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sábado, 22 de março de 2008

Ostara - O Equinócio Vernal


"Wake up, wake up
from Your long, wintry slumber,
Lady,
You are blossoming
and Your fertility beckons to the young Warrior.
You are newly sprung,
Like a rose, and long for His touch,
You are butterfly and bud.

On this Equal Night
Your passion is renewed,
Life is growing all around You,
Vines run wild through Your hair,
Grasses and flowers encircle You in love,
And the forest's creatures gather in joy of Your return."


Corcha Mayve Moondancer


O Ostara é o sabbat neo-pagão que celebra o equinócio de Primavera. O termo remonta a Jacob Grimm, que na sua obra sobre mitologia germânica especula sobre a deusa teutónica Ostara (no original, Oestre ou Eastre), senhora da Aurora, da fertilidade, alegria e renovação. Não estando relacionado com nenhuma festividade tradicional em particular, o Ostara reúne vários símbolos associados às comemorações ancestrais do início da Primavera, como o ovo e o coelho (animal que sempre acompanha Ostara pela sua reconhecida capacidade reprodutiva).

Na Wicca, o Ostara celebra a reunião da Deusa-Mãe ao Deus-Sol, que é simultaneamente seu filho e seu amante, e que passou os meses de Inverno no reino da Morte. A Deusa-Mãe torna-se de novo Virgem, e o Deus-Sol que nasceu no Yule (solstício de Inverno) é agora jovem e pleno de energia criadora. Celebra-se aqui o casamento sagrado entre os dois, que daqui a 9 meses produzirá o renascimento do Sol (precisamente no próximo Yule).

Este é o momento para dar as boas-vindas à Primavera, ao renascimento da Natureza, e à abundância do Verão que se adivinha. A luz e a escuridão encontram o equilíbrio perfeito, mas é a luz que está cada vez mais forte de dia para dia. Também as energias masculina e feminina, yin e yang, estão agora equilibradas. É altura de pensarmos na nossa própria renovação, dos nossos pensamentos, sonhos e aspirações, das nossas relações. Pode ser uma boa oportunidade para começar algo inteiramente novo, ou para revitalizar completamente o que já existia.

Vários são os rituais neo-pagãos reservados ao Ostara. Incluem o atear de fogueiras na aurora para pedir a protecção das colheitas, tocar sinos e decorar ovos cozidos. Há ainda a famosa “limpeza de Primavera” para pôr ordem na casa, que muitos neo-pagãos encaram mais do que uma simples tarefa física: é um esforço para “deitar fora” os sentimentos negativos acumulados nos últimos meses, preparando o lar para a Primavera e o Verão.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Imbolc - A Festa de Brigid


"I honor Thee, Maiden, most blessed Bride
As your candle burns through this night
And thank you for the renewed life you offer us all
As you emerge from the dark to the light."



Excerto de um ritual de Imbolc, por Akasha



O Imbolc é um festival de origem celta que se comemora no meio do Inverno. A data mais consensual varia entre 1 e 2 de Fevereiro, mas algumas correntes do revivalismo celta acreditam que se deva celebrar na primeira Lua Cheia em Aquário (este ano, em 22 de Janeiro), ou na noite em que o Sol atinja os 15 graus desse signo (4 de Fevereiro). O termo Imbolc (pronuncia-se IM-bulk ou EM-bowlk) deriva de “oimelc”, que em Gaélico significa “leite de ovelha” (nesta altura começam a nascer as primeiras crias do ano).

