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domingo, 12 de dezembro de 2010

O Inv/ferno de Perséfone

Perséfone era filha de Zeus, rei dos Deuses, e de Deméter, deusa da Fertilidade. 
A sua mãe manteve-a sempre longe do Monte Olimpo e dos deuses que a desejavam (Hermes, Ares e Apolo), escondendo-a entre o mundo natural onde Perséfone cresceu bela e inocente. Certa vez estava Perséfone colhendo flores quando Hades, deus do Mundo Inferior, irrompeu por uma fenda na terra e levou Perséfone para os seus domínios. Desesperada com o súbito desaparecimento da filha, Deméter deixou de lado os seus deveres de guardiã da fertilidade e passou a deambular pelo mundo buscando a desaparecida Perséfone. O mundo natural perdeu a sua vitalidade e a fome e a escassez propagaram-se indiscriminadamente. Zeus decidiu então intervir, exigindo a Hades que devolvesse Perséfone a sua mãe. Havia no entanto um senão: Hades tinha convencido Perséfone a comer algumas sementes de romã, e pelas leis das Moiras (as 3 irmãs que decidiam o destino de deuses e homens), quem quer que se alimentasse no Mundo Inferior era obrigado a lá permanecer para sempre. Para cumprir com a vontade das Moiras e simultaneamente restituir a fertilidade à Terra, ficou então acordado que dali em diante Perséfone passaria uma parte do ano com Hades e outra parte do ano com Deméter. E foi assim que Perséfone se tornou a Deusa do Mundo Inferior, responsável pela sucessão das estações do ano, nas quais a Terra produz ou repousa.

A passagem de Plutão por Capricórnio tem-me relembrado o rapto de Perséfone. Plutão (identificado mitologicamente com Hades) traz consigo um profundo impulso para a transformação, e tudo o que toca é forçosamente purificado por uma viagem ao reino das Sombras interiores antes que possa voltar a encontrar algum tipo de Luz. Neste momento, os nativos de Capricórnio (sobretudo os que nasceram na última semana doano) sentir-se-ão como Perséfone, “arrancados” à identidade que foram construindo ao longo de muito tempo (o mundo natural gerido por Deméter) para uma inesperada viagem por aquilo que sempre recusaram aceitar em si próprios (o seu Mundo Inferior muito pessoal). Suponho que para o “capricorniano médio” isso implique revisitar os alicerces menos sólidos da sua estrutura identitária. Aquelas pequenas coisas que preferimos “varrer para debaixo do tapete”, por considerarmos indignas da nossa solidez mental e/ou inapropriadas para a nossa segurança emocional e/ou intoleráveis pelos nossos valores morais e/ou desadequadas aos nossos projectos de vida. Enquanto Perséfone é mantida no reino de Hades nada floresce, nada é produzido, e por isso também para quem de momento está sob o efeito da conjunção de Plutão ao Sol natal parece que nada avança exteriormente, ainda que a um nível mais profundo tudo esteja em ebulição.

O nosso Eu terá sido simbolicamente raptado por Hades, e onde antes tínhamos certezas encontramos agora apenas dúvidas. Os aspectos da vida em que isso será mais evidente podem ser encontrados na casa onde se encontra o Sol de cada capricorniano. É nessa casa que estabelecemos a sede do nosso ego, são esses temas as matérias-primas essenciais com que sempre construímos os alicerces da nossa identidade. Que combustível tem alimentado o motor da vossa revolução interior, meus bravos companheiros capricornianos? Problemas financeiros? Dificuldades de relacionamento com familiares próximos, ou com amigos? Desilusões amorosas? Se tiverem Mercúrio antes do Sol, a vossa mente racional irá preceder o vosso ego na descida aos Infernos de Hades, e talvez isso ajude a compreender melhor o que se está a passar. Sim, fomos raptados. Não, não é o fim do mundo.“Aquilo que o Casulo diz ser o Fim, o resto do Mundo chama Borboleta” (Lao Tzu).

Um detalhe do mito de Perséfone pode inspirar-nos. Hades deu-lhe a comer sementes de romã, o fruto que desde a Antiguidade simboliza o conhecimento esotérico mais secreto. Ainda que potencialmente dolorosa e certamente catártica, esta imersão nos aspectos mais sombrios do nosso ser dar-nos-á conhecimento precioso que em circunstâncias normais nos é inacessível. Conhecimento sobre nós, sobre a verdadeira natureza da nossa interacção com os outros e com o mundo.

O que realmente nos move nos nossos sonhos, nas nossas conquistas e derrotas? Que alicerces são fundamentais à nossa estrutura interna? Em que pilares falsos nos temos vindo a apoiar inconscientemente, negligenciando o caminho que a nossa Alma escolheu percorrer nesta Vida? Este é o conhecimento secreto com que nos podemos alimentar durante o “cativeiro”, durante os longos meses de Inverno que atravessamos. Quando finalmente regressarmos à superfície, não mais seremos os mesmos. E, como Perséfone, voltaremos a repetir a viagem ao Mundo de Hades de quando em vez, sempre que as respostas superficiais não forem suficientes para saciar as inquietações que irão surgindo na construção do nosso Eu. É que as sementes da romã (como as do conhecimento secreto de nós mesmos) são deliciosas, e quando aconchegadas na Terra sob a luz do Sol podem gerar árvores vigorosas, belíssimas flores e magníficos frutos.

sábado, 22 de março de 2008

Ostara - O Equinócio Vernal


"Wake up, wake up
from Your long, wintry slumber,
Lady,
You are blossoming
and Your fertility beckons to the young Warrior.
You are newly sprung,
Like a rose, and long for His touch,
You are butterfly and bud.

