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terça-feira, 18 de setembro de 2007

Transmutação Mental

“A mente, como os metais e os elementos, pode ser transmutada, de estado para estado, de grau para grau, e condição para condição, de extremo para extremo, de vibração para vibração.

A verdadeira Transmutação Hermética é uma Arte Mental.”

in Kybalion


Os estudiosos do Hermetismo terão sido os primeiros alquimistas, astrólogos e psicólogos, que começaram a desenvolver estas áreas de conhecimento a partir dos ensinamentos de Hermes Trismegistus. O seu conhecimento dos saberes que hoje são considerados ciências, como a Astronomia, a Química e a Psicologia, era também vasto para a época, mas a sua sabedoria ia mais além, transcendendo a Astronomia através da Astrologia, a Química da Alquimia, a Psicologia convencional da Psicologia mística.

A Transmutação Mental é uma arte que surgiu de um dos muitos ramos do conhecimento secreto dos Hermetistas. A palavra “transmutação” tornou-se sinónimo da interconversão de metais, particularmente para a obtenção de ouro, mas o seu significado original é "m
udança de uma natureza, forma ou substância, para outra; transformação.”

Assim, Transmutação Mental é a arte de transformar estados, formas e condições mentais. Os seus efeitos, importantes por si só, são apenas o início de algo maior. O Primeiro Princípio Hermético declara que “Tudo é Mente; o Universo é Mental”, o que implica que a Transmutação Mental seja também a arte de alterar as condições do Universo, dando àquele que a pratica não só o poder de controlar o seu estado mental mas também as condições materiais do Universo do qual é parte integrante.

Tudo o que é hoje designado de “fenómeno psíquico” ou “influência mental” (como as técnicas de visualização sugeridas em muitos livros de auto-ajuda) funciona nestas linhas gerais. Independentemente do nome que se lhe dê, tudo se resume ao Primeiro Princípio Hermético. No entanto, a prática da Transmutação Mental envolve muito mais do que a simples visualização de um desejo que se pretende concretizar. É necessário conhecer os Princípios Herméticos para saber como utilizá-los: os efeitos de um Princípio podem ser anulados apenas com a aplicação de outro Princípio que lhe seja superior.

“Para alterar o seu estado de humor, altere a sua vibração.”

Porque tudo é mental, tudo é energia, tudo vibra (Terceiro Princípio Hermético). Uma pessoa pode tentar irritar-nos, mas não nos pode forçar a perder as estribeiras: somos NÓS que temos o controlo das nossas reacções, independentemente dos estímulos exteriores. As energias “negativas” (ódio, inveja, ciúme…) são estados de vibração de baixa frequência. Para alterarmos o nosso estado de humor, temos de elevar o nosso nível de vibração mental. Mas como fazê-lo?

“Para destruir um nível de vibração mental indesejável, utilize o Princípio da Polaridade e concentre-se no extremo oposto daquilo que deseja suprimir. Elimine o que é indesejável alterando a sua polaridade.”

É então possível dominar a nossa vibração mental pela aplicação do Princípio da Polaridade: no caso em que alguém tenta irritar-nos, devemos então saber que ira e serenidade são os dois extremos de uma mesma coisa, como amor e ódio, alegria e tristeza. Sabendo isso, compreendemos que podemos passar da ira à serenidade se for essa a nossa vontade consciente. E fazêmo-lo, por muito que a outra pessoa se esteja a esforçar por nos irritar. Do mesmo modo um sentimento negativo pode ser contagioso: uma pessoa de mau humor irrita-se com outra, que por sua vez fica irritada com a reacção da primeira e vai “descontar” no próximo que lhe aparecer à frente. E assim sucessivamente. Polaridade e vibração são elementos essenciais na arte da Transmutação Mental. Experimente e verá! ;-)

Fonte: Kybalion

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Os Sete Princípios Herméticos

I. Princípio do Mentalismo

“Tudo é Mente. O Universo é Mental.”

Este Princípio mostra que toda a Realidade Substancial inerente a todas as manifestações e aparências exteriores que conhecemos como o universo material, o fenómeno da Vida, a matéria e a energia – em suma, tudo o que é sensorialmente perceptível -, tudo isso é Espírito, em si próprio impossível de conhecer ou de definir, mas que pode ser imaginado como uma mente viva, infinita, universal. O Princípio do Mentalismo explica também que todos os fenómenos observáveis são simplesmente criações mentais do Tudo, sujeitas às Leis das Coisas Criadas, e que o Universo existe na mente do Tudo, e é aí que vivemos a nossa existência.