Com origens irlandesas, este Sabbat é dedicado à Deusa Brigid, a guardiã do fogo sagrado que no início de Fevereiro traz à Natureza os primeiros sinais da Primavera que se adivinha. É o momento certo para comemorar o retorno do Sol acendendo velas em todas as divisões da casa, e pedir bênçãos para as sementes e ferramentas agrícolas. A tradição cristã associa-o a Nossa Senhora das Candeias. É ainda um festival muito comemorado na Irlanda, onde várias tradições se têm mantido ao longo dos tempos. Diz-se que na noite do Imbolc a deusa Brigid caminha sobre a Terra, por isso cada membro de uma família deve deixar uma peça de roupa do lado de fora da porta, para que Brigid o abençoe. O chefe da família acende uma fogueira, cujas brasas são depois aplanadas. Na manhã do dia seguinte, as cinzas são observadas em busca de algum sinal de que Brigid tenha por ali passado. Outra tradição do Imbolc é simbolizada pelo arado. Em algumas regiões anglo-saxónicas, este é o primeiro dia em que a terra deve ser arada para preparar a sementeira. Um arado decorado é levado de porta em porta por crianças disfarçadas que pedem comida, bebida ou dinheiro (terá origem no Imbolc o trick-or-treat que hoje se observa no Halloween), e que prometem arar os jardins daqueles que se mostrarem mais avarentos. O arado pode ainda ser “baptizado” com whiskey, e deixado ao ar livre com pedaços de pão e queijo como oferenda aos espíritos da Natureza.

Na Wicca, Brigid é a Deusa Mãe, que agora a alimenta o Filho-Sol a quem recentemente deu à luz (no Yule). No entanto, ela voltou também a ser virgem e deambula no Mundo Subterrâneo, preparando-se para devolver a fertilidade e a abundância à terra. As celebrações neo-pagãs do Imbolc servem por isso como um convite à Deusa, para que volte a viver no nosso Mundo e sobre ele espalhe as suas bênçãos. Esse convite pode ser feito por uma pessoa só ou por um coven, com velas acesas, fogueiras, cânticos, danças ou oferendas. Este é o momento certo para reacordar o espírito que se deixou adormecer pelo Inverno, purificando-o e iniciando-o nas práticas wicca ou reafirmando a sua ligação à Deusa e ao Deus.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Yule - O Solstício de Inverno

In ancient days the folk of old
When chilled with fright by winter's cold
Did kindle up a great Yule fire
With leaping flames in its great pyre;

So to entice the waning sun
To rise again and wider run;
It's fiery course across the sky,
To warm them so they would not die.

So we, whose minds now sense a chill
Of anger in the evil will,
The human conflict, hate, and strife,
Which hold a menace over life;

Would kindle up a flame of love
That we within our hearts may move,
In Yuletide joy, with love embrace
And thus abide in peace and grace.


in Yule Fires, John G. MacKinnon


O termo Yule terá tido origem na palavra islandesa Jōl, designação de um festival pagão germânico celebrado durante 12 dias em torno do solstício de Inverno. Jōl significa “roda”, em referência ao ciclo anual de sucessão das estações. Este é o Sabbat que assinala o renascimento do Deus-Sol, após a noite mais longa do ano.


Embora existam muitas lendas pré-cristãs acerca do Yule, poucas revelam detalhes da sua prática pelos povos nórdicos, embora seja consensual que se tratava de uma ocasião muito festiva. De acordo com Adam de Bremen, os reis Suecos sacrificavam escravos a cada nove anos, durante o Yule, no templo de Uppsala. Estes festejos invernais permaneceram em uso na Islândia durante a Idade Média, mas a chegada dos Protestantes (que não viam a festa com bons olhos) veio prejudicar a continuação da tradição.


Um escritor inglês medieval relata que os missionários cristãos enviados para evangelizar os povos germânicos do Norte Europeu tinham instruções para introduzir temas cristãos nas festas pagãs, mantendo-as no seu aspecto cultural mas mutando-as no seu cariz religioso. Assim terá nascido o Natal, criado a partir de histórias que associavam o nascimento de Jesus de Nazaré ao Yule (um pouco como terá sucedido com o Samhain e o Dia de Todos-os-Santos). A ideia de associar o nascimento de Cristo ao Solstício de Inverno terá sido igualmente influenciada pela Saturnália, o maior festival público da Roma pré-cristã, que de um dia (17 de Dezembro) se tornou numa semana de folia (até 23 de Dezembro) em honra de Saturno.


