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sexta-feira, 18 de abril de 2008

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte VIII

MEDITAÇÃO PARA A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS E ESTIMULO DA CRIATIVIDADE

Thomas Edison e Albert Einstein são apenas exemplos de um grupo muito vasto de cientistas, filósofos, artistas e pessoas de todos os ofícios que reservam um bocadinho do seu dia para dormir a sesta. Quem o faz diz ser capaz de ter novas ideias e de encontrar novas soluções com maior facilidade. Aqueles que meditam sentem os mesmos efeitos, seja durante a meditação ou logo a seguir a ela. Algumas empresas até promovem pausas para a sesta, de modo a melhorar a produtividade dos seus empregados!

Alguma vez tentou aceder sem sucesso a uma recordação que sabia que tinha guardada na memória? “Ah, sei que sei o nome do tal restaurante, está “debaixo da língua” mas não me consigo lembrar!” Quando tentamos aceder a essa fugidia recordação pela primeira vez, ela não surgiu imediatamente, e então começamos a fazer um esforço consciente. Para continuar a conversa, deixamos de lado a tentativa de lembrar do nome escondido (“Hei-de acabar por me lembrar”)… e em pouco tempo, inesperadamente, eis que regressa a recordação desaparecida (“Lembrei-me, finalmente!”)

Quando a memória é acedida pela mente inconsciente, há um súbito aumento de ondas de frequência alfa que momentaneamente se sobrepõem às ondas beta. Isto acontece milhares de vezes por dia. No entanto, o processamento de informação na memória de curta duração produz ondas beta, não alfa. E como só existe um padrão de ondas dominante em cada momento, é por isso que quanto mais nos esforçamos por nos lembrar de algo, mais ondas beta são geradas, mais difícil se torna a ocorrência dominante de ondas alfa que é indispensável ao acesso a memórias de longo prazo.

O mesmo acontece com a criatividade e a resolução de problemas. Quando pensamos numa determinada questão, estamos a produzir ondas beta, e podemos aceder à memória de longo prazo apenas nos curtos instantes em que as ondas alfa se tornam dominantes. Desta forma, temos acesso apenas a uma visão global do problema e das soluções que até já equacionámos e que por isso permanecem activas na nossa mente. E é por isso que, num estado dominante beta, não nos é possível construir um pensamento verdadeiramente novo e criativo.

A chave para a criatividade é conseguirmos desviar a atenção do problema em causa, possibilitando o desenvolvimento de padrões alfa e teta dominantes. Para encontrar novas relações e estabelecer conceitos diferentes, há que rever o problema e depois… colocá-lo de lado e partir para uma frequência teta!

O processo é semelhante à meditação descrita anteriormente, mas não nos devemos deixar adormecer ou deixar que a mente divague: por isso a posição ideal é sentado, e há que ter um alvo onde focar toda a atenção.

1. Defina um horário!

2. Crie um espaço para a meditação.

3. Sente-se numa posição confortável.


Não se deve deitar. Esta forma de meditação deve produzir um estado de plena consciência alerta.

4. Reveja brevemente o problema que deseja resolver.

Faça-o resumidamente, sem se deter nas soluções que já experimentou ou sobre as quais teorizou.

5. Seleccione um alvo para a meditação.

Conte cada inspiração/expiração e, sempre que lhe surgir um novo pensamento, ponha-o de lado, recomeçando a contagem. A respiração funciona como excelente alvo onde concentrar a atenção, mas pode escolher outro desde que não esteja relacionado com o problema em questão.

À medida que a meditação vai prosseguindo, desenvolvem-se padrões alfa mais prolongados e começam a surgir as ondas teta. Sempre que um novo pensamento surge, as ondas alfa aumentam momentaneamente, tentando aceder a memórias pré-existentes, mas o que se pretende são novas ideias – por isso cada pensamento deve ser posto de lado, sem julgamento. Aceite o pensamento e liberte-se dele, recomeçando a contagem. A repetição deste processo vai estimular as ondas teta mais profundas, abrindo caminho para a expressão de novas ideias na mente consciente.

Importante: Não fique “à espera” que lhe surjam novas ideias durante a meditação. Alimentar expectativas em relação a uma solução vai apenas servir para estimular padrões cerebrais já estabelecidos e por isso mesmo não-produtivos. No decorrer da meditação podem de facto surgir novas ideias, mas é mais provável que a maioria delas surja quando voltar a encarar o problema, após a meditação. São aqueles momentos “Como é que não pensei nisso antes?” que tornam possível aceder ao imenso potencial que se esconde por detrás da mente consciente. A meditação limita-se a abrir o caminho. Com a prática, este tipo de meditação produz:

- Estados de concentração mais profundos
- Resolução de problemas e descoberta de novos conceitos
- Maior intuição e capacidade criativa
- Maior consciência das próprias capacidades intuitivas e psíquicas.

A utilização de Sons Binaurais é opcional. Para este nível de meditação, recomenda-se a utilização de sons delta. Eis um exemplo que pode utilizar:

Sons Binaurais - Delta


Ajuste o volume para que seja apenas audível. Os sons binaurais vão estimular e aprofundar os padrões cerebrais teta, mas o praticante de meditação deve sempre esforçar-se por se manter alerta e concentrado. Experimente!