Deste Princípio deriva a explicação de toda uma variedade de fenómenos mentais e psíquicos aparentemente incompreensíveis que desafiam qualquer tratamento científico. A sua compreensão permite ao indivíduo entender o funcionamento das grandes Leis Mentais, e a sua aplicação inteligente com vista ao bem-estar e aperfeiçoamento: Energia, Poder, Matéria são subordinados do Domínio da Mente.


II. Princípio da Correspondência

“Em cima como em baixo, em baixo como em cima."



Este Princípio incorpora a verdade de que existe sempre correspondência entre as leis e fenómenos dos vários planos de Existência. A sua compreensão permite solucionar muitos paradoxos e segredos da Natureza, e entender o funcionamento de outros planos que estão habitualmente fora do âmbito do nosso conhecimento. Os antigos Hermetistas consideravam este Princípio como um dos mais importantes instrumentos disponíveis ao Homem para “espreitar” o Desconhecido. Assim como os princípios da Geometria permitem medir os movimentos de corpos celestes distantes, a partir de um simples observatório na Terra, também o Princípio da Correspondência proporciona a capacidade de deduzir com inteligência o Desconhecido a partir do Conhecido.


III. Princípio da Vibração

“Nada está em repouso; tudo se move; tudo vibra.”



Este Princípio incorpora a verdade de que tudo está em movimento permanente, em vibração. Este é um facto sustentado pela Física Moderna, comprovado a cada nova descoberta científica, e no entanto já havia sido enunciado há milhares de anos, pelos Mestres do Antigo Egipto. Este Princípio explica ainda as diferenças entre Matéria, Energia, Mente e Espírito, resultado em larga medida de diferentes graus de vibração. Desde o Tudo, que é Puro Espírito, até à forma mais grosseira de Matéria, tudo vibra: quanto mais elevada a frequência de vibração, mais elevada a posição na escala. O Espírito vibra com tal intensidade que parece estar em repouso; o mesmo sucede com alguma Matéria, cujo movimento é tão lento que parece de facto ter cessado. Entre estes dois pólos, existem milhares de milhões de diferentes graus de vibração, desde o electrão, o átomo e a molécula, até mundos e universos. Isto também é válido nos diferentes planos de Energia e Força, e nos Planos Mentais e até Espirituais.

O domínio deste Princípio permite ao estudante de Hermetismo controlar as suas próprias vibrações mentais e as dos outros que o rodeiam. Os Mestres podem aplicar este Princípio para controlar fenómenos naturais de várias formas. Aquele que compreende o Princípio da Vibração, tem nas mãos o ceptro do poder”.


IV. Princípio da Polaridade

“Tudo é Dúplice. Tudo tem dois pólos. Tudo tem o seu par de opostos. Semelhante e diferente são o mesmo. Opostos têm a mesma natureza, mas em graus diferentes. Os extremos tocam-se. Todas as verdades são apenas meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados.”

Este Princípio incorpora a verdade de que “Tudo é dúplice”, explicando que tese e antítese são o mesmo, que tudo tem dois lados, etc. Isto explica que tudo tem dois pólos, ou aspectos opostos, e que esses “opostos” são na realidade dois extremos de uma mesma coisa, com muitos graus de variação pelo meio. Um bom exemplo disso é a temperatura. Frio e Quente são opostos, mas não é possível olhar para o termómetro e definir onde começa um e acaba o outro! Os termos “frio” e “quente” indicam apenas graus diferentes de uma mesma coisa, que pode ter muitos graus de vibração diferentes entre estes dois extremos. O mesmo se aplica à “Luz” e à “Escuridão”, que são dois pólos de um mesmo fenómeno. E qual a diferença entre “Grande” e “Pequeno”? “Alto” e “Baixo”? “Positivo” e “Negativo”?