Muitos dos símbolos que hoje associamos ao Natal derivam do Yule nórdico:


O tronco de Natal (Yule log)

No Yule dos povos germânicos antigos, o Deus Thor seria uma das figuras centrais. Thor, senhor dos trovões, era também associado ao carvalho, e por isso seria costume utilizar um tronco de carvalho como forma de venerar a divindade. O tronco, escolhido no Solstício de Inverno do ano anterior, era decorado com pinhas e agulhas de pinheiro. Pequenos pedaços de papel contendo os desejos para o novo ano eram introduzidos na folhagem, o tronco era queimado durante o Yule e as suas cinzas preservadas, pois dizia-se que possuíam propriedades mágicas.


Algures entre os sécs. XVIII e XIX, o tronco de Natal tornou-se numa apreciada sobremesa originalmente confeccionada por pasteleiros franceses, e é este o formato pelo qual melhor o conhecemos.


A árvore de Natal (Yule tree)


As árvores, como o tronco do Yule, estiveram sempre associadas à veneração do Deus Thor, em especial durante o Solstício de Inverno. Mas é a S. Bonifácio que a tradição atribui a criação da primeira árvore de Natal. Bonifácio, um missionário cristão, terá derrubado o Carvalho de Thor em Geismar, deixando que um jovem abeto se desenvolvesse junto às raízes da árvore morta. Para Bonifácio o abeto tornou-se um símbolo do triunfo do Cristianismo sobre as crenças pagãs, e mais tarde seria Martinho Lutero o primeiro a colocar luzes na árvore de Natal.


O azevinho (holly) e o visco (mistletoe)


O azevinho era, para os druidas, a planta mais sagrada, aquela que governava sobre o Inverno e o seu solstício. Os romanos pré-cristãos consideravam-no símbolo de Saturno, celebrado precisamente na Festa do Sol a 25 de Dezembro. Quanto ao visco, os seus frutos surgem por volta do Solstício de Inverno, e seriam também utilizados nos rituais celtas. Mais tarde surgiu o costume, de origem britânica, que sentencia que duas pessoas que se encontrem debaixo do visco devem beijar-se.



O Neopaganismo moderno celebra o Yule como o final das noites escuras e frias, das trevas da morte e da estagnação. Aqui é possível estabelecer um paralelismo muito próximo com o Natal cristão: assim como a Deusa-Mãe dá à luz a Criança Divina, o Deus-Sol que fará voltar os dias longos, o calor e a vida à Terra adormecida, também a Virgem Maria fez nascer Jesus, o Messias que veio iluminar a Humanidade com a sua palavra divina. Independentemente daquilo em que acreditamos (ou dos nomes diferentes que pretendem distinguir coisas na realidade muito semelhantes), este é sem dúvida um momento de alegria e esperança: a Luz está já a caminho, e com ela dias melhores virão!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Samhain - A Noite dos Mortos

The night is coming the veil is thin
Hear their voices within the winds.

Light the fires and chant out loud,
Feel them walk within the crowd.

The summer is gone
and winter draws near
The veil will open,
welcome them without fear.

Our loved ones past will soon be among our place,
See the veil thinning and you will see their face.

Embrace the night and let your magic be known,
The truth that is here will soon be shown.

Enjoy this time celebrate the worlds within your rites,
The veil is once again thinning, it is again Samhain Night


Samhain Night, de Starrfire Price


Ao pôr-do-Sol do dia 31 de Outubro tem início o Samhain (em inglês pronuncia-se SOW-in, SAH-vin ou SAM-hayne, e significa “Fim do Verão”) uma celebração muito especial da 3ª e última colheita agrícola. A metade do ano dominada pelo Inverno e o Ano Novo celta começam neste Sabbat. Muitas culturas em todo o mundo comemoram o seu Dia dos Mortos nesta data, mas o Samhain da tradição pagã teve origem nos celtas que em tempos habitaram as Ilhas Britânicas. A cultura norte-americana conhece-o por “Halloween”, a Noite das Bruxas, mas é muito mais do que isso: é um momento mágico em que as leis do tempo e de espaço são temporariamente suspensas, e é levantado o véu que separa os mundos.