On this Equal Night
Your passion is renewed,
Life is growing all around You,
Vines run wild through Your hair,
Grasses and flowers encircle You in love,
And the forest's creatures gather in joy of Your return."


Corcha Mayve Moondancer


O Ostara é o sabbat neo-pagão que celebra o equinócio de Primavera. O termo remonta a Jacob Grimm, que na sua obra sobre mitologia germânica especula sobre a deusa teutónica Ostara (no original, Oestre ou Eastre), senhora da Aurora, da fertilidade, alegria e renovação. Não estando relacionado com nenhuma festividade tradicional em particular, o Ostara reúne vários símbolos associados às comemorações ancestrais do início da Primavera, como o ovo e o coelho (animal que sempre acompanha Ostara pela sua reconhecida capacidade reprodutiva).

Na Wicca, o Ostara celebra a reunião da Deusa-Mãe ao Deus-Sol, que é simultaneamente seu filho e seu amante, e que passou os meses de Inverno no reino da Morte. A Deusa-Mãe torna-se de novo Virgem, e o Deus-Sol que nasceu no Yule (solstício de Inverno) é agora jovem e pleno de energia criadora. Celebra-se aqui o casamento sagrado entre os dois, que daqui a 9 meses produzirá o renascimento do Sol (precisamente no próximo Yule).

Este é o momento para dar as boas-vindas à Primavera, ao renascimento da Natureza, e à abundância do Verão que se adivinha. A luz e a escuridão encontram o equilíbrio perfeito, mas é a luz que está cada vez mais forte de dia para dia. Também as energias masculina e feminina, yin e yang, estão agora equilibradas. É altura de pensarmos na nossa própria renovação, dos nossos pensamentos, sonhos e aspirações, das nossas relações. Pode ser uma boa oportunidade para começar algo inteiramente novo, ou para revitalizar completamente o que já existia.

Vários são os rituais neo-pagãos reservados ao Ostara. Incluem o atear de fogueiras na aurora para pedir a protecção das colheitas, tocar sinos e decorar ovos cozidos. Há ainda a famosa “limpeza de Primavera” para pôr ordem na casa, que muitos neo-pagãos encaram mais do que uma simples tarefa física: é um esforço para “deitar fora” os sentimentos negativos acumulados nos últimos meses, preparando o lar para a Primavera e o Verão.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Imbolc - A Festa de Brigid


"I honor Thee, Maiden, most blessed Bride
As your candle burns through this night
And thank you for the renewed life you offer us all
As you emerge from the dark to the light."



Excerto de um ritual de Imbolc, por Akasha



O Imbolc é um festival de origem celta que se comemora no meio do Inverno. A data mais consensual varia entre 1 e 2 de Fevereiro, mas algumas correntes do revivalismo celta acreditam que se deva celebrar na primeira Lua Cheia em Aquário (este ano, em 22 de Janeiro), ou na noite em que o Sol atinja os 15 graus desse signo (4 de Fevereiro). O termo Imbolc (pronuncia-se IM-bulk ou EM-bowlk) deriva de “oimelc”, que em Gaélico significa “leite de ovelha” (nesta altura começam a nascer as primeiras crias do ano).

Com origens irlandesas, este Sabbat é dedicado à Deusa Brigid, a guardiã do fogo sagrado que no início de Fevereiro traz à Natureza os primeiros sinais da Primavera que se adivinha. É o momento certo para comemorar o retorno do Sol acendendo velas em todas as divisões da casa, e pedir bênçãos para as sementes e ferramentas agrícolas. A tradição cristã associa-o a Nossa Senhora das Candeias. É ainda um festival muito comemorado na Irlanda, onde várias tradições se têm mantido ao longo dos tempos. Diz-se que na noite do Imbolc a deusa Brigid caminha sobre a Terra, por isso cada membro de uma família deve deixar uma peça de roupa do lado de fora da porta, para que Brigid o abençoe. O chefe da família acende uma fogueira, cujas brasas são depois aplanadas. Na manhã do dia seguinte, as cinzas são observadas em busca de algum sinal de que Brigid tenha por ali passado. Outra tradição do Imbolc é simbolizada pelo arado. Em algumas regiões anglo-saxónicas, este é o primeiro dia em que a terra deve ser arada para preparar a sementeira. Um arado decorado é levado de porta em porta por crianças disfarçadas que pedem comida, bebida ou dinheiro (terá origem no Imbolc o trick-or-treat que hoje se observa no Halloween), e que prometem arar os jardins daqueles que se mostrarem mais avarentos. O arado pode ainda ser “baptizado” com whiskey, e deixado ao ar livre com pedaços de pão e queijo como oferenda aos espíritos da Natureza.

Na Wicca, Brigid é a Deusa Mãe, que agora a alimenta o Filho-Sol a quem recentemente deu à luz (no Yule). No entanto, ela voltou também a ser virgem e deambula no Mundo Subterrâneo, preparando-se para devolver a fertilidade e a abundância à terra. As celebrações neo-pagãs do Imbolc servem por isso como um convite à Deusa, para que volte a viver no nosso Mundo e sobre ele espalhe as suas bênçãos. Esse convite pode ser feito por uma pessoa só ou por um coven, com velas acesas, fogueiras, cânticos, danças ou oferendas. Este é o momento certo para reacordar o espírito que se deixou adormecer pelo Inverno, purificando-o e iniciando-o nas práticas wicca ou reafirmando a sua ligação à Deusa e ao Deus.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Yule - O Solstício de Inverno

In ancient days the folk of old
When chilled with fright by winter's cold
Did kindle up a great Yule fire
With leaping flames in its great pyre;

So to entice the waning sun
To rise again and wider run;
It's fiery course across the sky,
To warm them so they would not die.