O Princípio da Polaridade explica estes paradoxos, e nenhum outro se lhe sobrepõe. O mesmo se aplica ao Plano Mental. Consideremos o exemplo extremo de “Amor” e “Ódio”, dois estados mentais aparentemente diferentes. E no entanto existem vários graus de Ódio, e também de Amor, e um ponto intermédio no qual usamos termos como “Gostar” ou “Não Gostar”, ou ainda “Nem um nem outro”. São apenas diferente graus de um mesmo sentimento. O que interessa aos Hermetistas é a possibilidade de fazer variar as vibrações do Ódio no sentido das vibrações do Amor, na sua mente e na mente dos outros. Muitas pessoas já sentiram esse tipo de mudança vibracional, de Ódio a Amor e vice-versa. Pois essa mudança pode também ocorrer através do uso da Vontade. Bem e Mal são também pólos de uma mesma coisa, e o Hermetista compreende e pratica a arte de transmutar Mal em Bem, por aplicação do Princípio da Polaridade.


V. Princípio do Ritmo

“Tudo flui, para fora e para dentro. Tudo tem as suas marés. Todas as coisas ascendem e caem. O movimento pendular manifesta-se em tudo: a medida do movimento para a esquerda é a medida do movimento para a direita. O ritmo compensa.”


Este princípio incorpora a verdade de que em tudo o que existe há um movimento de e para, vai e vem, tipo pêndulo. Esse movimento ocorre entre os extremos descritos pelo Princípio da Polaridade. Há sempre uma acção e uma reacção, avanço e retrocesso, ascensão e queda. Isto acontece no Universo, nas estrelas, e mundos, nos seres humanos e nos animais, na Mente, na Energia e na Matéria. Esta lei manifesta-se na criação e destruição das nações, na vida de todas as coisas, e finalmente nos estados mentais do Homem. Os Hermetistas compreenderam este Princípio, verificaram a universalidade da sua aplicação, e encontraram certas formas de ultrapassar os seus efeitos em si próprios, através do uso de fórmulas e métodos apropriados. Para tal é utilizada a Lei Mental da Neutralização. O Princípio em si não pode ser anulado, mas é possível escapar aos seus efeitos sabendo USÁ-LO, em vez de SER USADO. O Mestre consegue, por força da sua própria Vontade, polarizar-se ao ponto de desejar estar parado, neutralizando o movimento pendular que o levaria para o outro extremo. O domínio da Lei Mental da Neutralização permite atingir um grau de firmeza mental quase impossível de conceber pela generalidade das pessoas, que se vê constantemente “levada pela maré”.


VI. Princípio da Causa e Efeito

“Toda a Causa tem o seu Efeito; todo o Efeito tem a sua Causa; tudo acontece de acordo com a Lei. O “acaso” é apenas um nome para a falta de reconhecimento da Lei; existem muitos planos de causalidade, mas nada escapa à Lei.”


Este Princípio incorpora o facto de que nada acontece por “acaso”, não há Sorte nem Coincidência. Embora existam vários planos de Causa e Efeito, sendo que os planos superiores dominam os inferiores, nada escapa totalmente à Lei. Os Hermetistas compreendem a arte e os métodos para se elevaram mentalmente acima do plano vulgar de Causa e Efeito, até certo ponto. Ao fazê-lo, tornam-se Causadores em vez de Efeitos. A restante massa humana deixa-se levar, obediente ao meio envolvente, deixando que os desejos e vontades dos outros se sobreponham aos seus. A hereditariedade, a sugestão e outras causas externas convertem as pessoas em peões no jogo de xadrez da Vida. Mas os Mestres, elevando-se ao plano superior, dominam as suas emoções, qualidades e poderes, bem como o ambiente que os rodeia, e transformam-se de peões em jogadores. Os Mestres obedecem às Causas dos planos superiores, mas ajudam a comandar as Causas e Efeitos do seu próprio plano.


VII. Princípio do Género

“O Género está em tudo. Tudo tem um Princípio Masculino e um Princípio Feminino. O Género manifesta-se em todos os planos”.


Este Princípio incorpora a verdade de que existem Princípios Masculino e Feminino em tudo o que existe, tanto no Plano Físico como nos Planos Mental e até Espiritual. No Plano Físico, este Princípio manifesta-se através do sexo. Nos planos superiores, assume formas mais elevadas mas igualmente válidas. Nenhuma criação física, mental ou espiritual é possível sem este Princípio, que funciona na direcção da geração e regeneração. Todas as pessoas contêm em si os Elementos Feminino e Masculino, e nessa verdade estão contidas as soluções para muitos dos mistérios da Vida.