Na Europa pré-cristã, esta altura do ano marcava o início dos meses de frio e de pouca fartura. Os rebanhos eram recolhidos a abrigos de Inverno, mas alguns animais eram abatidos para que a sua carne servisse de alimento até à Primavera seguinte. Além da sua importância agrícola, os Celtas encaravam o Samhain como um momento muito espiritual: a meio do período que separa o Equinócio de Outono do Solstício de Inverno, os povos antigos atribuíam-lhe grandes poderes de magia e comunhão com os espíritos. O “véu entre os mundos” dos vivos e dos mortos estava, nesta altura, tão fino quanto possível, pelo que era o momento oportuno para convidar os mortos a regressarem para junto dos seus entes queridos ainda vivos. A reunião era comemorada com uma mesa farta, onde sobravam cadeiras para os “convidados invisíveis”, e executavam-se rituais para apaziguar os espíritos e comunicar com o outro mundo. Outras práticas que encontravam no Samhain um momento propício eram a divinação e os pedidos de desejos para o ano novo.



São inúmeras as tradições associadas ao Samhain, e que ainda hoje se praticam:

- Oferecer de comida em altares ou degraus, para alimentar os mortos que nessa noite vagueiem entre nós

- Acender velas às janelas, para ajudar a guiar até casa os espíritos dos antepassados.

- Acender fogueiras que vão conter a energia do Deus morto, iluminar a escuridão da noite, afastar o mal, receber a luz do Ano Novo e purificar o espaço ritual ou o lar.

- Enterrar maçãs à beira das estradas para dar algum conforto aos espíritos que se perderam ou que não têm descendentes que olhem por eles.

- Esvaziar e esculpir abóboras, dando-lhes uma cara alegre de espíritos protectores para que velem pelos vivos nesta noite de magia e caos.

- Não viajar nesta noite; vestir de branco, com disfarces ou roupas do sexo oposto, para enganar os pequenos espíritos que andam à solta a pregar partidas.


Entre a comunidade neo-pagã, o Samhain assume uma grande importância, embora as actividades desenvolvidas nesta noite sejam bastante diversas. Muitos utilizam o tarot ou as runas, outros realizam rituais de homenagem aos mortos e convidam-nos para partilhar da sua refeição onde não faltam as maçãs, o milho, os pratos de carne, as sobremesas com abóbora, a sidra. Há ainda lugar para a meditação, a visualização e a projecção astral.

Em 2007, o Samhain lunar ocorre em 9 de Novembro, com a presença da Lua Nova em Escorpião. Esta é a Lua Negra, que traz consigo um enorme potencial de transformação, de morte e renascimento, de contacto com as emoções do inconsciente e com tudo o que está para além da realidade palpável. É em Escorpião que o Deus-Sol morre, simbolicamente, para voltar a nascer do ventre da Deusa-Mãe no Solstício de Inverno (Yule). Este ciclo perpétuo é essencial à regeneração da terra após as colheitas, e do ser humano, que tem aqui uma boa oportunidade de meditar sobre si mesmo, transformando o velho ego (o Sol que "morre") num novo ego que incorpora já as experiências vividas no último ano e abandona velhos paradigmas que já não são úteis à evolução da alma.


Este é o tempo de reflectir sobre a sua própria mortalidade. Aproveite!