Adaptado de: The Nuts and Bolts of Meditation

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte VII

MEDITAÇÃO PARA A SAÚDE FÍSICA E MENTAL

Sobrevivemos até este momento porque fomos capazes de nos adaptar a um ambiente em permanente mudança. Sabemos que o nosso cérebro cresceu, ao longo do tempo, como parte do processo de adaptação. No início, as mudanças foram relativamente lentas, e o cérebro teve tempo para deixar de lado velhos padrões à medida que novos e mais produtivos padrões se desenvolviam. Mas nos últimos 100 anos lançámo-nos num ambiente físico que contém uma quantidade esmagadora de informação sensorial, a qual deve ser processada pelo cérebro 24 horas por dia, 7 dias por semana! Estamos “ligados” de uma forma que os adultos da geração anterior à nossa nem supunham que seria possível. Desde o momento que acordamos temos acesso às notícias, ao e-mail, ao SMS, aos jogos de computador, ao entretenimento televisivo, que mantêm o nosso cérebro num modo de processamento acelerado durante todo o dia. O nosso cérebro é uma máquina electroquímica, por isso está a consumir energia e a produzir desperdícios durante todo este processo.

A meditação é o processo de diminuir a actividade cerebral, centrando a sua atenção num único e simples objecto. Meditar permite ao cérebro entrar num modo de “afinação” em que os desperdícios são removidos, e os recursos reabastecidos. Os resultados físicos da meditação estão bem documentados. A prática prolongada pode expandir a nossa consciência de formas já amplamente constatadas, mas nunca devidamente explicadas. Tentaremos aqui esclarecer alguma dessa confusão à medida que progredimos. Os “resultados” desejados da meditação variam, e também disso falaremos. Mas primeiro uma olhadela aos benefícios físicos da meditação.

Imagine que está a conduzir o seu carro a caminho de casa, depois de um longo dia de trabalho, numa estrada com muitos engarrafamentos. Está rodeada por outros veículos, e tem de ter os vidros fechados e o ar condicionado ligado por causa dos fumos de escape que estão por todo o lado. O seu carro consegue aguentar estas dificuldades, e você também. Mas nenhum dos dois foi concebido para ser usado assim.

O motor do carro foi desenhado para um melhor desempenho em caminho aberto, e neste engarrafamento está a entupir-se com combustível não consumido, algum do qual sai pelo tubo de escape e contribui para a atmosfera já de si muito poluída. A velocidade é mínima, e o motor tem dificuldades em manter-se fresco. Usamos os travões mais vezes por minuto do que faríamos durante um dia inteiro a conduzir em auto-estrada! Chegamos a casa, estacionamos o carro e entramos. Na manhã seguinte, recomeçará o suplício. Em pouco tempo, este carro vai precisar de uma revisão. Mas numa certa noite decidimos sair da cidade depois do trabalho. Chegámos finalmente a uma estrada sem tráfego, a direito por entre os montes. Relaxamos, desligamos o ar condicionado, descemos as janelas e aceleramos tranquilamente. Os hidrocarbonetos não consumidos no ciclo do pára-arranca começam a sair, e o motor parece quase “ronronar” de satisfação.

Este é um exemplo vulgar, mas que nos dá uma ideia do que acontece nas primeiras etapas da meditação. Quando começamos a meditar, tiramos o nosso cérebro do modo caótico de processamento de informação tipo “pára-arranca”, e damos-lhe as condições para que possa seguir tranquilamente por uma “super-auto-estrada” mental. Quando fechamos os olhos e nos concentramos simplesmente em relaxar, os padrões cerebrais alfa, beta e teta inicial começam a aumentar. Os resultados físicos são um aumento dos níveis de noradrenalina, serotonina e beta-endorfina, e um decréscimo dos níveis de lactato no sangue (que estão directamente associados ao stress).

Com a meditação, também a resolução de problemas e o acesso a novas ideias se tornam mais fáceis. Quando o cérebro está ocupado a processar o “ruído informativo” do quotidiano, não há lugar para pensamentos novos ou criativos. Os artistas e poetas chamam-lhe “inspiração”. Albert Einstein e Thomas Edison, entre outras grandes mentes da Humanidade, praticavam algum tipo de meditação. Quando confrontado com um problema que não conseguia resolver, Edison tirava algum tempo para uma sesta na poltrona do seu escritório. (A “poltrona da sesta” ainda pode ser vista no Museu Edison.)

As pessoas que praticam meditação regularmente parecem e sentem-se tipicamente 10 ou 15 anos mais jovens do que as outras pessoas da sua idade. Proporcionar à mente uma “pausa” frequente e deixar que o nosso cérebro faça as auto-reparações de que necessita diariamente pode fazer toda a diferença. Bastam 15 ou 20 minutos, de preferência duas vezes por dia, para dar ao corpo e à mente uma boa “revisão”!

A meditação com vista à melhoria do estado físico e emocional é fácil de praticar. Trata-se de um processo muito simples, sem elaborados “passes de mágica”. Se você é daquelas pessoas que se sente muito mais desperto e concentrado depois de uma pequena sesta, então é provável que já esteja a utilizar esta forma de meditação: trata-se apenas de um “ciclo de sono” curto, praticado durante o dia. Basta seguir estes passos:

1. Defina um horário!

É fundamental que combine consigo próprio um momento diário para a meditação, sabendo que este deve durar aproximadamente 20 minutos. Aquilo que fazemos regularmente cria no cérebro padrões de memória processual, e queremos que a meditação se torne um hábito de modo a que a memória processual nos comece a preparar para esse momento ainda antes de ele acontecer. Se é adepto da sesta, sabe que começa a sentir-se ensonado mais ou menos àquela hora, todos os dias. Por outro lado, se nos convencemos que iremos meditar quando tivermos tempo, é provável que isso nunca chegue a acontecer.

O mais importante é estabelecer um horário, um padrão de meditação. Com isso, a nossa mente começa a preparar-se antecipadamente. Aliás, muitos praticantes regulares de meditação dizem sentir necessidade disso, como se sentissem falta de comer se não conseguissem almoçar à hora a que habitualmente o fazem.

