E-book "Profissão: EU!"

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domingo, 13 de janeiro de 2013

Profissão convencional, talento original


Desde criança, me sinto impelido a criar coisas novas (sempre desenhei, criei músicas - ainda que sem nenhuma infra-estrutura e sempre auto didata) e no entanto, pela força do destino, atualmente sou servidor público, fiscalizando contratos do Governo - um trabalho que, se não me educo - me destrói. Se possível, gostaria de uma interpretação, ainda que breve, sobre isso.

Eduardo, BA


As questões sobre profissão & vocação são tão frequentes como interessantes. Na grande maioria dos casos encontro pessoas que trilharam até agora um caminho “convencional”, mas que por algum motivo parecem ter despertado para uma inquietação interior que as desafia a explorar os seus recursos escondidos - muitas vezes soterrados pelo peso das expectativas familiares e sociais. 

Um olhar superficial sobre estas questões pode considerá-las banais e indistintas umas das outras, pois que sempre estão envolvidos dilemas de segurança material (devo arriscar e mudar de vida ou manter-me no emprego estável?), de responsabilidade familiar (como vou sustentar a minha família?) e até de reputação (o que é que vão pensar de mim?). Porém cada pessoa é única, inigualável e irrepetível, e portanto cada crise vocacional tem na sua essência motivações e contornos muito específicos. Entender uma questão destas com um mínimo de profundidade requer por isso que se observe o mapa astrológico natal e se compreenda todo o potencial, aspirações e necessidades que nele estejam reflectidas.

Neste caso concreto, o mapa astrológico (omitido a pedido) mostra um ênfase nos signos de Aquário e Capricórnio. Há assim uma grande concentração de energias na área de participação social, através de uma carreira profissional sólida e bem reputada (Capricórnio) mas também da implementação de soluções inovadoras em contexto de cooperação com os outros, para benefício de todos (Aquário). 

Colocada a questão desta forma, não parece existir grande conflito. É certo que Capricórnio prefere trabalhar numa instituição bem organizada e com hierarquias muito definidas (e o funcionalismo público é mais do que apropriado para satisfazer as aspirações capricornianas). E que Aquário gosta de ambientes mais informais, recusa obedecer a autoridades obsoletas que já não sejam eficazes, revolta-se contra as injustiças do Sistema e propõe novas e melhores estruturas. Mas nem por isso estes signos são incompatíveis em termos de escolher uma só profissão, pois podem complementar-se muito bem em qualquer área que exija dedicação e perfeccionismo técnico (Capricórnio) além de inovação e espírito de equipa (Aquário).

Até aqui tudo certo. Não fosse essa necessidade de fazer música, esse escape criativo que o mantém a salvo da “destruição pelo trabalho” ;-) É curioso que fale na “força do destino”, porque de facto com Saturno-Urano em conjunção ao Meio do Céu é natural que sinta que o seu rumo profissional obedeça a um poder superior, que as circunstâncias o levam por um caminho que não pode deixar de percorrer. E aqui mais uma vez o apelo de Capricórnio e Aquário (os respectivos regentes) para que coloque todas as suas capacidades ao serviço do melhoramento da sociedade.

Mas a sua questão não vem do que está no seu mapa. Ela nasceu do que não está no mapa. Quando encontramos uma grande acumulação de planetas em certos signos, casas ou elementos, isso significa que outros signos, casas ou elementos não têm “voz”. E no entanto precisamos de integrar todo o Zodíaco nas nossas vidas para nos sentirmos completos. É por isso que muitas vezes encontramos pessoas absolutamente determinadas a desenvolver aquilo de que o seu mapa astrológico tem falta, pois que sem isso sentem-se sempre por preencher, por cumprir totalmente.

O seu caso demonstra bem isso. A presença de Sol, Lua e Mercúrio em Aquário na casa 11 cria um desequilíbrio em relação à casa 5. Para si é natural a sensação de pertença a algo maior, a identificação com a mentalidade do seu grupo de amigos, ou com as correntes de pensamento que acredita servirem o bem comum. Ainda que possa muitas vezes sentir-se “peixe fora d’água” quando está com outras pessoas (Serei demasiado “estranho” para ser aceite pelos meus colegas?), a sua integração social é fundamental para a construção da sua identidade. E no entanto essa concentração de energias na área do Colectivo deixa um “vazio” no que diz respeito à sua criatividade individual. 

Como pode alguém ser uma voz activa, participativa e útil à sociedade se ainda não descobriu todo o seu potencial criativo individual? Não podemos dar aos outros aquilo que ainda não desenvolvemos em nós. Daí que, ainda que você possa ser super-eficiente na sua vida profissional, há ainda uma grande parte de si que precisa encontrar uma forma de se expressar, e essa parte tem tudo a ver com talento criativo. O mapa mostra que você tem os recursos necessários para que isso aconteça: o Fogo da inspiração está presente na Vénus em conjunção ao Ascendente Áries e também no trígono Júpiter-Marte.

O seu processo criativo será certamente um caminho novo, pois você não tem vocação para seguir as pisadas de ninguém (o facto de ser auto-didacta mostra bem isso :-) Ainda que no momento actual a sua vida profissional possa parecer-lhe demasiado “certinha”, ouça aquela voz interior que o incita a criar algo único e inovador, algo que só você poderia criar pois que tem a sua marca individual e de mais ninguém. É que aquilo que você tem para dar ao mundo - seja música ou ilustração ou outra coisa qualquer - não é só um objectivo pessoal que o fará sentir-se mais realizado, mas também um meio de inspirar as outras pessoas a serem elas próprias mais autênticas. 

Existe ainda uma outra importante motivação para as suas actividades artísticas. O mapa astrológico mostra uma nítida falta do elemento Água, o que sugere que lidar com o mundo das emoções pode ser um dos seus maiores desafios. Expressar-se através da arte é uma forma de canalizar as suas emoções, e quem sabe de compreendê-las e aceitá-las tal como se apresentam, sem tentar analisar ou racionalizar. Partilhar a sua arte com outras pessoas será o passo seguinte (já o fez?), e terá sem dúvida uma importância enorme pois significará mostrar-se vulnerável nas suas emoções. Não se preocupe que é mesmo assim: todos somos humanos emotivos e vulneráveis, simplesmente alguns de nós disfarçam melhor que outros ;-)




Continue por isso a desenvolver os seus talentos, dando mais ouvidos à sua chama criativa do que à necessidade de ser aceite pelos outros. Não precisa de fazer do seu talento artístico uma profissão, nem precisa de continuar num emprego que não o realiza. Nada é definitivo, apenas temos certeza de que tudo está em permanente transformação. Sem pessoas conscientes do seu potencial individual não se constroem sociedades evoluídas. Só depende de você encontrar uma forma de desenvolver a sua criatividade sem sacrificar o seu profissionalismo ou a sua integração social. Garanto que vai valer a pena :-)

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