E-book "Profissão: EU!"

E-book "Profissão: EU!"
Da autora do blog "Nodo Ascendente", já à venda em raquelfialho.com

terça-feira, 29 de maio de 2007

Tarot - III. A Imperatriz

"Não fazemos grandes coisas - apenas pequenas coisas com muito amor."

Madre Teresa de Calcutá


Simbologia e Arquétipo

No baralho de Rider-Waite, a Imperatriz surge sentada, com uma túnica decorada com romãs, uma coroa de estrelas, um ceptro, e um escudo em forma de coração com o símbolo de Vénus, num campo de trigo maduro.

A Grande Sacerdotisa e a Imperatriz representam as duas faces do arquétipo feminino nos Arcanos Maiores. A Imperatriz representa a Mãe da fertilidade, da criação, que reina sobre a Natureza e os ritmos da Terra. Dela vêm todos os prazeres dos sentidos, e a abundância do nascimento em todas as suas formas.


A Viagem do Louco

Decidido sobre que forma deve o seu Futuro tomar, o Louco prossegue no seu caminho. Mas está impaciente para concretizar o Destino que escolheu para si. É então que encontra a Imperatriz: cabelo louro como o trigo, coroa de estrelas, vestes brancas decoradas com romãs. Ela descansa no seu trono, rodeada por uma enorme abundância de cereais e um jardim luxuriante. É possível que esteja grávida (em alguns baralhos mais antigos, essa característica é claramente visível). Ajoelhando-se a seus pés, o Louco relata a sua história. A Imperatriz sorri maternalmente, e dá-lhe um conselho no seu tom de voz doce e suave: “Tal como a semente acabada de plantar, ou a criança no ventre, toda a nova vida, novo amor, nova criação… tudo isso é frágil. Requer solo fértil, paciência e cuidado, amor e atenção. Só assim será possível fazê-lo crescer.” Compreendendo por fim que a concretização dos seus planos requer tempo, paciência e cuidados, o Louco agradece à Imperatriz e segue o seu caminho.


Notas Interpretativas

A Imperatriz é a Criação: de vida, de um romance, de uma arte ou negócio. Enquanto o Mago era a “faísca” inicial, a ideia original, e a Grande Sacerdotisa aquela que dava uma forma concreta à ideia, a Imperatriz é o “ventre” onde a ideia pode ser gerada e crescer até estar pronta para “nascer”. Por isso o seu símbolo é Vénus, deusa do Amor e da Beleza, embora se pareça mais com Deméter, deusa da Abundância, porque a sua feminilidade é muito mais maternal do que sexual.






A Imperatriz no Baralho Visconti
(Edição Lo Scarabeo, 2006)








Na realidade, a carta da Imperatriz representa sempre algo de maternal. No bom sentido, isso quer dizer paciência, carinho, generosidade. O Querente pode estar a sentir-se como uma mãe-galinha preocupada com a sua “cria”, seja ela um novo negócio, um novo romance… Homem ou mulher, o Querente sente necessidade de, ou deveria, vigiar atentamente a sua nova criação, estar alerta para poder resolver imediatamente o mínimo problema que possa surgir. A Imperatriz pode também simbolizar uma pessoa próxima do Querente que tem esta atitude maternal para com ele (podendo ou não tratar-se da própria mãe).

Por outro lado, a Imperatriz pode também mostrar o que de pior pode haver numa mãe atenta: sufocante, sem saber quando dar espaço, possessiva, ciumenta do seu “bebé”. As plantas podem morrer tanto de sede como de excesso de água, e é fundamental que o Querente perceba isso.




A Imperatriz no Baralho Sidhe
(Edição Adam McLean, 2006)







No geral, a Imperatriz traz a uma leitura de Tarot o mesmo conselho que deu ao Louco: se o Querente quer que a sua nova “criação” tenha sucesso, deve prestar-lhe atenção, acarinhá-la, e estar preparado para deixá-la “caminhar” sozinha quando chegar o momento certo. Acima de tudo, como sabem qualquer mãe gestante ou bom jardineiro, há que ter paciência. Todas as coisas precisam de tempo para germinar e florescer.

A ligação da Imperatriz à Natureza fornece um alerta adicional: é importante manter os pés no chão, apreciar o que é genuíno e deixar de lado as falsas sofisticações. Em certos contextos, pode ainda significar gravidez.


Fontes: Aeclectic, LearnTarot

terça-feira, 22 de maio de 2007

Quiromancia - Introdução

As mãos também são o espelho da alma…

A Quiromancia é uma arte antiga cuja origem, ainda não completamente esclarecida, remonta às primeiras civilizações do Crescente Fértil, do Extremo Oriente e da Índia. Chegou ao Ocidente por meio dos povos nómadas que vieram da região da Índia. Um destes povos é o que hoje chamamos de povo Cigano, que tem mantido esta prática na sua cultura popular, passada sobretudo de mães para filhas. Daí que todos nós quando pensamos na “leitura das mãos” imaginamos de imediato uma cigana.
Parece haver relatos de algumas evidências desta prática nos povos da América Pré-colombiana, o que ainda não foi completamente demonstrado. Esta prática gerou uma ciência denominada Datiloscopia, que estuda a identificação das pessoas através de detalhes e traços únicos que cada mão contém em particular, como as impressões digitais.

A Quiromancia focaliza-se nas experiências de vida (Passado, Presente e Futuro), nos indicadores do destino vocacional/profissional, nas emoções e nas sensações do mundo de cada um de nós. No fundo, as mãos dão-nos o caminho para o nosso conhecimento interior e o nosso papel no mundo.