2. Crie um espaço para a meditação.

Deve encontrar um espaço sossegado, onde sabe que não será incomodado; um local sem telefones, sem agitação. No início, esta será uma necessidade imperativa, mas à medida que se desenvolve a capacidade de meditar torna-se possível fazê-lo em qualquer lado.

3. Sente-se ou deite-se numa posição confortável.

Esta é a única forma de meditação que pode ser praticada na horizontal. Quando nos deitamos, sentimo-nos naturalmente sonolentos, o que é óptimo se se pretende uma revigoração física e mental.

4. Escolha um alvo de meditação.

Nesta forma de meditação, podemos concentrar-nos num momento feliz, num lugar tranquilo, ou em qualquer coisa que nos traga sensações agradáveis. Não é problema em divagar de pensamento em pensamento, desde que isso não signifique emoções negativas. A concentração em pensamentos positivos leva a que o cérebro “relaxe”, alterando a sua frequência predominante para alfa, beta e primeiras etapas de teta.

Tente não ser desviado pela tentativa de resolução de problemas. Quinze minutos de “condução livre” na “auto-estrada” alfa, uma ou duas vezes por dia, produz todos os benefícios que pode esperar da meditação, nomeadamente:

- Aumento da capacidade de concentração
- Manutenção do equilíbrio emocional
- Diminuição dos níveis de stress
- Potenciação do sistema imunitário

Além disso, é importante notar que a prática de meditação ou a utilização de sons binaurais estão associadas a um aumento das capacidades psíquicas. Neste tipo de meditação, essa associação pode resultar apenas num aumento daquilo a que chamamos “intuição”.

A utilização de s
ons binaurais é opcional. Para este nível de meditação, recomenda-se a utilização de sons alfa. Eis um exemplo que pode utilizar:

Ajuste o volume para que seja apenas audível. Os sons binaurais vão estimular e aprofundar os padrões cerebrais alfa.


Experimente e comente!

Adaptado de: The Nuts and Bolts of Meditation

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte VI

O PROCESSO COGNITIVO

A capacidade cognitiva, de considerar cuidadosamente as opções e tomar uma decisão informada, é exclusiva da mente humana. Quando uma rã sente fome e estão reunidas as condições para que consiga atingir a comida (presença do alimento, ausência de perigos), a resposta da rã é automática. Mas nos seres humanos a capacidade cognitiva permite passar pelo sinal do restaurante, sentir o aroma de uma refeição deliciosa, o estômago a contorcer-se de fome, e mesmo assim decidir não parar para almoçar. A nossa capacidade cognitiva torna-nos capazes de decidir conscientemente perante experiências emocionais contraditórias: cognição e emoção têm uma correlação directa.

A intensidade dos sentimentos ou emoções que vivemos numa certa experiência é inversamente proporcional à nossa capacidade para exercer julgamento racional nessa mesma experiência. O que significa que, à medida que as emoções aumentam perante um determinado conjunto de estímulos sensoriais, diminui a capacidade do cérebro para raciocinar e decidir. Isto é verdade para qualquer experiência, seja a do amor profundo ou a do ódio incontrolável.

O cérebro responde à informação sensorial. Mas seremos capazes de escolher não dar atenção a essa informação? Na explicação científica clássica afirma-se que o nosso processo cognitivo de decisão é função do cérebro físico. No entanto, a ciência clássica não consegue explicar porque somos capazes de escolher ignorar determinada informação, ou de concentrar a atenção em informação que não chega até nós pela memória ou pelo ambiente sensorial. Nenhum outro ser vivo consegue escolher onde concentrar a sua atenção. Mas por agora deixaremos essa questão de lado, ficando com aquilo que sabemos: Os padrões cerebrais alteram-se quando mudamos o alvo da nossa atenção.


A nossa capacidade de escolher onde centrar a nossa atenção dá-nos controlo sobre os nossos padrões cerebrais.


Adaptado de: The Nuts and Bolts of Meditation

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte V

O PARADIGMA

O nosso cérebro possui um padrão ou exemplo de como o mundo físico à nossa volta deve “parecer” e “funcionar” – um paradigma.

O paradigma reside na nossa mente inconsciente. A sua “função” é comparar a informação sensorial actual com a informação que está armazenada na memória. Iniciado no momento do nascimento (se não antes), o paradigma vai evoluindo e fortalecendo-se à medida que vamos amadurecendo e interagindo com o mundo físico através dos sentidos.

Ao contrário de um simples filtro, o paradigma não só limita a informação que chega ao nosso “monitor consciente” como também dá forma a essa informação, para que se assemelhe ao padrão já estabelecido com o “aceitável”.

Por exemplo, muitos de nós temos um paradigma de como deve ser a aparência física das pessoas que conhecemos muito bem e com quem estamos muitas vezes. Se um amigo íntimo resolver rapar o seu bigode, podemos não notar essa mudança durante algum tempo, porque o nosso paradigma inclui uma imagem desse nosso amigo COM bigode. Se nos pedirem para descrever esse amigo, incluiremos o facto de que ele tem bigode. O paradigma continua a apresentar a imagem que “esperamos” encontrar, até que tomamos consciência de que alguma coisa mudou na aparência desse indivíduo, e adaptamos o nosso paradigma a essa mudança.

Quando vemos o nosso amigo pela primeira vez sem bigode, podemos ter a sensação de que há algo de “diferente” nele. Isto acontece porque o paradigma adiciona conteúdo emocional à informação que deixa passar para o monitor consciente!

Este exemplo do bigode é na realidade demasiado subtil. O paradigma é muito mais poderoso, e faz mais do que apenas “filtrar” a informação que é apresentada à nossa percepção. É que também tem tudo a ver com a forma como sentimos as experiências que vamos vivendo, e com a nossa capacidade de julgar e avaliar à medida que interagimos com essas experiências.

