E-book "Profissão: EU!"

E-book "Profissão: EU!"
Da autora do blog "Nodo Ascendente", já à venda em raquelfialho.com

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Tarot - V. O Papa

"Muitos recebem conselhos,
mas só os sensatos beneficiam deles."

Publilius Syrus


Simbologia e Arquétipo

No baralho Rider-Waite, o Papa surge sentado num trono entre dois pilares, segurando um ceptro, abençoando dois acólitos que devotamente permanecem a seus pés.


A Viagem do Louco

Tendo aprendido com o Imperador a criar uma fundação sólida para o seu futuro, o Louco é subitamente atingido pelo medo. E se tudo aquilo por que lutou lhe for retirado? E se for roubado, destruído, se se perder ou desaparecer? E se simplesmente não for suficientemente bom? Em pânico, entra num templo sagrado onde encontra o Papa, homem santo e mestre sábio. Os acólitos ajoelham-se a seus pés, prontos a ouvir cada um dos seus ensinamentos. O Louco conta ao Papa sobre os seus medos, perguntando-lhe como se pode libertar deles. “Só existem duas formas de o conseguires”, diz o Papa, sabiamente. “Ou desistes daquilo que temes perder, para que isso deixe de ter poder sobre ti, ou concentras-te naquilo que terás se conseguires ultrapassar o teu medo. Afinal, se perdesses tudo o que construíste, mesmo assim ficarias ainda com a experiência e o conhecimento que adquiriste até agora, certo?” O Louco sente que este conselho surpreendentemente pragmático o libertou do seu medo, e sente-se preparado para abandonar o templo e, uma vez mais, enfrentar os desafios da vida.





O Papa no Baralho Alchemical Emblem (Edição Adam McLean, 2006)








Notas Interpretativas

A carta do Papa é governada pelo signo de Touro, porque a sua missão é precisamente trazer a espiritualidade à vida mundana. Enquanto a Grande Sacerdotisa lida com as questões para além da realidade material, o Papa representa uma abordagem aos problemas terrenos, cujo objectivo final é restabelecer a harmonia e a paz em tempos de crise. Naturalmente, possui as características do Touro: no seu melhor, é sábio e tranquilizador; no pior, pode ser teimoso e demasiado moralista. Esta é também a carta dos sistemas culturais organizados, das tradições religiosas, dos grupos sociais e culturais onde o indivíduo se vai integrando e onde desenvolve uma sensação de pertença, de equipa.




O Papa no Baralho "Tarot di Purgatorio"
(Adam McLean, 2006)








Se, numa leitura, o Papa aparece representando uma pessoa, esta é provavelmente alguém mais velho, com a autoridade moral de um tutor, terapeuta, conselheiro, mestre. Mas pode também ser aquele professor inflexível que se recusa a utilizar métodos de ensino mais modernos, ou alguém mais idoso que não quer abdicar das suas ideias ultrapassadas. Quando o Papa representa o próprio Querente, pode constituir um aviso sobre excesso de teimosia, sobretudo em questões de religião e ética. O Querente deve esforçar-se por adoptar o melhor do Papa, o seu lado pedagógico, confortador. Em momentos de crise, é o Papa que permanece calmo e oferece bons conselhos a quem deles precise, representando uma ligação ao divino que responde às preces humanas de uma forma igualmente humana. Esta carta diz ao Querente que ele sabe como resolver o problema. Não é fácil, nem é rápido, mas é possível: a solução está à vista, basta concretizá-la.


terça-feira, 26 de junho de 2007

Signos do Zodíaco - II. Touro

"O milagre, ou o poder, que eleva apenas alguns acima dos restantes, está no seu talento, empenho e perseverança, sob o comando de um espírito corajoso e determinado."

Mark Twain

Sistema Tropical: c. 20 de Abril – 20 de Maio
Sistema Sidereal: c. 15 de Maio – 16 de Junho
Sistema Solar
: c. 14 de Maio – 19 de Junho
Constelação: Taurus
Elemento: Terra
Qualidade: Fixo
Partes do Corpo: Nariz, boca e olhos, garganta
Regência Primária: Vénus
Regência Base : -
Exaltação: Júpiter
Exílio: Marte e Plutão
Queda: Mercúrio
Pedra preciosa: Esmeralda
Metal: Cobre
Cores: Castanho, Verde, Azul claro
Números: 2, 8
Dia: Quinta-Feira