A palavra Quiromancia, actualmente utilizada no nosso vocabulário, deriva do grego bizantino Kheiromanteía, que por sua vez, deriva da palavra Kheir, que significa "mão", e Manteía, que significa "adivinhação".

Na Idade Média, os praticantes desta arte foram perseguidos, já que esta e todas as artes divinatórias eram entendidas como bruxarias e práticas demoníacas. No século XX, tal como aconteceu com outras práticas esotéricas, os seus seguidores esqueceram a principal filosofia desta prática, bem como a sua linguagem simbólica, sobretudo a astronómica/astrológica. A Quiromancia sofre então várias ramificações, a maioria das quais muito mal utilizada, com outra simbologia e diferentes nomenclaturas.

A Quiromancia interpreta a estrutura, a forma, as linhas e os principais detalhes das mãos para deduzir aspectos importantes da vida, do carácter, da personalidade e dos talentos dos indivíduos. A “leitura das mãos” faz sucesso por vários motivos. O primeiro é que, tal como as Runas ou a Cartomancia simples, a Quiromancia usa uma linguagem muito clara, precisa e directa, tornando-a num poderoso instrumento que não deve ser utilizado de ânimo leve.
Muitos autores comparam as linhas das mãos com um Mapa Astral que é levantado para o nascimento de uma pessoa, pela Astrologia: “são as linhas que nascem com a pessoa”, o traçado do caminho de cada um. Pensa-se que esta semelhança se deve à origem comum no tempo destas duas práticas, facto verificado pela simbologia e nomenclatura que é usada na Quiromancia como, por exemplo, certos aspectos das mãos que têm o nome dos principais planetas: monte de Vénus, monte de Júpiter ou o monte de Saturno.

Convém lembrar que muitas das nossas linhas das mãos mudam. São afectadas pelas profissões que temos, pelos trabalhos e tarefas que realizamos. São modificadas por alguns acidentes que ficam registados com cicatrizes. As linhas do nascimento são alteradas pelo nosso caminho, pelas nossas escolhas, daí muitas delas serem alteradas ao longo do tempo.

Será que devemos mostrar a nossa mão, para leitura, a qualquer pessoa?
Pela mesma razão que não devemos mostrar o nosso mapa astral a uma pessoa que pense saber algo de Astrologia, também não devemos mostrar as nossas mãos a uma pessoa que dá um mau uso à Quiromancia para não ficarmos afectados com aquilo que foi dito. No entanto, um mau praticante será mais afectado por aquilo que diz!

Porquê as mãos?
As mãos são canais energéticos por onde a energia fluí. São parte essencial no Reiki, as mãos juntas são usadas para orar ou meditar, etc. São uma parte do corpo que reúne “informação” sobre o resto do corpo, tal como os pés, estudados na Reflexologia.

No fundo a “sorte” está na palma das nossas mãos mas cabe a cada um de nós trabalhar para isso…


Fonte: Fascículos Planeta-Agostini; Publicações de Amy Brown, Bel-Adar, Lori Reid, Roz Levine, Lord Kitchener & Cheiro e Matthias Mala.

sábado, 19 de maio de 2007

Tarot - II. A Grande Sacerdotisa

"A mente intuitiva é um Dom sagrado, e a mente racional um fiel Servo. Criámos uma sociedade que honra o Servo e esquece o Dom."

Albert Einstein


Simbologia e Arquétipo


No baralho de Rider-Waite, a carta da Grande Sacerdotisa tem como cores predominantes o Azul, o Branco e o Negro. Os seus símbolos são a romã de Perséfone (Deusa Grega do Submundo), a coroa lunar de Isis (Deusa-Mãe dos Egípcios), o véu, a cruz grega, e a Lua Crescente. A figura feminina surge ladeada pelos dois pilares do Templo de Salomão: um negro, com a letra B de Boaz, e o outro branco, com a letra J de Jachin. No conhecimento maçónico, como no misticismo moderno, as duas colunas simbolizam a dualidade que reside em tudo o que existe. Entre as mãos da Grande Sacerdotia repousa um pergaminho com a palavra TORA - da Torah judaica, ou talvez um anagrama de Tarot sem que se veja o último “T”.

Se o Mago é o arquétipo masculino, a Grande Sacedortisa é o arquétipo feminino no seu sentido mais profundo. Ela é a guardiã do Inconsciente, e é o seu véu que nos separa da nossa paisagem interior, do que temos de mais íntimo e inacessível.


A Viagem do Louco

Continuando a sua viagem, o Louco encontra uma mulher que tem tanto de deslumbrante como de misteriosa, sentada no seu trono ladeado por dois pilares, iluminado pela Lua. Ela é o oposto do Mago: silêncio em vez de eloquência, quietude em vez de movimento, a escuridão da noite e não a luz do dia. Ela é a Grande Sacerdotisa, e causa espanto no Louco por saber tudo sobre ele. “Já que me conheces tão bem, talvez me possas ajudar”, diz o Louco, mostrando a espada, o cálice, o bastão e o pentáculo que traz consigo. “O Mago mostrou-me estes instrumentos, mas agora tenho um problema. São tantas as coisas que posso fazer! Não me consigo decidir.” Em resposta, a Grande Sacerdotisa estende-lhe um par de antigos pergaminhos. “Aqui está o que precisas de aprender para saberes decidir.” Sentado aos pés dela, o Louco inicia a leitura sob a pálida luz da Lua Crescente. Finalmente, ele sabe o suficiente e pode agora decidir o que quer, onde irá, e o que fará. Embora suspeite que a Grande Sacerdotisa tem ainda mais segredos para ensinar – como os que se escondem por detrás da cortina de romãs –, o Louco está agora concentrado nos seus objectivos e preparado para partir. Agradecendo à misteriosa senhora, segue o seu caminho. Mas à medida que se afasta consegue ouvir ainda um murmúrio, sereno como as águas que burbulham sob o trono da Grande Sacerdotisa: “Encontrar-nos-emos novamente… quando estiveres pronto para viajar pelo mais secreto de todos os caminhos”.