Por exemplo, um homem de meia-idade foi a um hipnotizador para tentar resolver o seu medo de cavalos. A sua mulher era uma excelente cavaleira, e ele queria poder juntar-se a ela. Não é que não gostasse de cavalos (até gostava), mas quanto mais perto ficava de montar um, mais medo sentia. Este é um homem inteligente, que sabia não haver qualquer razão lógica para a sua fobia. O hipnotizador colocou-o num estado hipnótico, e disse-lhe que se imaginasse prestes a montar um cavalo. O homem sentiu medo de imediato. O hipnotizador disse-lhe que se mantivesse junto ao cavalo, mas que voltasse atrás no tempo, através de todas as experiências que viveu, até que o medo começasse a desaparecer. Com muito pouco esforço, o homem declarou que o medo havia desaparecido. O hipnotizador disse-lhe então para regressar lentamente ao Presente, até ao momento em que o medo regressasse. Rapidamente, o homem voltou a manifestar a sua fobia de montar o cavalo. Tentou explicar o que lhe estava a acontecer, tinha muita dificuldade em falar, como se de um bebé se tratasse. O hipnotizador pediu-lhe então que se mantivesse nesse momento, mas que o descrevesse na sua mente de adulto.


Aos dois anos de idade, era um bebé que estava na fábrica de sapatos do seu pai quando uma correia de uma das máquinas se partiu e soltou, atingindo-o na cabeça com a força de um chicote. Enquanto adulto, o homem não era capaz de se lembrar deste incidente. Sob hipnose, pôde lembrar-se do acontecido nos mais ínfimos detalhes, incluindo o cheiro de cabedal característico do lugar. Na realidade o homem não tinha medo de cavalos: era o cheiro do cabedal que estimulava as emoções vividas numa experiência do Passado!

O modo como sentimos cada experiência da nossa vida quotidiana resulta do nosso paradigma. O medo de andar a cavalo é um exemplo extremo. O nosso paradigma actua em cada momento em que estamos acordados. Aquilo que nos ensinaram a acreditar, a forma como aprendemos a interagir através dos costumes sociais, os nossos sentimentos acerca de diferentes tipos de pessoas, a forma como vemos diversos tipos de ocupações, e todos os aspectos do nosso “gostar” e “não gostar” emocional, são o resultado do nosso paradigma. O importante a reter é que o cérebro não processa a informação sensorial para depois enviar os resultados directamente para o neo-córtex da avaliação consciente. O paradigma, que inclui as emoções envolvidas no nosso padrão ou exemplo, está sempre incluído naquilo que aparece no nosso visor da realidade.

Não temos um centro para emoções “boas” e outro para emoções “más”. As emoções são um espectro contínuo, e nenhuma pode ser distinguida das emoções “vizinhas” a não ser por uma divisão absolutamente arbitrária. Essa divisão é estabelecida pelo nosso paradigma. É por isso que uma tradição, uma crença, uma forma de fazer certas coisas ou mesmo uma palavra como “meditação” produzem significados diferentes associados a emoções diferentes em pessoas diferentes.

Este livro possui vários títulos diferentes devido às questões paradigmáticas contidas na palavra “meditação”. Alguns leitores jamais o olhariam duas vezes apenas com essa palavra no título, mas esses mesmos leitores podem interessar-se por um título como “O cérebro quântico”. E no entanto, qualquer que seja o título, o seu conteúdo é o mesmo!


“Não vemos as coisas como elas são; vêmo-las como nós somos.”

Anais Nin


Adaptado de: The Nuts and Bolts of Meditation

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte IV

CÉREBROS E COMPUTADORES: Que Diferenças?

Vimos que existem algumas semelhanças entre o nosso cérebro e um computador. No entanto, existem quatro diferenças fundamentais entre eles:

1. O nosso cérebro regista tudo!

Enquanto estou a digitar, a memória RAM do computador só transfere a informação para o disco rígido ou para a memória de longo prazo quando eu assim o indicar. Tenho de iniciar o processo de “guardar esta informação”, ou perco tudo o que escrevi até agora!

O nosso cérebro ainda possui um registo do dia em que nascemos. Esse registo contém toda a informação sensorial desde o nascimento. Todas as visões, sons, sabores, toques e cheiros estão lá guardados com grande detalhe.

2. O nosso cérebro regista a informação holograficamente.

Quando pedimos ao computador para “guardar”, todo o trabalho que está temporariamente na memória RAM é transferido para uma localização específica no disco rígido. Se essa localização for danificada, a informação aí armazenada é perdida.

No nosso cérebro não existem “centros de memória” como o disco rígido do computador. O registo das informações é feito de forma holográfica, um conceito difícil de compreender, por isso comparemos um cérebro “vazio” a um jarro com água pura. Digamos que a nossa experiência de nascer é como uma pequena gota de corante azul que cai dentro do jarro com água, e que cada experiência sensorial seguinte é uma gota de outra cor diferente. Vamos assumir que temos um número ilimitado de cores disponíveis, pelo que cada cor representa uma experiência sensorial diferente. Em pouco tempo a experiência de nascer estará “submersa” sob todas as cores ou memórias que fomos acumulando desde esse momento. Podemos pensar que esquecemos essa experiência, mas ela ainda lá está.

Cada pedaço de informação que experimentamos está registado um pouco por todo o nosso cérebro (como cada corante que se vai dissolvendo na água)! Isso significa que não podemos corrigir ou apagar qualquer informação; na realidade, nem sequer podemos “gravar” por cima de um registo já existente. Todas as experiências, desde que nascemos, incluindo as emoções a elas associadas, são registadas pelo cérebro, e esse registo permanece para sempre.