So we, whose minds now sense a chill
Of anger in the evil will,
The human conflict, hate, and strife,
Which hold a menace over life;

Would kindle up a flame of love
That we within our hearts may move,
In Yuletide joy, with love embrace
And thus abide in peace and grace.


in Yule Fires, John G. MacKinnon


O termo Yule terá tido origem na palavra islandesa Jōl, designação de um festival pagão germânico celebrado durante 12 dias em torno do solstício de Inverno. Jōl significa “roda”, em referência ao ciclo anual de sucessão das estações. Este é o Sabbat que assinala o renascimento do Deus-Sol, após a noite mais longa do ano.


Embora existam muitas lendas pré-cristãs acerca do Yule, poucas revelam detalhes da sua prática pelos povos nórdicos, embora seja consensual que se tratava de uma ocasião muito festiva. De acordo com Adam de Bremen, os reis Suecos sacrificavam escravos a cada nove anos, durante o Yule, no templo de Uppsala. Estes festejos invernais permaneceram em uso na Islândia durante a Idade Média, mas a chegada dos Protestantes (que não viam a festa com bons olhos) veio prejudicar a continuação da tradição.


Um escritor inglês medieval relata que os missionários cristãos enviados para evangelizar os povos germânicos do Norte Europeu tinham instruções para introduzir temas cristãos nas festas pagãs, mantendo-as no seu aspecto cultural mas mutando-as no seu cariz religioso. Assim terá nascido o Natal, criado a partir de histórias que associavam o nascimento de Jesus de Nazaré ao Yule (um pouco como terá sucedido com o Samhain e o Dia de Todos-os-Santos). A ideia de associar o nascimento de Cristo ao Solstício de Inverno terá sido igualmente influenciada pela Saturnália, o maior festival público da Roma pré-cristã, que de um dia (17 de Dezembro) se tornou numa semana de folia (até 23 de Dezembro) em honra de Saturno.


Muitos dos símbolos que hoje associamos ao Natal derivam do Yule nórdico:


O tronco de Natal (Yule log)

No Yule dos povos germânicos antigos, o Deus Thor seria uma das figuras centrais. Thor, senhor dos trovões, era também associado ao carvalho, e por isso seria costume utilizar um tronco de carvalho como forma de venerar a divindade. O tronco, escolhido no Solstício de Inverno do ano anterior, era decorado com pinhas e agulhas de pinheiro. Pequenos pedaços de papel contendo os desejos para o novo ano eram introduzidos na folhagem, o tronco era queimado durante o Yule e as suas cinzas preservadas, pois dizia-se que possuíam propriedades mágicas.


Algures entre os sécs. XVIII e XIX, o tronco de Natal tornou-se numa apreciada sobremesa originalmente confeccionada por pasteleiros franceses, e é este o formato pelo qual melhor o conhecemos.


A árvore de Natal (Yule tree)


As árvores, como o tronco do Yule, estiveram sempre associadas à veneração do Deus Thor, em especial durante o Solstício de Inverno. Mas é a S. Bonifácio que a tradição atribui a criação da primeira árvore de Natal. Bonifácio, um missionário cristão, terá derrubado o Carvalho de Thor em Geismar, deixando que um jovem abeto se desenvolvesse junto às raízes da árvore morta. Para Bonifácio o abeto tornou-se um símbolo do triunfo do Cristianismo sobre as crenças pagãs, e mais tarde seria Martinho Lutero o primeiro a colocar luzes na árvore de Natal.


O azevinho (holly) e o visco (mistletoe)


O azevinho era, para os druidas, a planta mais sagrada, aquela que governava sobre o Inverno e o seu solstício. Os romanos pré-cristãos consideravam-no símbolo de Saturno, celebrado precisamente na Festa do Sol a 25 de Dezembro. Quanto ao visco, os seus frutos surgem por volta do Solstício de Inverno, e seriam também utilizados nos rituais celtas. Mais tarde surgiu o costume, de origem britânica, que sentencia que duas pessoas que se encontrem debaixo do visco devem beijar-se.



O Neopaganismo moderno celebra o Yule como o final das noites escuras e frias, das trevas da morte e da estagnação. Aqui é possível estabelecer um paralelismo muito próximo com o Natal cristão: assim como a Deusa-Mãe dá à luz a Criança Divina, o Deus-Sol que fará voltar os dias longos, o calor e a vida à Terra adormecida, também a Virgem Maria fez nascer Jesus, o Messias que veio iluminar a Humanidade com a sua palavra divina. Independentemente daquilo em que acreditamos (ou dos nomes diferentes que pretendem distinguir coisas na realidade muito semelhantes), este é sem dúvida um momento de alegria e esperança: a Luz está já a caminho, e com ela dias melhores virão!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Samhain - A Noite dos Mortos

The night is coming the veil is thin
Hear their voices within the winds.

Light the fires and chant out loud,
Feel them walk within the crowd.

The summer is gone
and winter draws near
The veil will open,
welcome them without fear.