Notas Interpretativas

A Grande Sacerdotisa é a carta do conhecimento instintivo, sobrenatural, secreto. Possui os pergaminhos com a informação mais fundamental, que pode ou não revelar a quem com ela se cruza. À Lua na sua coroa, como a Lua aos seus pés, simbolizam a sua vontade de iluminar aquilo que de outro modo permaneceria oculto, de mostrar o que é preciso saber para tomar uma decisão sobre um problema, um emprego, um investimento, uma relação afectiva… Atrás do trono, estende-se o véu que esconde o conhecimento esotérico mais profundo e mais secreto. As romãs que o decoram servem para recordar Perséfone, que foi levada para a Terra dos Mortos, comeu os seus frutos e tornou-se na única Deusa capaz de viajar de e para o Submundo. O que significa que, quando aparece a Grande Sacerdotisa, é previsível a aprendizagem de coisas muito, muito estranhas.






A Grande Sacerdotisa no Baralho Golden Tarot (Edição US Games, 2004)









Esta é, por excelência, a carta que simboliza quem se dedica ao estudo do Tarot, alguém com poderes psíquicos, intuição e conhecimentos secretos. Enquanto o Mago falava numa revelação, a Grande Sacerdotisa trata de manter as coisas escondidas atrás de uma cortina. Coisas que se sabe, mas de que não se fala.

Se, numa leitura, a Grande Sacerdotisa representar o Querente, então é tempo de investigação solitária e de transmissão de segredos. O Querente irá passar algum tempo em velhas bibliotecas, estudando documentos empoeirados ou antigos textos religiosos. O que foi mantido oculto ser-lhe-á revelado. Os segredos podem também surgir por via psíquica, através de sonhos, visões ou poderosos instintos.

Representando alguém que não o Querente, a Grande Sacerdotisa simboliza normalmente uma pessoa espiritual, uma freira ou astróloga, ou algum parente mais solitário que sabe muitos segredos de família. A Grande Sacerdotisa é como uma biblioteca ambulante, com instintos e visões apuradíssimos, mas pode também parecer fria, imprevisível, até assustadora.





A Grande Sacerdotisa no Baralho Universal Goddess Tarot (Edição Lo Scarabeo, 2006)








Enquanto carta, a Grande Sacerdotisa fala de conhecimento. “Tive uma ideia!” diz o Querente – graças ao Mago. Talvez a abertura de um novo negócio, uma mudança de carreira. Mas como decidir que tipo de negócio abrir, que nova carreira encetar? Conhecimento. O melhor será talvez procurar conselho junto de alguém mais experiente. A um nível mais profundo, Grande Sacerdotisa desafia o Querente a ir mais fundo – a ver para além do óbvio, do superficial, a procurar aquilo que está escondido e obscuro. Quanto mais segredos o Querente souber, mais fácil será para ele decidir o que fazer com a ideia que teve. Esta é a função da Grande Sacerdotisa, para que, como a Lua na Noite, o Querente possa encontrar o seu caminho. Ela senta-se entre os pilares da Luz e da Escuridão, da existência e da negação. Todo o conhecimento secreto é seu.


Fontes: Aeclectic, LearnTarot

quarta-feira, 16 de maio de 2007

YOGA Parte 2 - O Caminho da Bem-aventurança

Embora existam outros métodos, aqui iremos descrever os passos indicados pelos praticantes de Yoga como sendo os mais eficazes para atingirmos um estado Superior: é preciso experimentar e purificar cada camada por sua vez.

Primeiro, tratando o Corpo Físico. Uma dieta vegetariana torna-se crucial para manter a pureza das células do corpo, uma vez que acreditam que o nosso corpo é composto por aquilo que ingerimos, e na medida em que a mente se torna mais subtil, o corpo deve acompanhá-la. Só através de uma dieta vegetariana se atingirá, comprovadamente, uma maior longevidade, e a beleza física e qualidade de vida procurada por todos.

A inclusão ou não de produtos lácteos nesta dieta é opcional. No entanto, a decomposição difícil e demorada de qualquer carne animal, juntamente com a abundância de toxinas que é encontrada nesse tipo de alimentos, são motivos para a dificuldade da sua digestão, e consequente indisposição após a sua ingestão, entre outras consequências mais graves (ex. patologias diversas do sistema digestivo). Por isso, é sobejamente desconselhada.

A purificação do Corpo Físico será complementada através de posturas corporais próprias, as ásanas, que são exercícios de relaxamento milenares desenvolvidos para manter a saúde física, estimulando a circulação sanguínea, o tonicidade muscular, a flexibilidade das articulações, e o estímulo de órgãos internos, enquanto ajudam a acalmar e controlar a mente.

Ao contrário dos exercícios extenuantes vulgares, nas ásanas pretende-se a realização de movimentos lentos e suaves, acompanhados de uma respiração profunda, alternando com períodos de completa imobilidade. Ao aprender a imobilizar o corpo e a acalmar o sistema nervoso, desenvolve-se o equilíbrio físico e mental necessário a uma longa meditação.

Durante as ásanas, a Energia Vital, ao invés de ser gasta, é aumentada; assim, com uma regularidade diária dos exercícios (que facilitará gradualmente a execução de cada um), o praticante acumula energia interna, igualmente necessária para atingir a consciência superior.