3. O nosso cérebro processa mais do que um “programa” simultaneamente!

Enquanto que a memória RAM do computador consegue apenas processar um programa de cada vez, a memória de curto prazo do nosso cérebro pode processar cerca de 5 a 9 “programas” ou tarefas diferentes e mostrá-las no nosso “monitor” da consciência – todas ao mesmo tempo! Por isso, mesmo que eu esteja concentrada numa determinada tarefa, a minha memória de curto prazo consegue também processar o programa de rádio que ouço, o cheiro da comida quente na cozinha, o movimento físico e o sentido do tacto dos meus dedos enquanto digito no teclado: estes são apenas alguns dos “programas” que estão a decorrer, todos ao mesmo tempo.

4. O nosso cérebro filtra a informação automaticamente!

Existe uma grande quantidade de informação sensorial a chegar ao cérebro permanentemente. Por exemplo, toda a nossa pele está coberta de milhares de milhões de sensores de tacto, dor, calor, etc. Esses sensores não são do tipo on/off; são células vivas que enviam sinais constantemente. O nosso “monitor” da consciência, de memória de curto prazo, pode processar alguns programas ao mesmo tempo, mas não pode lidar conscientemente com toda a informação sensorial disponível.

Para nos concentrarmos naquilo que estamos a fazer em determinado momento, o nosso “filtro consciente” limita a informação que é transmitida à memória de curto prazo. Esse filtro reside na mente inconsciente, e responde à nossa atenção. Ele “diminui o volume” da informação sensorial, para que não nos perturbe. Eis uma forma simples de o demonstrar:

Reconheça que está atento ao que está a ler neste momento. À medida que vai lendo, desvie o seu “monitor da consciência” – a sua atenção – ligeiramente para o peso do seu corpo na cadeira, a sensação dos pés a tocar no chão, os sons que estão à sua volta, as imagens que consegue captar na sua visão periférica e, finalmente, o sabor na sua boca e o cheiro do ar que o envolve.

Estes são inputs sensoriais que o nosso cérebro processa continuamente. O “filtro consciente” reduz o “volume” dos inputs que não requerem a nossa atenção imediata, mas não os ignora por completo.

No exemplo descrito atrás, o leitor tornou-se consciente de certos inputs, e pode ser capaz de recordar o que sentiu durante esse processo, mas é importante lembrar que o nosso cérebro regista tudo o que se passa, a todo o instante. E faz mais do que filtrar a informação de que não necessita nas actividades quotidianas. Com o tempo, o nosso cérebro cria um “programa” que consegue modela a forma como compreendemos a informação que consegue passar para o nosso “monitor consciente”…

Adaptado de: The Nuts and Bolts of Meditation

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte III

CÉREBROS E COMPUTADORES

Se compararmos o cérebro a um computador poderemos compreender melhor os processos físicos que nele ocorrem. Um computador consiste num mecanismo electrónico que contem programas, e que é capaz de processar informação proveniente de fontes internas e externas. Por exemplo, o nosso computador pode ter um programa de e-mail, um processador de texto e um programa de desenho. Quando queremos ver o nosso e-mail, damos a ordem para que o computador se ligue ao servidor e publique os resultados dessa ligação no nosso monitor, de modo a que possamos interagir com eles a um nível consciente.

Um computador pode processar informação em apenas um programa, num determinado instante. Pode parecer que lida com vários programas simultaneamente, mas o que na realidade faz é “saltar” entre os programas que estão activos e os inputs que vai recebendo de fontes externas. Esses “saltos” são tão rápidos que normalmente não nos apercebemos deles, parecendo-nos que o computador executa várias tarefas simultaneamente quando, na realidade, é capaz de processar apenas uma tarefa de cada vez.

Tal como o computador, o cérebro contém centros de processamento com “programas” para os nossos 5 sentidos, além de inputs de todos os órgãos internos até ao nível das células. Porém, ao contrário do computador, o cérebro é um organismo vivo, que funciona por processos electroquímicos, e por isso nunca se desliga. O cérebro funciona em contínuo, processando biliões de “bites” de informação contidos nos dados sensoriais provenientes do contacto com o meio exterior.

Sabemos menos do funcionamento do cérebro do que de qualquer outra coisa existente no mundo físico. Um dos desafios mais difíceis tem sido o facto de não ser possível encontrar uma localização física para a memória. Aliás, existe já um considerável conjunto de provas científicas que apontam para um conceito de memória que não está circunscrito ao cérebro físico. Este e outros aspectos serão discutidos mais à frente, mas por agora veremos de que forma a ciência actual explica a memória.

Memória de Longo Prazo

A nossa memória de longo prazo contém todas as informações que alguma vez foram processadas no cérebro durante o seu período de vida. Isso inclui factos, números, nomes, imagens. A maioria das pessoas não será capaz de se lembrar o que comeu ao almoço no dia 5 de Abril de há 20 anos, ou a matricula de todos os veículos que se cruzaram consigo no seu passeio mais recente. E no entanto esta informação permanece armazenada no cérebro, com todos os seus detalhes. A memória declarativa pode ser comparada ao disco rígido do computador. As suas informações permanecem guardadas até que um “programa” as active, mostrando-as no “ecrã” da consciência. Se me quiser lembrar onde parei o carro quando terminar as minhas compras no supermercado, essa informação torna-se imediatamente disponível a partir da minha memória.