Simbologia

O Touro é um dos mais antigos signos do Zodíaco. Na Antiguidade (c. 4000 – 1700 a.C.), o equinócio vernal localizava-se nos reinos do Touro, enquanto hoje se encontra em Carneiro. O início das colheitas era fulcral para a vida da comunidade, e por isso o ano começava com Touro. Os Egípcios atribuíam grande significado astrológico e religioso a esta constelação, berço da Humanidade, o grande Touro estrelado do Nilo, e associavam-na à deusa Hator – a vaca divina que “derramava” do seu úbere toda a Via Láctea. Do outro lado do mundo, as tribos que viviam nas margens do Amazonas chamavam-lhe Tapiira Rayoaba, a Mandíbula do Touro. Na religião pagã da Europa Ocidental, a entrada do Sol em Touro marcava o início da Primavera, e no May Day era comemorada a união entre a Deusa-Terra e o Deus-Sol, origem de toda a fertilidade e abundância da Natureza.

O símbolo do Touro representa a cabeça e os cornos do respectivo animal. É possível também distinguir os contornos do queixo e da maçã-de-adão humanos (partes do corpo dominadas por este signo). O símbolo pode ainda ser encarado como uma meia-lua, formando uma taça, sobre o círculo solar: a taça representa o poder material e a riqueza que provêm da força de vontade, o círculo. Na Astrologia Védica, este símbolo representa o Espírito Divino, com o semi-circulo voltado para cima mostrando o florescer do Espírito no seu processo de materialização.


Mitologia Grega

Na Grécia Antiga circulavam vários mitos associados ao Touro, e este era sagrado para Poseidon (deus do Mar) e Dionísio (deus do Vinho). Num desses mitos, conta-se que um touro branco foi enviado ao rei Minos de Creta, como reconhecimento do seu direito ao trono, para que fosse sacrificado em honra de Poseidon. No entanto, Minos não cumpriu com o sacrifício, e Poseidon vingou-se fazendo com que a rainha Pasiphae, esposa de Minos, se apaixonasse pelo Touro. Noutro mito conta-se que Teseu de Atenas viajou para Creta e aí derrotou um terrível Minotauro, criatura aprisionada num labirinto que teria corpo de homem e cabeça de touro. Há ainda a lenda que fala de um par de touros capazes de cuspir fogo, criados por Hefestos (deus da Metalurgia) e colocados sob a cratera do Monte Etna, na Sicília. Para ganhar o velo dourado, Jasão teve que dominar ambos os touros sozinho, tarefa que simboliza a necessidade do herói de dominar a violência das suas paixões antes de poder atingir a perfeição espiritual.

Aquele que é provavelmente o mais famoso mito relacionado com Touro é a história de Europa, filha do rei Agenor de Tiro e da rainha Telephassa. Europa tornou-se objecto do afecto de Zeus, e ele apareceu-lhe na forma de um belíssimo touro branco, com cornos de madrepérola e uma lua prateada na testa. A princesa ficou encantada com o seu aspecto, aproximou-se para o afagar e montou nas suas costas. Nesse momento, Zeus saltou para as águas e levou a princesa através do mar, para Creta, onde consumou o acto sexual. Desse encontro nasceram três filhos: Minos (futuro rei de Creta), Radamantis (um dos Juízes dos Mortos) e Sarpedon (que viria a fundar a cidade grega de Miletus, na Ásia Menor). Apaixonado, Zeus concedeu a Europa todo o continente que se estendia a partir da ilha de Creta – e que viria a ter o seu nome. Em homenagem ao interlúdio amoroso com Europa, Zeus colocou no céu um grupo de estrelas com a imagem de um Touro: as Híades constituem a sua cabeça, e as Plêiades o resto do corpo.


Significado Astrológico

Touro é o segundo signo do Zodíaco, e corresponde ao auge da Primavera. A Natureza é condicionada pela necessidade de procriar, já não com o ritmo agressivo e frenético de Carneiro – que nesta fase seria mais prejudicial que útil -, mas antes com uma cadência pacata, orientada para fazer crescer aquilo que anteriormente foi gerado. Touro é estabilidade, o triunfo da harmonia sobre o caos, o amor pela terra e pelas coisas simples da vida. Os fortes valores morais são direccionados para a conquista da segurança familiar, sobretudo em termos materiais. Conforto é fundamental, daquele que vem dos prazeres mais simples: uma boa refeição, um bom vinho, uma boa sesta pela tardinha… Dotado de um grande sentido prático, pode ser tremendamente perseverante e compreensivo, mas também um pouco monótono e muito teimoso. A sua paciência é lendária, mas quando é excedida podem ocorrer imprevisíveis explosões de cólera. Apesar do optimismo que lhe é inerente, tende a desconfiar de tudo o que sejam riscos desnecessários: apenas a prudência garante a estabilidade que é o motor da sua vida.