Mas o seu efeito mais importante revela-se sobre as glândulas endócrinas, uma vez que a leve pressão provocada pelas ásanas sob as mesmas irá influenciar a produção das respectivas hormonas, tendo assim uma forte influência nas emoções e nos estados de consciência do praticante.

Por ex., com a prática regular da Postura da Lebre, onde o topo da cabeça é pressionado contra o chão, exercendo-se uma leve pressão sobre a glândula pineal, desenvolve-se paciência e tranquilidade mental.


Fonte: "Meditação e os Segredos da Mente", de Avadhu'tika A'nandamitra A'caria,

Publicações Ananda Marga

terça-feira, 15 de maio de 2007

REIKI - parte I

Este será o primeiro post sobre Reiki. Como técnica holística que é, não é possível resumir-se todo o seu conhecimento a um só artigo, nem que seja pelo simples facto de muito haver ainda para descobrir sobre o Fluxo de Energia que nos envolve. Com os artigos aqui publicados pretender-se-á dar a conhecer esta Dádiva de uma forma simples e despretensiosa, para que alguns tomem conhecimento, outros esclareçam dúvidas e que a maioria a quem estas surjam, sintam necessidade de as esclarecer.

O que é REIKI?

O Reiki é uma técnica curativa milenar, aplicada através da imposição das mãos em zonas específicas do corpo.
A palavra Reiki é de origem japonesa, sendo genericamente utilizada para descrever técnicas curativas através da Energia Vital.
Antes de aprender Reiki é necessário entender que todos os seres vivos são compostos por Energia que se encontra disposta em vários níveis. A vida e o seu bom funcionamento, são resultado do Equilíbrio e Harmonia entre esses Níveis Energéticos.


REI

É a Energia Celestial, Matriz de tudo o que existe. Gera o fluxo de Energia Ki em todos os seres vivos, fazendo com que estes regressem aos moldes originais, quando necessário. Originalmente todos os seres possuem uma Matriz correcta de Energia Ki. Como somos livres e o Universo permite que nos afastemos dessa Harmonia, vão sendo criados bloqueios, a essa Energia, resultantes de comportamentos, emoções e outros aspectos danosos. No entanto é possível obter esse Equilíbrio novamente, gerando assim Felicidade, Saúde e Prosperidade, sendo o Reiki um importante catalizador deste processo.

KI

É a Energia Vital, oriunda do Sol que é captada através da sua radiação, do consumo de alimentos frescos naturais, pelo ar e em contacto directo com uma pessoa canalizadora, que se encontra em Harmonia Energética. No Japão é chamada de Ki, na China de Ch’i, Pitágoras referia-a como Fogo Central, Hipócrates de Fogo Interior, Mesmer de Magnetismo, os Hindus chamam-lhe Prana, Reich de Orgónio, na antiga União Soviética era chamada de Energia Bioplasmática, os Judeus de Nefesh e os Alquimistas de Fluido da Vida.

Apesar de terem sido divididas as palavras para que se obtivesse uma melhor compreensão, é necessário ter presente que a Energia é uma só, com propriedades impares, ainda que seja o somatório de duas Energia com propriedades bem definidas.
Em resumo: A Rei (Energia Celestial) gera a distribuição harmoniosa da Ki (Energia Vital).


Fonte: Moreira, P.G. & Mattos L.F.

YOGA Parte 1 - As Camadas da Mente segundo o Yoga

De acordo com os mais antigos conceitos de yoga e as teorias da Física Moderna, a existência não é uma realidade única e isolada, mas sim um continuum de várias camadas de existência que se interligam.

Os iogues dividiram a mente em cinco camadas, ou kosas:

v Corpo Físico
v Mente Consciente (a camada do Desejo),
v Mente Subconsciente (da reflexão e Memória),
v Primeira camada da Mente Superconsciente (Intuição)
v Segunda Camada da Mente Superconsciente (Discriminação e Desapego)

Cada camada que sucede a camada anterior é mais refinada e subtil, havendo em simultâneo um estado de consciência mais expansivo e exultante.

Numa esfera situada acima destas camadas, encontra-se o reino do “Espírito”, consciência infinita ou Ser Interior. Nesse estado de perfeita paz, que está além de qualquer onda vibratória ou manifestação, todos os conflitos e contradições da mente inferior se dissolvem. Aqui tudo se torna UM.

Quando se atinge esse estado, mesmo que por um momento, é-se inundado por um êxtase inexplicável. Essa é a meta do Yoga e a meta da Vida: conduzir a mente através de camadas cada vez mais elevadas, até que se realize o Infinito, o Bem-Aventurado Ser Interior.

A maioria das pessoas nunca ultrapassa as camadas inferiores da mente (consciente e subconsciente), utilizando apenas uma pequena parte do seu potencial, porque a agitação dessas camadas superficiais os impede de avançar, quando não há alguma orientação, nem um esforço continuado nesse sentido. A persistência é essencial.

Apenas alguns conseguem atingir a Mente Superconsciente, e por um instante, ter a vivência da telepatia, de visões do futuro, ou de êxtase, e à medida que os seus egos se dissolvem, conseguem até fundir-se com a Unidade Toda-Envolvente. Mas esse vislumbre dissolve-se assim que a agitação das camadas superficiais da mente se reinicia.

Pela dificuldade acrescida, poucos conseguem realizar o seu verdadeiro Ser.


Fonte: "Meditação e os Segredos da Mente", de Avadhu'tika A'nandamitra A'caria, Publicações Ananda Marga

domingo, 13 de maio de 2007

Eranos - O Banquete de Ideias


ERANOS é um grupo de discussão dedicado ao estudo da Espiritualidade, que se reúne anualmente na Suiça desde 1933. O nome deriva do termo Grego para “banquete”, no sentido de um jantar onde são os convidados, e não o anfitrião, quem fornece a refeição.



