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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Amor no Estrangeiro ?

Tenho chance de me casar com uma pessoa estrangeira? Pergunto isso porque sempre gostei de coisas estrangeiras, e acho que me relacionar com alguém de ''longe'' seria uma coisa bem legal. 
Lucas, RS (Brasil)

Adaptado de Astrodienst

O estrangeiro exerce um fascínio especial em muitas pessoas. É o chamamento para descobrir algo de novo e estimulante, qualquer coisa que amplia os nossos horizontes, que nos convida a novas experiências e nos pôe em contacto com novos conhecimentos, outras perspetivas do mundo e da vida.

No mapa astrológico, é a Casa 9 que mostra o nosso olhar sobre o mundo lá fora. Será uma terra de oportunidades? De sacríficios? De descobertas? Ou de ameaças? 

No seu caso, Lucas, encontramos uma visão bastante utilitária do estrangeiro (Casa 9 em Virgem). Prudência e muito sentido crítico não fazem antever um grande desejo por viagens, ou por conhecer pessoas de outras culturas. Esse grande desejo, encontramo-lo afinal na Casa 12, aquela que mostra as nossas experiências fora da realidade habitual. Aqui, o apelo para expandir horizontes é muito forte (Lua em Sagitário), e desafia o seu poder de conquista sexual que assenta muito no estímulo intelectual, nas conversas intermináveis cheias de sentido de humor (Lua oposta a Marte que está em Gémeos, na Casa 5).

Assim, mais do que uma pessoa estrangeira, você quase anseia por uma "realidade alternativa". Por um relacionamento com grande riqueza emocional (o Sol está em Caranguejo na Casa 7, a dos relacionamentos) com alguém que o incentive a ir tão longe quanto desejar, não só em termos culturais e filosóficos mas também em termos românticos, afetivos. Assim, não se limite a procurar apenas estrangeiros, mas procure também pessoas que não são convencionais, pessoas artísticas, imaginativas, espiritualmente conectadas a um poder superior. E tenha em atenção o seu sentido crítico: pode ser útil para manter algum controlo sobre o seu poderoso lado emocional (sobretudo quando você se envolve com outras pessoas), mas pode também ser demasiado discriminatório, afastando-o das outras pessoas por terem certos "defeitos".

Para finalizar, adianto-lhe daqui até ao final do próximo ano terá excelentes oportunidades de conhecer pessoas interessantes - estrangeiros ou não. Esteja atento a quem se cruza no seu caminho e aproveite!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Entre 8 Paredes: da Privacidade à Intimidade

Há algum tempo assisti a um programa de TV onde se discutia se e quando deve um casal começar a partilhar os seus momentos de... expulsão de gases intestinais (chamemos-lhe assim). Entre muitas e variadas opiniões, algumas pessoas defendiam a inviolabilidade do espaço nasal e auditivo do parceiro, afirmando ser uma questão fundamental de respeito mútuo a não emissão de substâncias gasosas de origem digestiva, com ou sem ruído associado.

Freud teria por certo interessantes bitaites e soundbytes a adicionar a esta questão, que   tem muito mais significado implícito do que meros ditames de boa educação ou regras de etiqueta conjugal. A mim, fez-me reflectir sobre os conceitos de privacidade e intimidade na esfera dos relacionamentos afectivos. 

No mapa astrológico, a casa VIII mostra o tipo de experiência vivemos quando contactamos intimamente com outra pessoa. O que é isso de "contacto íntimo"? É sexo, claro. Mas também o contacto entre vulnerabilidades, traumas passados, tabus. Neste verdadeiro "quarto de cama" astrológico, deitamo-nos com os esqueletos que costumam estar bem escondidos no armário, com toda a privacidade. E se deixámos alguém entrar? Acabamos por partilhar a cama com essa pessoa, mais os seus esqueletos.

E o inevitável acontece. Descobrem que temos rugas ou celulite, roupa interior desinteressante ou pijamas largos demais, que ressonamos, que nunca repomos o rolo de papel higiénico e que deixamos as peúgas sujas espalhadas pelo chão. Ah, e que temos gases mal-cheirosos.

Tudo isto faz parte do que se chama, sucintamente, a "rotina" do casal. Mas de início nada tem de rotineiro! Queremos agradar, queremos ser a melhor versão de nós mesmos. Que fazer então com todo o conteúdo da casa VIII? Foi lá que guardámos as humilhações da infância, a curiosidade sexual proibida na adolescência, tudo o que sempre nos recriminaram e proibiram, nos fizeram crer que era mau, sujo, imoral. Não deixes tudo desarrumado, não sejas gord@, não sejas porc@, não sejas indecente. E de repente está outra pessoa à porta do nosso quarto, espreitando para dentro, e que fazemos nós? Disfarçamos enquanto for humanamente possível, claro! ;-)

Mas não há intimidade sem partilha integral, verdadeira. E partilhar é, antes de mais, mostrarmo-nos vulneráveis. Aqui me tens, sou assim por dentro. Às vezes um espetáculo tristonho, patético, feio e incorrecto. Outras vezes, nem tanto. Ainda me queres? Ainda me achas dign@ de amor?

Claro que sim! A magia da intimidade é encontrarmos na outra pessoa tudo o que de tristonho, patético, feio e incorrecto tentamos esconder em nós. E por isso não posso evitar olhar com desconfiança para essas teorias que defendem uma "heróica contenção anal" para bem do relacionamento. Sem sangue, suor e lágrimas, vísceras e tudo, de que serve um relacionamento? Que desafios coloca? Que parte profunda de nós comove e transforma?

Desse estimulante tema televisionado, prefiro guardar o exemplo de um casal que celebra toda a demonstração de flatulência com um jocoso comentário humorístico. Estilo "Chiça, que até os sismógrafos em Pequim registaram esse abalo!" É sempre terapêutico usar de um pouco de Ar (leia-se, sentido de humor) para relativizar a importância às vezes exagerada de questões de Água (leia-se, emocionalmente densas). O riso partilhado pode fazer tanto ou mais pela intimidade do casal do que uma tórrida noite de amor. E ajuda a "quebrar o gelo" quando, deitados na cama com os nossos medos, convidamos a entrar o hesitante amante que espreita da porta dizendo-lhe "Queres ser meu cúmplice? Há sempre espaço para mais alguns esqueletos."

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Irmãos (Gémeos ou de qualquer outro signo)

Quando pensamos nas influências decisivas dos nossos anos de crescimento, e o modo como essas influências moldaram os adultos que somos, muitos de nós concentram as suas atenções na relação que tiveram/têm com os seus pais. A relação entre pais e filhos ganhou tal relevo na Psicologia e saberes afins que acabou por chegar à cultura popular actual, onde referências como "mommy issues" ou "daddy issues" servem de metáfora irónica para homens demasiado nostálgicos da comida da mamã ou mulheres em permanente (leia-se "insaciável") busca por um amante mais velho que as controle/proteja.

Mas há outra relação fundamental na nossa "educação para ser humano": o elo que se estabelece entre irmãos. Esta é, provavelmente, a relação mais duradoura que alguma vez teremos, pois começa por volta com o nosso nascimento (ou alguns anos depois) e termina quando morremos (ou alguns anos antes).

