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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

The Nuts and Bolts of Meditation - Parte II

O CÉREBRO

O cérebro é um órgão do corpo que, como todos os outros órgãos, está concebido para desempenhar uma ou mais tarefas específicas. Uma das principais tarefas do cérebro é o controlo de todo o corpo físico. O batimento cardíaco, a digestão, a temperatura e todos os processos “automáticos” que nos mantêm vivos são controlados pelo cérebro. Isto é possível através do processamento de informação sensorial interna e externa, como se de um computador se tratasse.

O cérebro também nos fornece um interface de percepção consciente, aquilo a que os cientistas chamam “auto-percepção”. Os inputs dos cinco sentidos são processados pelo cérebro e “mostrados” num “ecrã” mental onde podemos observar e interagir.

Embora o processamento cerebral de informação electroquímica seja relativamente bem conhecido, ninguém sabe como pode o cérebro permitir-nos ter a percepção de nós próprios. Na verdade o cérebro não tem nenhuma localização específica para o armazenamento da memória, por isso a forma como as recordações são formadas e registadas permanece um mistério.

Estas observações mostram-nos dois aspectos do cérebro a considerar: o processo electroquímico puramente físico, e o processo de auto-percepção e memória. Começaremos por abordar a “mecânica”, o aspecto puramente físico do cérebro.

O nosso cérebro é constituído por biliões de neurónios que utilizam a electricidade para comunicar entre si. Estas células estão permanentemente a gerar sinais eléctricos, nunca são “desligadas” ao longo do seu período de vida. A combinação de biliões de neurónios que enviam sinais simultaneamente produz no cérebro uma actividade eléctrica de grandes dimensões. Essa actividade pode ser detectada e mapeada utilizando equipamento biomédico como o Electroencefalógrafo (EEG).

As ondas cerebrais podem ser agrupadas pela frequência e estado mental a que estão associadas:

- Delta: 0.5 Hz a 4 Hz - Sono profundo, sem sonhos
- Teta: 4 Hz a 8 Hz - Sonolência, primeira fase do sono e do sonho
- Alfa: 8 Hz a 14 Hz - Estado relaxado mas alerta
- Beta: 14 Hz a 30 Hz - Estado de elevada concentração

Na realidade não é possível simplesmente mudar de uma frequência de ondas para outra. Todas as frequências estão presentes simultaneamente, mas apenas uma delas é a dominante em cada momento.

O seguinte esquema mostra, de um modo muito simplificado, as três camadas básicas em que está organizado o cérebro humano. O tronco cerebral é vulgarmente designado por córtex reptiliano, e é uma estrutura comum a todos os animais. O tronco cerebral é responsável pela regulação dos sistemas automáticos do organismo, como o batimento cardíaco, a temperatura, a digestão, etc. É também no tronco cerebral que são gerados os impulsos mais rudimentares de auto-preservação (tipo “lutar ou fugir”) e de agressividade.



Os répteis e anfíbios não desenvolvem muito o cérebro para além do tronco cerebral, por isso animais como a rã passam a sua vida dependentes de decisões tipo “piloto automático”. Por exemplo, a decisão de comer é baseada na presença de 3 informações visuais provenientes do ambiente próximo: 1) O alvo está a mover-se? 2) O alvo está próximo suficiente? 3) O alvo cabe na minha boca? Se a informação visual obtida responder “Sim” a estas 3 perguntas, então a rã saltará “automaticamente” tentando apanhar a presa. A decisão de fugir é semelhante: se o alvo estiver em movimento, se for maior do que a própria rã e se estiver demasiado perto, a rã saltará automaticamente para a água, mergulhando até se encontrar a uma distância segura. O mais importante a reter deste exemplo é que a rã não tem a capacidade de decidir como deve reagir. Cada um dos seus movimentos está pré-determinado pelos sinais que são processados pelo cérebro tipo “piloto automático”.

A segunda camada cerebral designa-se por “sistema límbico”, e é responsável pela nossa vida emocional. O sistema límbico não só está envolvido na criação de memórias, como parece adicionar emoções às memórias que vão sendo criadas, tornando essas emoções disponíveis ao nosso “ecrã mental” cada vez que as memórias são relembradas.

A última camada cerebral é chamada de neocórtex, e conhecida como “cérebro racional”. É a área onde são executadas as operações lógicas e de racionalização. De um ponto de vista meramente físico, é aqui que reside o nosso “ecrã mental”, a nossa percepção.


Adaptado de: The Nuts and Bolts of Meditation

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