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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Saturno, Urano e Auto-Aceitação

Tenho Lua em conjunção com Marte em Gêmeos na casa 7 e Quíron também nessa mesma casa/signo, o que pra mim é um dos pontos mais complicados do meu mapa no sentido de auto-aceitação.

André (SP, BR)

O tema da auto-aceitação é uma questão problemática para muitos de nós. Desde cedo começamos a aprender que existem condições para sermos aceites pelos outros. Ainda que a imposição de limites seja uma ferramenta educativa essencial à integração harmoniosa no mundo, por vezes esses limites atingem o ego e as suas necessidades mais básicas de forma demasiado marcante. É o que acontece, p.ex., com a criança a quem ensinam que o mau comportamento levará à perda do amor ou da atenção dos pais. Aquilo que devia ser incondicional (o Amor) torna-se moeda de troca, e essa moeda instala-se no diálogo interior do adolescente e adulto com problemas em aceitar-se a si próprio ("Se não tiveres um emprego estável, és um falhado que não merece amor de ninguém.", etc).

No mapa astrológico, os desafios à capacidade de auto-aceitação podem estar simbolizados de várias formas. Quando olhei o mapa do André, dois importantes factores depressa se destacaram: a oposição Sol-Saturno (com Sol em conjunção ao Descendente) e a oposição Lua-Urano (com Lua na casa 7 e Urano na 1). 

Adaptado de Astrodienst
A oposição Sol-Saturno é típica do confronto com a autoridade. Aqui, o desenvolvimento da identidade (Sol) tende a ser restringido por uma autoridade restritiva (Saturno). Na primeira fase da vida, a autoridade representada por Saturno é-nos imposta do exterior por pais e educadores, mas idealmente e à medida que vamos amadurecendo temos oportunidade de integrar noção de limites e sentido de responsabilidade no conjunto da nossa identidade - tornando-nos "adultos bem comportados" :-) No entanto, quando há uma oposição Sol-Saturno no tema natal, a autoridade tende a ser sentida como profundamente restritiva da identidade. Qualquer tentativa de integração harmoniosa parece pura utopia, e na idade adulta pode ser frequente a projecção nos outros de um dos lados da oposição por incapacidade de o reconhecermos em nós. Se negarmos Saturno, podem surgir problemas com pessoas a quem atribuímos um perfil autoritário e que nos impõem demasiadas responsabilidades. Se negarmos o Sol, voltamos as costas à nossa identidade primordial para satisfazer as exigências de uma autoridade interior impossível de agradar. Porque o Sol está em conjunção ao Descendente - símbolo da natureza das relações que estabelecemos com os outros - a possibilidade de projecção é ainda maior.

A oposição Lua-Urano surge reforçada pela conjunção da Lua a Quíron e a Marte, todos em Gémeos. A Lua indica as nossas necessidades mais básicas, e a sua presença na casa 7 aponta para "fome" de relacionamentos. O panorama é de profundo desejo de ligação emocional que se quer baseada na comunicação e na partilha de interesses intelectuais comuns (Gémeos). No caso do André, é possível que tenha passado a maior parte da sua vida concentrado nos seus relacionamentos, porque é nessa esfera da experiência que ele constrói a sua identidade (Sol conjunção ao Descendente) e que ele satisfaz as suas necessidades emocionais e de afirmação pessoal (Lua e Marte, respectivamente, na casa 7). Isto pode gerar algum desequilíbrio interior em termos de auto-aceitação, porque há a tendência para fazer depender dos outros a validação de quem somos e do que precisamos: se nos relacionamos com quem não nos dá valor, o mais provável é sentirmos que não temos valor.

Os planetas transpessoais (Urano, Neptuno e Plutão) encontram-se muitas vezes "adormecidos" na vida do comum dos indivíduos, ou seja, não são expressos de uma forma consciente porque efectivamente não correspondem à tentativa de satisfação das necessidades mais básicas (segurança material, afecto, etc), mas antes a um apelo maior de desenvolvimento pessoal e transcendência. Com Urano na casa 1, oposto à Lua, o André terá em si um profundo desejo de afirmar a sua identidade única e especial, independentemente do que os outros possam pensar ou dizer. É provável que esse desejo tenha vindo à tona nos últimos anos, em especial no período 2006-2008, por ocasião de uma mudança de casa (aqui casa "real", endereço ou cidade ou país, não casa astrológica :-), de alterações inesperadas nas suas relações familiares ou de um súbito interesse romântico. Nesse período, e talvez pela primeira vez na sua vida, pode ter sentido um apelo muito forte para traçar o seu próprio caminho, um caminho inesperado e certamente incompreendido para muitas das pessoas com quem se relaciona. Esse caminho passa por uma descoberta de si próprio, dos seus valores espirituais e filosóficos, de uma visão mais idealista da vida que se recusa a ser limitada pelos preconceitos e estreiteza de mente das outras pessoas. 

Ambas as oposições analisadas traduzem efectivamente um caminho para a auto-aceitação. Acredite, André, que os opostos podem ser reconciliados e produzir algo de espantoso, para si e para as pessoas da sua vida. E parabéns por ter já iniciado a sua jornada!

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