Eranos é uma festividade espiritual na qual os associados do evento oferecem algo de si próprios: um discurso, ou uma canção, uma taça de vinho, a mente aberta ao improviso de palavras que contribuam para o simpósio. Rudolf Otto – eminente historiador alemão das religiões - teria este conceito em mente quando o sugeriu a Olga Froebe-Kapteyn, fundadora da associação Távola Redonda, na sua herdade nas margens do Lago Maggiore, perto de Ascona, Suiça. Olga concebeu então uma jornada espiritual e cultural que deveria reunir especialistas de diferentes origens e orientações durante 8 dias, numa verdadeira vivência comunitária. Durante esse período, cada participante deveria contribuir para o verdadeiro “banquete de ideias” com uma palestra de 2 horas, sobre um assunto genérico acordado à partida. No seu ano de estreia, 1933, ERANOS foi subordinado ao tema “Ioga e Meditação no Oriente e no Ocidente. Nessa primeira conferência, C.G. Jung foi um dos especialistas convidados, contribuindo com uma palestra intitulada “A experiência do processo de Individuação”. Jung viria a participar mais de uma dezena de vezes, reconhecendo que Eranos representava a oportunidade para aclarar ideias e aprofundar, nas conversas, o seu próprio conhecimento.


"Eadem Mutata Resurgo: Embora mudado, ressurgirei o mesmo."


Lema de Eranos


Com 74 anos de existência, ERANOS continua a ser hoje um extraordinário encontro de mentes inquietas provenientes das mais variadas áreas: Mitologia, Zen-Budismo, Química, Biologia, Física, Literatura, Filosofia, Ciências Políticas, Misticismo, Neoplatonismo, Gnosticismo. Segundo Olga, aquele que participa em ERANOS deve ser alguém que “deambula por todas as suas visões interiores, e procura retê-las numa forma científica”. A combinação de um pensamento simultaneamente imaginativo-criativo e científico continua a ser a essência de ERANOS, o que talvez explique o contínuo interesse manifestado por pessoas consideradas particularmente inovadoras nas áreas de conhecimento em que se inserem.

Eranos localiza-se na antiga propriedade de Olga Froebe-Kapteyn,
junto a Ascona, nas margens do Lago Maggiore (Suiça)




Que papel para Eranos no mundo actual?

Desde a fundação de Eranos, cresceu muito o interesse geral pelo estudo dos problemas e soluções da mente, corpo e espírito. Basta olhar para os escaparates de qualquer livraria no Ocidente para perceber o quão populares se tornaram as questões espirituais e religiosas, não obstante o modo superficial como normalmente são abordadas. Apesar disso, a escala e diversidade dos problemas sociais parecem ter tendência para aumentar. Tornou-se muito comum a sensação de falta de significado da vida, aumentaram os conflitos intra- e inter-culturais, e é facto adquirido que o cidadão médio de qualquer país moderno poderá vir a sofrer de diversas dependências incluindo o alcoolismo, o vício do trauma, da tecnologia, do fanatismo, etc. Porque subsistem, e até aumentam, estes problemas, se vivemos um tempo em que o “aconselhamento espiritual” e a “cura do corpo, da mente e da alma” estão disponíveis em todas as livrarias? Várias respostas são possíveis. Os cínicos dirão que não há razão para esperarmos viver sem esses problemas. Afinal, sempre houve guerra ao longo da História, a violência e o sofrimento sempre existiram e foram vistos como “factos desagradáveis” para o comum habitante de uma cidade desenvolvida. Mas esta resposta não contempla as dificuldades particulares que a nossa cultura enfrenta na actualidade, e a necessidade de tentar compreender e remediar esses problemas, mesmo que no final eles se revelem de facto insolúveis.

Talvez seja preferível abordar a relação entre a cura individual e a cura social. Não é de todo linear que a cura individual, até de todos os membros da sociedade, conduza à cura dessa sociedade como um todo. Talvez o estudo da cura individual deva ser combinado com o estudo das culturas e das sociedades. Muitas áreas do conhecimento abordam os temas do indivíduo ou da sociedade, e as suas soluções, mas em Eranos pretende-se integrar ambos os temas de um modo pragmático.

Então se falta uma abordagem integrada do estudo da relação entre os problemas individuais/culturais e os problemas sociais, onde entra Eranos? Primeiro, Eranos pode consciente e sistematicamente dirigir-se ao problema de integrar a cura mente-corpo-alma na cura social e cultural. Segundo, a comunidade de Eranos pode proporcionar um ambiente único para a discussão e a compreensão dos assuntos que escolhe abordar. Ao colocar especialistas de variadas disciplinas num ambiente em que se sentem motivados a contactar uns com os outros, é mais provável que consigam atingir uma sinergia útil. Além disso, as redes desenvolvidas entre os participantes podem continuar a encorajar o aparecimento de soluções inter-disciplinares, mesmo depois do final de cada “banquete”. A concepção dos espaços sociais e residenciais de Eranos, que visa essencialmente promover a interacção social entre os participantes, torna-o num potencial centro de reconciliação, cuja reputação de imparcialidade e rigor intelectual permitirá reunir diferentes facções de um conflito numa oportunidade única de diálogo e partilha de informações.


Temas a explorar em próximos encontros, de acordo com directivas da Fundação Eranos:

- Fanatismo, nacionalismo, fundamentalismo e tensão inter-religiosa.

- Tecno-dependências

- O poder do Estado sobre a privacidade e a vontade do indivíduo

- O indivíduo nas sociedades urbanas

- Ecologia e o fim do petróleo a baixos custos



Temas das conferências Eranos


1933 – Yoga e Meditação no Oriente e no Ocidente.

