E-book "Profissão: EU!"

E-book "Profissão: EU!"
Da autora do blog "Nodo Ascendente", já à venda em raquelfialho.com

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Exercício de Futurologia Moral

Dear all,

Os dias longos sempre me convidaram mais à experimentação do que à introspecção. Não obstante, o Nodo Ascendente continuará a ser actualizado.

Há algumas semanas deparei-me no Google Reader com uma questão interessantíssima, que aqui deixo à consideração das vossas mentes inquietas. 

Muitos dos nossos avós eram racistas.
Muitos dos nossos pais são homofóbicos.

Que valores/crenças/hábitos fortemente enraizados nas nossas vidas de hoje serão considerados inadmissíveis pelas gerações vindouras?

(a questão original foi colocada no site AskReddit, e pode ser encontrada aqui)

A primeira ideia que me surgiu (desde então outras têm aparecido) foi o respeito pelo bem-estar dos outros animais, e pelo equilíbrio do planeta em que vivemos num sentido mais abrangente. Não com a arrogante abordagem actual a questões como as alterações climáticas, puramente chantagista e egocêntrica, estilo "veja lá se anda menos de carro se não quer que o mau tempo lhe estrague as férias em Agosto!"... (talvez sejam ainda necessárias muitas gerações ou grandes desgraças para que se chegue lá.)

No site onde a questão foi originalmente colocada, surgiram outras hipóteses interessantes:

- Comer carne

- Condenar legal, moral e socialmente o consumo de drogas, a prostituição e a poligamia

- Praticar circuncisão por tradição religiosa

- Adquirir mais bens de consumo do que aqueles de que realmente necessitamos

- Esconder a nudez

- Excesso/défice de tolerância religiosa

Alguém tem ideias sobre o assunto? 

domingo, 26 de abril de 2009

O que é um Homo sapiens?

O Nodo Ascendente foi recentemente honrado com o Selo Lemniscata. Com essa distinção, que muito me sensibiliza, veio também o desafio de responder à seguinte questão:

O que é para ti ser um Homo sapiens?

Pois bem, cá vão umas ideias sobre o assunto. E, mais uma vez, muito obrigada Shin-Tau!


"A primeira coisa de que me lembro a respeito do mundo... foi a de que nele me sentia um estranho. Este sentimento, que é ao mesmo tempo a glória e a desolação do Homo sapiens, é o único fio de consistência que detecto na minha vida."

Malcolm Muggeridge, Jornalista e Escritor Inglês (1903-1990)


Todos somos Homo sapiens.

E estamos sós no género Homo. Este género terá emergido há cerca de 1,5-2,5 milhões de anos. Desde então, várias espécies foram surgindo, evoluindo, e extinguindo-se. Por motivos que ainda não foram cientificamente esclarecidos, todas elas desapareceram, excepto o Homo sapiens, derradeiro portador de uma longa jornada evolutiva marcada por muitas conquistas, algumas delas sem paralelo em todo o Reino Animal.

Várias características morfológicas, anatómicas e funcionais nos distanciam dos restantes hominídeos (chimpanzés, gorilas e orangotangos) que connosco têm co-existido até hoje. A mais impressionante, dirão muitos, é a inteligência. Mas que é isso de “inteligência”? Como defini-la? Não será um conceito demasiado abrangente e subjectivo para que o possamos atribuir em exclusivo ao Homo sapiens, negando-o a qualquer outro animal?

Observemos então duas manifestações de “inteligência” muito concretas. Qualquer uma delas pode ser encontrada noutros animais. Mas não em simultâneo E com o mesmo grau de desenvolvimento  para o qual evoluíram até ao Homo sapiens. Capacidade técnica e linguagem.

Com a capacidade técnica (e tudo começou com o simples polegar), foi possível utilizar cada vez melhor as circunstâncias do ambiente a favor da própria sobrevivência. Paus que se transformam em lanças ou arados, pedras em armas ou abrigos. Domestique-se o fogo para que seja nosso eterno aliado, os cereais e os herbívoros para que sustentam todas as gerações vindouras!

Com a linguagem, as relações sociais progrediram, ganharam em complexidade, em profundidade, as mensagens outrora directas adquiriram variações de tom e de significado cada vez mais subtis. Conversemos, argumentemos, organizemos a nossa família, a nossa sociedade, façamo-las unidas em torno de propósitos comuns, aprendendo a encontrar na individualidade de cada um a força de todos!

E assim foi. Capacidade técnica e linguagem. Quando pensei nestes dois sinais tão fundamentais da “inteligência” do Homo sapiens, segredos do seu sucesso evolutivo, lembrei-me de Mercúrio. O mensageiro dos deuses é quem rege a capacidade técnica (Virgem) e a linguagem (Gémeos). Observando o Zodíaco, encontramos Caranguejo e Leão entre Gémeos e Virgem. Leão que é regido pelo Sol, o Ego. 

Caranguejo, regido pela Lua, o Inconsciente. Daí que não seja completamente despropositado pensar na evolução do Homem nestes termos, percorrendo o Zodíaco em ambas as direcções (sentido horário e anti-horário) a partir de Leão e Caranguejo. 