O seu lema? Gentil, porém ousado. Como se define? EU TENHO!


Fontes:
Introdução à Astrologia,
de Lisa Morpurgo (Ed. Pergaminho)
Manual de Interpretação Astrológica, de Stephen Arroyo (Pub. Europa-América)
Penumbra
Wikipedia

domingo, 17 de junho de 2007

Edgar Cayce, o Profeta Adormecido

"Os sonhos são as respostas de Hoje
para as questões de Amanhã."

Edgar Cayce


Edgar Cayce nasceu a 18 de Março de 1877, próximo da localidade de Beverly, no estado norte-americano do Kentucky. Proveniente de uma família da classe trabalhadora, cedo se sentiu atraído pela igreja, aderindo aos Discípulos de Cristo (ramo dissidente do Presbiterianismo) e participando activamente no recrutamento no recrutamento de missionários e no ensinamento da catequese.

Em 1901, Cayce contraiu uma grave laringite, que o deixou afónico durante quase um ano. Nesse período, Cayce procurou vários médicos, mas nenhum foi capaz de curar o problema que o afligia. Nessa época, o hipnotismo começava a ganhar uma enorme popularidade em por todos os Estados Unidos, e Cayce convenceu-se a procurar um hipnotizador para tentar recuperar a voz. Sob transe, Cayce recuperou instantaneamente a voz, e foi capaz de descrever o problema que afectava as suas cordas vocais. Mais surpreendente do que isso, descreveu também a sugestão que lhe deveria ser feita para curar a afonia: um aumento do fluxo sanguíneo nas áreas afectadas. Quando acordou do transe, e embora não se recordasse de nada do que havia dito, Cayce estava totalmente recuperado.

A notícia deste extraordinário acontecimento depressa se espalhou, e muitas pessoas procuraram Cayce em busca de solução para os mais variados problemas, de saúde e não só. De início, Cayce mostrou-se muito relutante: Como aceitar este “dom” que nem sabia de onde vinha, ou sequer se era aceitável à luz das suas convicções religiosas? Como confiar num processo que decorria sem que tivesse qualquer controlo consciente, ou sequer recordação do que se passava durante o transe? Por fim, acabou por ceder aos insistentes pedidos de ajuda, e iniciou uma nova vida.

Com o passar do tempo, as sessões de Cayce abordavam cada vez mais temas do oculto e do esotérico. Falando sempre no plural, “nós”, Cayce respondia a tudo o que lhe fosse perguntado, e Arthur Lammers, teósofo e empresário abastado, tornou-se o seu principal interlocutor nas sessões que tinham um carácter mais filosófico do que prático.

Cada vez mais empenhado em responder aos inúmeros pedidos de ajuda provenientes de todo o país, Cayce foi aumentando a frequência das sessões, chegando a realizar 8 por dia, o que constituía um tremendo esforço físico e emocional. Em transe, Cayce chegou a tentar avisar-se a si próprio dos perigos que corria ao impôr a si próprio um ritmo tão extenuante, mas de nada serviu: morreu 3 de Janeiro de 1945, aos 67 anos, vítima de acidente vascular cerebral. Deixou ao mundo cerca de 22 mil leituras, sobre temas tão variados como terapias naturais, interpretação de sonhos ou reencarnação. A sua regra dourada: As leituras devem ser utilizadas apenas se tal servir para melhorar a vida de quem as procura. Eis um pouco do seu legado:

O que dizia Edgar Cayce sobre…

… a origem e o destino da Humanidade?

“Todas as almas foram criadas no início, e estão à procura do caminho de volta para donde vieram”. (leitura 3744-5) As almas humanas foram criadas com a consciência de que são um só com Deus. Algumas perderam essa consciência; outras, como a de Jesus, tentaram salvá-las. A Terra, com todas as suas limitações, foi criada para servir de ambiente propício ao crescimento espiritual.

… Reencarnação?