1934 – Simbolismo Oriente-Ocidente e Busca Espiritual

1935 – Busca Espiritual no Ocidente-Oriente

1936/37 – Organização da ideia de Libertação no Oriente e no Ocidente I e II

1938 – Forma e Culto da Grande Mãe

1939 – Simbolismo da Ressurreição na concepção religiosa dos Povos e dos Tempos

1940/41 – Trindade, Simbolismo Cristão e Gnose

1942 – O Princípio Hermético na Mitologia, Gnose e Alquimia

1943 – Antigos cultos solares e o Simbolismo da Luz na Gnose e no início do Cristianismo

1944 – Os Mistérios

1945 – O Espírito

1946 – Espírito e Natureza

1947/48 – O Ser Humano I e II

1949 – O Ser Humano e o mundo místico

1950 – O Ser Humano e os rituais

1951 – O Ser Humano e o Tempo

1952 – O Ser Humano e a Energia

1953 – O Ser Humano e a Terra

1954 – O Ser Humano e a Transformação

1955 – O Ser Humano e a Compaixão

1956 – O Ser Humano e a Criatividade

1957 – O Ser Humano e o Significado

1958 – O Ser Humano e a Paz

1959 – A Renovação do Ser Humano

1960 – O Ser Humano e a Forma

1961 – O Ser Humano e o Conflito de Ordens

1962 – O Líder e a Liderança no Local de Trabalho

1963 – Sobre o Significado de Utopia

1964 – O Drama Humano no Mundo das Ideias

1965 – A Forma enquanto tarefa do Espírito

1966 – Criação e Forma

1967 – A Polaridade da Vida

1968 – A Tradição e o Presente

1969 – Significado e Transformação da Imagem da Humanidade

1970 – O Homem e o Verbo

1971 – As Etapas da Vida no processo criativo

1972 – O Reino das Cores

1973 – Correspondências no Ser Humano e no Mundo

1974 – Normas num Mundo em mudança

1975 – A variedade de Mundos

1976 – Unificação e Variedade

1977 – A Sensação de Imperfeição

1978 – O Tempo e as suas fronteiras

1979 – Pensamento e Imagem Mítica

1980 – Extremos e Fronteiras

1981 – Ascensão e Queda

1982 – Os jogos de Seres Humanos e Deuses

1983 – Corpos Matérias e Espirituais

1984 – A Beleza do Mundo

1985 – O curso oculto dos Acontecimentos

1986 – O reflexo do Ser Humano e do Cosmos

1987 – Encruzilhadas

1988 – Concordância ou Coincidência

1989 – (Não se realizou)

1990 – Ressurreição e Imortalidade

1991 – As Estruturas do Caos

1992 – Migrações

1993 – O Poder das Palavras

1994 – Começos

1995 – A Verdade dos Sonhos

1996 – A Culpa

1997 – Culturas de Eros

1998 – A Linguagem das Máscaras

1999 – A Ordenação do Tempo

2000 – Pioneiros, Poetas e Professores: Eranos e o Monte Verità na História da Civilização do Séc.XX

2001 – Profetas e Profecias

2003 - O Ser Humano em Guerra e em Paz com a Natureza

2004 – Religiões – a Experiência Religiosa

2005 – Deus ou Deuses?

2006 – A Cidade: eixo e centro do Mundo




quarta-feira, 9 de maio de 2007

Tarot - I. O Mago

"A Magia consiste em acreditarmos em nós próprios. Se conseguirmos fazer isso, conseguimos concretizar qualquer coisa."

Johann Wolfgang von Goethe


Simbologia e Arquétipo

No baralho de Rider-Waite, o Mago surge vestido de vermelho e branco, com o lemniscato (∞, símbolo do Infinito) sobre a cabeça, empunhando uma pequena varinha perante uma mesa onde estão dispostos os símbolos dos 4 naipes: um bastão (Paus), um cálice (Copas), uma Espada e uma moeda (Ouros ou Pentáculos).

O Mago é o arquétipo masculino do impulso criativo, a nossa percepção consciente do mundo, a força luminosa que nos permite produzir algo a partir da concentração do poder e da vontade individuais.


A Viagem do Louco

Nos primeiros momentos viagem que ainda há pouco iniciou, o Louco encontra um Mago. Habilidoso, auto-confiante, o símbolo do Infinito flutuando sobre a sua cabeça, o poderoso Mago surge fascinante aos olhos do Louco, quase hipnótico. O Mago pede-lhe a trouxa que traz consigo, e o Louco rapidamente satisfaz o pedido. O Mago ergue então a sua varinha para os Céus, e apontando o dedo à Terra apela a todos os seus poderes; por artes mágicas, a trouxa abre-se sobre a mesa, revelando os seus conteúdos. Aos olhos do Louco, é como se o Mago tivesse acabado de criar o futuro com apenas uma palavra. Todas as possibilidades estão ali, todas as direcções possíveis à vista: a fria, aérea Espada do Intelecto e da Comunicação; o determinado Bastão da espiritualidade e da ambição; o Cálice transbordante de amor e emoções; o sólido Pentáculo do trabalho, das posses e do corpo. Com estas ferramentas, o Louco pode realizar qualquer coisa, fazer o que quiser com a sua vida. Mas será que o Mago criou mesmo estas ferramentas, ou o Louco sempre as trouxe consigo sem saber? Só o Mago sabe a resposta, e a esse respeito este eloquente senhor recusa-se a pronunciar uma única palavra.