Nestes dois signos reside o cerne de qualquer Homo sapiens, Ego e Inconsciente. Depois, com Mercúrio, linguagem (Gémeos) e capacidade técnica (Virgem) são desenvolvidas como forma de adaptação ao Outro e ao mundo material. Em Vénus, encontramos outra etapa da evolução, o aprender a gerir os recursos naturais ou produzidos (Touro) e os afectos envolvidos nas relações humanas (Balança). Na dupla Marte-Plutão, uma das mais difíceis lições: o impulso para a conquista do novo (Carneiro) traz consigo o imperativo de saber lidar com a Morte, e com isso dominar o medo do Desconhecido (Escorpião). Em Júpiter e Neptuno, a essência da sociedade ganha forma sob as leis morais que aspiram à Utopia (Sagitário), tantas vezes indissociáveis da ligação ao Absoluto que é objectivo último do desenvolvimento da espiritualidade em cada Homo sapiens (Peixes). E, finalmente, eis-nos chegados, seres humanos, a este ano de 2009, que é de Aquário como é de Capricórnio por muitas razões. E por mais uma: a oposição Saturno-Urano que se tem vindo a observar nos céus desde 2008 e até 2010, coloca-nos, Humanidade, perante mais um dilema da etapa evolutiva, talvez o derradeiro dilema. Aquele que opõe a liberdade individual à responsabilidade colectiva. Quantos erros têm sido cometidos em nome de uma e de outra? Quantas pessoas agem irracionalmente para prejuízo de muitos? Quantos governos oprimem os seus cidadãos em nome do “bem comum”? Quantos mais erros serão necessários até que todos nós, Homo sapiens, sejamos capazes de honrar o longo Passado evolutivo que nos trouxe até aqui, reencontrando o equilíbrio que temos vindo a abandonar desde que iniciámos a jornada pela “inteligência”, o equilíbrio que nos é tão essencial como miraculoso… Nas palavras de Nietzsche, o ser humano é uma corda estendida sobre o abismo, entre o Animal e o Divino. A meu ver, isso não significa que estamos predestinados a “dominar o mundo” (que arrogante, essa “inteligência”!), que podemos p.ex. controlar alterações climáticas (que acontecem desde que o mundo é mundo, independentemente das causas ou das consequências… a atmosfera desconhece esta nossa “inteligência”, não lhe presta vassalagem). O Mundo, meus congéneres de espécie, não é o nosso parque de diversões, campo de treino para o constante desenvolvimento desta “inteligência” que tanto veneramos, qual Santo Graal da evolução… O Mundo é um milagre. E cada um de nós, Homo sapiens, fomos convidados a participar, através não tanto da Inteligência como da Consciência da centelha divina que todos temos, e que nos torna parte ínfima mas fundamental desse milagre.

Conheça-se a si próprio, honre a sua espécie, e participe activamente nesta caminhada evolutiva que se iniciou há 200.000 anos. Seja um Homo sapiens.

domingo, 5 de abril de 2009

Comentário a'O Dever de Crowley

"É preciso ter ainda caos dentro de si para poder dar à luz uma estrela dançante." 

Friedrich Nietzsche (filósofo alemão, 1844-1900) 

in Assim Falou Zaratustra


Antes de mais, agradeço ao Léo os comentários (e que venham mais! ;-) Como ambos mereciam uma cuidada resposta, cá vai a primeira.

A palavra “thelema” é de origem grega, e pode ser entendida como um substantivo, “vontade” (=will), ou como um verbo, “querer” (=to will). Nos primeiros escritos cristãos, essa palavra era utilizada como referência à vontade de Deus ou à vontade do ser humano. Na obra Gargantua e Pantagruel, do francês seiscentista François Rabelais, a Abadia de Thelema vive de acordo com uma única regra: “Fay ce que vouldras” (=”Do what thou wilt”, “Faz o que quiserdes”). O mote foi utilizado mais tarde, no séc. XVIII, pelo restrito Hellfire Club, um grupo de espaços exclusivamente frequentados pelas figuras mais destacadas da sociedade londrina.

Em 1904, Aleister Crowley recupera a palavra Thelema como designação para o sistema filosófico e místico que viria a desenvolver em diversas obras (a começar pel’ O Livro da Lei), numa síntese muito personalizada do Ocultismo, Misticismo Oriental e Misticismo Ocidental (sobretudo a Qabalah). Grande parte da obra de Crowley versa sobre temas relacionados com a “sua” Thelema. O “Dever”, como “Liber Oz” e “Liber II”, referem aspectos da conduta individual a seguir por todo o adepto da Thelema, embora o próprio Crowley abominasse qualquer tipo de ética formal:

 

"There are no "standards of Right". Ethics is balderdash. Each Star must go on its own orbit. To hell with "moral principle"; there is no such thing."

(in Liber AL vel Legis)


Não existem “padrões do Bem”. Ética é non-sense. Cada Estrela deve seguir a sua própria órbita. Para o diabo com o “princípio moral”; não existe tal coisa.


O Dever divide-se em quatro grandes temas: O Dever para consigo próprio; O Dever para com os Outros; O Dever para com a Humanidade; e O Dever para com todos os Seres e Coisas.

E agora os comentários:

A. O Dever para consigo próprio

Crowley defende que cada indivíduo se coloque no centro do seu próprio Universo. Pode parecer egomania, mas não é. Na ausência de uma verdade absoluta na qual possamos acreditar sem qualquer margem para dúvidas, aquilo com que cada um de nós conta é consigo próprio. Cada um de nós é um milagre que merece ser descoberto, cujas qualidades devem ser exploradas e desenvolvidas, criteriosamente analisadas e equilibradas umas em relação às outras. Não faz isto todo o sentido? Como podemos aspirar a ser pessoas válidas e felizes se vivemos na ignorância do nosso próprio Eu? A maior viagem de todas é a da auto-descoberta, e por isso o seu objectivo deve ser colocado acima de tudo, no centro do Universo, quer chamemos esse objectivo de “Eu”, ou de “Alma”, ou de qualquer outra coisa. “Contempla a tua própria Natureza”, prossegue Crowley. “Encontra o teu propósito, estende o domínio da tua consciência”: consequências naturais do auto-conhecimento. E finalmente, “não permitas que o propósito de outro Ser interfira com o teu, não reprimas os verdadeiros instintos da tua Natureza, e rejubila!” Confia em ti próprio, aceita-te como és, e admira o milagre que és tu e a tua vida. “Remember all ye that existence is pure joy”. Há como contrariar isto? 

B. O Dever para com os Outros

Se dúvidas houvesse quanto ao “egoísmo” hipoteticamente manifestado na parte A, aqui Crowley desfaz as dúvidas. O Amor acima de tudo, o Amor que destrói a ilusão da separação entre nós e os outros, entre nós e tudo o resto. “Se preciso for, lutai como irmãos, provai o mérito das vossas posições pelo confronto de energias criativas.” Que mal há num pouco de “competição saudável”? Muito se pode aprender com a discussão de argumentos, muito mais haverá para encontrar naqueles que discordam de nós do que naqueles que a tudo dizem “sim”. Não interferir com o propósito dos Outros: porque seguir a própria Vontade não implica fazer TUDO, mas ser livre respeitando a liberdade alheia. Se outra pessoa sentir dificuldades em compreender-se, pode ser ajudada, especialmente se a sua ignorância a impede de compreender o seu verdadeiro propósito. Mas com cuidado, usando de bom senso e muita experiência. “To influence another is to leave one's citadel unguarded; and the attempt commonly ends in losing one's own self-supremacy.” E finalmente, como antes reconhecemos a nossa perfeição individual, devemos também reconhecer a perfeição do Outro. Cada homem e cada mulher são uma Estrela. Cada pessoa é o centro de um Universo, cada um desses Universos absolutamente único e nada comparáveis entre si.