De todos os filhos únicos que já conheci, não me recordo de nenhum que não fale, duma forma ou doutra, na solidão que é viver sem irmãos. Nos primeiros anos de vida, é o idílio: centrar as atenções de papá e mamã, não ter de dividir quarto nem brinquedos nem mimos com ninguém. Até que é chegado o momento de dar um passo para fora da esfera eu-no-ninho-do-papá-e-da-mamã. E é nessa altura que damos de caras (ou não) com alguém parecido connosco: um pouco mais velho ou mais novo, a mesma propensão para a brincadeira e para a birra reivindicativa de tudo o que possa ser conquistado dentro do espaço físico e afectivo da família - desde atenção exclusiva a guloseimas.

Astrologicamente, a etapa de explorar intelectualmente o que está para além das fronteiras do ninho está relacionada com o signo de Gémeos (!) e com o planeta que o rege, Mercúrio. Ambos, signo e planeta, simbolizam a experiência de ter irmãos, quer no sentido restrito do termo (irmãos de sangue e/ou de criação), quer no sentido mais vasto - irmãos de idade, de geração, colegas e pares. 

E Gémeos é o primeiro signo de Ar na roda do Zodíaco. Se Ar é conectar, comunicar e relacionar, então o signo dos irmãos é aquele em que encontramos a nossa primeira parceria com alguém que é como nós. O nosso primeiro relacionamento egalitário, chamemos-lhe assim (com os nossos pais nunca nos chegamos a relacionar "de igual para igual", nem mesmo depois na idade adulta).

Talvez por isso a convivência com irmãos desde que se nasce (ou quase) seja uma experiência que não tem comparação com nenhuma outra. Parece que nascemos já programados para amar pai e mãe, mas com os irmãos o amor é um elo que se constroi todos os dias. À custa de rivalidade e de cooperação, de secretismo mas também de grande cumplicidade. E não raras vezes há irmãos que se unem, reivindicando privilégios como se fossem direitos.

Disputas ou alianças fraternais à parte, é com os irmãos que começamos a ter uma visão multifacetada do mundo. Eles instigam-nos a abrir a mente a coisas diferentes, opiniões diferentes. Desafiam-nos a sair do ninho. A aprender a comunicar (de que outra forma poderíamos gritar "Larga esse brinquedo, é MEU?!?!"...?), a lidar com as nossas inseguranças, a testar os nossos limites (de paciência e não só). 

Voltando à Astrologia dos Irmãos, podemos encontrar insights sobre o assunto olhando para a posição de Mercúrio no mapa astrológico, para o signo da casa III e qualquer planeta que aí se encontre. Planetas na casa III mostram frequentemente a forma como vivemos a experiência de ter (ou não ter) irmãos, o que isso representa na nossa vida, e que aspectos da nossa personalidade temos tendência a viver através do(s) nosso(s) irmão(s).  

Um irmão é como um reflexo num espelho que nos devolvesse uma imagem diferente daquela que sabemos que é a nossa. Olhamos e... quem é aquele estranho do lado de lá? Queremos conhecê-lo. Observamos como se mexe, como fala, como se comporta. Às vezes idolatramo-lo, queremos ser como ele. Outras vezes estranhamo-lo, tem defeitos e manias que não entendemos nem reconhecemos em nós. E no entanto estamos ligados a este reflexo para toda a vida.

Porque se mãe há só uma, irmãos podem ser muitos (felizmente), e não precisam ser todos geneticamente aparentados. Na essência do relacionamento fraternal está o respeito mútuo pela diferença de cada um, o desejo genuíno de aceitar o outro como ele é, e a certeza inabalável de que ele estará lá para mim, venha o que vier. Isso sim, é um irmão.


P.S. Este post é dedicado à minha irmã, ilustremente representada no meu mapa astrológico por 3 (!) planetas na casa III: Marte que me instiga a lutar pelo que eu quero, Saturno a relembrar-me dos meus limites e responsabilidades, e Júpiter retrógrado incentivando-me a confiar na minha sabedoria interior sempre que parto à descoberta de novos e melhores horizontes.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Mudar de Casa, Transformar a Vida

O anseio por um lar vive em todos nós... 
um lugar seguro onde possamos existir tal como somos sem sermos questionados.

Maya Angelou (Escritora Norte-Americana)

Mudar de casa é uma experiência pela qual a maioria das pessoas acaba por passar, mais cedo ou mais tarde nas suas vidas. 

Enquanto crianças e adolescentes, navegamos na maré profissional e conjugal dos nossos pais. Nessa fase mudar de casa sinaliza uma alteração importante na estrutura familiar (casamentos, divórcios,...) e também, muitas vezes, na escola que se frequenta e nas amizades que se dissolvem para ver nascer afinidades mais favorecidas pela proximidade geográfica. Na adolescência, a nossa verdadeira casa é o nosso quarto, o refúgio que é mesmo só nosso e onde procuramos solitude para enfrentar as questões do crescimento que nos vão desassossegando a cada instante - ou privacidade para estar com os amigos longe de olhares inquisidores.  

Quando nos tornamos adultos independentes, a mudança para a nossa casa é o primeiro passo no sentido de afirmarmos a nossa auto-suficiência para nós mesmos, para a nossa família, para a comunidade inteira. Não se trata apenas de conseguir pagar as contas, mas de ter autonomia suficiente para lidar com todas as responsabilidades inerentes. E, mais do que isso, é aceitar essas responsabilidades de bom grado, não como um fardo desconfortável (ai a roupa suja, que falta faz aqui a mamã...!) mas como um prémio orgulhosamente conquistado com esforço e maturidade.

E o que significa a nossa casa, o nosso lar? Algumas pessoas encontram aí muita da segurança material de que necessitam - uma casa de Terra. 
Este é o fruto do meu trabalho, a fortaleza onde encontro o conforto, a estabilidade e a organização que me ajudam a lidar com as incertezas do mundo lá fora.
Outros vêem a sua casa como um ninho de emoções - uma casa de Água.
Este é o meu porto de abrigo, onde reúno as pessoas que amo e aprofundo os laços que nos unem, onde partilho os meus sentimentos e deixo que me inundem de emoções alheias.
Haverá quem encare a sua casa como um campo de liberdade mental - uma casa de Ar.
Este é o espaço onde sou livre de dizer o que penso, de deixar as minhas ideias fluir para o papel ou para os ouvidos daqueles que me entendem, de procurar respostas para aquilo que não sei e encontrar no que os outros me dizem uma fonte permanente de novas aprendizagens.
E há ainda quem veja na sua casa um centro de inspiração criativa - uma casa de Fogo.
Este é o aconchego que me aquece, que me anima, que me motiva para conquistar o mundo levando comigo aqueles que me inspiram e fazendo-os sentir-se tão especiais como de facto são.

Por isso, o processo psicológico e emocional de mudar de casa pode ter muitos significados diferentes, ser simples ou complicado, rápido ou demorado, libertador ou aterrador (ou um bocadinho de tudo!) Qualquer que seja a razão objectiva por que tomemos essa decisão (alterações financeiras, familiares, profissionais...), ajuda muito pensar no que constitui de facto a nossa casa, do que fugimos quando nela nos refugiamos e de que forma podemos expandir lentamente as suas fronteiras. 