A Reencarnação e o Karma são reais, enquanto instrumentos de um Deus generoso, e não apenas leis naturais. O seu propósito é ensinar determinadas lições espirituais. Ao contrário dos animais, cujas almas são indiferenciadas, os seres humanos provêm de um grupo de almas que se viu “aprisionada” na Terra, e que acompanhou a evolução dos primatas para que um deles se tornasse no veículo ideal para a alma humana.

… Astrologia?

Cayce aceita a Astrologia na medida em que as almas passam algum tempo noutros planetas (ou nos seus correspondentes espirituais), entre encarnações: a posição dos planetas no momento do nascimento regista essas influências.

… as Leis Universais?

As almas encarnam na Terra para se sujeitarem a várias leis espirituais, incluindo “Cada um colhe aquilo que plantou (Karma)” e “Serás julgado pelos outros do mesmo modo que os julgares”. Estas leis representam um aspecto da misericórdia divina: independentemente das circunstâncias, Deus guiar-nos-á no caminho espiritual.

… o Corpo, a Mente e o Espírito?

Cayce invocou muitas vezes estes três termos para descrever a condição humana: “O Espírito é a vida. A Mente é o construtor. O Corpo é o Resultado”.

… Meditação?

O elemento principal da Meditação é a abertura à influência divina: “Através da oração, falamos com Deus. Na meditação, Deus fala connosco”. O conceito de Meditação, para Cayce, envolve aspectos comuns ao Hinduísmo e ao Budismo (os chacras, o kundalini), mas assemelha-se mais às versões cristãs do Movimento Novo Pensamento.

… Percepção Extra-Sensorial (PES)?

As experiências psíquicas e a PES são produtos secundários naturais do desenvolvimento espiritual: Deus pode falar-nos através de sonhos ou intuições.

… Atlântida?

As leituras de Cayce afirmam a existência da Atlântida, um vasto continente com tecnologia avançada, cuja população era proveniente de refugiados quer do Egipto quer da América pré-colombiana. A sociedade Atlante dividia-se em duas facções políticas: os “bons”, chamados “Filhos da Lei de Um”, e os “maus”, “Filhos de Belial”. Muitas pessoas que hoje estão vivas são reencarnações de almas Atlantes, que devem enfrentar as mesmas tentações de antes. Cayce previu que uma pedra azul de origem Atlante seria descoberta nas Caraíbas: na realidade, em 1974, foi descoberto um pectolito azul de origem vulcânica na República Dominicana, ao qual certas sociedades esotéricas atribuem poderes curativos.

E mais, muito mais, em:

- "The Sleeping Prophet", de Jess Stearn (1967)
- "The Edgar Cayce Primer: Discovering the Path to Self Transformation", de Herbert Puryear (1985)
- "Edgar Cayce: An American Prophet", de S.D. Kirkpatrick (2001)
- Outros Livros sobre Edgar Cayce na Amazon
- Edgar Cayce's Association for Research and Enlightment (A.R.E.)
- Mais leituras de Cayce

quarta-feira, 13 de junho de 2007

YOGA Parte 3 – Outros Caminhos para a Bem-Aventurança


Na meditação deixamos
os fogos da mácula
pelo frescor do samadhi claro.
E isto é como a alegria
de cair na água fresca e clara
depois de se queimar no calor do sol.
— do Grande Tratado sobre a Perfeição da Sabedoria

Controlar a mente consciente é difícil, e vários métodos têm sido experimentados. Há quem defenda sobrecarregar os 5 sentidos e os órgãos motores, para que os estímulos nervosos se tornem tão intensos que qualquer percepção subsequente seja impossível. É o exemplo de tribos africanas que dançam freneticamente, ao som de cânticose tambores, até cairem no chão pela exaustão dos sentidos, experimentando uma rápida visão do “outro lado”. Como outros exemplos temos os os monges japoneses zen que meditam sob cascatas geladasa, ou a auto-flagelação de fanáticos religiosos. Todos mortificam a carne para dominar os prazeres transitórios dos sentidos e atingir a Realidade Única Imperecível. E muitas vezes conseguem-no! Mas existem métodos bem mais viáveis para a maioria da população.

Um modo prático e indolor de realizar o próprio Eu é a prática da Meditação, que se inicia com a desactivação dos sentidos, para a eliminação dos estímulos externos. O que se pretende é sempre acalmar os devaneios do Subconsciente, e assim conseguir atingir camadas mais subtis da Mente.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Tarot - IV. O Imperador


"O homem superior é impassível por natureza: pouco se lhe dá que o elogiem ou censurem, ele não ouve senão a voz da sua própria consciência."