Memória Procedural

A memória procedoral inclui acções, hábitos ou capacidades que aprendemos por repetição. Exemplos incluem jogar ténis, andar de bicicleta, andar, nadar, tocar um instrumento musical. A memória procedural permite-nos desempenhar tarefas rotineiras sem ter de pensar conscientemente naquilo que estamos a fazer. Se eu trabalhar no supermercado e parar o carro diariamente no mesmo sítio, acabarei por me dirigir a esse sítio no final do expediente sem ter de pensar “onde parei o carro?”.

Memória de Curto Prazo

O “output” do cérebro é mostrado no nosso “ecrã” consciente. Enquanto escrevo isto, a minha consciência está concentrada naquilo que estou a fazer, e é isso que neste momento ocupa a minha memória de curto prazo. Este tipo de memória pode ser equiparado à memória RAM do computador. É uma parte da memória dedicada à tarefa do presente, e é esvaziada logo que essa tarefa seja terminada.


Recordar

Cada som que alguma vez ouvimos, cada palavra, cada imagem, cada toque, cheiro ou saber, estão guardados na memória de longo prazo, assim como as emoções que sentimos no momento em que essas recordações foram registadas. Embora o cérebro grave cada pedacinho de informação das nossas vidas quotidianas, normalmente somos apenas capazes de recordar aquilo que passou pelo “ecrã” da nossa memória de longo prazo. Não seríamos capazes de nos lembrar da matrícula de todos os carros com que nos cruzamos no caminho para o emprego, mas se nos concentrarmos numa dessas matrículas em particular, se a repetirmos várias vezes, conseguimos estabelecer uma ligação consciente, e essa matrícula estará mais prontamente disponível quando nos quisermos lembrar dela.


Quanto mais atenção dermos a uma determinada informação na nossa memória de curto prazo, mas acessível essa informação ficará a partir da memória de longo prazo.



Adaptado de: The Nuts and Bolts of Meditation

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte II

O CÉREBRO

O cérebro é um órgão do corpo que, como todos os outros órgãos, está concebido para desempenhar uma ou mais tarefas específicas. Uma das principais tarefas do cérebro é o controlo de todo o corpo físico. O batimento cardíaco, a digestão, a temperatura e todos os processos “automáticos” que nos mantêm vivos são controlados pelo cérebro. Isto é possível através do processamento de informação sensorial interna e externa, como se de um computador se tratasse.

O cérebro também nos fornece um interface de percepção consciente, aquilo a que os cientistas chamam “auto-percepção”. Os inputs dos cinco sentidos são processados pelo cérebro e “mostrados” num “ecrã” mental onde podemos observar e interagir.

Embora o processamento cerebral de informação electroquímica seja relativamente bem conhecido, ninguém sabe como pode o cérebro permitir-nos ter a percepção de nós próprios. Na verdade o cérebro não tem nenhuma localização específica para o armazenamento da memória, por isso a forma como as recordações são formadas e registadas permanece um mistério.

Estas observações mostram-nos dois aspectos do cérebro a considerar: o processo electroquímico puramente físico, e o processo de auto-percepção e memória. Começaremos por abordar a “mecânica”, o aspecto puramente físico do cérebro.

O nosso cérebro é constituído por biliões de neurónios que utilizam a electricidade para comunicar entre si. Estas células estão permanentemente a gerar sinais eléctricos, nunca são “desligadas” ao longo do seu período de vida. A combinação de biliões de neurónios que enviam sinais simultaneamente produz no cérebro uma actividade eléctrica de grandes dimensões. Essa actividade pode ser detectada e mapeada utilizando equipamento biomédico como o Electroencefalógrafo (EEG).

As ondas cerebrais podem ser agrupadas pela frequência e estado mental a que estão associadas:

- Delta: 0.5 Hz a 4 Hz - Sono profundo, sem sonhos
- Teta: 4 Hz a 8 Hz - Sonolência, primeira fase do sono e do sonho
- Alfa: 8 Hz a 14 Hz - Estado relaxado mas alerta
- Beta: 14 Hz a 30 Hz - Estado de elevada concentração

Na realidade não é possível simplesmente mudar de uma frequência de ondas para outra. Todas as frequências estão presentes simultaneamente, mas apenas uma delas é a dominante em cada momento.

O seguinte esquema mostra, de um modo muito simplificado, as três camadas básicas em que está organizado o cérebro humano. O tronco cerebral é vulgarmente designado por córtex reptiliano, e é uma estrutura comum a todos os animais. O tronco cerebral é responsável pela regulação dos sistemas automáticos do organismo, como o batimento cardíaco, a temperatura, a digestão, etc. É também no tronco cerebral que são gerados os impulsos mais rudimentares de auto-preservação (tipo “lutar ou fugir”) e de agressividade.



Os répteis e anfíbios não desenvolvem muito o cérebro para além do tronco cerebral, por isso animais como a rã passam a sua vida dependentes de decisões tipo “piloto automático”. Por exemplo, a decisão de comer é baseada na presença de 3 informações visuais provenientes do ambiente próximo: 1) O alvo está a mover-se? 2) O alvo está próximo suficiente? 3) O alvo cabe na minha boca? Se a informação visual obtida responder “Sim” a estas 3 perguntas, então a rã saltará “automaticamente” tentando apanhar a presa. A decisão de fugir é semelhante: se o alvo estiver em movimento, se for maior do que a própria rã e se estiver demasiado perto, a rã saltará automaticamente para a água, mergulhando até se encontrar a uma distância segura. O mais importante a reter deste exemplo é que a rã não tem a capacidade de decidir como deve reagir. Cada um dos seus movimentos está pré-determinado pelos sinais que são processados pelo cérebro tipo “piloto automático”.

A segunda camada cerebral designa-se por “sistema límbico”, e é responsável pela nossa vida emocional. O sistema límbico não só está envolvido na criação de memórias, como parece adicionar emoções às memórias que vão sendo criadas, tornando essas emoções disponíveis ao nosso “ecrã mental” cada vez que as memórias são relembradas.