Para deixar entrar novas pessoas e experiências que nos enriqueçam, para aprendermos a sentir-nos mais confortáveis, mais amados, mais compreendidos e mais inspirados. Para que na nossa pequena casa haja lugar para o mundo inteiro.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Jung e as Ovelhas Negras

"O maior fardo que uma criança tem de carregar é a vida não vivida dos seus pais".

Carl G. Jung, Psiquiatra e Psicoterapeuta Suiço (1875-1961)


Não sei se existirá alguma família que não tenha pelo menos uma ovelha negra. Em certas famílias, a ovelha negra estará talvez melhor camuflada do que noutras - afinal, o que vão as pessoas pensar....? E no entanto estes rebeldes (com ou sem causa) desempenham um papel essencial no desenvolvimento psicológico e espiritual da sua linhagem. Não são apenas desordeiros gerando o caos na sua família de Hoje, mas sim herdeiros de uma importante tarefa: a de prosseguir, no caminho dos seus antepassados, a busca pela integração plena.

E que é isso de integração plena? É o preenchermos as partes de nós que sentimos incompletas. Numa família, isso significa desenvolver os talentos, as competências, as características que foram sendo negligenciadas ao longo do tempo, às vezes durante muitas gerações.

Será ovelha negra o contabilista que nasce no seio de uma família de músicos, ou o jardineiro numa família de advogados. A expressão de uma vocação profissional é talvez a forma mais visível que uma ovelha negra tem de se manifestar. Mas há muito mais em jogo do que isso. 

Astrologicamente, observa-se com facilidade a transmissão de certos padrões astrológicos dentro da mesma família. Certos signos que se repetem, ou certos aspectos (sobretudo entre planetas pessoais e um dos mais lentos). Estes padrões mostram recursos preciosos para o desenvolvimento individual e familiar, permitem que cada pessoa construa algo de significativo durante a sua vida e que esse "algo" se torna numa parte importante do legado da sua família. Um elo precioso numa longa cadeia de elos, geração após geração.

Mas por mais "afortunado" que possa parecer um legado astrológico, há sempre uma sombra que aprendemos, com a nossa família, a ignorar. A família de músicos pode ter uma dificuldade tremenda em gerir os seus bens (dirão "mas que importa o dinheiro, se acima de tudo está a arte...?"); a família de advogados despreza todo e qualquer tipo de trabalho manual ("sujar as mãos, eu? nem pensar nisso!"). 


Música exige técnica, técnica exige dedicação, esforço e dextreza. E o despertar dos sentidos, claro. Tudo isto são dons de Terra, tal como o é a capacidade para lidar com questões materiais. Posses, objectos, dinheiro. Terra plenamente integrada é tudo isto, desde o belíssimo timbre de um Stradivarius ao barulhinho dos trocos que levamos no bolso. E depois de muitas gerações de músicos brilhantes de inspiração, eis que surge um contabilista nato. O que ele gosta mesmo é dos números, das contas, do dever e do haver. 

A família horroriza-se, ou talvez fique apenas decepcionada. Na melhor das hipóteses, encara este inédito talento como uma lufada de ar fresco. Um astrólogo traça o seu mapa et voilà, nada de extraordinariamente diferente do resto da família. Este poderia até ser o mais artístico dos filhos, o mais famoso dos netos. E no entanto algo nele o fez seguir o seu percurso astrológico de um modo inteiramente diferente dos seus familiares, desenvolvendo os seus talentos terrenos de forma inédita. 

O quê? Não sei, precisaria dar uma olhadela mais atenta ao mapa fictício deste contabilista imaginário. Mas, como defendia jung, é provável que nada tenha um efeito tão significativo no desenvolvimento de uma pessoa do que a vida não vivida dos seus pais. E nesta "vida não vivida" cabem muitas coisas. Desde logo os sonhos deixados para trás, por se terem revelado "irrealistas" ou "perigosos". Os relacionamentos não vividos, os talentos por explorar, tudo isto é esqueleto no armário dos nossos pais. Alguns esqueletos serão mais ao menos conscientes, talvez até olhados com uma certa nostalgia conformada (ah, o que eu queria mesmo ter sido era piloto/actor/político....). Outros esqueletos vivem sempre na obscuridade do Inconsciente. Reflectirão não tanto as vocações não seguidas mas as necessidades profundas que estão na origem de qualquer vocação. O desejo de ser amado, odiado ou invejado, de inspirar multidões, de viver saltitando entre continentes, de traçar novos caminhos em território inexplorado, ou teorias pioneiras que domestiquem o medo racionalizando o caos....

Algures no Tempo estas necessidades tornaram-se tabu. "Sim, que nesta família não se fala em tontices dessas, isso é para os parvos que perdem tempo acreditando que tais coisas são aceitáveis/possíveis/úteis, não é para nós". E o tabu vai criando raízes, geração após geração. Já ninguém o questiona. Nascem músicos, vivem músicos, morrem músicos. Até ao dia em que aquele que nasceu músico decide que afinal gosta mesmo mesmo é de contabilidade.



Ninguém escolhe ser ovelha negra só pra chatear, ou porque sim, ou porque faz-parte-da-juventude-o-ser-rebelde-e-isso-depois-acaba-por-passar-com-o-tempo. Todos temos o primordial dever de sermos autênticos. E acredito que só assim conseguiremos de facto, com a nossa vida inteira, honrar o legado dos nossos antepassados e dar um passo em frente no sentido da integração plena, do completo usufruto de todos os recursos e talentos intrínsecos à nossa linhagem. 

Talvez os espíritos dos que já partiram e dos que ainda nos hão-de suceder - onde quer que eles estejam - olhem com um misto de admiração e benevolência as bravas ovelhas negras que diariamente se recusam a ser só mais um entre a carneirada. Somos muito mais do que a mera soma das expectativas dos nossos antepassados, o balanço dos seus sucessos e fracassos. E continuamos a prová-lo! - mesmo que isso implique estudar Contabilidade ;-)

P.S. As profissões mencionadas neste post são apenas exemplos utilizados para efeito metafórico, não sugerem qualquer tipo de preconceito nem pretendem reflectir qualquer situação ou pessoa em concreto.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Astrologia do Coração Partido: Trânsitos de Júpiter

Os mais atentos a questões astrológicas perguntar-se-ão como pode Júpiter partir corações. Afinal, este é o planeta das oportunidades, grandes e pequenas, do impulso para ir mais além, expandido conhecimentos e crenças, abrindo a mente a horizontes mais vastos e despertando-a para a espiritualidade. 

Muitos relacionamentos vivem numa falsa auto-suficiência, como se nada exterior ao relacionamento fosse necessário (eu vivo pra ti, tu vives pra mim). As pessoas acomodam-se ao que lhes é familiar, rotineiro, e assim se dizem "satisfeitas". Mas quando um trânsito de Júpiter afecta um relacionamento, é bem provável que surjam então boas oportunidades. E para aproveitá-las é preciso movimento, acção, se não de corpo pelo menos de mentalidade.  Pode acontecer que uma das pessoas esteja atenta a essas oportunidades, ou disponível para segui-las onde quer que possam levar... Como Alice, seguindo o Coelho Branco até ao País das Maravilhas. Mas nem todos os parceiros se querem dar a tal trabalho, e armam-se em Velhos do Restelo (ou em Saturnos, dependendo da mitologia ;-) apontando um dedo acusador às dádivas que Júpiter traz como se de castelos de areia se tratassem. Bem, nunca saberá onde o caminho do Coelho Branco termina se não estiveres disposto a segui-lo, diria Alice.

Nesse sentido, os trânsitos de Jupiter podem trazer grandes mudanças a um relacionamento. Quando uma das pessoas está pronta para novos desafios, Jupiter sinaliza a sua chegada: um nova situação profissional, uma viagem estimulante, uma oportunidade de formação, ou até novos contactos e novos amigos. Claro que nada nos cai no colo sem um mínimo de esforço (diz-me o meu Saturnozinho), ou pelo menos sem que estejamos minimamente atentos ao que se passa à nossa volta. Algumas pessoas estarão mais naturalmente predispostas para entender e seguir as dicas de sorte que Júpiter vai deixando no nosso caminho, outras nem tanto. Mas em teoria qualquer mortal pode (e deve) abrir-se a novas experiências.

Ora por vezes o relacionamento reage mal a tanta "sorte". A pessoa "bafejada pela fortuna" pode sentir que a outra a limita, que não entende os seus sonhos, que não apoia os seus projectos. E para quem assiste ao trânsito de Júpiter do lado de fora, tudo aquilo pode despertar as suas próprias inseguranças e sensação de limitação: "Ele tem tanto potencial, tantas coisas boas a acontecer, e eu nunca saio da cepa-torta..." Muita frustração pode acumular-se de parte a parte, minando lentamente o relacionamento que pode até terminar no momento em que ambos constatarem que acabaram por seguir caminhos completamente diferentes: afinal, o País das Maravilhas está tão distante do parque infantil lá do bairro...


Quando há verdadeira comunicação dentro da relação, os trânsitos de Júpiter podem trazer óptimas notícias para ambos. Necessário é que um saiba estimular o crescimento do outro, sem cobrar e sem invejar, ciente de que todos temos períodos de expansão e períodos de limitação, das nossas capacidades e dos nossos recursos. Júpiter, o grande benéfico, consegue sempre surpreender-nos com novas perspectivas para o nosso desenvolvimento pessoal e para a prosperidade dos nossos relacionamentos: se nisso vemos oportunidades de ouro ou desaires de chumbo, depende apenas de nós.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Astrologia do Coração Partido: Trânsitos de Neptuno

Os trânsitos de Neptuno são, por definição... confusos. Qualquer que seja o planeta natal ou a casa astrológica "afectados", Neptuno traz uma grande indefinição até mesmo ao mais resoluto dos mortais. 

Na esfera dos relacionamentos, Neptuno pode ser responsável por etapas de grande inspiração: ... e de repente vemos noutra pessoa a nossa Alma Gémea! Pode ser alguém com quem nos relacionamos há muito tempo, ou pode ser um desconhecido com quem trocámos olhares no autocarro. O que acontece é que o contacto de Neptuno com um dos nossos planetas pessoais vem trazer à nossa humilde condição humana um pouco do amor divino, aquele sentimento sobrenatural de total imersão no Amor Absoluto do Cosmos. Este é o êxtase que tantos religiosos procuram em longas horas de meditação, em laboriosos períodos de jejum e penitência. E no entanto aqui está ele, perfeitamente focalizado noutro ser humano, como se esse outro ser humano fosse capaz de nos conduzir à salvação da alma (ou à condenação eterna).

Por mais irresistível que pareça a promessa romântica de muitos trânsitos de Neptuno, cedo ou tarde ela se revela impossível. Não porque a outra pessoa seja comprometida, ou porque vá em breve partir definitivamente para longe, por exemplo. Podem ser estas as circunstâncias, mas os motivos do impossível neptuniano são mais profundos. É que o êxtase da comunhão espiritual não cabe num relacionamento a dois. Não por muito tempo, pelo menos. Confundir amor divino com amor humano é o drama de todo o romântico incurável, um drama que artistas de todas as épocas bem souberam retratar nas suas obras. Romeu e Julieta, Tristão e Isolda. Amores demasiado grandes para serem vividos por meros mortais. Que teria acontecido a estes famosos pares românticos se não fosse a Morte? O tédio? Talvez não. Mas a magia do amor romântico, o amor das ilusões, não é compatível com a rotina diária, com o confronto de egos, desejos e necessidades que está sempre presente numa relação, por mais harmoniosa que seja. 

Nesse sentido, e voltando a Neptuno, os seus trânsitos vêm muitas vezes trazer ilusão e desilusão. A miragem do amor perfeito que depois se esfuma, mais cedo ou mais tarde, por conta de um qualquer motivo racionalmente plausível mas emocionalmente devastador. Algumas pessoas tentarão (re)encontrar uma e outra vez a mesma sensação de união a algo maior. Talvez no sexo, nas drogas, ou noutra qualquer forma de escape. Porque Neptuno é isso, é querer que a nossa pele se dissolva para nos tornarmos um só com tudo o resto, escapando à nossa condição humana de inevitável solidão. 

Noutros casos, os trânsitos de Neptuno mergulham-nos em situações dúbias, difíceis de entender, em que algo inevitavelmente nos escapa - ainda que não saibamos explicar o quê. Ou somos nós que nos colocamos no papel de ilusionista, dissimulando a verdade para servir propósitos menos honrosos. Mas como diz o velho ditado (?):

Podes enganar algumas pessoas o tempo toda, e todas as pessoas durante algum tempo, mas não podes enganar todas as pessoas o tempo todo.

Olhando Neptuno de uma forma mais construtiva, os seus trânsitos podem servir para honrar um ideal maior que nós, e assim tornamo-nos capazes de co-criar melhores relacionamentos. Quem foi que disse que duas pessoas que se amam não devem olhar uma para a outra, mas olhar na mesma direcção? Talvez Neptuno possa ajudar a apontar essa direcção, estimulando a imaginação e a vontade de dar corpo e voz a uma causa maior. Porque não envolverem-se nessa causa maior, a dois? Arte, filantropia, assistência humanitária... Não ficará mais rica a vossa relação se dela forem capazes de extrair algo mais do que apenas o vosso bem-estar? 


Porque não dar amor ao mundo, tal como dão um ao outro? Pois que essa é talvez uma das maiores lições de Neptuno: Amor é Amor, e não vale a pena centrá-lo apenas numa outra pessoa - e dar-lhe o pomposo título de "Alma Gémea" - pois que o verdadeiro Amor está em todos e em toda a parte. Basta saber olhar.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Astrologia do Coração Partido: Trânsitos de Urano

Há relacionamentos que vão terminando lentamente. São as discussões cada vez mais frequentes ou o desgaste silencioso da rotina diária que transformam um casal outrora cúmplice numa dupla de perfeitos desconhecidos. A certa altura, já a situação está tão degradada que ambos têm noção de que o final está perto. Outras vezes, tudo parece quase perfeito até que uma das pessoas termina tudo abruptamente, para choque do outro e espanto geral.

Nestes casos estão normalmente envolvidos trânsitos de Urano, especialmente a Vénus ou ao eixo Ascendente/Descendente. Urano traz consigo a ruptura com o que está desactualizado, em nome de um ideal de vida e de relacionamento em maior sintonia com os nossos desejos presentes. Enquanto os trânsitos de Saturno inspiram muitas vezes a solidificação do relacionamento (através do casamento, ou do início informal de uma vida em comum), os trânsitos de Urano exigem mudança radical. Quem nunca teve uma relação séria deseja subitamente comprometer-se com alguém, mas a manifestação mais comum da influência de Urano é a ânsia por algum tipo de libertação. Livremo-nos da responsabilidade, do compromisso, das expectativas bolorentas da sociedade, até da monogamia! 

Urano exige espaço para respirar, e muitos relacionamentos não conseguem adaptar-se a tamanha mudança. Para que um sentimento de união sobreviva a isso, é necessária grande flexibilidade de parte a parte, pois que nesta etapa não há cedências à nostalgia dos bons tempos vividos no Passado. Apenas o Aqui e o Agora interessam.

Como em tudo o que é Astrologia, muitas vezes compete ao Outro realizar aquilo que não somos capazes de fazer, ou que não temos consciência de que tem que ser feito para nosso próprio bem. Aquelas pessoas que mais resistem à mudança terão grande dificuldade em lidar com um trânsito de Urano, e por isso sucede muitas vezes sucede que seja a outra pessoa a terminar inesperadamente o relacionamento. "Ah, aquele canalha insensível, como pode ele terminar assim uma relação de tanto tempo...?" Por mais difícil que seja de entendê-lo (sobretudo quando as emoções estão ainda à flor da pele), importa adquirir distanciamento suficiente para perceber que, tratando-se de um trânsito de Urano NOSSO, é nosso o desejo de libertação - o "canalha insensível" apenas agiu como uma parte de nós gostaria de ter agido, se lhe tivéssemos dado ouvidos.

Ai, a projecção, a projecção. Nunca deixa de me surpreender, o modo como as pessoas da nossa vida nos devolvem, com o seu comportamento, aquilo que não estamos dispostos a reconhecer em nós mesmos. Para quê enredarmo-nos na habitual teia de culpas mútuas, se com um bocadinho de honestidade conseguimos ir muito mais longe no porquê do fim de um relacionamento?

E é isso mesmo que Urano vem propôr, quando transita em algum ponto sensível do nosso mapa astrológico. Sejamos mais autênticos connosco mesmos e com os outros, pois qualquer que seja o preço emocional a pagar valerá a pena se servir para nos tornarmos mais NÓS MESMOS e menos aquilo que os outros esperam que sejamos.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Astrologia do Coração Partido: Trânsitos de Saturno

A esfera dos relacionamentos é talvez o conjunto das experiências mais marcantes na vida de qualquer pessoa. E relacionamentos existem em todos os formatos e conteúdos: a família que não se escolhe, os amigos que se vai (des)fazendo pelo caminho, os amores platónicos e atómicos, possíveis e impossíveis, tépidos e escaldantes... Todo o tipo de emoções nasce e morre à medida que vamos encontrando e conectando com novas pessoas enquanto outras vão desaparecendo do nosso percurso de vida.

O estudo astrológico pode ser especialmente útil quando tentamos compreender os relacionamentos, sobretudo os de natureza romântica - por serem muitas vezes inesperados, por ocuparem tanto tempo do nosso foco mental e emocional, por povoarem o imaginário colectivo actual como condição essencial à felicidade de cada um de nós. Afinal, o que determina o nível de atracção entre duas pessoas? A sua compatibilidade intelectual, cultural...? A "química" inexplicável que as torna irresistivelmente inseparáveis...? Estes são temas complexos que merecem muitos muitos posts, mas desta vez analisemos o final de um relacionamento amoroso.

Toda a gente passa por diferentes fases na sua vida. Algumas fases serão consideradas "boas" (sucesso profissional, estabilidade familiar, boa energia física e mental,...), outras nem tanto. Porque são feitos de pessoas, os relacionamentos também passam por fases, mudam, evoluem. Mas se nem sempre estamos conscientes das alterações que sucedem dentro de nós próprios, muito menos conscientes estamos de como isso vai afectado os nossos relacionamentos. É que uma só pessoa já é suficientemente difícil de entender (mesmo para si própria), quanto mais duas pessoas + toda a bagagem emocional que transportam para dentro do seu relacionamento.

Em termos astrológicos, as grandes mudanças nos relacionamentos são muitas vezes assinaladas por trânsitos de Saturno, Urano, Neptuno e Plutão aos planetas pessoais natais de uma ou ambas as pessoas, sobretudo ao Sol, à Lua, a Vénus ou a Marte. Trânsitos aos ângulos (Ascendente/Descendente e MC/IC) podem também ter importantes consequências em qualquer relacionamento, pois produzem uma transformação significativa no modo como cada pessoa se relaciona com o mundo no geral.

Os trânsitos de Saturno forçam-nos a assumir responsabilidades por escolhas passadas, por compromissos assumidos perante nós mesmos e perante os outros. Saturno convida (com grande insistência :-) a que reconheçamos e aceitamos os nossos limites, não com um atitude de derrota perante as circunstâncias mas com um espírito de persistência e dedicação àquilo que são os nossos objectivos de vida. Quando os trânsitos de Saturno afectam um relacionamento, é posta em causa a nossa capacidade para nos comprometermos com o Outro, e somos questionados sobre as limitações associadas ao estar com o Outro. 

Muitas vezes a relação "passa" no teste saturnino e sentimos então a necessidade de formalizá-la, de torná-la mais sólida e estruturada aos nossos olhos e aos olhos da sociedade: é por isso que muitos trânsitos de Saturno (sobretudo a Vénus natal ou ao Descendente) estão associados à decisão ou ao acto de casar. Por outro lado, os relacionamentos que se tornaram estáticos e demasiado restritivos acabam por terminar durante um trânsito de Saturno: chega o momento em que somos forçados a admitir que aquela relação que durante algum tempo nos serviu de suporte já não pode mais apoiar o nosso pleno desenvolvimento individual.

Como em qualquer outro trânsito, acontece frequentemente que uma das pessoas não está consciente das forças interiores que apelam a uma mudança concreta, e quando assim é acaba por ser o Outro a agir. Como defendia Jung, aquilo de que não estamos conscientes em nós chega-nos do exterior como se fosse "destino". Por muito doloroso que seja admiti-lo, a separação é tão essencial a quem é "abandonado" como a quem "abandona", pois toda a relação funciona apenas enquanto AMBOS encontram aí uma fonte de desafios positivos para a sua aprendizagem individual. 

Os trânsitos de Saturno podem por isso trazer o final não desejado de uma relação, muitas vezes com um sentimento de grande solidão e a sensação de se não ter sido suficientemente "bom" para a pessoa que nos deixou. Este duro golpe na auto-estima demora tempo a ser ultrapassado - não fosse Saturno o deus do Tempo :-) - mas com um pouco de distanciamento e auto-análise aquilo que parecia uma catástrofe amorosa acaba por se revelar numa oportunidade preciosa para desenvolvermos um sentido de amor próprio mais auto-suficiente, que não depende tanto da validação de quem está ao nosso lado mais mais daquilo que de valioso reconhecemos em nós próprios.

E Urano, que efeitos terá num relacionamento amoroso?... Até ao próximo post!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Projeção: o que (re)encontramos de nós nos outros?

Tem uma garota com quem me relacionei há uns 5 anos atrás. O que eu pensei que era um mero caso efêmero se tornou uma obsessão para mim. 
Acabei de descobrir que ela é ariana, e Áries exerce forte domínio sobre Virgem, o qual seria escrava astral de Áries. 
Isso explica por que até hoje ela exerce atração sobre mim. Entretanto, Escorpião é o signo ''senhor'' de Áries, e também é onde eu tenho minha Lua. 
Gostaria de saber se tem algo a ver eu ser virgem, por isso escravo astral de Áries, mas ao mesmo tempo exercer influência sobre Áries, já que eu tenho Lua em Escorpião.

Arthur, MG - Brasil


Toda a pessoa devia apaixonar-se pelo menos uma vez na vida, e na realidade suponho que todos temos essa oportunidade, mais cedo ou mais tarde. A paixão é um estado de alma irresistível, que nos assalta e submete independentemente dos signos astrológicos envolvidos. Aliás, mesmo que uns signos estivessem destinados a "escravizar" os outros - coisa que não faz sentido na minha conceção da Astrologia - seria muito difícil determinar quem domina quem: nenhum mapa é um só signo, mas uma complexa rede de interações entre signos e planetas e casas cuja manifestação no mundo real não está determinada à partida, mas é antes uma construção da livre escolha de cada indivíduo.


Adaptado de Astrodienst
Observando o seu mapa, a primeira impressão é a da acumulação de planetas no hemisfério ocidental, em torno do Descendente, simbólica de uma vida construída em função do que as circunstâncias exteriores propiciam, uma personalidade mais reactiva do que activa que tende a procurar nos relacionamentos as bases para o desenvolvimento da sua identidade. E não é por acaso que você se interroga sobre uma paixão: tem o Sol na casa 5, a das paixões, e a Lua na casa 7, a dos relacionamentos. Astrologicamente - como na vida real -, paixões e relacionamentos são coisas bem diferentes. A casa 5 está associada ao signo de Leão, e tem por isso que ver com a expressão unilateral da criatividade do Eu, da luminosidade da sua centelha divina quando direcionada a uma outra pessoa - @ amad@. Pouco importa para a paixão se é correspondida, porque a paixão alimenta-se a si própria como uma chama que não precisasse de combustível, extingue-se quando tem que se extinguir sem dar satisfações das causas do seu início ou do seu final. Nesse sentido, paixão é ato de criação, é o nosso momento me afirmar que estamos vivos e que somos capazes de amar com tudo o que somos, desde a pele que se arrepia ao mais profundo lugar da nossa alma. Neste lugar de fogo e mito que é a casa 5 está o seu Sol, a sua jornada de herói, a identidade que lhe compete construir ao longo de toda uma vida. E no entanto está em Virgem, signo tão pouco dado a impulsos de momento...! Imagino que sinta uma grande necessidade de compreender os mecanismos da paixão, os mais ínfimos detalhes do "porquê essa mulher e não outra qualquer?" - compreendê-lo seria controlá-lo, não? E Virgem é assim, precisa de sentir que tem controlo sobre alguma coisa - normalmente, sobre si próprio. Com Marte exilado (em Libra) e na casa 6 (a de Virgem), você terá alguma dificuldade em afirmar a sua vontade, e no entanto precisa de sentir que domina as circunstâncias do seu quotidiano. 


Sol e Marte em Virgem e Libra, respetivamente, representam um lado bastante moderado da sua personalidade. E no entanto a sua vida emocional nada tem de moderado. Com Vénus em Leão, você ama estar apaixonado. Os seus relacionamentos necessitam de entusiasmo, de excitação, de verdadeira PAIXÃO, ou corre o risco de desinteressar-se rapidamente. E depois vem a Lua em Escorpião na casa 7, dos relacionamentos. Ora se a casa 5 é a da paixão unilateral, a casa 7 será a do amor enquanto encontro equilibrado de duas pessoas que têm em mente sentimentos e sonhos comuns. Porque é através da casa 7 que nos confrontamos com as outras pessoas, acontece frequentemente que não reconhecemos em nós os planetas que lá estão. No seu caso, suspeito que tenha alguma dificuldade em assumir as suas necessidades emocionais. Podem parecer-lhe demasiado intensas, demasiado obsessivas. Quer dizer, não é que não reconheça que as tem, mas a casa 7 sugere uma certa tendência para "chutar a bola pró campo do adversário". No seu caso, parece-me que a natureza obsessiva dos seus sentimentos em relação a essa mulher com quem se relacionou não estão necessariamente na personalidade dela. Não terá sido ela quem o escravizou, foi você que se fez escravizado por ela, apenas porque há uma enorme necessidade dentro de si de experimentar emoções intensas e persistentes, profundamente transformadoras, ainda que isso implique submeter-se a outra pessoa. É que o seu Sol em Virgem gosta das coisas objectivas, certinhas, e por isso tem alguma dificuldade em digerir essa Lua tão avassaladora... Mas a Lua em Escorpião é só sua, disso não tenha dúvida. Pode parecer-lhe desconfortável navegar em águas tão profundas, embarcar em relacionamentos muitas vezes dolorosos mas sempre profundamente transformadores. Além disso, a quadratura Vénus-Lua parece sugerir que os relacionamentos que procura - baseados mais na paixão (Leão) do que numa verdadeira intimidade (Escorpião) - deixam-no emocionalmente insatisfeito, enquanto que a expressão das suas necessidades mais profundas o obriga a confrontar o seu lado mais obscuro - o que prejudica a sua noção de que os relacionamentos devem ser luminosos, radiantes de coisas boas e sem uma gota de amargura. 


Pois tudo isto é seu, mesmo que às vezes pareça difícil de conciliar. Não me surpreende que se tenha apaixonado por uma mulher com energias de Áries - é um signo de Fogo, o que atrai a sua Vénus em Leão, e tende a manifestar abertamente as tendências dominadoras que a sua Lua em Escorpião mantém bem guardadas no seu íntimo. Compete-lhe a si tentar encontrar forma de organizar tudo isto (tarefa pró seu Sol em Virgem! ;-), na certeza de que cada relacionamento novo lhe trará uma oportunidade para aprender um pouco mais sobre si mesmo. Pelo caminho, suspeito que ainda encontrará muitas mulheres como essa, fortes e determinadas... Não se preocupe em perceber "quem escraviza quem", mas antes pergunte-se que parte de si atraiu esta pessoa para a sua vida, que parte de si não está a reconhecer e a satisfazer. Lembre-se das palavras de Jung: O que não enfrentarmos em nós mesmos, encontraremos como Destino. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ah, os relacionamentos...

Porque é que eu não tenho sorte ao amor, inclusive já muito amarguei por ter escolhido sempre os homens mais complicados e com caracteres duvidosos. 

Paula, Lisboa

Adaptado de Astrodienst
Os relacionamentos são uma das principais ferramentas de aprendizagem que encontramos na vida. Em toda a interacção com outra pessoa existe, antes de mais, a oportunidade de aprendermos um pouco mais sobre nós próprios. Esta perspectiva será uma forma "equânime" de olhar os relacionamentos amorosos em especial, onde tantas emoções aprazíveis e dolorosas se cruzam e misturam e nos confundem muitas vezes.

Todos nós temos facetas da nossa personalidade que não compreendemos bem, que parecem não fazer sentido, que não são aceitáveis para os padrões morais que assimilamos dos nossos pais e da sociedade em que vivemos, e/ou que não se integram na imagem coerente que pretendemos construir de nós próprios. Ora não está escrito em lado nenhum (que eu saiba ;-) que é suposto o ser humano ser coerente, mas é-nos confortável acreditar que conseguimos sê-lo, e portanto esperamos dos outros também algum grau de coerência. Questão de previsibilidade que nos faz sentir um pouquinho mais seguros, num mundo onde na realidade pouco ou nada controlamos. Acontece que as facetas de nós que não contribuem para a tal "coerência" são atiradas para um cantinho do Inconsciente onde, inconscientemente, nos parece que não afectarão a coerência a que aspiramos. Mas essas facetas nasceram connosco, são parte de nós, constituem necessidades válidas que precisam ser expressas e satisfeitas de alguma forma. Por isso, acabamos por atrair para a nossa vida as pessoas que personificam essas facetas: ou seja, satisfazemos as nossas necessidades não reconhecidas através daqueles por quem nos apaixonamos, como se vivêssemos as partes de nós que permanecem inconscientes através da pessoa que está ao nosso lado. Enquanto nos sentimos completos, estamos felizes na relação. Quando voltamos a negar essas necessidades, sentimo-nos insatisfeitos com a outra pessoa - não pelo que ela é, mas pelo quanto de nós vemos reflectidos nela sem que o consigamos aceitar.

Este tema astrológico aponta para uma grande concentração de energias na esfera dos relacionamentos. Sol, Mercúrio e Nodo Ascendente em Peixes indicam a construção de uma identidade e de um sentido de propósito maior a partir das experiências a dois. Este ego evolui quando é capaz de transcender a sua condição de ser humano individual, diluindo-se na partilha de sentimentos e de sonhos, "perdendo-se" no ego da outra pessoa. Oposto a tudo isto, o Ascendente Virgem impõe uma visão do mundo bem mais pragmática, mais analítica. Esta será provavelmente a sua "máscara social": a de uma pessoa organizada, centrada nos problemas concretos do quotidiano, que se mantém sob controlo, com elevado sentido crítico para consigo e para com os outros. Porque o Nodo Descendente está em conjunção ao Ascendente, esta é a forma de funcionamento em que se sente mais confortável (sem bem saber porquê), aquela em que tende a refugiar-se por medo ou inércia. Nesta dualidade entre Virgem (o seu lado "formiguinha", dedicado a definir tudo em termos bem concretos e funcionais) e Peixes (o seu lado "cigarra", que aspira a "perder-se" num mundo de emoções), é bem mais provável que assuma sem esforço a sua faceta "formiguinha" e projecte nos outros a "cigarra" que tem dificuldade em reconhecer como fazendo parte de si.

Enquanto isto acontecer de forma inconsciente, terá tendência para se relacionar com homens em quem encontra muitas das características do signo Peixes. Na fase inicial da paixão, verá no Outro um idealista, um sonhador, alguém com quem apetece desaparecer da realidade, mergulhar num sentimento avassalador para nunca mais vir à tona. Com o tempo, a sua "formiguinha" tende a tornar-se mais crítica. Afinal, se não é capaz de aceitar o seu lado Peixes, como pode aceitá-lo na pessoa que está ao seu lado? Daí que, aos seus olhos, essa pessoa se torne inconstante, inconsistente, irresponsável, pouco confiável, até mesmo preguiçosa. Não estou a dizer que os homens com quem se relacionou não lhe deram de facto motivos para se sentir desiludida. O que estou a dizer é que, à partida, havia uma enorme parte de si que buscava a ilusão do amor perfeito - ainda que o preço final a pagar fosse a dor do desapontamento.

Existem outras necessidades em conflito no seu mapa que dificultam uma tomada de consciência dos motivos por que tem sofrido tanto nos seus relacionamentos. A esse respeito, aqui ficam algumas propostas de reflexão:

- Vénus e Quíron estão conjuntos em Carneiro (ou Áries) ainda na casa 7: a necessidade de dominar nos relacionamentos, de impor a sua vontade ao outro - ainda que essa atitude esconda a sua ferida quirónica da falta de identidade própria.

- A Lua em Caranguejo (casa 10): a necessidade de se afirmar no mundo como mulher de família, mãe, aquela que nutre emocionalmente os outros e que se sente nutrida quando se envolve em projectos que lhe permitem ser cuidadora e estabelecer vínculos emocionais fortes e profundos.
- Plutão e Urano (casa 1), ambos em quadratura à Lua e opostos ao Sol e a Vénus/Quíron, respectivamente: a satisfação nos relacionamentos parece-lhe incompatível quer com as suas aspirações sociais/profissionais (as necessidades lunares já descritas), quer com o desenvolvimento do seu poder pessoal e de uma expressão autêntica da sua individualidade.

Tudo isto contribui para a possibilidade de existirem jogos de poder e de ilusão nos seus relacionamentos, muitas vezes de ambas as partes. Afinal, vítima e carrasco são faces da mesma moeda, e quando duas pessoas interagem com essa dinâmica a questão de "quem interpreta que papel" encontra resposta diferente consoante a situação ou o modo como ela é analisada. Atitudes de autoritarismo directo de uma pessoa podem encontrar, na outra pessoa, alguém que se vitimiza e manipula sentimentos de culpa para dar a volta a uma situação desfavorável, por exemplo. Não estou a afirmar categoricamente que isto se tenha passado consigo, mas desafio-a a reflectir sobre o assunto tão honestamente quanto possível.

O que há então a fazer? Bem, o primeiro passo será reconhecer o quanto de si tem projectado nos homens com quem se relaciona ou relacionou. Como já referi, todas as nossas necessidades são válidas e merecedoras de satisfação plena, mas o que muitas vezes acontece é que não somos capazes de lidar com necessidades aparentemente contraditórias entre si. Além disso, sejamos ou não capazes de reconhecê-las como nossas, acontece também não sabermos como satisfazê-las adequadamente. Como alguém que bebesse um refrigerante muito açucarado para matar a sede, quando água seria sem dúvida a melhor opção. Resultado: ainda mais sede. Se não parar para redefinir o que é "sede", vai continuar a beber refrigerantes por muito tempo... Talvez tenha acontecido isso consigo, se em vez de "refrigerantes" pensar em maus relacionamentos, e se em vez de "sede" colocar uma das muitas necessidades que identifiquei no seu tema astrológico (mas que só você saberá o que significam na sua vida).

Nesta metáfora, é possível encontrar água onde antes encontrava refrigerante. Não lhe compete mudar os outros, mas está perfeitamente ao seu alcance mudar a sua atitude para consigo mesma. Seja mais honesta no seu diálogo interior, não tenha receio de colocar o dedo na ferida! Perceba o quanto de si tem projectado nos outros. Aceite o seu lado sonhador, acarinhe-o para que deixe que ser um "ponto fraco", e não o recrimine pela ingenuidade se a ilusão de mais um amor se desfizer. Não abdique do seu poder pessoal e da sua autenticidade, mas respeite o direito da outra pessoa à sua própria individualidade. E acredite que o muito que precisa e deseja envolver-se emocionalmente não tem de limitar-se aos relacionamentos amorosos: a sua sensibilidade e empatia são talentos valiosos que pode utilizar, por exemplo, numa carreira profissional dedicada a cuidar dos outros.

Estas não são lições fáceis, rápidas ou indolores, para si ou para qualquer outro ser humano. Tenha paciência consigo mesma. Não atribua culpas: assuma responsabilidades. Não procure para já o próximo relacionamento amoroso: dedique algum tempo a conhecer-se melhor, a redefinir a sua auto-imagem, a descobrir as suas verdadeiras necessidades. À medida que for avançando sozinha nesta viagem tão pessoal, dará por si a cruzar-se com outro tipo de pessoas, com novas oportunidades de relacionamentos, mais conscientes do que aqueles que até agora teve, mais enriquecedores da pessoa que você nasceu para ser e em quem, aos poucos, se tem vindo a tornar.

domingo, 6 de novembro de 2011

Independência: quando é demais?

O meu modo de estar é demasiado independente, não sei ouvir a opinião dos outros, e pior que isso, nem sei como pedi-las. Sou eu que decido e comunico as decisões. Sempre fiz isto a minha vida toda. 
Esta independência é muita responsabilidade para mim, estou cansada.
Existe alguma característica do meu mapa onde se veja isto?
E existe alguma coisa onde eu possa me agarrar para equilibrar isto?
Durante muitos anos isto só me trouxe vantagens, a mim e aos outros, e por isso mantive e reforcei essa característica de independência absoluta, mas agora tenho a certeza que é demais, preciso de algum equilíbrio e partilha na minha vida.

Maria do Espírito Santo, RS

Adaptado de Astrodienst
Equilibrar o desenvolvimento da própria identidade com a necessidade de relacionamento com as outras pessoas é tarefa para uma vida inteira. Na melhor das hipóteses, vamos conseguindo uma espécie de equilíbrio dinâmico capaz de evoluir e adaptar-se ao nosso crescimento e maturação como ao crescimento e maturação daqueles com quem nos relacionamos, qualquer que seja a natureza dessa relação. Muitas pessoas passam uma grande parte da sua vida sem ter noção sequer da necessidade desse equilíbrio, vivendo um de dois extremos: perante a vontade alheia, cedem demasiado ou não cedem de todo.

Esta dificuldade em encontrar um ponto de equilíbrio pode assumir muitas formas, num mapa astrológico. Neste caso, o extremo até agora experimentado é o da "independência absoluta". O mapa astrológico atesta bem este traço de personalidade: Sol e Mercúrio em Aquário (identidade e raciocínio que se desenvolvem através da liberdade pessoal, do não-compromisso com dogmas alheios ou necessidades sentimentais), Vénus ascendendo em Capricórnio (filtrando a experiência do mundo através de uma lente pragmática sobre os relacionamentos, que devem servir um propósito e obedecer a uma estrutura bem definida e controlada). O regente do mapa é Saturno, "entrincheirado" em Carneiro na casa 3: necessidade de afirmação da própria identidade na esfera da comunicação. Pode haver tendência para impor controlo e limitações às ideias dos outros como forma de evitar lidar com as suas próprias inseguranças, sobretudo no que diz respeito a fazer valer os seus pontos de vista pelo que de autêntico transmitem sobre si. E é muito possível - também pelas suas palavras - que tenha vindo a assumir um excesso de responsabilidade nesta área, chamando exclusivamente a si o dever de encontrar respostas, de estabelecer pontes de comunicação e de gerir o fluxo de informação no seu ambiente próximo.

Outro factor importante a considerar é o trígono Vénus-Urano/Plutão, envolvendo a casa 8, que sugere uma duplicidade no modo de relacionar-se com os outros: por um lado, a defesa intransigente da própria independência (Vénus-Urano, mais o Sol em Aquário); por outro lado, a negação (provavelmente inconsciente) da independência do Outro, numa lógica do tipo "ou domino ou serei dominada" (Vénus-Plutão).

Ora, se aparentemente a vida lhe tem corrido bem até agora, porquê essa emergente necessidade de equilíbrio? Porque a posição actual dos astros, projectada no seu mapa, sinaliza um importante momento de viragem. Saturno está em trânsito ao seu Nodo Descendente em Libra, pedindo-lhe que honre o desejo de harmonia na relação com o Outro que sempre existiu dentro de si, que modere a necessidade de auto-afirmação prepotente sem ceder ao receio de se perder de si mesma no processo. Afinal, encarar as pessoas que a rodeiam de igual pra igual não significa valorizar-se menos (que essa Lua em Leão precisa tanto de ser valorizada....!), significa isso sim reconhecer nos outros o seu real valor. Plutão dá um forte impulso à cura emocional, transitando pela casa 12 em quadratura a Saturno natal (e ainda em trígono a Júpiter natal na casa 8), trazendo à superfície muitos segredos, ressentimentos, e emoções difíceis de gerir e de digerir. A "carapaça emocional", que lhe permitiu até agora assumir grandes responsabilidades assumindo uma posição de liderança incontestada, está prestes a desintegrar-se porque não pode mais acomodar o desenvolvimento do seu Eu Superior. O lugar que ocupa no mundo (quer na sua vida profissional quer no seu estatuto social) pode sofrer grandes convulsões, em paralelo com a completa transformação da sua noção de autoridade pessoal.

Saiba que as inquietações com que agora se confronta podem bem ser apenas o começo. Com uma conjunção entre Sol e Lua progredidos sobre o seu Saturno natal, o foco da sua consciência e da sua motivação incide neste momento sobre as suas maiores inseguranças: o seu Eu superior pede-lhe um auto-exame completo às suas estruturas interiores, ao seu sentido de responsabilidade para consigo e para com os outros. Nada deve ficar por avaliar. Não se tornará mais fácil nos próximos anos, mas acredite que o seu processo de aprendizagem nesta vida está prestes a avançar tremendamente. Torne-se mental e emocionalmente disponível para enfrentar as dúvidas que lhe vão surgindo com crescente insistência. Não tenha receio de questionar-se. O seu Sol em Aquário pede-lhe que ouça os outros, que compartilhe ideias livremente sem que isso implique uma permanente batalha de egos, ou uma questão de sobrevivência emocional. Honre também o melhor que a sua Lua em Leão pode proporcionar: a ampla generosidade que irradia do seu coração sem esperar nada em troca, obtendo do simples prazer de se dar uma recompensa infinitamente maior do que a lisonja ou submissão dos outros. Saiba que consegue ser forte perante as dificuldades que enfrenta sozinha, mas acredite que muita resiliência tem ainda por descobrir nas ligações que estabelece com aqueles que ama. Aprenda a expressar mais construtivamente a sua Vénus ascendendo em Capricórnio: mantenha-se fiel aos compromissos que estabelece em todos os relacionamentos, mas flexível naquilo que espera dos outros, dando espaço à diversidade de pensamentos e sentimentos sem sentir que isso compromete a sua própria integridade.

... e muito mais haveria para dizer. Qualquer mapa astrológico contém infinitas possibilidades de evolução. Explore sem tabus os caminhos que o momento actual lhe começa a mostrar, e encontrará para si mesma o equilíbrio por que anseia na sua relação consigo e na sua relação com os outros.