Napoleão Bonaparte



Simbologia e Arquétipo

No baralho Rider-Waite, o Imperador está sentado num trono de pedra adornado com cabeças de carneiros esculpidas. Coroa, ceptro numa mão, na outra a orbe terrestre, e ao fundo vislumbram-se imponentes montanhas. Noutros baralhos, é possível também encontrar uma águia nesta carta.



A Viagem do Louco

O Mago mostrou ao Louco as opções disponíveis, a Grande Sacerdotisa ajudou-o a escolher, e a Imperatriz ensinou-lhe a desenvolver aquilo que escolheu. Agora, o Louco deve saber lidar com isso. Como fazê-lo? Aproxima-se então de um grande Imperador, sentado no seu trono de pedra. O Louco fica espantado com a forma como este Imperador é instantaneamente obedecido em todos os pormenores: o seu Império é muito bem gerido! Respeitosamente, pergunta-lhe como o consegue. Ao que o Imperador responde: “Vontade forte e uma fundação sólida: é muito bom ser sonhador, criativo, instintivo, paciente… mas para controlar é preciso estar alerta, ser corajoso e agressivo”. Pronto para liderar em vez de se submeter, o Louco prossegue no seu caminho, com um novo objectivo e uma nova direcção.






O Imperador no Baralho Maat
(Edição Julie Cuccia-Watts, 2006)










Notas Interpretativas

Enquanto Áries, o Carneiro, o Imperador segue naturalmente a Imperatriz grávida. Áries é a criança, o primeiro signo do Zodíaco. Como uma criança, está cheio de entusiasmo, energia, agressividade. Ele é directo, sem malícia, e frequentemente irresistível. Infelizmente, como um bebé, pode tornar-se um verdadeiro tirano: impaciente, exigente, controlador. Por outro lado, o Imperador representa a estrutura e a ordem que vêm refrear a abundância luxuriante trazida pela Imperatriz: a criança que aprende a agir em conformidade com os padrões que regem o mundo.

Na melhor das circunstâncias, ele aponta um líder que todos querem seguir, o trono simbolizando as fundações sólidas de um império gerido com inteligência e entusiasmo. Mas esse trono pode converter-se numa armadilha, fazendo com que o excesso de responsabilidades traga uma certa inquietação, uma sensação de monotonia e descontentamento.





O Imperador no Tarot of the Old Path
(Edição US Games)








Numa leitura, esta é a carta que pergunta “Afinal quem manda aqui?”. O seu significado inclui o controlo sobre o meio circundante, sobre a vida amorosa, sobre o próprio corpo, temperamento, instintos. Não é altura para ceder ao inconsciente, nem para se submeter ao controlo exercido pelos outros. Esta é a carta que dá permissão ao Querente para ser agressivo, corajoso, ousado. Para conquistar a liderança. Em situações caóticas, o Imperador indica a necessidade de organização, de uma tomada de controlo sobre a situação.

O Imperador pode também simbolizar uma figura paternal, um chefe, seja ele um tirano exigente ou um rei carismático. Se a carta representar o próprio Querente, este deve reflectir sobre se o excesso de responsabilidades o está a tornar num mau líder, e a fazê-lo infeliz. Pode ser a altura certa para abdicar do trono.


Fontes: Aeclectic, LearnTarot

domingo, 3 de junho de 2007

Signos do Zodíaco - I. Áries

"A coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas aquele que conquista esse medo."

Nelson Mandela


Sistema Tropical: c.21 de Março – 20 de Abril
Sistema Sidereal: c.15 de Abril - 13 de Maio
Sistema Solar: c.19 de Abril - 13 de Maio
Constelação: Áries
Elemento: Fogo
Qualidade: Cardinal
Regência Primária: Marte
Regência Base: Plutão
Exaltação: Sol
Exílio: Vénus
Queda: Saturno
Partes do Corpo: Cabeça, Face
Pedra preciosa: Diamante, Quartzo
Metal: Ouro, Bronze
Cores: Vermelho, Branco, Rosa
Números: 3, 5
Dia da Semana: Terça-Feira


Simbologia

A origem do símbolo do Carneiro é desconhecida. As suas primeiras utilizações remontam ao Antigo Egipto, onde era utilizado como a cabeça de Amun, a divindade líder de todos as outras. Nesse tempo, também a cabeça do ganso era utilizada como símbolo do signo de Áries. Na Astrologia Védica, este símbolo é visto como uma fonte ou uma semente a germinar, de onde brota o Espírito, a Consciência Universal, no seu aspecto mais criativo.