A última camada cerebral é chamada de neocórtex, e conhecida como “cérebro racional”. É a área onde são executadas as operações lógicas e de racionalização. De um ponto de vista meramente físico, é aqui que reside o nosso “ecrã mental”, a nossa percepção.


Adaptado de: The Nuts and Bolts of Meditation

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte I

Por sugestão da Cabeça Direita do Monstro de Duas Cabeças (estudiosa das religiões mais obscuras, colega de devaneios metafísicos e querida amiga), começo aqui uma série de posts contendo a tradução/adaptação do livro electrónico “The Nuts and Bolts of Meditation”, de Bill Cozzolino.
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INTRODUÇÃO


Se seguirmos um rio contra a corrente, acabaremos por encontrar a sua fonte.


Em todas as épocas da História humana, têm existido cientistas que tentam seguir o curso do “rio” que é o universo físico. A Ciência procura explicar como funciona o mundo material através de observações, hipóteses e experiências destinadas a provar certas conclusões. Cada nova descoberta científica leva a uma nova questão, cada conclusão impulsiona a Ciência a subir um pouco mais, rio acima.

Quando descobrimos como funcionam as coisas, conquistamos o controlo sobre os processos envolvidos. Podíamos ter parado em qual quer ponto do rio das descobertas, mas a nossa necessidade inata de conhecimento tem-nos mantido nesta caminhada, que nos levou até ao átomo, às unidades fundamentais que constituem o universo físico, e mais além! O nosso conhecimento e entendimento dos processos envolvidos no nosso mundo material deu-nos a capacidade de controlar esses processos, e de mudar a forma como vivemos.


A evidência do poder quântico do cérebro está por todo o lado!


Grandes cientistas como Louis Pasteur, Thomas Edison e Albert Einstein deram passos gigantescos no conhecimento, aparentemente de um dia para o outro! Os poderes mentais que encontramos em alguns dos maiores especialistas incluem as extraordinárias capacidades para calcular números e datas, para memorizar material escrito, visual e oral, para assimilar automaticamente outras linguagens, e para tocar instrumentos musicais sem nunca o ter aprendido.

Será que todos os nossos cérebros são iguais, ou existe algo mais, uma espécie de “propriedade oculta” que permite certas excepções?

O canal Discovery emitiu recentemente um programa intitulado “Tudo o que precisa de saber sobre o cérebro”, no qual foram reveladas experiências científicas nas quais uma sonda electromagnética colocada num cérebro aparentemente mediano tornava-o capaz de grandes talentos instantaneamente!


Agora podemos ver o que se passa dentro do cérebro!


O cérebro humano tem uma “corrente” relativamente constante de actividade electroquímica que acaba por resultar num “oceano” de percepção consciente. Os instrumentos científicos modernos pode mostrar e registar os padrões electroquímicos do cérebro e as suas variações, pelo que nos é possível saber o que se passa dentro do cérebro durante o seu funcionamento.

Sabemos que existe uma relação directa entre o alvo da nossa atenção, as tarefas mentais que desempenhamos e os padrões electroquímicos cerebrais resultantes dessa actividade. Diferentes processos mentais como resolução de problemas, sono, sonho e mudanças de humor produzem diferentes padrões de ondas cerebrais. Esses padrões alteram-se porque temos um controlo consciente da nossa atenção, e aprofundam-se à medida que apontamos conscientemente a nossa atenção para um único alvo. O termo utilizado habitualmente para descrever o controlo consciente do alvo da atenção e a actividade cerebral daí resultante é Meditação. Para muitas pessoas, esta palavra tem conotações místicas, metafísicas ou religiosas, mas o facto é que estamos permanentemente a escolher onde concentramos a nossa atenção, por isso, na prática, estamos sempre a meditar!

O Dr. Tomio Hirai relata que os meditadores Zen conseguem alterar a frequência das suas ondas cerebrais entre Alfa e Teta, consoante a profundidade do seu estado meditativo. De acordo com o Dr. Hirai, “A Meditação não é apenas um estado entre a estabilidade mental e o sono, mas uma situação na qual a mente funciona a um nível óptimo. Nessa situação, a pessoa está relaxada mas pronta para aceitar e responder positivamente a qualquer estímulo que lhe possa chegar”.

A Wikipedia define a palavra Meditação da seguinte forma:

- Estado que é experimentado quando a mente se dissolve e se liberta de todos os pensamentos
- Concentração da mente num único objecto (ex. uma estátua religiosa, o movimento da respiração, um mantra)
- Abertura mental ao divino, invocação da protecção de um poder superior
- Análise racional de ensinamentos religiosos (como o conceito budista de “impermanência”)

… É fácil observar que as nossas mentes estão continuamente a pensar sobre o Passado (memórias) e o Futuro (expectativas). Com intenção, é possível abrandar a mente e observar um silêncio interior, também chamado de experiência do momento presente. Esta é uma sensação subjectiva de estar ligado à universalidade do Ser. A Meditação é o método que permite chegar a esta vivência. É o meio experimental de separar os pensamentos da parte da nossa consciência que os compreende: o observador. Ao desligarmos a mente conseguimos observar os detalhes mais subtis e controlar aquilo a que damos atenção.



Existe já um extenso conjunto de trabalhos científicos que atestam o efeito positivo da Meditação no aumento da resposta imunitária, na redução do stress, na diminuição da dor e na melhoria do estado geral de saúde.


A questão é: a Meditação funciona!


Este livro aborda a Meditação de um ponto de vista puramente científico. O cérebro produz um “rio” de actividade eléctrica detectável, e se o seguir contra a corrente, acabará por encontrar a sua fonte.