Notas Interpretativas

Na Carta nº1, o Mago representa o poder na sua forma mais pura, na capacidade de tornar algo real apenas pela força da vontade (“E Deus disse “Que haja Luz!”; e fez-se Luz”). Associado a Mercúrio, o Mago tem também o dom da linguagens, a eloquência, a agilidade, e o conhecimento médico (seja ele um verdadeiro médico ou um vulgar charlatão!) Os 4 naipes sobre a mesa simbolizam a força bruta dos 4 elementos, que ainda não foi desenvolvida ou moldada ou direccionada. Quando o Mago surge, é para revelar precisamente essa força. A sua aparição pode ser interpretada como o surgimento de uma visão, uma ideia, uma imagem mental, mágica, daquilo que mais se deseja no momento, seja a resolução de um problema, uma carreira ambiciosa, uma relação amorosa, um emprego.

Se o Mago parece representar a pessoa que coloca as suas próprias questões ao Tarot (o Querente), então essa pessoa está (ou vai entrar) numa fase em que se sente especialmente eloquente e carismática. Tanto na escrita como na oralidade, o Querente sente-se inteligente, espirituoso, inventivo e persuasivo, capaz de convencer qualquer um das suas ideias.

Quando o Mago representa alguém na vida do Querente, pode ser um médico, um cientista, um inventor, um vendedor, ou um vigarista. É sem dúvida alguém como uma personalidade magnética, capaz de convencer os outros de quase tudo (e essa é uma capacidade que pode ser utilizada de muitas formas): para o melhor e para o pior, as suas palavras são mágicas.

Contudo, o significado mais importante do Mago é a “revelação” que ele traz, como num truque de magia. Em vez de tirar coelhos da cartola, o Mago faz surgir ideias inovadoras (e muito!) a partir do nada. “Como é que não me lembrei disso antes?”, poderá interrogar-se o Querente. A verdade é que, tal como o Louco trazia todas as ferramentas na sua trouxa, sem o saber, também o Querente sempre teve consigo esta nova ideia. O Mago limitou-se a revelá-la. O que fará o Querente com esta ideia? A resposta está no próximo Arcano Maior, a Carta nº3, a Grande Sacerdotisa…



O Mago no Baralho Egípcio (Edição Lo Scarabeo, 2006)














O Mago no Baralho Robin Wood (Ed. Llewellyn, 1991)


sexta-feira, 4 de maio de 2007

A Cabala e a Árvore da Vida


O termo Cabala significa, literalmente, “Receber”, e designa uma doutrina mística seguida pelos Judeus Ortodoxos. A sua origem permanece por esclarecer: os historiadores atribuem as suas raízes ao século VI a.C., mas na tradição Judaica Ortodoxa, acredita-se que a Cabala data do tempo de Adão, e constitui uma revelação divina destinada aos homens “de Bem”. Outros estudiosos acreditam que a Cabala ultrapassa, em antiguidade, a própria Revelação Judaica, remontando aos tempos pré-históricos. Segundo esta versão, Moisés teria simplesmente introduzido na história de Israel um conhecimento esotérico há muito existente.

Os princípios cabalísticos incluem a ideia de que Deus não é o Criador directo do Mundo: tudo resulta de uma série de Emanações sucessivas, provenientes da Fonte Primordial. Cada Emanação é menos perfeita que a seguinte, de modo que Deus resulta da primeira, e a Matéria da última, mais remota e menos perfeita das Emanações. “O Universo é Deus manifesto […], a Matéria, a privação de perfeição”. Segundo a Cabala, as almas humanas existiam mesmo antes da origem do mundo actual, num Plano Superior, e é nesse plano que permanecem antes da encarnação e onde é decidido em que corpo terrestre cada alma irá habitar. Após uma ou mais encarnações, todas as almas devem estar purificadas de modo a serem reabsorvidas pelo Deus Infinito. Para tal, uma vida humana é normalmente insuficiente; duas vidas humanas são o necessário para a maioria das almas. Falhar numa segunda vida obriga a uma terceira, na qual a alma é ligada a outra, mais forte, que obriga o “pecador” a purificar-se. Quando todas as almas tiverem encarnado e atingido a perfeição, então os Anjos do Mal serão também purificados, e todas as vidas serão fundidas na Divindade, e o Universo Manifesto deixará de existir.

A Árvore da Vida é um conceito inerente à Cabala, utilizado para compreender a verdadeira natureza de Deus e a forma como Ele criou o Mundo a partir do Nada. Este conceito foi convertido num modelo da Realizado: a Árvore da Vida é entendida como uma espécie de “Mapa da Criação”.

A representação gráfica da Árvore da Vida consiste num diagrama onde estão representados os 10 atributos (ou Sephirot) criados por Deus para manifestar o Universo em termos físicos e metafísicos.




1. Keter: O Infinito

Planeta – Plutão
Corpo humano – Alto da cabeça, coroa
Potencial – Resolver a busca interior, atingir a revelação, a inspiração divina, o Entendimento, a união com o Infinito.




Keter é a coroa da Árvore da Vida, o ponto de assimilação de todo o trabalho espiritual. Representa o plano Divino, o Espírito, a Vontade, a Inspiração. Keter é a origem de tudo, incluindo o que ainda não se manifestou; o objectivo da evolução humana é precisamente estabilizar a consciência colectiva ao nível desta esfera. O triângulo Keter – Hokhmah – Binah representa o equilíbrio de três forças, Amor Espiritual (Binah), Vontade Espiritual (Hokhmah) e o Ser Infinito (Keter), que pode ser comparado à Santíssima Trindade da tradição cristão: Pai, Filho e Espírito Santo.


2. Hokhmah: A Revelação

Planeta - Neptuno
Corpo humano – Face esquerda
Potencial – Desenvolver o sentido de objectivo e de iniciativa, manifestar o plano universal no mundo, génio, lógica, transformação.

