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sexta-feira, 20 de abril de 2007

A Celebração das Maias - I

O Dia das Maias é uma celebração de origem Celta que tem lugar no Quinto Mês do Ano do Calendário Moderno. O mês de Maio recebeu o seu nome em homenagem à Deusa Maia, originalmente uma ninfa das montanhas da Mitologia Grega, tendo sido mais tarde identificada como a mais bonita das sete irmãs de Plêiades. Filha de Atlas e Pleione, uma ninfa marinha, é a mãe de Hermes, deus da Magia.
A antiga designação celta para o Dia das Maias é Beltane, que deriva do irlandês gaélico Bealtaine, que significa “Fogo de Bel”, o Fogo do deus da Luz Celta (Bel, Beli ou Belinus). Segundo a tradição Celta, a Celebração de Beltane tem o seu início no Pôr-do-Sol do dia 30 de Abril, uma vez que para os Celtas os dias começavam à hora do crepúsculo. O Pôr-do-Sol era a altura ideal para os Druidas atearem as grandes “Fogueiras de Bel”, no cimo do morro mais próximo. A essas fogueiras, também designadas por “Fogueiras da Necessidade”, eram atribuídas propriedades curativas, e sobre as suas chamas saltavam as Bruxas nuas (Skyclad Witches) em busca de protecção. Frequentemente, o gado era conduzido por entre duas dessas fogueiras, sendo pela manhã encaminhado para as pastagens onde iria passar o Verão.


Outras tradições associadas ao Dia das Maias incluem: percorrer as propriedades agrícolas a pé (Beating the bounds), reparação de cercas, procissões de limpa-chaminés e leiteiras (milkmaids), torneios de tiro ao arco, música, dança, comida e bebida. As jovens costumavam lavar o rosto com o orvalho da primeira manhã de Maio para manterem a sua beleza jovem.

Nas palavras dos escritores Janet e Stewart Farrar, a celebração de Beltane era essencialmente uma época de “sexualidade e fertilidade humana, sem pudor”. Tais associações incluem o óbvio simbolismo fálico do “Maypole” ou Pau-de-Fitas e os Cavalinhos de Pau (Hobbyhorse). Até os primeiros versos de uma quadra infantil, aparentemente inocente, como “Ride a cock horse to Banburry Cross…” (“Leva o teu Cavalo de Pau para Banburry Cross…”) está associada a tais simbolismos. Os restantes versos da mesma quadra: “…to see a fine Lady on a white horse!” (“…para veres uma bela Dama num cavalo branco!), é uma referência às cavalhadas anuais de Lady Godyva em Coventry, Inglaterra. Todos os anos, durante quase 3 séculos, uma jovem nua (eleita “Rainha de Maio”) montada num cavalo branco evocava este Rito Pagão, até que os Puritanos (Protestantes Calvinistas) puseram fim a tal manifestação. Os Puritanos reagiram com horror extremo à maioria dos rituais associados ao Dia das Maias, tornando os Paus-de-Fitas ilegais em 1644, e combatendo veementemente os “Casamentos dos Bosques” entre jovens que passavam a noite inteira na floresta, aparecendo apenas ao raiar do Sol de 1 de Maio, trazendo flores (pricipalmente giestas) e grinaldas para decorar toda a aldeia. Muito antes da definição Cristã de Casamento (e a sua insistência na monogamia) ter substituído o antigo “Atar de Mãos” (Handfasting) Pagão, as regras de fidelidade restrita entre casais eram sempre suspensas para os rituais do Dia das Maias.

Alguns destes costumes são idênticos à festa das flores da Roma Antiga, a Florália, onde se assistia a três dias de sexualidade sem restrições, que começavam ao Pôr-do-Sol de 28 de Abril e atingiam o seu auge a 1 de Maio.
Essas manifestações chegaram à Ibéria durante a ocupação Romana. Nos dias de hoje, os Maios, o Pau-das-Fitas, as Marafonas e todas as celebrações associadas são testemunhos vivos da comemoração do Dia da Maias em Portugal e Espanha.



Fonte: Mike Nichols, A Celebration of MAY DAY

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