Our loved ones past will soon be among our place,
See the veil thinning and you will see their face.

Embrace the night and let your magic be known,
The truth that is here will soon be shown.

Enjoy this time celebrate the worlds within your rites,
The veil is once again thinning, it is again Samhain Night


Samhain Night, de Starrfire Price


Ao pôr-do-Sol do dia 31 de Outubro tem início o Samhain (em inglês pronuncia-se SOW-in, SAH-vin ou SAM-hayne, e significa “Fim do Verão”) uma celebração muito especial da 3ª e última colheita agrícola. A metade do ano dominada pelo Inverno e o Ano Novo celta começam neste Sabbat. Muitas culturas em todo o mundo comemoram o seu Dia dos Mortos nesta data, mas o Samhain da tradição pagã teve origem nos celtas que em tempos habitaram as Ilhas Britânicas. A cultura norte-americana conhece-o por “Halloween”, a Noite das Bruxas, mas é muito mais do que isso: é um momento mágico em que as leis do tempo e de espaço são temporariamente suspensas, e é levantado o véu que separa os mundos.

Na Europa pré-cristã, esta altura do ano marcava o início dos meses de frio e de pouca fartura. Os rebanhos eram recolhidos a abrigos de Inverno, mas alguns animais eram abatidos para que a sua carne servisse de alimento até à Primavera seguinte. Além da sua importância agrícola, os Celtas encaravam o Samhain como um momento muito espiritual: a meio do período que separa o Equinócio de Outono do Solstício de Inverno, os povos antigos atribuíam-lhe grandes poderes de magia e comunhão com os espíritos. O “véu entre os mundos” dos vivos e dos mortos estava, nesta altura, tão fino quanto possível, pelo que era o momento oportuno para convidar os mortos a regressarem para junto dos seus entes queridos ainda vivos. A reunião era comemorada com uma mesa farta, onde sobravam cadeiras para os “convidados invisíveis”, e executavam-se rituais para apaziguar os espíritos e comunicar com o outro mundo. Outras práticas que encontravam no Samhain um momento propício eram a divinação e os pedidos de desejos para o ano novo.



São inúmeras as tradições associadas ao Samhain, e que ainda hoje se praticam:

- Oferecer de comida em altares ou degraus, para alimentar os mortos que nessa noite vagueiem entre nós

- Acender velas às janelas, para ajudar a guiar até casa os espíritos dos antepassados.

- Acender fogueiras que vão conter a energia do Deus morto, iluminar a escuridão da noite, afastar o mal, receber a luz do Ano Novo e purificar o espaço ritual ou o lar.

- Enterrar maçãs à beira das estradas para dar algum conforto aos espíritos que se perderam ou que não têm descendentes que olhem por eles.

- Esvaziar e esculpir abóboras, dando-lhes uma cara alegre de espíritos protectores para que velem pelos vivos nesta noite de magia e caos.

- Não viajar nesta noite; vestir de branco, com disfarces ou roupas do sexo oposto, para enganar os pequenos espíritos que andam à solta a pregar partidas.


Entre a comunidade neo-pagã, o Samhain assume uma grande importância, embora as actividades desenvolvidas nesta noite sejam bastante diversas. Muitos utilizam o tarot ou as runas, outros realizam rituais de homenagem aos mortos e convidam-nos para partilhar da sua refeição onde não faltam as maçãs, o milho, os pratos de carne, as sobremesas com abóbora, a sidra. Há ainda lugar para a meditação, a visualização e a projecção astral.

Em 2007, o Samhain lunar ocorre em 9 de Novembro, com a presença da Lua Nova em Escorpião. Esta é a Lua Negra, que traz consigo um enorme potencial de transformação, de morte e renascimento, de contacto com as emoções do inconsciente e com tudo o que está para além da realidade palpável. É em Escorpião que o Deus-Sol morre, simbolicamente, para voltar a nascer do ventre da Deusa-Mãe no Solstício de Inverno (Yule). Este ciclo perpétuo é essencial à regeneração da terra após as colheitas, e do ser humano, que tem aqui uma boa oportunidade de meditar sobre si mesmo, transformando o velho ego (o Sol que "morre") num novo ego que incorpora já as experiências vividas no último ano e abandona velhos paradigmas que já não são úteis à evolução da alma.


Este é o tempo de reflectir sobre a sua própria mortalidade. Aproveite!


Fontes: The Celtic Connection, The Witches Way, Witchvox

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Registos Akáshicos

"A maldade fala gritando; a bondade, num sussurro"

Provérbio Tibetano

Os Registos Akáshicos, também chamados “O Livro da Vida”, são um conceito teosófico que consiste no conjunto de todo o conhecimento místico, existente num plano de existência não material. O termo Akasha é a palavra sânscrita para "céu", "espaço" ou "éter". Os Registos funcionam como uma espécie de “super-computador universal”, que contém todo o conhecimento do Cosmos, incluindo a experiência humana. Como tal, estão em permanente actualização. Todo o ser vivo e não vivo contribui para estes Registos, e por isso pode ter acesso a eles. Qualquer ser humano pode tornar-se num meio físico de acesso aos Registos ao atingir o estado mental necessário, o que pode ser conseguido através de várias técnicas espirituais como yoga, pranayama, meditação, oração e visualização.

Os Registos Akáshicos contêm toda a história de todas as almas desde o início da Criação, e neles é possível encontrar a génese de todos os arquétipos e mitos que alguma vez ficaram marcados indelevelmente no comportamento e na experiência do Ser Humano. São uma fonte permanente de inspiração, de sonhos e invenções, gerando impulsos de atracção e repulsa entre as pessoas.

O conceito ao longo dos tempos

Na Antiguidade, o nome de uma pessoa era simbólico da sua existência. No Egipto, eliminar um nome de um registo equivalia a fazer desaparecer a existência de uma pessoa! É possível encontrar informação sobre os Registos Akáshicos no folclore, na mitologia e nos Antigo e Novo Testamentos. Esses relatos remontam até aos povos Semíticos, e incluem os Árabes, os Assírios, os Fenícios, os Babilónios e os Hebreus. Cada um destes povos alimentava a crença na existência de algum tipo de “escrituras celestiais” onde estaria registada toda a história da Humanidade, assim como todo o tipo de informação espiritual.

Na Bíblia, a primeira referência (indirecta) aos Registos Akáshicos encontra-se no Êxodo 32:32. Depois de o povo de Israel ter cometido o pecado de adorar o bezerro de ouro, Moisés intercedeu a seu favor, oferecendo-se perante Deus para assumir toda a responsabilidade e ver o seu nome riscado “do Teu livro que Tu escreveste”. Mais tarde, no Salmo 139, David faz referência ao facto de Deus ter escrito tudo sobre ele e a sua vida – até mesmo as suas imperfeições, e aquilo que ainda não fez.



Para muitos, o Livro da Vida é simplesmente um símbolo que tem as suas raízes nos registos genealógicos dos primeiros census. As religiões tradicionais sugerem que o Livro contém os nomes de todos aqueles que merecem a salvação, literal ou simbolicamente. O Livro deve por isso ser aberto aquando de um julgamento divino. No Novo Testamento, apenas aqueles cujo nome está contido no Livro serão redimidos por Cristo; os restantes não entrarão no Reino dos Céus.

Acesso aos Registos Akáshicos


Em tempos mais recentes, uma ínfima parte dos Registos Akáshicos tem sido disponibilizada por indivíduos com uma percepção extra-sensorial invulgar. Uma dessas pessoas foi Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), mística russa que fundou a Sociedade Teosófica:



Akasha é um dos princípios cósmicos e uma matéria plástica, criativa na sua natureza física, imutável nos seus mais elevados princípios. É a quintessência de todas as formas de energia possíveis, material, psíquica ou espiritual; e contem em si a semente da criação universal, que germinou sob o impulso do Espírito Divino.”


in Alquimia e a Doutrina Secreta


Rudolf Steiner (1861-1925), filósofo austríaco e fundador da Sociedade Antropofísica, tinha a capacidade de obter informação que estaria para além do mundo material, num mundo espiritual que era tão real para ele como o mundo físico era para todas as outras pessoas. Steiner alegou que essa capacidade podia ser desenvolvida, permitindo ver acontecimentos e informação tão concretos quanto a realidade presente:


“Um ser humano pode penetrar nas origens eternas das coisas que desaparecem com o tempo. Um ser humano pode deste modo alargar o seu poder de cognição se não mais estiver limitado pela evidência externa, quando se trata do conhecimento passado. Pode então ver o que não é perceptível aos sentidos, aquilo que o tempo não pode destruir. Ele move-se da História transitória para a História não transitória. Na Gnose e na Teosofia, é a chamada “Crónica Akasha” […] Aquele que adquiriu a capacidade de perceber o mundo espiritual toma conhecimento dos acontecimentos passados no seu carácter eterno. Esses eventos não são mais testemunhos mortos da História, mas aparecem vivos, e de certa forma o que já aconteceu torna a acontecer perante os olhos do observador.”


No séc. XX, a maior fonte de informação sobre os Registos Akáshicos provém do trabalho de Edgar Cayce (1877-1945). Cayce atribuiu a origem das suas vidências a duas fontes: a primeira, a mente inconsciente do indivíduo a quem se destinaria a “leitura”; a segunda, os Registos Akáshicos. Nas sessões em que era discutida a História da alma de uma determinada pessoa, Cayce começava com uma declaração do tipo “Sim, temos perante nós os registos da entidade conhecida por ou chamada de [nome da pessoa]”. Cayce descreve o acesso a esses registos da seguinte forma:


“Vejo-me como um pequeno ponto fora do meu corpo físico, que permanece imóvel perante mim. Sinto-me oprimido pela escuridão, por uma sensação terrível de solidão. Subitamente, estou consciente de um raio de luz branca. Enquanto pequeno ponto, sigo essa luz, sabendo a alternativa a segui-la é perder-me. Enquanto me movo pelo caminho da luz, torno-me gradualmente consciente dos vários níveis através dos quais há movimento. Nos primeiros níveis existem formas vagas, grotescas, como as que se vêem em pesadelos. A seguir, começam a aparecer formas humanas, com alguma parte do corpo aumentada. Depois surgem formas com uma espécie de manto acinzentado, movendo-se para baixo. Gradualmente, essas formas tornam-se mais claras, e começam a mover-se para cima. Nessa altura, surgem os contornos de casas, paredes, árvores, etc, mas tudo está estático. À medida que vou passando, há mais luz e movimento, naquilo que parece ser uma cidade normal. Torno-me consciente dos sons, primeiro indistinguíveis, depois música, riso, canto dos pássaros. Há mais luz, as cores tornam-se mais belas, e a música é maravilhosa. Subitamente, estou diante de um grande salão de registos. É um espaço sem paredes, sem tecto, mas vejo um ancião que me entrega um grande livro, o registo do indivíduo sobre o qual pretendo obter informação.”