Mitologia Grega

Athamas, Rei de Croneus, e a sua primeira esposa, Nephele (cujo nome significa “nuvem”) foram abençoados com dois filhos: um rapaz, chamado Phrixus, e uma menina chamada Helle. Eventualmente Athamas perdeu o amor por Nephele e divorciou-se, desposando Ino, filha de Cadmus, Rei de Tebas. Juntos, também tiveram dois filhos e, com o passar do tempo, Ino tornou-se cada vez mais invejosa dos filhos de Nephele e dos seus direitos enquanto legítimos herdeiros do trono de Croneus. Para que um dos seus filhos viesse a herdar a coroa, Ino recorreu a um plano habilidoso: sabendo que o milho era a principal fonte de sustento do reino, Ino convenceu todas as mulheres a torrar as sementes de milho antes da sementeira, sem que os seus maridos soubessem. Quando se percebeu que não haveria milho para colher, Athamas consultou o oráculo de Delfos para saber o que poderia fazer para apaziguar os deuses e recuperar as colheitas. Mas Ino interceptou os mensageiros para o oráculo e subornou-os, de modo a que a resposta que Athamas recebeu foi a de que os seus filhos com Nephele eram a causa da falta de milho que tanto afectava o seu reino. Athamas decidiu então seguir o conselho do oráculo, e oferecer os seus filhos em sacrifício aos deuses. Longe da capital, Nephele ouviu rumores do que se estava a passar e, temendo pela segurança de Phrixus e Helle, enviou alguém para que os protegesse. Não era um ser humano, mas sim um carneiro com lã de ouro. O animal tinha sido oferecido por Hermes, e era completamente fiel à sua rainha e aos seus filhos. No dia previsto para o sacrifício, o carneiro levou as crianças no seu dorso, fazendo-as voar para o outro lado do oceano. Helle, mais frágil que o irmão, não conseguiu segurar-se à lã dourada, e caiu no estreito que separa a Ásia da Europa (os gregos chamavam-lhe por isso Hellesponte, “Mar de Helle”, e hoje é conhecido por Dardaneles).

Phrixus conseguiu sobreviver, e foi levado para o extremo oriental do Mar Negro, onde o Rei Aeetes (filho de Helis e irmão de Circe) o recebeu com generosidade e lhe deu em casamento a filha, Chalciope. Em agradecimento, Phrixus sacrificou o carneiro dourado a Zeus Phyxius (Zeus enquanto deus da fuga), e ofereceu a lã dourada a Aeetes, que a pendurou num carvalho sagrado para Ares, onde permaneceu guardada por uma serpente que nunca dormia. Zeus homenageou o Carneiro dourado e a sua bravura, eternizando a sua forma no brilho das estrelas da constelação de Áries.

Significado Astrológico

Áries (ou Carneiro) é o primeiro signo do Zodíaco, o ponto de início no Equinócio Vernal. É por isso o princípio do ano zodiacal. Simbolizado por um animal de grande coragem, Áries está relacionado com o início da Vida, a aurora, a Primavera. Nesta época, a Natureza é arrebatada por demonstrações generalizadas de virilidade: o esforço empreendido por cada semente que teima em germinar, por cada rebento que irrompe dos ramos, por cada novo pássaro que sai do ovo, tudo isso requer agressividade, audácia, desprezo pelo perigo. E uma profunda confiança em si próprio. Áries personifica o pioneirismo, o espírito de aventura, a coragem, o carisma, a frontalidade, a emotividade, a capacidade de liderança. Por outro lado, esta energia tão indomável traz também o egoísmo, a falta de diplomacia, a insensatez, a impaciência, a impulsividade, a competitividade levada ao extremo. Em Áries, a racionalidade é escassa, a ingenuidade abundante, a capacidade de auto-reflexão pouco desenvolvida. A actividade é auto-motivada, direccionada para novos começos, embora esse entusiasmo enorme seja normalmente momentâneo: a “faísca” inicial está lá, mas falta a persistência para levá-la a bom termo.

O seu lema? Nunca derrotado. Como se define? EU SOU!


Fontes:

Introdução à Astrologia, de Lisa Morpurgo (Ed. Pergaminho)
Manual de Interpretação Astrológica, de Stephen Arroyo (Pub. Europa-América)

Penumbra
Wikipedia