E-book "Profissão: EU!"

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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Tarot - IX. O Eremita

"Fui para os bosques porque desejava viver deliberadamente, enfrentar apenas os factos essenciais da vida, e ver se podia aprender tudo o que eles tinham para ensinar; para que, quando morrer, não descubra que não vivi."

Henry David Thoreau, filósofo norte-americano (1817-1962)


"Parecia-lhe um ritual necessário preparar-se para dormir meditando sob a solenidade do céu nocturno… uma misteriosa transacção entre a infinidade da alma e a infinidade do universo."

Victor Hugo, escritor francês (1802-1885)


Simbologia e Arquétipo

Um homem idoso com vestes de monge desloca-se na escuridão da noite, numa paisagem inóspita, segurando uma lanterna.


A Viagem do Louco

Depois de uma vida atribulada e longa, de criações, de compromissos, de amores e ódios, de sucessos e fracassos, o Louco sente uma profunda necessidade de se retirar. Encontro o refúgio perfeito numa pequena cabana no meio da floresta, onde pode ler, organizar-se, descansar ou simplesmente pensar. Mas todas as noites ele viaja pela paisagem outonal, levando consigo apenas o bordão e a lanterna.

É durante estes passeios, do ocaso à aurora, observando e examinando tudo o que lhe desperta curiosidade, que ele vê e absorve aquilo que lhe tinha escapado até então, sobre si próprio e sobre o mundo. É como se os cantos secretos da sua mente, cuja existência era até agora desconhecida, fossem lentamente iluminados. De certa forma, ele voltou a ser o Louco: como no início, segue para onde a inspiração o leva. Mas enquanto o Louco levava o bordão sobre o ombro, com uma trouxa de conteúdo desconhecido, o bordão do Eremita está à sua frente. E ele carrega uma lanterna, não uma trouxa. O Eremita é como essa lanterna, iluminado por dentro por tudo aquilo que é.







O Eremita no baralho Fantastical Creatures (US Games)






Notas Interpretativas

Simbolizado pelo signo de Virgem, o Eremita é a carta da introspecção, da análise e, até certo ponto, de uma espécie de “virgindade”. Este não é o momento para socializar: há um desejo de paz interior e de solidão. Nem é o tempo para a acção, para discutir ou tomar decisões. É o tempo para pensar, organizar, reabastecer. Podem surgir sentimentos de frustração e descontentamento nesta etapa de reclusão, além de alguma impaciência no lidar com as outras pessoas. Mas como um artista que se esconde durante algum tempo para depois emergir com a sua obra-prima, este tempo de silêncio permite encaixar todas as peças do puzzle mental antes de passar à acção.

Outro aspecto importante desta carta é que o Eremita parece sempre estar a mover-se. Nunca o vemos fechado no seu refúgio, mas antes deambulando, procurando. Este é o aspecto irrequieto de Virgem, sempre em busca de informação, analisando, estabelecendo relações, sempre céptico e disposto a “ver com os seus próprios olhos”.






O Eremita no baralho Thoth (US Games)







O Eremita pode também representar uma pessoa sábia e inspiradora, um amigo, professor ou terapeuta, alguém que o Querente costuma consultar a sós, alguém que pode não ser do conhecimento dos restantes amigos e familiares do Querente. Esta é uma pessoa capaz de iluminar aquilo que antes era misterioso e confuso. E que pode ajudar o Querente a encontrar aquilo que procura.

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