Fontes: The Celtic Connection, The Witches Way, Witchvox

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Princípios da Crença Wicca

O Conselho de Bruxas Americanas foi constituído em Abril de 1974 (e dissolvido no mesmo ano), numa altura em que a ausência de uma organização Wicca a nível nacional e internacional dava azo a equívocos, favorecendo a construção de imagens distorcidas d’ “A Arte” (como também é designada esta religião) perante a opinião pública. O objectivo principal do Conselho era “separar o trigo do joio”, mostrando para o interior do movimento wicca e, sobretudo, para o exterior, quais os princípios comuns a todos os Wiccans, demarcando-se categoricamente do Satanismo e de outras seitas derivadas e devolvendo ao termo “Bruxo(a)” o seu significado original. O texto produzido veio clarificar muita da confusão surgida até então e permanece, hoje, uma referência incontornável na forma wicca de encarar a religião e a vida.
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Princípios da Crença Wicca

Introdução

O Conselho dos/as Bruxos/as Americanas considera essencial definir a Bruxaria moderna [Wicca] em termos da experiência e necessidade americanas.
Não estamos limitados/as pelas tradições de outros tempos e de outras culturas, e não devemos fidelidade a nenhuma pessoa ou poder maior do que a Divindade que se manifesta através do nosso ser. Como Bruxos/as Americanas, acolhemos e respeitamos todos os ensinamentos e tradições afirmativos da vida, e procuramos aprender e partilhar os nossos conhecimentos dentro do nosso Conselho. É neste espírito de receptividade e cooperação que adoptamos estes princípios da crença Wicca.Tentando ser inclusivos, não pretendemos abrir-nos à destruição do nosso grupo por aqueles que só querem o poder para si próprios, ou pelas filosofias e práticas contraditórias aos nossos princípios. Tentando excluir todos aqueles cujas atitudes sejam contrárias às nossas, não queremos negar a participação a ninguém que não esteja sinceramente interessado no nosso conhecimento e crenças, qualquer que seja a sua raça, cor, género, idade, origem nacional e cultural, ou preferência sexual.

1. Praticamos rituais para nos sintonizarmos com o ritmo natural das forças da vida, marcado pelas fases da Lua e pelas estações e meias-estações do ano.

2. Reconhecemos que a nossa inteligência nos dá uma responsabilidade única em relação ao meio ambiente. Procuramos viver em harmonia com a Natureza, em equilíbrio ecológico, oferecendo auto-realização e consciência dentro de um conceito evolucionário.

3. Reconhecemos a existência de um poder muito superior ao que é aparente à pessoa comum. Por estar muito para além do que é vulgar, é por vezes designado de “sobrenatural”, mas vêmo-lo como estando no centro do que consideramos ser o potencial natural de todos nós.

4. Vemos o Poder Criativo do Universo manifestando-se através da polaridade, como Masculino e Feminino, e que este Poder Criativo existe em todas as pessoas, funcionando através da interacção masculino-feminino. Não valorizamos um mais do que o outro, sabendo que um sustenta o outro. Valorizamos o sexo como prazer, como símbolo e incarnação da vida, e como uma das fontes de energia utilizadas na prática mágica e na adoração religiosa.

5. Reconhecemos a existência de mundos exteriores e interiores, ou psicológicos, também conhecidos como Mundo Espiritual, Inconsciente Colectivo, Planos Interiores, etc – e vemos na interacção e entre estas duas dimensões a base dos fenómenos paranormais e dos exercícios mágicos. Não negligenciamos uma dimensão em prol da outra, porque ambas são necessárias à nossa auto-realização.

6. Não reconhecemos nenhuma hierarquia autoritária, mas honramos aqueles que ensinam, respeitamos aqueles que partilham o seu conhecimento superior e a sua sabedoria, e apreciamos aqueles que se entregam corajosamente a actividades de liderança.

7. Vemos religião, magia e sabedoria na vida como estando unidas, da mesma forma que vemos o mundo e as vidas dentro dele – uma visão e uma filosofia de vida que identificamos como Witchcraft – a Visão Wicca.

8. Auto-intitular-se “Bruxo/a” não faz o/a Bruxo/a, nem o faz a hereditariedade, a colecção de títulos, graus ou iniciações. Um/a Bruxo/a procura controlar as forças dentro de si próprio/a que tornam a vida possível, de forma a viver bem e com sabedoria, sem prejudicar os outros e em harmonia com a Natureza.

9. Acreditamos na afirmação e na concretização da vida, num processo de contínua evolução e desenvolvimento da consciência que dá significado ao Universo que conhecemos e ao papel pessoal que cada um de nós nele desempenha.