C. O Dever para com a Humanidade

D. O Dever para com todos os Seres e Coisas

Aqui é que a aplicação da Thelema se começa a complicar… Não me parece que se trate de Anarquia per si, porque seria sempre necessário algum tipo de organização para que as coisas práticas funcionassem. Mas se um Governo funcionar de forma tão racional como pretende Crowley que todos nos “funcionemos”, o que pode correr mal? Não sei, mas vou continuar a pensar nisso… mesmo que nada de significativo pudesse correr mal, para lá chegarmos seria preciso uma emissão “thelemática” em simultâneo para “sintonizar” as cabeças de muitos seres humanos. Parece lavagem cerebral? Sinceramente, e dum ponto de vista estritamente prático, não vejo outra solução ;-) Ainda assim, e num exercício de pura especulação utópica, seria interessante viver numa sociedade de homens e mulheres livres, genuinamente empenhados no seu “dever crowliano”, para consigo próprios e para com os outros. Seria de facto extraordinário viver num espaço com tantos graus de liberdade, em que cada indivíduo fosse suficientemente racional para escolher os seus próprios “dogmas”, sabendo que de verdades relativas se tratam e nada mais… Viver observando cada milagre da existência, e tendo a oportunidade de partilhar todas essas experiências únicas com outros indivíduos, também eles entusiasticamente empenhados na sua própria viagem.


Do what thou wilt shall be the whole of the Law.


PS- Aguardo os vossos comentários ;-) 

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A propósito do Twitter

A aplicação electrónica de que se fala nos dias que correm é o Twitter. A sua odisseia é única e, em grande medida, não tão extraordinária no mundo da cultura online. O Twitter começou por ser uma aplicação que permitia a podcasters comunicarem através de podcast. Esta primeira utilização não teve grande aderência, mas alguém percebeu que havia ali um enorme potencial inexplorado. O Twitter pretende revolucionar a Internet como uma forma ultra-rápida de comunicar e, mais importante que isso, de agregar utilizadores e as suas opiniões em torno de emissores de informação já implementados, desde os blogs mais radicais aos meios de comunicação mainstream. Para o típico “velho do Restelo” às apalpadelas neste séc.XXI, este distanciamento da intimidade via Internet com tecnologias como o Twitter (no qual pensamentos e acções são reduzidos a meros 140 caracteres) não é nada reconfortante. No entanto, em termos de puro marketing e considerando uma perspectiva estritamente direccionada para a acção, o Twitter é pura dinamite. 

Muitos estudiosos de Astrologia consideram 2009 o Ano de Aquário, e nesse contexto as tecnologias que, como o Twitter, permitem a construção de complexas interacções omni-dimensionais entre uma infinidade de indivíduos, vão tomar de assalto o palco principal da sociedade. A premissa básica do Twitter é a de que as pessoas seguem o quotidiano umas das outras, através de mensagens curtas com actualização regular (os chamados “Tweets”). Um tweet serve para dizer o que estamos a fazer, a pensar, que vídeo, música, blog nos chamou à atenção recentemente, etc etc ETC. O poder do tweet reside na sua brevidade. Directo ao assunto. Permite divulgar conteúdos com uma rapidez muito maior: quanto mais pessoas seguirem os tweets de um determinado utilizador, maior é a influência desse utilizador a larga escala como publicitador de conteúdos. Se uma pessoa estiver ligada a um grupo de Tweeters apropriado àquilo que quer divulgar (p.ex. pessoas que se interessam por Astrologia), basta acender com um tweet o rastilho do interesse por um determinado site de Astrologia para que as visitas a esse site aumentem exponencialmente. Que extraordinariamente Aquariano, não? No mundo Twitter, não existe qualquer hierarquia, e parece reinar um código informal: deves simultaneamente ser seguidor e líder. No universo Twitter perfeito, existem tantos seguidores quantos líderes. 

Isto suscita uma questão interessante: Será a emergência do Twitter o prenúncio de uma mudança social de maior magnitude? Será esta uma tecnologia verdadeiramente democratizante, que aponta para o reconhecimento colectivo do Eu? Ou será apenas mais um passo no processo de erosão da nossa capacidade de nos relacionarmos uns com os outros, uma vício sedutor porém redutor que reflecte o aprofundar da alienação e da solidão que afectam a nossa cultura? Poderá ser ambos? E isto pode bem ser apenas o começo. Observem atentamente o surgimento de novas tecnologias que nos ajudarão a conectar, à velocidade da luz, ondas de complexidade e novidade, neste Ano de Aquário.


Adaptado de: Is Twitter The Killer App For Jupiter In Aquarius? por Robert Phoenix

sexta-feira, 27 de março de 2009

O Dever segundo Crowley

Encontrei recentemente uma recomendação para uma das obras de Aleister Crowley – Book IV Magick – cuja primeira parte apresenta uma análise racional do Misticismo Ocidental e Oriental (que será objecto de um post futuro). Na procura desse texto, mergulhei na obra de Crowley, e lá encontrei este verdadeiro “diamante Thelemático” (não sei se tal termo existe… se não existia até agora, patenteie-se! ;-) Traduzi o essencial, mas fazê-lo para a totalidade do texto seria retirar-lhe a força das palavras originais. O “DEVER”, por Aleister Crowley, é nas palavras do próprio “uma nota sobre todas as regras de conduta prática a observar por aqueles que aceitam a Lei da Thelema.”  Em tempos de reflexão sobre limites e liberdades (com a oposição Saturno-Urano pairando sobre as nossas cabeças), eis uma magnífica síntese.

Fellow creatures of the Dark Side, this post is dedicated you ;-)


DUTY

by Aleister Crowley

Do what thou wilt shall be the whole of the Law.

There is no law beyond Do what thou wilt.

Thou hast no right but to do thy will. Do that and no other shall say nay.  

For pure will, unassuaged of purpose, delivered from the lust of result, is every way perfect.

Love is the Law, love under will.

Every man and every woman is a star.


A. YOUR DUTY TO YOURSELF O teu dever para contigo próprio

1. Find yourself to be the centre of your own Universe. Encontra-te no centro do teu próprio Universo.

"I am the flame that burns in every heart of man, and in the core of every star."

2. Explore the Nature and Powers of your own Being. Explora a Natureza e os Poderes do teu próprio Ser.

This includes everything which is, or can be for you: and you must accept everything exactly as it is in itself, as one of the factors which go to make up your True Self. This True Self thus ultimately includes all things soever: its discovery is Initiation (the travelling inwards) and as its Nature is to move continually, it must be understood not as static, but as dynamic, not as a Noun but as a Verb.

3. Develop in due harmony and proportion every faculty which you possess. Desenvolve em harmonia e proporção todas as faculdades que possuis.

"Wisdom says: be strong!"

"But exceed! exceed!"

"Be strong, o man, lust, enjoy all things of sense and rapture: fear not that any God shall deny thee for this."

4. Contemplate your own Nature. Contempla a tua própria Natureza.

Consider every element thereof both separately and in relation to all the rest as to judge accurately the true purpose of the totality of your Being.

5. Find the formula of this purpose, or "True Will", in an expression as simple as possible. Encontra a fórmula desse propósito, ou “Verdadeira Vontade”, numa expressão tão simples quanto possível.

Leave to understand clearly how best to manipulate the energies which you control to obtain the results most favourable to it from its relations with the part of the Universe which you do not yet control.

6. Extend the dominion of your consciousness, and its control of all forces alien to it, to the utmost. Estende ao máximo o domínio da tua consciência, e o seu controlo sobre todas as forças que lhe são estranhas.

Do this by the ever stronger and  more skilful application of your faculties to the finer, clearer, fuller, and more accurate perception, the better understanding, and the more wisely ordered government, of that external Universe.

7. Never permit the thought or will of any other Being to interfere with your own. Nunca permitas que o pensamento ou vontade de outro Ser interfiram com os teus.

Be constantly vigilant to resent, and on the alert  to resist, with unvanquishable ardour and vehemence of passion unquenchable, every attempt of any other Being to influence you otherwise than by contributing new facts to your experience of the Universe, or by assisting you to reach a higher synthesis of Truth by the mode of passionate fusion.

8. Do not repress or restrict any true instinct of your Nature; but devote all in perfection to the sole service of your one True Will. Não reprimas ou restrinjas qualquer instinto da tua Natureza, mas dedica todos eles ao serviço único da tua Verdadeira Vontade.

"Be goodly therefore"

"The Word of Sin is Restriction. O man! refuse not thy wife if she will. O lover, if thou wilt, depart. There is no bond that can unite the divided but love: all else is a curse. Accursed! Accursed! be it to the aeons. Hell. So with thy all: thou hast no right but to do thy will. Do that and no other shall say nay. For pure will, unassuaged of purpose, delivered from the lust of result, is every way perfect."

"Ye shall gather goods and store of women and Spices; ye shall exceed the nations of the earth is splendour & pride; but always in the love of me, and so shall ye come to my joy."

9. Rejoice! Rejubila!

"Remember all ye that existence is pure joy; that all the sorrows are but shadows; they pass & are done; but there is that which remains."

"But ye, o my people, rise up and awake! Let the rituals be rightly performed with joy and beauty! ... A feast for fire and a feast for water; a feast for life and a greater feast for death! A feast every day in your hearts in the joy of my rapture. A feast every night unto Nuit, and the pleasure of uttermost delight. Aye! feast! rejoice! there is no dread hereafter. There is no dissolution and eternal ecstacy in the kisses of Nu."

"Now rejoice! now come in our splendour and rapture! Come in our passionate peace, & write sweet words for the Kings!"

"Thrill with the joy of life & death! Ah! thy death shall be lovely: whose seeth it shall be glad. Thy death shall be the seal of the promise of our age-long love. Come! lift up thy heart & rejoice!"

"Is God to live in a dog?  No! but the highest are of us. They shall rejoice: who sorroweth is not of use. Beauty and strength, leaping laughter and delicious langour, force and fire, are of us."

B. YOUR DUTY TO OTHER INDIVIDUAL MEN AND WOMEN. O teu dever para com outros homens e mulheres.

1. "Love is the law, love under will." O Amor é a Lei. Amor sob Vontade.

Unite yourself passionately with every other form of consciousness, thus destroying the sense of seperateness from the Whole, and creating a new baseline in the Universe from which to measure it.

2. "As brothers fight ye." Lutai como irmãos.

"If he be a king thou canst not hurt him."

To bring out saliently the differences between two points-of-view is useful to both in measuring the position of each in the whole. Combat stimulates the virile or creative energy; and, like love, of which it is one form, excites the mind to an orgasm which enables it to transcend its rational dullness.

3. Abstain from all interferences with other wills. Abstém-te de interferir com a Vontade dos outros.

"Beware lest any force another, King against King!"

(The love and war in the previous injunctions are of the nature of sport, where one respects, and learns from the opponent, but never interferes with him, outside the actual game.)  

To seek to dominate or influence another is to seek to deform or destroy him; and he is a necessary part of one's own Universe, that is, of one's self.

4. Seek, if you so will, to enlighten another when need arises. Se desejares, procura iluminar outra pessoa sempre que achares necessário.

This may be done, always with the strict respect for the attitude of the good sportsman, when he is in distress through failure to understand himself clearly, especially when he specifically demands help; for his darkness may hinder one's perception of his perfection. (Yet also his darkness may serve as a warning, or excite one's interest.) It is also lawful when his ignorance has lead him to interfere with one's will. All interference is in any case dangerous, and demands the exercise of extreme skill and good  judgement, fortified by experience.    

To influence another is to leave one's citadel unguarded; and the attempt commonly ends in losing one's own self-supremacy.

5. Worship all! Adorai a todos!

"Every man and every woman is a star."

"Mercy let be off: damn those who pity."

"We have nothing with the outcast and the unfit: let them die in their misery: For they feel not. Compassion is the vice of kings: stamp down the wretched and the weak: this is the law of the  strong: this is our law and the joy of the world. Think not, o king, upon that lie: That Thou Must Die: verily thou shalt not die, but live! Now let it be understood if the body of the King dissolve, he shall remain in pure ecstacy for ever. Nuit Hadit Ra-Hoor-Khuit. The Sun, Strength and Sight, Light these are for the servants of the Star & the Snake."

Each being is, exactly as you are, the sole centre of a Universe in no wise identical with, or even assimilable to, your own. The impersonal Universe of "Nature"  is only an abstraction, approximately true, of the factors which it is convenient to regard as common to all. The Universe of another is therefore necessarily unknown to, and unknowable by, you; but it induces currents of energy in yours by determining in part your reactions. Use men and women, therefore, with the absolute respect due to inviolable standards of measurement; verify your own observations by comparison with similar judgements made by them; and, studying the methods which determine their failure or success, acquire for yourself the wit and skill required to cope with your own problems.

C. YOUR DUTY TO MANKIND. O teu Dever para com a Humanidade

1. Establish the Law of Thelema as the sole basis of conduct. Estabelece a Lei da Thelema como única base de conduta.

The general welfare of the race being necessary in many respects to your own, that well-being, like your own, principally a function of the intelligent and wise observance of the Law of Thelema, it is of the very first importance to you that every individual should accept frankly that Law, and strictly govern himself in full accordance therewith.

You may regard the establishment of the Law of Thelema as  an  essential  element of your True Will, since, whatever the ultimate nature of that Will, the evident condition of putting it into execution is freedom from external interference.

Governments often exhibit the most deplorable stupidity, however enlightened may be the men who compose and constitute them, or the people whose destinies they direct. It is therefore incumbent on every man and woman to take the proper steps to cause the revisions of all existing statutes on the basis of the Law  of Thelema. This Law being a Law of Liberty, the aim of the legislation must be to secure the amplest  freedom  for  each individual  in the state, eschewing the presumptious assumption that any given positive ideal is worthy to be obtained.

"The Word of Sin is Restriction."

The essence of crime is that it restricts the freedom of the individual outraged. (Thus, murder restricts his  right  to  live;  robbery, his right to enjoy the fruits of his labour; coining, his right to the guarantee of the State that he shall barter in security; etc.) It is then the common duty to prevent crime by segregating the criminal, and by the threat of reprisals; also, to teach the criminal that his acts, being analyzed, are contrary to his own True Will. (This may often be accomplished by taking from him the right which he has denied to others; as by outlawing the thief, so that he feels constant anxiety for the safety of his own possessions, removed from the ward of the State.) The rule is quite simple. He who violated any right declares magically that it does not exist; therefore it no longer does so, for him.

Crime being a direct spiritual violation of the Law of Thelema, it should not be tolerated in the community. Those who possess the instinct should be segregated in a settlement to build up a state of their own, so to learn the necessity of themselves imposing and maintaining rules of justice.

All artificial crimes should be abolished. When fantastic restrictions disappear, the greater freedom of the individual will itself teach him to avoid acts which really restrict natural rights. Thus real crime will diminish dramatically.

The administration of the Law should be simplified by training men of uprightness and discretion whose will is to fulfill this function in the community to decide all complaints by the abstract principle of the Law of Thelema, and to award judgement on the basis of the actual restriction caused by the offense.

The ultimate aim is thus to reintegrate conscience, on true scientific principles, as the warden of conduct, the monitor of the people, and the guarantee of the governors.

D. YOUR DUTY TO ALL OTHER BEINGS AND THINGS. O teu Dever para com todos os outros Seres e Coisas.

1. Apply the Law of Thelema to all problems of fitness, use, and development. Aplica a Lei da Thelema a todos os problemas de adequação, uso e desenvolvimento.

It  is  a violation of the Law of Thelema to abuse the natural qualities of any animal or object by diverting it from its proper function, as determined by consideration of its history and structure. Thus, to train children to perform mental operations, or to practice tasks, for which they are unfitted, is a crime against nature. Similarly, to build houses of rotten material, to adulterate food, to destroy forests, etc., etc., is to offend.

The Law of Thelema is to be applied unflinchingly  to decide every question of conduct. The inherent fitness of any thing for any proposed use should be the sole criterion.

Apparent, and sometimes even real, conflict between interests will frequently arise. Such cases are to be decided by the general value of the contending parties in the scale of Nature. Thus, a tree has a right to its life; but a man being more than a tree, he may cut it down for fuel or shelter when need arises. Even so, let him remember that the Law never fails to avenge infractions:  as when wanton deforestation has ruined a climate or a soil, or as when the importation of rabbits for a cheap supply of food  has created a plague.

Observe that the violation of the Law of Thelema produces cumulative ills. The drain of the agricultural population to big cities, due chiefly to persuading them to abandon their natural  ideals, has not only made the country less tolerable to the peasant, but debauched the town. And the error tends to increase in geometrical progression, until a remedy has become almost inconceivable and the whole structure of society is threatened with ruin.

The wise application based  on observation and experience of the Law of Thelema is to work in conscious harmony with Evolution. Experiments in creation, involving variation from existing types, are lawful and  necessary. Their value is to be judged by their fertility as bearing witness to their harmony with the course of nature towards perfection.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Tarot - XIV. A Temperança

“A nossa mente é capaz de passar para além da linha divisória que criámos para ela. Para além dos pares de opostos de que consiste o mundo, outras e novas visões começam."

Herman Hesse (Poeta, novelista e pintor germano-suiço, 1877-1962)


“O encontro de duas personalidades é como o contacto entre duas substâncias químcas: se houver reacção, ambas serão transformadas.”

Carl Jung (Psiquiatra e pensador suiço, 1875-1961)


Símbolos Básicos

Um anjo (frequentemente feminino ou assexuado) paira sobre um lago ou rio. Dois copos ou taças unidos por um líquido que flui entre ambos. 


A Viagem do Louco

Prosseguindo com a sua viagem espiritual, o Louco começa a perguntar-se como pode reconciliar os opostos que tem encontrado: material e espiritual (esteve Dependurado entre ambos), morte e nascimento (um leva ao outro na carta da Morte). A certa altura, encontra uma figura alada que se apoia com um pé num riacho, o outro um rochedo. Esta figura é luminosa, e derrama o conteúdo de um recipiente para outro. Aproximando-se, o Louco percebe que um dos recipientes contém fogo, o outro água. E os dois estão a misturam-se, como que por milagre.

“Como consegues misturar fogo e água?”, murmura o Louco. Sem desviar a atenção do que está a fazer, o Anjo responde: “É necessário ter os recipientes certos, e as proporções certas.” O Louco continua a observá-lo, maravilhado. “Pode isto ser feito com todos os opostos?”.”Sim”, responde o Anjo, “quaisquer opostos, fogo e água, homem e mulher, tese e antítese, podem ser harmonizados. Apenas a falta de vontade e a descrença na possibilidade da união mantêm os opostos em posições inconciliáveis.” O Louco começa então a perceber que nele próprio reside a separação que observa no Universo, mantendo vida e morte, mundo espiritual e mundo material separados. Nele próprio, os pólos podem ser fundidos, tal como acontece com os elementos que flúem entre os recipientes do Anjo. Tudo o que é preciso, na verdade, é ter as proporções certas… e o recipiente certo.

 

Notas interpretativas

Sagitário é o signo que rege a carta d’A Temperança, embora à primeira vista tal possa não parecer evidente. Sagitário representa expansão, e a carta, a um nível mais superficial, fala em “moderação”. De facto, a ideia original do fluir de uma taça para a outra pode ter surgido do moderar do vinho com água. No entanto, outra interpretação é possível: a da fusão dos opostos. Sagitário, o centauro, reúne homem e animal numa criatura única. Utiliza arco (estático) e flecha (móvel), que funcionam em conjunto para apontar o caminho. Esta ambiguidade de significados torna A Temperança numa das cartas mais difíceis de interpretar. Crowley deu-lhe o nome de “Alquimia”, e esta pode ser a forma mais adequada de a tentar compreender. 

À primeira vista, a carta d’A Temperança pode avisar o Querente para moderar os seus comportamentos. Mas pode também lembrá-lo que dois pólos, por mais extremos que pareçam, podem ser conciliados. O Querente pode estar perante dois campos aparentemente opostos (escolhas, crenças, familiares ou amigos), sem esperança de uma união, quando a única coisa que falta pode bem ser o afinar das proporções da ambas as partes (como pretender que duas famílias inteiras se comecem a relacionar amigavelmente de uma vez, quando a melhor opção é deixar que esse relacionamento se construa aos poucos, indivíduo a indivíduo).

Por outro lado, A Temperança lembra que o arco e a flecha são inúteis em separado, mas juntos tornam-se numa arma formidável. O Querente pode e deve juntar tese e antítese para obter síntese. Para tal, basta tempo, paciência e experimentação. E, claro, uma boa dose de moderação. A crença de que a fusão do vermelho-sangue com o azul-mar não é possível pode, na realidade, ser a única coisa que de facto impede essa fusão. Altere a crença, meça ambos com cuidado, e terá oportunidade de criar um tom de violeta nunca antes visto.


Fontes: Aeclectic Tarot, Learning the Tarot

segunda-feira, 2 de março de 2009

I Congresso International de Sincronização com o Planeta Terra

Obrigada Shin-Tau pela notícia deste extraordinário evento! E que elenco de luxo, a não perder.


Aula Magna, 6 e 7 de Junho de 2009 - Lisboa

"A Consciência é a Resposta" - Robert Happé

"Sincronicidade: O Motor e o Propósito da Sua Vida" - Carol Adrienne

"2009 a 2012 Interpretando as Influências Cósmicas: Alinhamento da Terra e do Sol com o Centro Galáctico - Luís Resina

"Chegando à Unidade pela Frequência do Agora" - Penney Peirce

"As Profecias Maias para 2012, Os Ciclos das Manchas Solares, Entrevistas com Físicos e Xamãs" - Lawrence E. Joseph

"As Mensagens da Água" - Masaru Emoto

"Edgewalkers: Pessoas e Organizações que abraçam o risco, constroem pontes e se abrem a novas oportunidades" - Judi Neal

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Any Other Name

Há cerca de 1 mês tive oportunidade de recordar uma das músicas da banda sonora do genial American Beauty. E esta cena espantosa. 

"It was one of those days when it's a minute away from snowing and there's this electricity in the air, you can almost hear it. And this bag was, like, dancing with me. Like a little kid begging me to play with it. For fifteen minutes. And that's the day I knew there was this entire life behind things, and... this incredibly benevolent force, that wanted me to know there was no reason to be afraid, ever. Video's a poor excuse, I know. But it helps me remember... and I need to remember... Sometimes there's so much beauty in the world I feel like I can't take it, like my heart's going to cave in." 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Entrevista com Robert Happe

Este vídeo com Robert Happe veio até mim hoje mesmo (Dank U wel, Mago!), e assim que o vi percebi que devia ser partilhado. Cá vai, espero feedback!


quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Quíron, o Curandeiro Ferido




Uma antiga profecia dos nativos americanos anuncia que os ensinamentos do Guerreiro Sagrado regressarão à Terra quando o planeta da Cura for descoberto nos céus.



Em 1977, foi identificado um planetóide cuja órbita se encontra entre as de Saturno e Urano. Inicialmente considerado um asteróide, a sua órbita muito excêntrica levou-a a ser classificado também como cometa, dando origem a uma nova classe de corpos celestes até então desconhecidos, e que foram designados pelos astrónomos por “centauros”. A este primeiro centauro, chamaram Quíron.
Na Mitologia Grega, Quíron era o mais notável dos centauros. Tal como os sátiros, a generalidade dos centauros levava uma vida de diversão e deliquência. Mas Quíron não partilhava da mesma linhagem dos seus pares. Filho de Cronos e da ninfa Philyra, era um centauro inteligente, civilizado e amável, excelente professor, e conhecia como ninguém os segredos da Medicina e da Astrologia. A nobreza de Chiron ficou definitivamente registada na mente colectiva com a história da sua morte.



Enquanto filho de um titã, Quíron era imortal. Num incidente entre Hércules e outros centauros, Quíron foi inadvertidamente atingido na coxa por uma das flechas envenenadas com o sangue de Hydra que ele próprio havia oferecido a Hércules. Ferido, Quíron optou por uma vida de reclusão, procurando sozinho uma cura para a dor que lhe havia sido inflingida e que, por mais que o magoasse, jamais seria fatal. Mas ele, que durante tanto tempo fora o mestre de todas as curas, nunca foi capaz de curar-se a si próprio. Passado algum tempo, Hércules visitou Quíron e propôs-lhe uma forma de terminar com o seu sofrimento. Para salvar a vida de Prometeu (acorrentado a um rochedo por tentar roubar aos deuses a chama sagrada do Conhecimento), era necessário que um ser imortal abdicasse voluntariamente da sua imortalidade. Assim, Hércules propôs a Quíron que se sacrificasse, salvando Prometeu e acabando com a sua própria dor. Quíron acedeu a morrer pela liberdade de Prometeu, e pôde finalmente ascender aos céus e descansar em paz.


Quíron em Astrologia
 O “Curandeiro Ferido” revela a ferida mais profunda de cada um de nós, aquela que não pode ser curada, mas que deve ser transcendida através da cura das feridas dos outros. Quíron estimula-nos a aprender com o maior dos sofrimentos, e a transcendê-lo ajudando outras pessoas a ultrapassar as suas próprias feridas. Ironicamente, e como a figura mitológica, seremos capazes de ensinar aquilo que nós próprios não somos capazes de fazer.
No mapa astrológico, Quíron mostra de que forma podemos (e devemos) exercer uma influência curativa nos outros. Essa capacidade raramente se manifesta em termos de cura física, mas sobretudo no que diz respeito a cura emocional, mental ou espiritual. A energia de Quíron estabelece uma ponte entre Saturno e Urano, e por isso pode também indicar uma área da vida onde a repressão cultural (Saturno) sobre a liberdade individual (Urano) é mais profunda, e onde por isso há uma maior vontade de revolta contra o status quo. Pode ser necessário muito tempo para reconhecer e mitigar as dores dessa ferida. Quíron mostra uma parte de nós que consideramos de algum modo inaceitável e, simultaneamente, imutável. No entanto, aquilo que aprendemos ao lidar com as dores quirónicas pode (e deve!) ser colocado ao serviço das outras pessoas.


A cura proposta por Quíron é a da auto-aceitação, mesmo que isso implique uma inconformidade social. Compete-nos elevarmo-nos acima daquilo que encaramos como “restrições”, das respostas condicionadas pelo “como deve ser” com as quais funcionámos durante a maior parte das nossas vidas. À medida que vamos avançando, encontramos formas cada vez mais criativas de lidar com isso e seguir em frente, e tornamo-nos capazes de auxiliar pessoas com feridas quirónicas idênticas.

Quíron nos Signos
Quíron em Carneiro
A ferida está na noção de Eu. Estas pessoas sentem falta de uma identidade própria, e por isso tendem a sentir pena de si próprias sempre que algo lhes causa sofrimento. No centro desta ferida está o modo como cada pessoa é capaz de se sentir realizado com aquilo que é, por dentro e por fora. Não serão capazes de ajudar os outros enquanto não fizerem as pazes consigo próprios. Em vez de deambularem em dúvidas, castigando-se pelo que não são, devem aprender a aceitar o que são. Ao reconhecerem os seus pontos fortes, adquirem a paz de espírito que lhes permite dar aos outros aquilo que aprenderam com a sua própria dor. Essa dádiva terá como principais alvos aqueles que sofrem com questões de auto-estima, como desordens alimentares e auto-mutilação.
 
Quíron em Touro
A ferida está na noção de valor próprio, na negligência, na sensação de que nunca se tem o suficiente. Estas pessoas sentem-se enfraquecidas por uma permanente sensação de abandono. No centro desta ferida está a necessidade de segurança e de prazer sensorial. Touro tem tudo a ver com auto-satisfação, mas com Quíron em Touro nunca se está realmente satisfeito. Em vez de se concentrarem naquilo que não têm, estas pessoas devem aprender a apreciar aquilo que têm. Ao valorizarem o que já possuem (relações pessoais, bens materiais, etc), tornam-se capazes de lidar com a falta de recursos de pessoas a quem faltam bens materiais e/ou afecto.

Quíron em Gémeos
A ferida está no duvidar das próprias capacidades mentais. Estas pessoas estão permanentemente à procura de novos conhecimentos, e sentem-se ameaçadas por quem demonstre algum talento especial para as palavras ou as ideias. No centro desta ferida está a necessidade de ser ouvido e compreendido. Com Quíron em Gémeos, é como se nunca se fosse escutado, ou se cada ideia expressa fosse ser ridicularizada. Em vez de se sentirem ignorantes pelo que não sabem, estas pessoas devem aproveitar ao máximo aquilo que sabem, valorizando os seus talentos e instintos naturais para se abrirem ao mundo a partilharem aquilo que aprenderam com a sua própria experiência. Essa partilha será especialmente útil no auxílio a pessoas com dificuldades de aprendizagem, ou que por alguma razão duvidem das suas capacidades intelectuais.

Quíron em Caranguejo
A ferida está na falta de amor. Estas pessoas sentem-se indignas de ser amadas, e são capazes de dar o melhor de si aos outros, sacrificando-se, para evitar sentir a dor quirónica. Com Quíron em Caranguejo, a necessidade de acarinhar, construir um lar e procurar segurança é totalmente projectada nos outros. Em vez de darem todo o seu amor às pessoas que os rodeiam, estas pessoas devem antes de mais aprender a amarem-se a si próprios. Isso permitir-lhes-á abrirem-se ao mundo e assim distribuir o seu imenso amor pelos outros de um modo mais equilibrado e saudável.