Relatório da Leitura 294-19


As leituras de Edgar Cayce sugerem que cada um de nós escreve a história da sua vida através dos nossos pensamentos, actos e interacções com o resto da Criação. Essa informação tem um efeito sobre nós aqui e agora. Os Registos Akáshicos têm um impacto tão grande nas nossas vidas, no potencial e nas probabilidades que atraímos para nós, que qualquer acesso que tenhamos a eles pode dar-nos um precioso conhecimento sobre a nossa natureza e a nossa relação com o Universo.

Fontes:

Association for Research and Enlightment
How the Akashic Records Work
Wikipedia


terça-feira, 26 de junho de 2007

Signos do Zodíaco - II. Touro

"O milagre, ou o poder, que eleva apenas alguns acima dos restantes, está no seu talento, empenho e perseverança, sob o comando de um espírito corajoso e determinado."

Mark Twain

Sistema Tropical: c. 20 de Abril – 20 de Maio
Sistema Sidereal: c. 15 de Maio – 16 de Junho
Sistema Solar
: c. 14 de Maio – 19 de Junho
Constelação: Taurus
Elemento: Terra
Qualidade: Fixo
Partes do Corpo: Nariz, boca e olhos, garganta
Regência Primária: Vénus
Regência Base : -
Exaltação: Júpiter
Exílio: Marte e Plutão
Queda: Mercúrio
Pedra preciosa: Esmeralda
Metal: Cobre
Cores: Castanho, Verde, Azul claro
Números: 2, 8
Dia: Quinta-Feira



Simbologia

O Touro é um dos mais antigos signos do Zodíaco. Na Antiguidade (c. 4000 – 1700 a.C.), o equinócio vernal localizava-se nos reinos do Touro, enquanto hoje se encontra em Carneiro. O início das colheitas era fulcral para a vida da comunidade, e por isso o ano começava com Touro. Os Egípcios atribuíam grande significado astrológico e religioso a esta constelação, berço da Humanidade, o grande Touro estrelado do Nilo, e associavam-na à deusa Hator – a vaca divina que “derramava” do seu úbere toda a Via Láctea. Do outro lado do mundo, as tribos que viviam nas margens do Amazonas chamavam-lhe Tapiira Rayoaba, a Mandíbula do Touro. Na religião pagã da Europa Ocidental, a entrada do Sol em Touro marcava o início da Primavera, e no May Day era comemorada a união entre a Deusa-Terra e o Deus-Sol, origem de toda a fertilidade e abundância da Natureza.

O símbolo do Touro representa a cabeça e os cornos do respectivo animal. É possível também distinguir os contornos do queixo e da maçã-de-adão humanos (partes do corpo dominadas por este signo). O símbolo pode ainda ser encarado como uma meia-lua, formando uma taça, sobre o círculo solar: a taça representa o poder material e a riqueza que provêm da força de vontade, o círculo. Na Astrologia Védica, este símbolo representa o Espírito Divino, com o semi-circulo voltado para cima mostrando o florescer do Espírito no seu processo de materialização.


Mitologia Grega

Na Grécia Antiga circulavam vários mitos associados ao Touro, e este era sagrado para Poseidon (deus do Mar) e Dionísio (deus do Vinho). Num desses mitos, conta-se que um touro branco foi enviado ao rei Minos de Creta, como reconhecimento do seu direito ao trono, para que fosse sacrificado em honra de Poseidon. No entanto, Minos não cumpriu com o sacrifício, e Poseidon vingou-se fazendo com que a rainha Pasiphae, esposa de Minos, se apaixonasse pelo Touro. Noutro mito conta-se que Teseu de Atenas viajou para Creta e aí derrotou um terrível Minotauro, criatura aprisionada num labirinto que teria corpo de homem e cabeça de touro. Há ainda a lenda que fala de um par de touros capazes de cuspir fogo, criados por Hefestos (deus da Metalurgia) e colocados sob a cratera do Monte Etna, na Sicília. Para ganhar o velo dourado, Jasão teve que dominar ambos os touros sozinho, tarefa que simboliza a necessidade do herói de dominar a violência das suas paixões antes de poder atingir a perfeição espiritual.

Aquele que é provavelmente o mais famoso mito relacionado com Touro é a história de Europa, filha do rei Agenor de Tiro e da rainha Telephassa. Europa tornou-se objecto do afecto de Zeus, e ele apareceu-lhe na forma de um belíssimo touro branco, com cornos de madrepérola e uma lua prateada na testa. A princesa ficou encantada com o seu aspecto, aproximou-se para o afagar e montou nas suas costas. Nesse momento, Zeus saltou para as águas e levou a princesa através do mar, para Creta, onde consumou o acto sexual. Desse encontro nasceram três filhos: Minos (futuro rei de Creta), Radamantis (um dos Juízes dos Mortos) e Sarpedon (que viria a fundar a cidade grega de Miletus, na Ásia Menor). Apaixonado, Zeus concedeu a Europa todo o continente que se estendia a partir da ilha de Creta – e que viria a ter o seu nome. Em homenagem ao interlúdio amoroso com Europa, Zeus colocou no céu um grupo de estrelas com a imagem de um Touro: as Híades constituem a sua cabeça, e as Plêiades o resto do corpo.