10. A nossa única animosidade contra o Cristianismo, ou contra qualquer outra religião ou filosofia de vida, acontece na medida em que as suas instituições defendam a sua via como “a única via”, tentando negar a liberdade dos outros e suprimir outras formas de prática e crença religiosas.

11. Como Bruxos/as Americanos/as, não nos sentimos ameaçados/as pelos debates sobre a história da Arte, as origens dos mais variados termos, a legitimidade dos vários aspectos das diferentes tradições. Preocupa-nos o nosso Presente e o nosso Futuro.

12. Não aceitamos o conceito de Mal absoluto, nem veneramos qualquer entidade conhecida por "Satanás" ou por "Diabo", definida pela tradição cristã. Não procuramos o poder através do sofrimento dos outros, nem aceitamos que o benefício pessoal possa vir apenas da negação do benefício de outrem.

13. Acreditamos que devemos procurar na Natureza aquilo que contribui para a nossa saúde e para o nosso bem-estar.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Wicca



"Yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay"

Ditado Galego




Wicca é uma religião neopagã que recupera a tradição pagã europeia da era pré-cristã, do culto da Terra e dos ciclos naturais. A palavra Wicca vem do inglês antigo, e significa "dobrar ou alterar".

As origens históricas da Wicca não são tema consensual. Gerald Gardner (1864-1964), antropólogo e um dos maiores impulsionadores do movimento Wicca, defendia que este resultava da sobrevivência de várias crenças pagãs matriarcais existentes na Europa pré-histórica, que lhe teriam sido transmitidas por uma anciã chamada “Dafo” ou “Velha Dorothy”. Enquanto alguns investigadores modernos identificam estas personagens com Dorothy Clutterbuck (suposta líder do New Forest Coven de Inglaterra), outros há que defendem que se tratam de duas fontes independentes. Há ainda quem acredite que tudo pode não ter passado de uma criação do próprio Gardner, que assim obteve uma origem mais “credível” para os rituais que reescreveu a partir de tradições antigas, rituais de magia cerimonial e outras fontes mais recentes, como Aradia ou o Evangelho das Feiticeiras, de Charles Godfrey Leland (folclorista, 1824 – 1903). Philip Heselton, iniciado na Wicca e autor de Wiccan Roots e vários outros livros sobre o tema, defende que Gardner não foi o criador dos rituais sobre os quais escreveu, mas que os recebeu de uma fonte anónima credível e os transmitiu de boa-fé.

Desde as primeiras publicações de Gardner, a Wicca tem-se desenvolvido e ramificado em várias tradições com rituais e práticas distintos. Muitas destas tradições permanecem secretas, e requerem alguma espécie de iniciação dos seus membros efectivos. Existe também um movimento de Wiccans Eclécticos, que acreditam não ser necessária qualquer doutrina ou iniciação tradicionais para a prática da Wicca. Em 2001, o American Religious Identification Survey estimava a existência de pelo menos 134.000 adultos praticantes de Wicca nos Estados Unidos.

Conceitos Fundamentais

A inexistência de uma única organização de referência Wicca tem levado a uma crescente heterodoxia nas crenças e práticas dos adeptos Wicca. No entanto, os princípios religiosos e éticos essenciais, de veneração da Natureza como manifestação do Divino, permanecem os mesmos, transmitindo-se oralmente dentro de um coven (grupo de adeptos de Wicca que realizam as práticas religiosas em conjunto) e/ou através de inúmeras obras publicadas sobre o assunto. O ramo eclético preconiza que, dentro dos moldes descritos em seguida, cada um é livre de experimentar e estabelecer a relação com a divindade da forma que sentir ser, espiritualmente, a mais correcta.