Fonte: The Kybalion (1908)

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Hermetismo - Introdução ao Kybalion

"Os lábios da Sabedoria estão fechados,
excepto para os ouvidos do Entendimento"
in Kybalion

O Hermetismo é um conjunto de crenças filosóficas e religiosas com milhares de anos, cuja autoria se atribui a Hermes Trismegistus (Hermes “Três Vezes Grande”). Esta é uma personagem envolta em mistério, cuja existência real ou mitológica ainda hoje não foi esclarecida. Pensa-se que terá sido uma figura introduzida na mitologia grega como resultado da “fusão” de duas divindades: o grego Hermes e o egípcio Toth. Esta união de entidades divinas teria surgido da necessidade de juntar as capacidades comunicativas do Deus Hermes à sabedoria do Deus Toth, originando uma divindade que reunia em si todo o conhecimento astrológico e alquímico.

Na tradição grega, e mais tarde também na romana, Hermes Trimegistus permaneceu uma figura independente de Hermes, o mensageiro dos Deuses. Cícero refere vários indivíduos com o nome de Hermes:

“O quinto, […], diz-se que matou Argos, e por isso fugiu para o Egipto, tendo oferecido a esse povo as suas leis e alfabeto. É ele a quem os Egípcios chamam Theyn [Toth]”

Cicero in De natura deorum III, 22, 56

O mitógrafo Euhemerus descreveu Hermes Trimegistus como sendo o filho do Deus, e na tradição cabalista esta figura terá sido contemporânea de Moisés, pregando a sua sabedoria e um grupo de seguidores.

A literatura hermética reuniu as práticas egípcias de conjuração de espíritos e animação de estátuas aos escritos astrológicos greco-babilónicos, e à recém-criada Alquimia. Paralelamente, a filosofia hermética racionalizou e sistematizou a prática religiosa, oferecendo aos seus adeptos um método de ascensão pessoal capaz de proporcionar evasão às restrições do ser físico.

Enquanto fonte divina de conhecimento, foram atribuídos a Hermes Trismegistus dezenas de milhares de obras, tidas por serem muitíssimo antigas. Platão refere que no templo de Neith existiam corredores secretos contendo registos históricos de há 9000 anos. Clemente de Alexandria acreditava que os Egípcios possuíam 42 livros sagrados de Hermes, onde estavam reunidos todos os ensinamentos utilizados na preparação dos sacerdotes egípcios.

O Kybalion foi publicado pela primeira vez em 1908, por um grupo auto-intitulado “Os Três Iniciados”, e contém, segundo os seus autores, a essência dos ensinamentos de Hermes Trismegistus. Na introdução pode ler-se:


“Não há porção dos ensinamentos ocultos existentes no mundo que tenha sido mais
bem guardada do que os fragmentos dos Ensinamentos Herméticos […] desde o tempo do seu fundador, Hermes Trismegistus, o “escriba dos deuses”, que deambulou pelo Antigo Egipto nos dias em que a actual raça humana se encontrava ainda na sua infância. Contemporâneo de Abraão e, se as lendas forem verdadeiras, instrutor desse venerável sábio, Hermes foi e é o Grande Sol do Ocultismo, cujos raios têm servido para iluminar inúmeros ensinamentos que têm vindo a ser promulgados desde o seu tempo. Todos os fundamentos presentes nos ensinamentos esotéricos de todas as raças podem ser atribuídos a Hermes.


“A obra de Hermes parece ter tido o objectivo de plantar uma semente – a Verdade –, que se desenvolveu e floresceu em formas tão diversas, em vez de se estabelecer como uma única escola filosófica dominante. Apesar disso, as verdades originais ensinadas por ele têm sido mantidas intactas na sua pureza original por um pequeno grupo de pessoas que, em cada época, recusaram grande número de estudantes e seguidores imaturos, seguindo o costume hermético de reservar a Verdade apenas para os poucos que estariam realmente prontos a compreendê-la e a dominá-la.”

“Neste pequeno trabalho empenhamo-nos em transmitir uma ideia do que são os ensinamentos fundamentais do Kybalion. […] Se fores um verdadeiro estudante, saberás trabalhar e aplicar estes Princípios. Se não, terás de evoluir para te tornares num, caso contrário os Ensinamentos Herméticos nunca passarão de meras palavras.”

Os Três Iniciados, in Kybalion (1908)


Este é apenas o primeiro de uma série de posts sobre os Princípios Herméticos apresentados pelo Kybalion. O próximo será partilhado brevemente!