Significado Astrológico

Touro é o segundo signo do Zodíaco, e corresponde ao auge da Primavera. A Natureza é condicionada pela necessidade de procriar, já não com o ritmo agressivo e frenético de Carneiro – que nesta fase seria mais prejudicial que útil -, mas antes com uma cadência pacata, orientada para fazer crescer aquilo que anteriormente foi gerado. Touro é estabilidade, o triunfo da harmonia sobre o caos, o amor pela terra e pelas coisas simples da vida. Os fortes valores morais são direccionados para a conquista da segurança familiar, sobretudo em termos materiais. Conforto é fundamental, daquele que vem dos prazeres mais simples: uma boa refeição, um bom vinho, uma boa sesta pela tardinha… Dotado de um grande sentido prático, pode ser tremendamente perseverante e compreensivo, mas também um pouco monótono e muito teimoso. A sua paciência é lendária, mas quando é excedida podem ocorrer imprevisíveis explosões de cólera. Apesar do optimismo que lhe é inerente, tende a desconfiar de tudo o que sejam riscos desnecessários: apenas a prudência garante a estabilidade que é o motor da sua vida.

O seu lema? Gentil, porém ousado. Como se define? EU TENHO!


Fontes:
Introdução à Astrologia,
de Lisa Morpurgo (Ed. Pergaminho)
Manual de Interpretação Astrológica, de Stephen Arroyo (Pub. Europa-América)
Penumbra
Wikipedia

domingo, 3 de junho de 2007

Signos do Zodíaco - I. Áries

"A coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas aquele que conquista esse medo."

Nelson Mandela


Sistema Tropical: c.21 de Março – 20 de Abril
Sistema Sidereal: c.15 de Abril - 13 de Maio
Sistema Solar: c.19 de Abril - 13 de Maio
Constelação: Áries
Elemento: Fogo
Qualidade: Cardinal
Regência Primária: Marte
Regência Base: Plutão
Exaltação: Sol
Exílio: Vénus
Queda: Saturno
Partes do Corpo: Cabeça, Face
Pedra preciosa: Diamante, Quartzo
Metal: Ouro, Bronze
Cores: Vermelho, Branco, Rosa
Números: 3, 5
Dia da Semana: Terça-Feira


Simbologia

A origem do símbolo do Carneiro é desconhecida. As suas primeiras utilizações remontam ao Antigo Egipto, onde era utilizado como a cabeça de Amun, a divindade líder de todos as outras. Nesse tempo, também a cabeça do ganso era utilizada como símbolo do signo de Áries. Na Astrologia Védica, este símbolo é visto como uma fonte ou uma semente a germinar, de onde brota o Espírito, a Consciência Universal, no seu aspecto mais criativo.

Mitologia Grega

Athamas, Rei de Croneus, e a sua primeira esposa, Nephele (cujo nome significa “nuvem”) foram abençoados com dois filhos: um rapaz, chamado Phrixus, e uma menina chamada Helle. Eventualmente Athamas perdeu o amor por Nephele e divorciou-se, desposando Ino, filha de Cadmus, Rei de Tebas. Juntos, também tiveram dois filhos e, com o passar do tempo, Ino tornou-se cada vez mais invejosa dos filhos de Nephele e dos seus direitos enquanto legítimos herdeiros do trono de Croneus. Para que um dos seus filhos viesse a herdar a coroa, Ino recorreu a um plano habilidoso: sabendo que o milho era a principal fonte de sustento do reino, Ino convenceu todas as mulheres a torrar as sementes de milho antes da sementeira, sem que os seus maridos soubessem. Quando se percebeu que não haveria milho para colher, Athamas consultou o oráculo de Delfos para saber o que poderia fazer para apaziguar os deuses e recuperar as colheitas. Mas Ino interceptou os mensageiros para o oráculo e subornou-os, de modo a que a resposta que Athamas recebeu foi a de que os seus filhos com Nephele eram a causa da falta de milho que tanto afectava o seu reino. Athamas decidiu então seguir o conselho do oráculo, e oferecer os seus filhos em sacrifício aos deuses. Longe da capital, Nephele ouviu rumores do que se estava a passar e, temendo pela segurança de Phrixus e Helle, enviou alguém para que os protegesse. Não era um ser humano, mas sim um carneiro com lã de ouro. O animal tinha sido oferecido por Hermes, e era completamente fiel à sua rainha e aos seus filhos. No dia previsto para o sacrifício, o carneiro levou as crianças no seu dorso, fazendo-as voar para o outro lado do oceano. Helle, mais frágil que o irmão, não conseguiu segurar-se à lã dourada, e caiu no estreito que separa a Ásia da Europa (os gregos chamavam-lhe por isso Hellesponte, “Mar de Helle”, e hoje é conhecido por Dardaneles).

Phrixus conseguiu sobreviver, e foi levado para o extremo oriental do Mar Negro, onde o Rei Aeetes (filho de Helis e irmão de Circe) o recebeu com generosidade e lhe deu em casamento a filha, Chalciope. Em agradecimento, Phrixus sacrificou o carneiro dourado a Zeus Phyxius (Zeus enquanto deus da fuga), e ofereceu a lã dourada a Aeetes, que a pendurou num carvalho sagrado para Ares, onde permaneceu guardada por uma serpente que nunca dormia. Zeus homenageou o Carneiro dourado e a sua bravura, eternizando a sua forma no brilho das estrelas da constelação de Áries.