Divindade

Para a maioria dos adeptos da Wicca, esta é uma religião duoteísta. A Deusa e o Deus são polaridades complementares que emanam de uma só fonte divina, e que estão presentes em toda a Natureza (dia e noite, feminino e masculino,…) numa generalização do princípio hermético de que “Tudo é dual”. As duas divindades são normalmente simbolizadas como Deus-Sol e Deusa-Lua, e esta por sua vez é uma tripla divindade: Deusa-Virgem (Quarto Crescente, o Nascimento), Deusa-Mãe (Lua Cheia, a Vida) e Deusa-Anciã (Quarto Minguante, a Morte). Algumas correntes da Wicca atribuem à Deusa um carácter pré-eminente, pois ela contém tudo e tudo cria. O Deus é adorado como a centelha da vida, a inspiração que motiva a criação da Deusa, simultaneamente o seu amante e o seu filho. O conceito duoteísta é frequentemente alargado a múltiplas divindades que não são mais do que manifestações do Deus (e.g. Pan, Zeus) e da Deusa (e.g. Diana, Hecate). O número e natureza dos deuses adorados pode variar de coven para coven e até mesmo entre praticantes do mesmo coven.

Símbolo da Deusa Tríplice


Animismo

O Deus e a Deusa podem manifestar-se nas pessoas, encarnando temporariamente nos corpos dos sacerdotes e sacerdotizas.

Os Elementos

Toda a força ou forma resulta da expressão de um ou da combinação de vários dos quatro Elementos – Terra, Ar, Fogo e Água. Há ainda um quinto elemento, o Espírito. Os cinco elementos formam as cinco pontas do Pentagrama, um dos símbolos mais importantes da Wicca.

O Círculo

Não existem edifícios dedicados à prática religiosa: qualquer lugar na Terra é adequado ao contacto com a divindade. O ritual inicia-se invariavelmente com a criação do Círculo, uma área circular em torno dos participantes que é purificada pelos quatro elementos. O restante do ritual é conduzido no interior do Círculo, com a invocação dos nomes da Deusa e do Deus, assim como dos poderes da Natureza. O Círculo é considerado uma zona de protecção dentro da qual o indivíduo está protegido, e onde pode atingir estados de consciência alterados, “entre mundos”. O Círculo serve também para conter a energia que é acumulada durante o ritual, até chegar o momento certo de a libertar em direcção ao objectivo pretendido.

As três leis fundamentais

Embora a Wicca não possua qualquer texto sagrado, existe um conjunto de 3 princípios essenciais para a forma de ser e estar de um wiccan.

1.An ye harm none, do what ye will”. Esta é a Wiccan Rede, e também o lema adoptado para o Nodo Ascendente: Faz o que quiseres, desde que não prejudiques ninguém. Deve ser aplicado às práticas mágicas e conduzir a uma atitude aberta e responsável perante a vida em geral.

2. Lei das Três Vezes: Aquilo que fizeres ser-te-á devolvido três vezes mais. Este é uma extensão do conceito do karma, e prevê que cada pessoa está sujeita às consequências dos seus actos, sendo que actos positivos geram retornos positivos, actos negativos atraem retornos negativos. Esta Lei parece confinada à corrente Gardneriana, pois o cumprimento da primeira Lei já assegura todo um código ético que dispensa o receio das consequências para ser eficaz.

3. A última grande crença é a da Reencarnação. Na Wicca não existe paraíso ou inferno, pois a Morte é considerada apenas uma outra forma de existência. Alguns adeptos acreditam que a alma renasce continuamente, para sempre, enquanto outros defendem que, uma vez aprendidas as lições necessárias, a alma conquista o direito ao repouso eterno num local designado na tradição britânica por “Summerlands” (ou “Terras de Verão”). A crença na Reencarnação lida com a questão do karma a um nível muito superior do da Lei das Três Vezes, assegurando que cada pessoa renasce para uma nova vida nas circunstâncias mais adequadas aos actos que praticou na vida anterior.


Para saber mais, consulte as obras de Scott Cunningham (destinadas sobretudo ao praticante de Wicca solitário) e Raven Grimassi (responsável pelo renascimento do paganismo em Itália, a Stregheria).


Fontes: