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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Os Elementos: Terra que dá Frutos

Tudo tem o seu tempo determinado,
e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;


A vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma,
porque todos são vaidade.
Todos vão para um lugar;
todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.
Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção;
pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele? 
Eclesiastes 3:1-22 (excertos)

Somos muitas vezes bombardeados com o "cliché" de estarmos todos cada vez mais materialistas. É o dinheiro que move o mundo... ou talvez a mais recente versão do iPhone, sei lá. Comprar, gastar, ter, parecem verbos prioritários para muita gente, enquanto outros pretensos "iluminados" negam qualquer ambição terrena e se entregam a promessas vãs de como-ser-espiritual-em-10-passos.

O elemento Terra é talvez aquele que mais se encontra polarizado nos tempos actuais. É o ter tudo o que dá conforto e status, ou não ter nada desses vícios que corrompem pela ganância e pela avareza. É saturar o organismo com "paletes" de calorias, ou matá-lo lentamente através de distúrbios alimentares (que os há para todos os gostos). 

São os cientistas que nos impingem uma visão mecanicista da realidade em que o ser humano é rei e senhor de todo o planeta (veja-se o fundamentalismo por detrás do Aquecimento Global, como se por modelos e teorias nos tornássemos micro-deuses de ventos e monções). São os fanáticos que proibem o ensino da Teoria da Evolução pois a Bíblia é para ser entendida li-te-ral-men-te (dai-lhes alguma imaginaçãozita, Senhor...!)

A maioria das manifestações de Terra reveste-se de uma profunda aversão à mudança. Terra pressupõe estabilidade, e ninguém quer assistir ao próprio envelhecimento, encarar a sua mortalidade ou a daqueles que ama. Queremos o nosso dinheiro seguro no banco, o tecto de nossa casa protegendo as nossas cabeças dia após dia. Queremos ordem, organização, saber com o que contamos amanhã e daqui a um ano. E nada há de errado com isso: só lutando por construir algo sólido podemos aspirar a deixar marcas permanentes no mundo. De que serve ter ideias brilhantes se não as concretizamos em algo palpável...?

Nesta dualidade reside a essência do elemento Terra, e a razão pela qual continuamos a debater-nos para encontrar o equilíbrio no plano material. Ter tudo porque só assim estamos seguros, ou não ter nada porque na realidade nada nos protege do que está para vir?

Não é fácil encontrar um meio termo. Gosto de imaginar que todo o mundo material é como um pomar. Há que saber semear no tempo certo, colher no tempo certo. Ultrapassar períodos de seca e períodos de cheia com paciência e determinação. Conhecer profundamente aquilo que se planta, respeitar a essência da semente (a de maçã nunca vai gerar um limoeiro!) Prever atempadamente as etapas de florescimento, polinização, maturação do fruto, adequando o adubo e a rega às necessidades de cada etapa. Acima de tudo, há que respeitar a sabedoria infinita da Natureza. E saber esperar.

É isto que fazem os empresários bem sucedidos, não? Em vez de frutos, colhem dinheiro, sucesso profissional e material. Para tal usam do mesmo sentido de responsabilidade para com os seus deveres, da mesma dedicação aos seus projectos, da mesma sensatez na gestão de imprevistos e contratempos. Menos poético falar de dinheiro do que de frutos? Talvez, mas na realidade é tudo o mesmo: dádivas de Terra, da Terra, pequenos pacotes de energia em formato matéria

Não é o dinheiro em si que nos torna materialistas. É o não entendermos que o dinheiro não é em si mesmo um objectivo final, mas apenas um instrumento através do qual honramos a Terra que há em nós e aplicamos os nossos melhores talentos e saberes para construir algo que dure. Que seja útil para as outras pessoas. Que valha o nosso maior e melhor esforço.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Jung e as Ovelhas Negras

"O maior fardo que uma criança tem de carregar é a vida não vivida dos seus pais".

Carl G. Jung, Psiquiatra e Psicoterapeuta Suiço (1875-1961)


Não sei se existirá alguma família que não tenha pelo menos uma ovelha negra. Em certas famílias, a ovelha negra estará talvez melhor camuflada do que noutras - afinal, o que vão as pessoas pensar....? E no entanto estes rebeldes (com ou sem causa) desempenham um papel essencial no desenvolvimento psicológico e espiritual da sua linhagem. Não são apenas desordeiros gerando o caos na sua família de Hoje, mas sim herdeiros de uma importante tarefa: a de prosseguir, no caminho dos seus antepassados, a busca pela integração plena.

E que é isso de integração plena? É o preenchermos as partes de nós que sentimos incompletas. Numa família, isso significa desenvolver os talentos, as competências, as características que foram sendo negligenciadas ao longo do tempo, às vezes durante muitas gerações.

Será ovelha negra o contabilista que nasce no seio de uma família de músicos, ou o jardineiro numa família de advogados. A expressão de uma vocação profissional é talvez a forma mais visível que uma ovelha negra tem de se manifestar. Mas há muito mais em jogo do que isso. 

Astrologicamente, observa-se com facilidade a transmissão de certos padrões astrológicos dentro da mesma família. Certos signos que se repetem, ou certos aspectos (sobretudo entre planetas pessoais e um dos mais lentos). Estes padrões mostram recursos preciosos para o desenvolvimento individual e familiar, permitem que cada pessoa construa algo de significativo durante a sua vida e que esse "algo" se torna numa parte importante do legado da sua família. Um elo precioso numa longa cadeia de elos, geração após geração.

Mas por mais "afortunado" que possa parecer um legado astrológico, há sempre uma sombra que aprendemos, com a nossa família, a ignorar. A família de músicos pode ter uma dificuldade tremenda em gerir os seus bens (dirão "mas que importa o dinheiro, se acima de tudo está a arte...?"); a família de advogados despreza todo e qualquer tipo de trabalho manual ("sujar as mãos, eu? nem pensar nisso!"). 


Música exige técnica, técnica exige dedicação, esforço e dextreza. E o despertar dos sentidos, claro. Tudo isto são dons de Terra, tal como o é a capacidade para lidar com questões materiais. Posses, objectos, dinheiro. Terra plenamente integrada é tudo isto, desde o belíssimo timbre de um Stradivarius ao barulhinho dos trocos que levamos no bolso. E depois de muitas gerações de músicos brilhantes de inspiração, eis que surge um contabilista nato. O que ele gosta mesmo é dos números, das contas, do dever e do haver. 

A família horroriza-se, ou talvez fique apenas decepcionada. Na melhor das hipóteses, encara este inédito talento como uma lufada de ar fresco. Um astrólogo traça o seu mapa et voilà, nada de extraordinariamente diferente do resto da família. Este poderia até ser o mais artístico dos filhos, o mais famoso dos netos. E no entanto algo nele o fez seguir o seu percurso astrológico de um modo inteiramente diferente dos seus familiares, desenvolvendo os seus talentos terrenos de forma inédita. 

O quê? Não sei, precisaria dar uma olhadela mais atenta ao mapa fictício deste contabilista imaginário. Mas, como defendia jung, é provável que nada tenha um efeito tão significativo no desenvolvimento de uma pessoa do que a vida não vivida dos seus pais. E nesta "vida não vivida" cabem muitas coisas. Desde logo os sonhos deixados para trás, por se terem revelado "irrealistas" ou "perigosos". Os relacionamentos não vividos, os talentos por explorar, tudo isto é esqueleto no armário dos nossos pais. Alguns esqueletos serão mais ao menos conscientes, talvez até olhados com uma certa nostalgia conformada (ah, o que eu queria mesmo ter sido era piloto/actor/político....). Outros esqueletos vivem sempre na obscuridade do Inconsciente. Reflectirão não tanto as vocações não seguidas mas as necessidades profundas que estão na origem de qualquer vocação. O desejo de ser amado, odiado ou invejado, de inspirar multidões, de viver saltitando entre continentes, de traçar novos caminhos em território inexplorado, ou teorias pioneiras que domestiquem o medo racionalizando o caos....

Algures no Tempo estas necessidades tornaram-se tabu. "Sim, que nesta família não se fala em tontices dessas, isso é para os parvos que perdem tempo acreditando que tais coisas são aceitáveis/possíveis/úteis, não é para nós". E o tabu vai criando raízes, geração após geração. Já ninguém o questiona. Nascem músicos, vivem músicos, morrem músicos. Até ao dia em que aquele que nasceu músico decide que afinal gosta mesmo mesmo é de contabilidade.



Ninguém escolhe ser ovelha negra só pra chatear, ou porque sim, ou porque faz-parte-da-juventude-o-ser-rebelde-e-isso-depois-acaba-por-passar-com-o-tempo. Todos temos o primordial dever de sermos autênticos. E acredito que só assim conseguiremos de facto, com a nossa vida inteira, honrar o legado dos nossos antepassados e dar um passo em frente no sentido da integração plena, do completo usufruto de todos os recursos e talentos intrínsecos à nossa linhagem. 

Talvez os espíritos dos que já partiram e dos que ainda nos hão-de suceder - onde quer que eles estejam - olhem com um misto de admiração e benevolência as bravas ovelhas negras que diariamente se recusam a ser só mais um entre a carneirada. Somos muito mais do que a mera soma das expectativas dos nossos antepassados, o balanço dos seus sucessos e fracassos. E continuamos a prová-lo! - mesmo que isso implique estudar Contabilidade ;-)

P.S. As profissões mencionadas neste post são apenas exemplos utilizados para efeito metafórico, não sugerem qualquer tipo de preconceito nem pretendem reflectir qualquer situação ou pessoa em concreto.

domingo, 3 de março de 2013

Mudar... mas o quê?

Sem nada aparentemente plausível que o justifique, 
interrogo-me todos os dias com o seguinte: 

"Mas a vida será só isto? Há, seguramente, qualquer coisa que me está a escapar, algo que eu tenho que perceber e ainda não percebi, talvez um conhecimento ainda não disponível ou um dom ainda não descoberto..."

Sinto-me errática, pela vida, sem rumo definido, ainda que aparentemente tudo esteja bastante organizado... a verdade é que ainda não sei quem quero ser quando for grande... parece que as coisas me vão acontecendo como se eu não tivesse grande controlo sobre elas. 
Sinto que deveria, mudar, mudar, mudar... tenho a força para o fazer se soubesse o que mudar...

Kátia, Lisboa


Adaptado de Astrodienst
Gosto de abordar cada mapa astrológico como se tivesse uma história para contar. Ou melhor, muitas histórias. E a questão que colocamos ao mapa direciona a nossa mente racional e a nossa intuição para a história que reside nessa questão. 

Numa visão panorâmica, observam-se os quatro ângulos (Ascendente/Descendente e Meio-do-Céu/Fundo-do-Céu) em signos fixos, sugerindo uma postura de continuidade perante a vida.

Os planetas encarregam-se de escrever o parágrafo seguinte. Com Sol, Marte, Júpiter e Saturno em signos mutáveis, há grande capacidade de adaptação às circunstâncias. Sem dúvida que tudo está organizado pois consegue lidar habilmente com o que a vida prática lhe apresenta de bom e de menos bom (Sol e Marte em conjunção em Virgem, Júpiter em Sagitário na casa 2). Mas há qualquer coisa em falta, e o seu espírito profundamente investigativo (o Ascendente Escorpião com Marte em Virgem regendo o mapa, Saturno em quadratura ao Sol, em Gémeos na casa 8) permanece agitado. 

Mas a vida será só isto?  É Júpiter em Sagitário quem faz essa pergunta, o seu filósofo interior (e que dotado que ele é, em trígono ao criativo Mercúrio em Leão...!). E fá-la precisamente aos planetas na casa 9, a casa natural de Júpiter, a casa da busca pelo sentido da Vida. 

Na casa 9 vivem duas senhoras que falam em uníssono (estão em conjunção), ainda que digam coisas um pouco diferentes uma da outra (pois estão em signos diferentes). A Lua personifica a nossa criança interior, mostra o que precisamos para nos sentirmos cuidados e seguros. "Preciso de encontrar o meu lugar no mundo (casa 9), o meu lugar de heroína que fará com que todos me admirem por ser tão especial!" (a Lua está em Leão, assim como o Meio-do-Céu). Enquanto isso, Vénus em Caranguejo anseia por relacionamentos. "Quero viajar, aproveitar os prazeres que lá fora me esperam, quero envolver-me com quem me possa levar nesta viagem, quem me mantenha segura e acarinhada ao longo do caminho, quem comigo queira partilhar um ninho do tamanho do mundo".


E olhando mais atentamente para esta Vénus, parece que é ela o enigma e a solução em simultâneo. Regendo o Descendente Touro, Vénus parece esperar que tomem conta dela. Está ainda em conjunção ao Nodo Descendente, que representa as experiências que assimilámos em vidas passadas e às quais facilmente regredimos quando nos deparamos com qualquer circunstância desconfortável. "Fui tão bem cuidada em vidas passadas.... espero agora continuar a encontrar quem cuide de mim, quem me dê qualquer coisa de reconfortante em que acreditar..." Bem, por esta altura já o filósofo Júpiter perdeu a paciência e foi dedicar-se a procurar novas e estimulantes fontes de rendimento - que é pra isso que ele lá está na casa 2 ;-)

Mas não desisto da Vénus em Caranguejo. Porque Caranguejo não é só o querermos que cuidem de nós. É - e deve ser - a capacidade que temos de cuidar de nós próprios e também de cuidar dos outros. E é esse o percurso sugerido pelos nodos lunares, pois que se o Nodo Descendente sugere o passado distante de onde viemos, o Nodo Ascendente mostra qual o caminho em frente, a direcção que maximiza o potencial de desenvolvimento de cada pessoa. 

E lá está ele em Capricórnio, casa 3. Mensagem: torne-se auto-suficiente nas suas aprendizagens. Não espere que um príncipe encantado a leve a explorar o mundo, mas antes defina objectivos claros para desenvolver os seus conhecimentos. Mais do que isso, o Nodo Ascendente em Capricórnio pede-lhe que seja ambiciosa, que se comprometa com um objectivo e dê tudo de si para o alcançar. Que assuma o controlo das suas circunstâncias e concretize no mundo real os seus maiores talentos, sejam eles quais forem...

É possível que a sua óptima capacidade de adaptação tenha até agora jogado contra si, pois que se vai adaptando facilmente ao que a vida lhe traz e ao mesmo tempo acomodando àquilo que já conhece. Muita energia mutável e fixa neste mapa, mas só a energia cardinal permite traçar um rumo definido, saber o que se quer e partir à sua conquista. Nesse sentido, conta apenas com Vénus e com os nodos lunares, únicos elementos do mapa cuja cardinalidade pode facilmente canalizar para a sua vida. E com Plutão também num signo cardinal (Libra), e em trígono ao Nodo Ascendente em Capricórnio, os passos que der no sentido de desenvolver a sua auto-suficiência vão dar-lhe verdadeiro poder pessoal, o poder para comandar de facto o rumo da sua vida em vez de ficar perdida por muitos caminhos possíveis.

Porque não, a vida não é "só isto". A vida é tanto ou tão pouco quanto estejamos (in)conscientes que ela seja. A vida é tudo o que nos propunhamos fazer, cientes das nossas limitações e ainda assim empenhados em superar-nos a nós próprios. E nem importa a idade, ou as circunstâncias profissionais/ amorosas/ familiares/ financeiras/.... Qualquer dia é um excelente dia para mudar. Desenvolva o seu sentido de responsabildade para consigo própria, assuma a responsabilidade pela sua nutrição emocional, e muito em breve será capaz de traçar um rumo mais definido para a sua vida, se assim o desejar.

PS- Um exercício interessante para quem quer encontrar a sua vocação: Imagine que a partir de amanhã todas as suas necessidades financeiras estavam asseguradas sem que precisasse de um emprego. O que faria com esta nova disponibilidade total?... Ok, o que faria com esta nova disponibilidade total DEPOIS de tirar umas longas férias e fazer umas belíssimas viagens? É que o lazer também farta, não? ;-) 

Pense no que faria apenas pelo prazer de o fazer. E quando finalmente encontrar a resposta através da sua aguçada capacidade de auto-análise (astrologicamente comprovadíssima!), descubra quem esteja disposto a pagar por isso.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Profissão convencional, talento original


Desde criança, me sinto impelido a criar coisas novas (sempre desenhei, criei músicas - ainda que sem nenhuma infra-estrutura e sempre auto didata) e no entanto, pela força do destino, atualmente sou servidor público, fiscalizando contratos do Governo - um trabalho que, se não me educo - me destrói. Se possível, gostaria de uma interpretação, ainda que breve, sobre isso.

Eduardo, BA


As questões sobre profissão & vocação são tão frequentes como interessantes. Na grande maioria dos casos encontro pessoas que trilharam até agora um caminho “convencional”, mas que por algum motivo parecem ter despertado para uma inquietação interior que as desafia a explorar os seus recursos escondidos - muitas vezes soterrados pelo peso das expectativas familiares e sociais. 

Um olhar superficial sobre estas questões pode considerá-las banais e indistintas umas das outras, pois que sempre estão envolvidos dilemas de segurança material (devo arriscar e mudar de vida ou manter-me no emprego estável?), de responsabilidade familiar (como vou sustentar a minha família?) e até de reputação (o que é que vão pensar de mim?). Porém cada pessoa é única, inigualável e irrepetível, e portanto cada crise vocacional tem na sua essência motivações e contornos muito específicos. Entender uma questão destas com um mínimo de profundidade requer por isso que se observe o mapa astrológico natal e se compreenda todo o potencial, aspirações e necessidades que nele estejam reflectidas.

Neste caso concreto, o mapa astrológico (omitido a pedido) mostra um ênfase nos signos de Aquário e Capricórnio. Há assim uma grande concentração de energias na área de participação social, através de uma carreira profissional sólida e bem reputada (Capricórnio) mas também da implementação de soluções inovadoras em contexto de cooperação com os outros, para benefício de todos (Aquário). 

Colocada a questão desta forma, não parece existir grande conflito. É certo que Capricórnio prefere trabalhar numa instituição bem organizada e com hierarquias muito definidas (e o funcionalismo público é mais do que apropriado para satisfazer as aspirações capricornianas). E que Aquário gosta de ambientes mais informais, recusa obedecer a autoridades obsoletas que já não sejam eficazes, revolta-se contra as injustiças do Sistema e propõe novas e melhores estruturas. Mas nem por isso estes signos são incompatíveis em termos de escolher uma só profissão, pois podem complementar-se muito bem em qualquer área que exija dedicação e perfeccionismo técnico (Capricórnio) além de inovação e espírito de equipa (Aquário).

Até aqui tudo certo. Não fosse essa necessidade de fazer música, esse escape criativo que o mantém a salvo da “destruição pelo trabalho” ;-) É curioso que fale na “força do destino”, porque de facto com Saturno-Urano em conjunção ao Meio do Céu é natural que sinta que o seu rumo profissional obedeça a um poder superior, que as circunstâncias o levam por um caminho que não pode deixar de percorrer. E aqui mais uma vez o apelo de Capricórnio e Aquário (os respectivos regentes) para que coloque todas as suas capacidades ao serviço do melhoramento da sociedade.

Mas a sua questão não vem do que está no seu mapa. Ela nasceu do que não está no mapa. Quando encontramos uma grande acumulação de planetas em certos signos, casas ou elementos, isso significa que outros signos, casas ou elementos não têm “voz”. E no entanto precisamos de integrar todo o Zodíaco nas nossas vidas para nos sentirmos completos. É por isso que muitas vezes encontramos pessoas absolutamente determinadas a desenvolver aquilo de que o seu mapa astrológico tem falta, pois que sem isso sentem-se sempre por preencher, por cumprir totalmente.

O seu caso demonstra bem isso. A presença de Sol, Lua e Mercúrio em Aquário na casa 11 cria um desequilíbrio em relação à casa 5. Para si é natural a sensação de pertença a algo maior, a identificação com a mentalidade do seu grupo de amigos, ou com as correntes de pensamento que acredita servirem o bem comum. Ainda que possa muitas vezes sentir-se “peixe fora d’água” quando está com outras pessoas (Serei demasiado “estranho” para ser aceite pelos meus colegas?), a sua integração social é fundamental para a construção da sua identidade. E no entanto essa concentração de energias na área do Colectivo deixa um “vazio” no que diz respeito à sua criatividade individual. 

Como pode alguém ser uma voz activa, participativa e útil à sociedade se ainda não descobriu todo o seu potencial criativo individual? Não podemos dar aos outros aquilo que ainda não desenvolvemos em nós. Daí que, ainda que você possa ser super-eficiente na sua vida profissional, há ainda uma grande parte de si que precisa encontrar uma forma de se expressar, e essa parte tem tudo a ver com talento criativo. O mapa mostra que você tem os recursos necessários para que isso aconteça: o Fogo da inspiração está presente na Vénus em conjunção ao Ascendente Áries e também no trígono Júpiter-Marte.

O seu processo criativo será certamente um caminho novo, pois você não tem vocação para seguir as pisadas de ninguém (o facto de ser auto-didacta mostra bem isso :-) Ainda que no momento actual a sua vida profissional possa parecer-lhe demasiado “certinha”, ouça aquela voz interior que o incita a criar algo único e inovador, algo que só você poderia criar pois que tem a sua marca individual e de mais ninguém. É que aquilo que você tem para dar ao mundo - seja música ou ilustração ou outra coisa qualquer - não é só um objectivo pessoal que o fará sentir-se mais realizado, mas também um meio de inspirar as outras pessoas a serem elas próprias mais autênticas. 

Existe ainda uma outra importante motivação para as suas actividades artísticas. O mapa astrológico mostra uma nítida falta do elemento Água, o que sugere que lidar com o mundo das emoções pode ser um dos seus maiores desafios. Expressar-se através da arte é uma forma de canalizar as suas emoções, e quem sabe de compreendê-las e aceitá-las tal como se apresentam, sem tentar analisar ou racionalizar. Partilhar a sua arte com outras pessoas será o passo seguinte (já o fez?), e terá sem dúvida uma importância enorme pois significará mostrar-se vulnerável nas suas emoções. Não se preocupe que é mesmo assim: todos somos humanos emotivos e vulneráveis, simplesmente alguns de nós disfarçam melhor que outros ;-)




Continue por isso a desenvolver os seus talentos, dando mais ouvidos à sua chama criativa do que à necessidade de ser aceite pelos outros. Não precisa de fazer do seu talento artístico uma profissão, nem precisa de continuar num emprego que não o realiza. Nada é definitivo, apenas temos certeza de que tudo está em permanente transformação. Sem pessoas conscientes do seu potencial individual não se constroem sociedades evoluídas. Só depende de você encontrar uma forma de desenvolver a sua criatividade sem sacrificar o seu profissionalismo ou a sua integração social. Garanto que vai valer a pena :-)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Quíron em Touro e a Crise Portuguesa

Faço parte da última geração que nasceu com Quíron em Touro. A vulnerabilidade associada ao sentido de valor próprio e à capacidade para assegurar uma vida estável parecem ser características deste posicionamento, ainda que tal se possa manifestar de modo muito diferente. Para algumas pessoas, isso pode representar grandes dificuldades na relação com o corpo e as suas necessidades. Para outras, a falta de recursos financeiros que leva a contar os dias de mês a mês, de vencimento em vencimento (ou de subsídio em subsídio). 

Actualmente Portugal atravessa o período mais negro da sua História recente. Talvez os mais antigos se lembrem de tempos igualmente difíceis - ainda que as dificuldades fossem outras - mas para aqueles que como eu cresceram em liberdade e estabilidade, que aprenderam a confiar nas instituições - por mais ineficientes e mal geridas - e a acreditar que o voto faz a diferença, estes são tempos de completa estupefacção.

Mapa Astrológico da Revolução de Abril de 74
Adaptado de Astrodienst
Lembrei-me que muitas pessoas da minha idade (nascidos entre 1977 e 1980, mais coisa menos coisa) terão Quíron em conjunção ao Sol em Touro do actual regime democrático português (ver mapa astrológico do 25 de Abril). A construção deste Estado português parece ter-se sempre regido pela melhoria das condições de vida em termos muito concretos. E sem dúvida que os dinheiros europeus contribuíram de forma decisiva para esta sensação de que nada nos faltará jamais, da parabólica ao automóvel novo de 3 em 3 anos, do estatuto inatacável de funcionário público à inconsciente herança salazarista de que "está tudo bem assim e não podia ser de outra maneira". 

Tudo isto é Touro em modo "agora-não-me-apetece-evoluir-que-aqui-está-se-muito-bem". O comodismo, o consumismo, a inércia. Talvez a identidade natural renascida no 25 de Abril sempre tenha ressoado no nosso Quíron em Touro. E como a mentalidade predominante, talvez tenhamos calado a nossa inerente falta de sentido de valor com as benesses com que a má governação nos ia anestesiando. Se podíamos arranjar facilmente um emprego na Função Pública, porque nos haveríamos de questionar sobre os nossos talentos? Para quê pensar se o trabalho que fazíamos tinha qualidade se no final do mês o salário estava sempre garantido? E porquê colocar em causa a ineficiência, as cunhas, a incompetência, a injustiça, se sempre assim tinha sido e sempre assim seria? Don't make waves.

Valores, valores. Já não nos podemos esconder: Quíron em Touro sofre com o estado do país, e sofre muito. A já famosa crise de valores. Afinal, o que é mesmo importante para nós? Quem não encontra sustento por cá abandona o país com amargura e desilusão. Entre os que cá ficam, alguns manter-se-ão na ilusão de que isto "há-de passar" (Touro em negação é assim, agarra-se ao que é seu e espera pacientemente que tudo o resto volte ao sítio). Mas para muitos já não há como voltar atrás, à ingenuidade de que somos um país desenvolvido que, apesar das dificuldades, caminha lentamente no bom sentido. A crise força-nos a enfrentar a nossa debilidade quirónica. O que valho eu? O que restaria em mim se tudo o que é meu me fosse tirado? O meu corpo? Os meus talentos? O que tenho em mim de útil, de válido, de valioso, que possa garantir o meu sustento? O que posso eu construir que seja sólido, estável, à prova de crise?

E quando sabemos que é tempo de aceitar a mudança em vez de resistir-lhe? Como pode Quíron em Touro aceitar tamanha mudança num País tão avesso à mudança, se nem sabemos o que das nossas vidas pessoais vai sobrar quando tudo isto finalmente tiver um fim... ? Afinal, quando vale a pena agarrarmo-nos furiosamente ao nosso querido modo de vida, e quando é melhor simplesmente partir para longe, para uma nova promessa de abundância e de estabilidade...?

Não tenho respostas. As perguntas levam-me a reflectir sobre a riqueza de significados que está contida em Quíron. Talvez tudo isto nos force a encontrar novas e melhores formas de gerir os nossos recursos, individuais e públicos. Talvez nos desafie a utilizar e rentabilizar talentos que nunca antes levámos a sério. Talvez nos obrigue a construir um novo tipo de estabilidade pessoal e colectiva, mais sólida, mais durável. Talvez nos leve a descobrir que não podemos esperar ser sustentados pelo Estado, por mais impostos-ou-contribuições-ou-taxas que paguemos. Que o nosso valor próprio enquanto indivíduos e enquanto povo pode e deve resistir aos maus orçamentos, aos maus políticos, às más conjunturas interna e externa e a todo a escassez material e moral que este país ainda venha a ter de suportar.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Da vocação à profissão

Gostaria que no seu olhar pelo meu mapa astral me dissesse se consegue prever nos tempos mais próximos uma melhoria na minha situação profissional e financeira.

Estou a enveredar por um novo caminho profissional e é uma aposta que não me está a assegurar neste momento a minha subsistência e a da minha familia mas que me está a dar enorme prazer desenvolver. 

Sou Life Coach certificada há cerca de 1 ano e trabalho em publicidade. Estou a exercer essa profissão nas minhas horas vagas e a título gratuito mas gostava de saber se esta minha nova área tem sustentação no futuro.

Flor de Oliveira, Lisboa


Vivemos tempos de grande incerteza. A estabilidade profissional e a confiança nas instituições que muitos de nós aprendemos a tomar como coisa adquirida têm vindo a desmoronar-se perante o olhar incrédulo de toda a nação portuguesa. Paradoxalmente, esta situação tem servido para acordar muitos dos nossos talentos que até agora viviam adormecidos pelo conforto do consumo fácil. Mas as dúvidas persistem e são perfeitamente válidas: pode a actividade que verdadeiramente me apaixona servir para pagar as contas? Devo abdicar da carreira profissional a que tanto me dediquei para arriscar, financeira e emocionalmente, em algo francamente diferente de tudo aquilo que encaixa na definição tradicional de "sucesso"?

Adaptado de Astrodienst
Na base deste mapa astrológico está uma certa "urgência" em cuidar dos outros. Com o Sol, Mercúrio e Vénus conjuntos em Caranguejo, é grande a tendência para estabelecer uma ligação emocional com as as pessoas com quem se relaciona, e fá-lo naturalmente através de uma interacção calorosa e optimista com os outros (Ascendente Leão). O Sol rege este mapa - é ele que determina essa sua missão lunar de nutrir os outros com os seus imensos recursos emocionais. E porque a Lua está em Carneiro na casa 8, essa missão passará por um papel de liderança na gestão das crises pessoais de cada um. Você tem a capacidade de apoiar os outros em situações especialmente difícieis. E fá-lo não só pelo apoio emocional que consegue proporcionar mas sobretudo porque os inspira a agir, a tomar as rédeas da situação e a não terem receio de reclamar os seus direitos e impôr a sua vontade. Você pode bem ser um exemplo de coragem e de assertividade neste país cada vez mais dominado pela sensação de impotência e pela falta de confiança nas próprias capacidades. 

Este seu talento inato não é só "seu", nem a sua vontade de se tornar life coach deve ser entendida como uma questão de simples satisfação pessoal, ou de vaidade do Ego - longe disso!! É que temos Plutão e Neptuno envolvidos no assunto (a Lua está em quincúncio a ambos, formando um Yod ou Dedo de Deus). A sua Lua - o tal instinto para ajudar os outros a gerir recursos e ultrapassar dificuldades - é "alimentada" por fortes energias colectivas que exigem transformação do modo como as pessoas utilizam as suas capacidades práticas (Plutão em Virgem) e exploração das emoções mais profundas como fonte de transcendência e de dedicação à Humanidade (Neptuno em Escorpião). Daí que esta Lua não é só "sua" no sentido em que canaliza algo muito maior, uma tarefa "universal" para a qual você foi recrutada como executante.

Porquê life coach e não outra coisa qualquer? O mapa sugere que a sua reputação social e profissional está intimamente relacionada com a sua capacidade de lutar por objectivos muito práticos, de forma a construir algo de concreto e palpável no mundo material (Marte em Touro, conjunto ao Meio-do-Céu). A profissão de life coaching permite-lhe ajudar os outros exactamente desta forma, porque reune os instrumentos práticos necessários para que cada pessoa faça uma gestão eficaz da sua vida em termos muito concretos. Mas o que isto significa também é que você precisa de conquistar estabilidade efectiva na sua profissão, precisa de saber com o que pode contar hoje, amanhã, daqui a um ano. E também por isso a sua relutância em mudar de carreira profissional seja tão compreensível. Você precisa de demonstrar para si própria que consegue a remuneração de que precisa, pois só assim uma mudança tão grande se tornará aceitável aos seus olhos (é que Marte em Touro detesta mudar ;-)

Quanto a rendimentos próprios, a casa 2 em Virgem sugere que você se sustente através dos seus conhecimentos técnics e capacidades práticas. O signo de Virgem contem também o ideal do serviço ao Outro, da dedicação a aperfeiçoar o que tem falhas de modo a contribuir para um mundo mais funcional. Ainda que esta casa 2 lhe dê excelente capacidade de trabalho - reforçando o que já se via em Marte conj. Meio do Céu - pode trazer-lhe alguma auto-crítica excessiva e assim minar a sua confiança de que é capaz de garantir o seu sustento. 

É possivel que nunca se ache suficientemente competente para auferir os rendimentos que gostaria de auferir - e talvez venha daí o facto de ainda não ter cobrado pelos seus serviços de life coaching. Mas evite cair excessivamente no lado negativo das suas limitações: tente encará-las como um incentivo ao aperfeiçoamento constante dos seus talentos, não como uma incapacidade para ser uma pessoa útil aos outros. E não permita que essas limitações que vê em si a impeçam de reclamar o que é seu por direito: a valorização do seu trabalho e a sua natural expressão em termos remuneratórios. Repare que tanto a casa do sustento (2) como a casa da carreira profissional (10) são regidas por planetas em Caranguejo (Mercúrio e Vénus, respectivamente), o que mais uma vez aponta para uma vocação de cuidado aos outros.

Em termos de conjuntura astrológica actual, esta é muito favorável a grandes transformações - qualquer que seja o mapa em análise. Parece que os deuses nos estão a bater à porta e compete a cada um de nós, nas suas vidas individuais, reflectir sobre que mensagem os deuses nos trazem e como podemos torná-la realidade - ainda que isso signifique deixar para trás muito do que até agora fomos, construimos, acreditámos.

No seu caso concreto, Urano dança neste momento sobre a sua Lua, incitando-a a agir, a tomar de assalto o controlo sobre a sua vida e a abraçar o desejo de ajudar os outros. Neptuno e a Lua progredida avançam em oposição ao seu Plutão natal, apelando a que reconheça e assuma o seu poder pessoal em prol de uma vida mais de acordo com os seus ideais e de maior comunhão com o bem estar espiritual dos outros. Outro trânsito interessante acontece na sua casa da criatividade (5), envolvendo Plutão a Saturno natal. Este Saturno em Capricórnio quase que exige que você faça da criatividade uma profissão - talvez por isso trabalhe em publicidade. Mas Plutão chegou para virar tudo do avesso, e obrigá-la a encontrar dentro de si o significado mais profundo da sua criatividade. Servirá apenas para ajudar a vender imagens e produtos, ou pode ter um propósito maior? Nos próximos tempos (1-2 anos) serão sujeitas a raio-X as suas responsabilidades perante o uso que até agora fez do seu talento criativo. Está preparada para este auto-exame? Não tenha receio de se confrontar a si própria: desta experiência pode resultar toda uma nova forma de encarar os seus recursos criativos e de os utilizar para conquistar reputação e estabilidade na profissão que realmente a faz feliz.

Regressando à sua questão, os desafios estão para continuar nos próximos tempos. Para já sugeria-lhe que começasse a cobrar pelos seus serviços de life coaching, por muito simbólica que seja a remuneração. Isso vai proporcionar-lhe uma validação real, palpável, das suas competências enquanto life coach, e vai também permitir-lhe aumentar a sua rede de contactos nessa área. É que se você não se valoriza o suficiente para cobrar pelo serviço, quem a vai valorizar? Mostrando-se como uma verdadeira profissional dessa área - ainda que em part-time - vai ajudá-la também a perceber que oportunidades e hipóteses reais existem de se dedicar a 100% ao life coaching. Acredite que aos poucos tudo se tornará mais claro: mantenha os pés no chão, mas não deixe que os seus sonhos sejam apenas sonhos.