Quíron em Leão
A ferida está na restrição da própria expressão. Estas pessoas não acreditam nos seus próprios talentos, e sentem que nunca têm oportunidade de brilhar. Com Quíron em Leão, a falta de reconhecimento pelas próprias qualidades causa frustração e desencadeia a repressão do seu potencial criativo. Em vez de sentirem pena de si próprios por aquilo que ainda não realizaram, estas pessoas devem aprender a expressar os talentos que já possuem. Que importa se não são o Nobel da Literatura quando escrevem os seus pensamentos num diário pessoal? Que importa se não recebem um Óscar quando realizam filmes caseiros para divertir a família? Quando aprenderem a valorizar os talentos que já possuem, tornam-se capazes de partilhar com o mundo essa preciosa experiência, sobretudo em actividades relacionadas com expressão dramática.

Quíron em Virgem
A ferida está no reconhecimento da própria imperfeição. Estas pessoas não conseguem livrar-se da sensação de que alguma coisa está errada, como se estivessem incompletas, ou lhes faltasse qualquer coisa essencial à sua saúde e bem-estar. Em muitos casos, isso pode manifestar-se como hipocondria, não só no sentido físico mas num sentido emocional e espiritual mais abrangente. Com Quíron em Virgem, a constante preocupação e auto-crítica centram todas as atenções nos pequenos defeitos, ignorando as subtis alegrias da vida. Em vez de se centrarem nas suas imperfeições, estas pessoas devem compreender o quanto podem aprender sobre a sua própria cura com essas mesmas imperfeições. Esta posição de Quíron incentiva a ajuda a pessoas com problemas mentais, e uma abordagem realista de qualquer prática terapêutica.
 
Quíron em Balança
A ferida está na dependência e idealismo do amor. Estas pessoas tendem a relacionar-se de formar obsessiva, tornando-se excessivamente dependentes do outro e/ou quebrando laços afectivos sempre que o outro não cumpre com as suas elevadíssimas expectativas. Com Quíron em Balança, é exigido demasiado do outro, o que acaba por gerar sucessivas desilusões. Em vez de esperar harmonia e perfeição em todos os seus relacionamentos, estas pessoas devem compreender que o conflito pode gerar mais intimidade do que qualquer “amor cor-de-rosa”. Se aprenderem a ser mais independentes, poderão construir relacionamentos mais equilibrados e saudáveis, e auxiliar todos aqueles que se encontrem em situação de co-dependência.

 
Quíron em Escorpião
A ferida está no medo. Estas pessoas preocupam-se incessantemente com a eventual perda irreparável daquilo que têm: bens materiais, entes queridos, uma parte da alma ou a própria vida. Com Quíron em Escorpião, a vida é encarada com permanente preocupação e reserva, por receio de que qualquer momento de alegria possa ser rapidamente ensombrado por uma perda. Estas pessoas devem compreender que perder faz parte da vida, e pode ensinar lições muito valiosas. Aceitar sem medo o que a vida proporciona de “bom” e de “mau” ajudá-los-à a partilhar com o mundo as suas experiências, que serão especialmente úteis para outras pessoas em período de luto ou com dificuldades em gerir o stress.
 
Quíron em Sagitário
A ferida está na sensação de aprisionamento. Estas pessoas sentem-se destinadas a grandes feitos – aventura, perigo, aquisição de sabedoria – mas sentem-se injustamente aprisionadas na sua vida quotidiana, ou num corpo que não lhes permite actividades demasiado vigorosas. Com Quíron em Sagitário, a necessidade de liberdade nunca é satisfeita, acabando por gerar um profundo descontentamento com as circunstâncias da vida que não permite reconhecer a sabedoria das outras pessoas. Em vez de se revoltarem contra o seu destino, estas pessoas devem aprender a encontrar a sabedoria e a expansividade dentro de si próprias e das suas circunstâncias actuais. Com isso abrir-se-ão à oportunidade de partilhar conhecimentos com os outros.
 
Quíron em Capricórnio
A ferida está na falta de reconhecimento e compreensão. Estas pessoas sentem que se esforçam mais, trabalham mais, tomam melhores decisões e expressam-se com maior eficiência, mas que tudo isso é ignorado pelos outros. Com Quíron em Capricórnio, a necessidade de satisfazer as próprias ambições subindo cada vez mais alto impede o usufruto daquilo que já foi conquistado. Em vez de procurar constante validação pública pelo seu status e sucesso, estas pessoas devem aprender a reconhecer o valor daquilo que já construíram, e nisso encontrar uma auto-satisfação que ultrapassa em muito qualquer elogio, aumento ou recompensa pública. Com isso poderão ajudar outras pessoas a concretizar o seu potencial, através de aconselhamento profissional e avaliação de competências.

Quíron em Aquário
A ferida está no isolamento social. Estas pessoas nunca se sentem realmente integradas num grupo, por mais que o tentem. Sentem-se sempre postas de parte. Com Quíron em Aquário, a sensação de ser o “outsider” excêntrico é permanente, e para evitar essa não-pertença pode adoptar-se o comportamento oposto, de isolamento voluntário. Em vez de fingirem ser aquilo que não são, estas pessoas devem ser espontâneas e acarinhar a sua própria excentricidade. Quando aprenderem que podem individualmente ter um impacto positivo no todo e fazer a diferença, tornam-se capazes de ajudar em causas relacionadas com a expressão da individualidade e a defesa dos direitos humanos.
 
Quíron em Peixes
A ferida está na perda da fé. Estas pessoas experimentaram uma grande desilusão nas suas vidas, que as fez perder a fé e as tornou mais amargas, fechando-lhes o coração para evitar futuros dissabores. Com Quíron em Peixes, a desilusão e a traição dificultam a ligação ao Universo, favorecendo o cinismo, a desconfiança e a frieza. Em vez de negarem aquilo em que realmente acreditam, estas pessoas devem compreender que tudo tem a sua razão de ser e de acontecer. Quando interiorizarem o facto de que nenhum sofrimento é em vão, e que perder a fé momentaneamente pode de facto enriquecer essa mesma fé no longo prazo, tornam-se capazes de oferecer ao mundo essa extraordinária lição, sobretudo em grupos dedicados a causas espirituais ou ecologistas.