Hokhmah, a “Consciência Oceânica”, é a segunda esfera, a Sabedoria para além da Razão, das palavras, a inspiração divina penetrando na nossa percepção: dá acesso a novas ideias, a novas formas de ver o Universo, a novas visões de nós mesmos e dos outros.




3. Binah: A Razão

Planeta – Saturno
Corpo humano – Face direita
Potencial – Desenvolver o auto-controlo, o silêncio, o secretismo, a compreensão imparcial, o amor objectivo.

Binah é o reino do puro entendimento, a componente feminina da divindade. É a primeira esfera do reino transpessoal, onde começa a distinção entre “Bem” e “Mal”; é a inteligência divina que, por caminhos ocultos, se converte em algo de concreto, traduzindo as ideias da Hokhmah em forma, estrutura e palavras.


4. Hesed: A Partilha

Planeta – Júpiter
Corpo humano – Ombro esquerdo
Potencial – Desenvolver o amor profundo, a ternura, a abundância, o respeito, o entusiasmo, o optimismo, a segurança, a confiança, o sucesso, a generosidade, a gratidão, o conhecimento, a aprendizagem.

Hesed representa o desejo de dar, de contribuir com algo de útil para outros, as nossas necessidades espirituais e religiosas, e forma um triângulo com Tifaret e Gevurah: o equilíbrio entre Generosidade (Hesed), Julgamento (Gevurah) e Coração (Tifaret). O desequilíbrio por excesso do Hesed resulta em fraqueza emocional, credulidade, melancolia, vitimização e masoquismo.


5. Gevurah: A Competição

Planeta – Marte
Corpo humano – Ombro direito
Potencial – Utilizar correctamente a Vontade e o Poder, em auto-defesa e confrontação, com coragem, sentido do dever, obediência a uma autoridade superior, e auto-controlo.

Gevurah é a força feminina que contém e canaliza a energia de Hesed, força masculina e energia emissora. Quanto mais se fôr capazes de viver uma vida interior que não depende dos outros para a afirmação de “vitórias pessoais”, mais próximo se está da humildade. A dependência alimenta o orgulho. O desequilíbrio por excesso da Gevurah produz crueldade, perversão, sadismo, dependência do trabalho e desejo de vingança.





6. Tifaret: O Equilíbrio

Planeta – Sol
Corpo humano – Coração
Potencial – Desenvolver a beleza, a harmonia, o equilíbrio, a consciência; devoção ilimitada, cura, liberdade, meditação, realização, renascimento, redenção, transcendência.

Tiferet é o centro da Árvore da Vida, o ponto onde o Reino Mundano encontra o Reino Espiritual, onde a personalidade, no seu percurso de ascensão, primeiro se aventura no reino da Alma, e o espírito, descendente, primeiro se “divide” e se torna físico. No Tiferet, dá-se o encontro com o Eu Superior, e aprende-se a sacrificar os desejos menores. É a integração de uma realidade superior na vida quotidiana.





7. Netzah: O Sentimento

Planeta – Vénus
Corpo humano – Quadril direito
Potencial – Desenvolver talentos artísticos, e a verdadeira comunicação, concentrar-se em escutar os outros; explorar os mistérios da sexualidade; criar harmonia, beleza, charme.

Netzah é o Reino do Sentimento, dos desejos do Ego, mas também da perseverança e da determinação. Netzah (o Sentir) forma, com Hod (o Pensar) e Malkuth (o Corpo), o triângulo do Aqui e Agora, que rodeia o Yesod (o Passado inconsciente, repleto de memórias e condicionamentos).



8. Hod: O Pensamento

Planeta – Mercúrio
Corpo humano – Quadril esquerdo
Potencial – Desenvolver a mente, a linguagem, as capacidades de ensino e aprendizagem, o raciocínio matemático, as tecnologias de informação; experimentação, concentração, visualização, destreza, inventividade, sentido de humor.

Hod é o Reino do Pensamento, da Comunicação, da Razão e da Honestidade. Está ao mesmo nível de Netzah, e é onde se faz a escolha entre ascender ou descer: a forma como lidamos com os nossos pensamentos determina o sentido da nossa evolução.


9. Yesod: A Fundação

Planeta – Lua
Corpo humano – Ventre
Potencial – Descobrir os mistérios dos níveis astrais, trabalhar com os sonhos, sentir os mecanismos ocultos que operam no Universo, ligar ao Plano Divino; fantasia, instinto, memória, mistério, purificação, rejuvenescimento, sedução, transformação.

Yesod é o Passado que carregamos connosco, de modo inconsciente, com todas as memórias que acabam por condicionar os nossos pensamentos e actos no Presente. Yesod é o domínio do conceito budista do “Samsara”: o ciclo contínuo de nascimento e morte, de reafirmação da existência. É no Yesod que as energias vindas do Malkuth são canalizadas para o sephirot mais adequado, Hod (pensamentos) ou Netzah (sentimentos).


10. Malkuth: O Corpo

Planeta – Terra
Corpo humano – Sola dos pés
Potencial – Descobrir o mistério do Mundo Físico, aprender a ser paciente; cura física e vitalidade; ultrapassar a preguiça, cuidar do corpo.

Malkuth é o Domínio Terrestre, assim como Keter é o Domínio Eterno: em cada um há uma semente do outro. Malkuth é o Reino da Terra, do Corpo, das sensações físicas imediatas. É aqui o início, onde a Alma está unida à origem e surge o primeiro desejo de separação, a necessidade de individualização; só no Tifaret, centro da Árvore, voltará a surgir o desejo de reunião à Origem.



Fonte: The Tree of Life