Significado Astrológico

Áries (ou Carneiro) é o primeiro signo do Zodíaco, o ponto de início no Equinócio Vernal. É por isso o princípio do ano zodiacal. Simbolizado por um animal de grande coragem, Áries está relacionado com o início da Vida, a aurora, a Primavera. Nesta época, a Natureza é arrebatada por demonstrações generalizadas de virilidade: o esforço empreendido por cada semente que teima em germinar, por cada rebento que irrompe dos ramos, por cada novo pássaro que sai do ovo, tudo isso requer agressividade, audácia, desprezo pelo perigo. E uma profunda confiança em si próprio. Áries personifica o pioneirismo, o espírito de aventura, a coragem, o carisma, a frontalidade, a emotividade, a capacidade de liderança. Por outro lado, esta energia tão indomável traz também o egoísmo, a falta de diplomacia, a insensatez, a impaciência, a impulsividade, a competitividade levada ao extremo. Em Áries, a racionalidade é escassa, a ingenuidade abundante, a capacidade de auto-reflexão pouco desenvolvida. A actividade é auto-motivada, direccionada para novos começos, embora esse entusiasmo enorme seja normalmente momentâneo: a “faísca” inicial está lá, mas falta a persistência para levá-la a bom termo.

O seu lema? Nunca derrotado. Como se define? EU SOU!


Fontes:

Introdução à Astrologia, de Lisa Morpurgo (Ed. Pergaminho)
Manual de Interpretação Astrológica, de Stephen Arroyo (Pub. Europa-América)

Penumbra
Wikipedia

sexta-feira, 20 de abril de 2007

A Celebração das Maias - I

O Dia das Maias é uma celebração de origem Celta que tem lugar no Quinto Mês do Ano do Calendário Moderno. O mês de Maio recebeu o seu nome em homenagem à Deusa Maia, originalmente uma ninfa das montanhas da Mitologia Grega, tendo sido mais tarde identificada como a mais bonita das sete irmãs de Plêiades. Filha de Atlas e Pleione, uma ninfa marinha, é a mãe de Hermes, deus da Magia.
A antiga designação celta para o Dia das Maias é Beltane, que deriva do irlandês gaélico Bealtaine, que significa “Fogo de Bel”, o Fogo do deus da Luz Celta (Bel, Beli ou Belinus). Segundo a tradição Celta, a Celebração de Beltane tem o seu início no Pôr-do-Sol do dia 30 de Abril, uma vez que para os Celtas os dias começavam à hora do crepúsculo. O Pôr-do-Sol era a altura ideal para os Druidas atearem as grandes “Fogueiras de Bel”, no cimo do morro mais próximo. A essas fogueiras, também designadas por “Fogueiras da Necessidade”, eram atribuídas propriedades curativas, e sobre as suas chamas saltavam as Bruxas nuas (Skyclad Witches) em busca de protecção. Frequentemente, o gado era conduzido por entre duas dessas fogueiras, sendo pela manhã encaminhado para as pastagens onde iria passar o Verão.


Outras tradições associadas ao Dia das Maias incluem: percorrer as propriedades agrícolas a pé (Beating the bounds), reparação de cercas, procissões de limpa-chaminés e leiteiras (milkmaids), torneios de tiro ao arco, música, dança, comida e bebida. As jovens costumavam lavar o rosto com o orvalho da primeira manhã de Maio para manterem a sua beleza jovem.

Nas palavras dos escritores Janet e Stewart Farrar, a celebração de Beltane era essencialmente uma época de “sexualidade e fertilidade humana, sem pudor”. Tais associações incluem o óbvio simbolismo fálico do “Maypole” ou Pau-de-Fitas e os Cavalinhos de Pau (Hobbyhorse). Até os primeiros versos de uma quadra infantil, aparentemente inocente, como “Ride a cock horse to Banburry Cross…” (“Leva o teu Cavalo de Pau para Banburry Cross…”) está associada a tais simbolismos. Os restantes versos da mesma quadra: “…to see a fine Lady on a white horse!” (“…para veres uma bela Dama num cavalo branco!), é uma referência às cavalhadas anuais de Lady Godyva em Coventry, Inglaterra. Todos os anos, durante quase 3 séculos, uma jovem nua (eleita “Rainha de Maio”) montada num cavalo branco evocava este Rito Pagão, até que os Puritanos (Protestantes Calvinistas) puseram fim a tal manifestação. Os Puritanos reagiram com horror extremo à maioria dos rituais associados ao Dia das Maias, tornando os Paus-de-Fitas ilegais em 1644, e combatendo veementemente os “Casamentos dos Bosques” entre jovens que passavam a noite inteira na floresta, aparecendo apenas ao raiar do Sol de 1 de Maio, trazendo flores (pricipalmente giestas) e grinaldas para decorar toda a aldeia. Muito antes da definição Cristã de Casamento (e a sua insistência na monogamia) ter substituído o antigo “Atar de Mãos” (Handfasting) Pagão, as regras de fidelidade restrita entre casais eram sempre suspensas para os rituais do Dia das Maias.

Alguns destes costumes são idênticos à festa das flores da Roma Antiga, a Florália, onde se assistia a três dias de sexualidade sem restrições, que começavam ao Pôr-do-Sol de 28 de Abril e atingiam o seu auge a 1 de Maio.
Essas manifestações chegaram à Ibéria durante a ocupação Romana. Nos dias de hoje, os Maios, o Pau-das-Fitas, as Marafonas e todas as celebrações associadas são testemunhos vivos da comemoração do Dia da Maias em Portugal e Espanha.



Fonte: Mike Nichols, A Celebration of MAY DAY