Desfrute da viagem!


Fonte: The Nuts and Bolts of Meditation

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Sugestão de Leitura

Descobri recentemente um e-book muito interessante sobre meditação. O autor faz questão de disponibilizá-lo gratuitamente, e procura transmitir uma explicação simples mas completa do que é a meditação, para que serve, como praticar, etc , sem conotações místicas ou religiosas. Afinal, esta é sem dúvida uma prática ao alcance de qualquer pessoa, independentemente das suas crenças, e que pode trazer grandes benefícios para mente, corpo e alma.


Infelizmente para alguns, o ficheiro encontra-se em inglês. Se houver interesse, posso dividi-lo e publicá-lo em posts, em Português.




Namaste, e boa leitura!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Percepção Binaural - Meditação à la Carte

"Aquele que olha para fora, sonha
Aquele que olha para dentro, acorda."


Carl Gustav Jung



Na Natureza, dois sons com frequências ligeiramente diferentes produzirão duas novas frequências, que resultam da soma e da diferença entre as duas frequências originais. Por exemplo, um som de 400 Hz e um de 410 Hz formarão um novo som de cerca de 405 Hz, que pulsa 10 vezes por segundo.

No cérebro humano ocorre um fenómeno semelhante quando dois sons com frequências semelhantes lhe são apresentados um em cada ouvido. Em resposta, o núcleo olivar inferior (localizado na parte inferior do tronco cerebral) produz impulsos eléctrico correspondentes a sons de baixa frequência que são percebidas pelo cérebro como se de um som externo se tratasse. A isto se chama percepção binaural. As pulsações produzidas pelo cérebro como resultado da percepção binaural são vulgarmente designadas de sons ou batidas binaurais.

1. Audição de sons com uma frequência
diferente em cada ouvido














2. Produção de um novo impulso eléctrico
no interior do cérebro


A percepção binaural foi descrita pela primeira vez em 1839, por Heinrich Wilhelm Dove. Sabe-se hoje que, para que no cérebro surjam sons binaurais, é necessário que os sons exteriores tenham frequências inferiores a 1000-1500 Hz, e que a sua diferença seja inferior a cerca de 30 Hz. Caso contrário, os sons percebidos por cada ouvido serão processados como sons independentes, e nenhum som binaural será gerado.

Nos últimos anos a percepção binaural tem vindo a ser alvo de um interesse crescente. Por um lado, pelos neurologistas e fisiologistas que investigam a audição e tudo o que a ela diz respeito. Por outro lado, por estudiosos e especialistas das áreas da meditação e do relaxamento, que defendem que os sons binaurais podem influenciar o cérebro de uma forma subtil, produzindo estados que podem ir do mais profundo relaxamento até elevados níveis de concentração.

A hipótese de que os sons binaurais possam influenciar outras funções cerebrais além da audição tem vindo a ser questionada e investigada à medida que aumenta o mercado de produtos que utilizam este fenómeno para promover o bem-estar. O conceito básico é o de que o som binaural, produzido no cérebro como resposta aos sons exteriores com frequências próximas, irá influenciar as ondas cerebrais, que tenderão a “sintonizar-se” com a frequência do som binaural. Quando a frequência do som binaural percebido está na gama de frequências das ondas cerebrais alfa, beta, delta ou teta, as ondas cerebrais adoptam a mesma frequência desse som binaural. Por examplo, se um som de 315 Hz é produzido no ouvido direito, e outro de 325 Hz no ouvido esquerdo, o cérebro sintoniza-se com o som binaural resultante, de 10 Hz, frequência que se encontra na gama das ondas alfa. Ora as ondas alfa são produzidas pelo cérebro quando em estado de relaxamento, por isso a audição destes sons irá induzir o cérebro a relaxar.

Tipo de ondas cerebrais, frequências aproximadas e actividades às quais estão associadas


A curto prazo, a exposição a sons binaurais parece ter efeitos quase instantâneos no estado mental do ouvinte. Mas quais os seus efeitos a longo prazo?

Segundo Bill Harris, Director do Centerpointe Research Institute – uma das empresas líderes do mercado de produtos baseados na percepção binaural -, os sons binaurais obrigam a enormes flutuações nas frequências das ondas cerebrais, flutuações essas que o sistema nervoso está preparado para receber. Para lidar com isso, vê-se forçado a reorganizar-se a um nível superior, um modelo de mudança baseado no trabalho sobre sistemas abertos não lineares que valeu o prémio Nobel da Física a Ilya Progogine em 1977. Esta reorganização do modo de funcionamento do cérebro leva à criação de novas redes neuronais, melhorando a comunicação entre os hemisférios esquerdo e direito. Assim, com audições binaurais regulares, aumentam as capacidades de aprendizagem, a criatividade, a intuição, a clareza mental e a inteligência, além das capacidades “místicas” ou “metafísicas” como experiências fora-do-corpo e percepção extra-sensorial.

A tecnologia da percepção binaural está hoje ao alcance de qualquer pessoa. Os CDs Holosync® (Centerpointe Research Institute) e Hemi-Sync® (The Monroe Instutute) são comercializados em vários níveis, que devem ser utilizados progressivamente à medida que o cérebro se vai habituando e evoluindo. A sua utilização deve ser de 1 hora diária, numa posição confortável (de preferência sentado). Não há necessidade de utilizar nenhum mantra ou qualquer outra técnica da meditação tradicional: segundo os seus defensores, os sons binaurais promovem um estado de espírito meditativo sem qualquer esforço de concentração.

E será que funciona?

Experimente e logo saberá! ;-)

Binaural Beat - Alpha (mp3)

Testemunhos de quem já experimentou:
Holosync Meditation: Does it Really Work?