectar um dos extremos no exterior, encontrando-o no comportamento das outras pessoas - pelo menos até nos tornarmos conscientes de que esse extremo está dentro de nós. Neste caso, a satisfação da sua enorme fome emocional pode encontrar grandes obstáculos em pessoas autoritárias, rígidas, pouco afáveis no modo de se relacionar consigo. A presença de Saturno na casa 11 sugere que esse é o tipo de amigos que tende a agregar em torno de si, o que nem é de estranhar: os opostos atraem-se, e alguém que projecte a necessidade de ser protegido (Caranguejo) tenderá a atrair pessoas aparentemente mais maduras, com maior estabilidade pessoal e portanto com maior propensão para desempenharem o papel de protector (Capricórnio). Vivida de uma forma menos consciente, esta oposição entre a conjunção Vénus-Júpiter-Quíron e Saturno pode levá-lo a relacionamentos que, ao início, parecem preencher as suas necessidades afectivas, mas que com o tempo tenderão a tornar-se demasiado rígidos, limitantes, até monótonos e com pouco espaço para demonstrações de afecto, e que o poderão fazer sentir-se "desenraizado" de todo e qualquer grupo em que tente estabelecer vínculos afectivos. As pessoas que representam Saturno na sua vida tenderão a fazê-lo sentir-se imaturo, irresponsável, carente.... demasiado dependente dos outros, o que para alguém com um Sol em Leão não será nada fácil de digerir!

Não me considero à altura de aconselhar quem quer que seja, porque todos nós temos as nossas limitações e inseguranças - não sabemos o que é o melhor para os outros, e se soubermos o que é o "menos mau" pra nós próprios já será muito bom! Ainda assim, posso explicar-lhe o que seria na minha perspectiva uma expressão mais construtiva desta oposição.

Há algum tempo, num workshop a que tive o prazer de assistir, um astrólogo que muito admiro explicou que todos nós nos devemos tornar simbolicamente no nosso próprio pai e na nossa própria mãe. Ao observar a sua oposição Caranguejo-Capricórnio, lembrei-me instantaneamente desta ideia. 

E o que é sermos a nossa própria "mãe"? É amarmos quem somos pelo que somos (como uma mãe ama o seu filho incondicionalmente), nutrirmo-nos de corpo e alma com o "alimento" que nos preenche e nos satisfaz. Para tal, é importante identificarmos o "alimento", a necessidade básica e fundamental: no seu caso, com a Lua em Carneiro, você precisará de afirmar a sua individualidade junto das outras pessoas, marcando a sua posição, expressando a sua vontade. Antes de esperar que os outros o reconheçam, reconheça-se a si próprio como alguém que tem o direito de existir, de lutar e vencer, de deixar uma marca no mundo. Se for capaz de fazê-lo independentemente da aprovação dos outros, sentir-se-á mais seguro nos seus relacionamentos: não mais um refém do amor dos outros, mas o co-criador de ligações emocional profundamente enriquecedoras da sua individualidade.

E o que é sermos o nosso próprio "pai"? É tornarmo-nos responsáveis pela nossa própria segurança, pelo sucesso ou insucesso das nossas escolhas. É aceitarmos as responsabilidades que nos cabe assumir na vida, e encararmos com serenidade as inseguranças e limitações que podem estimular-nos a ir mais além, em vez de nos restringir a atitudes defensivas e de auto-derrota. É também sermos capazes de assumir um papel sólido na vida das pessoas que amamos, oferecendo protecção, segurança, compromisso.

Assim desenvolvendo os extremos desta oposição que o seu mapa lhe propõe viver, terá oportunidade de descobrir o enorme talento de Quíron em Caranguejo na casa 6, que é o de cuidar das feridas emocionais dos outros, proporcionando-lhes um espaço de cura onde se sintam protegidos, aceites, amados. E com uma ajudinha de Vénus e Júpiter - além do MC em Escorpião, signo da regeneração profunda -, não há razão para não fazer disso uma profissão muito bem sucedida - desde que, a seu tempo, seja capaz de trabalhar com dedicação e responsabilidade (Saturno em Capricórnio) em vez de confiar apenas na sorte. 

Por agora é tudo. Fiquem atentos às cenas dos próximos capítulos...

1 comentário:

  1. Sou amigo próximo dessa pessoa a quem você ora analisa. E, realmente, existem muitos fatores apontados por você que ela parece apresentar, pelo menos externamente. Outros, que por ventura eu não reconheci na pessoa, devem, com grande probabilidade, fazer parte da estrutura mais interna de sua subjetividade, ou, usando um termo que gosto: seu micro-universo consciencial.

    Desde já, porém, apreciei muito a sua leitura. Possivelmente, quem sabe, e dependo da sua disponiblidade, possa eu estar a enviar meus dados com alguma pergunta específica sobre o mesmo.

    Paz e Luz para todos os seres.

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