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sábado, 19 de maio de 2007

Tarot - II. A Grande Sacerdotisa

"A mente intuitiva é um Dom sagrado, e a mente racional um fiel Servo. Criámos uma sociedade que honra o Servo e esquece o Dom."

Albert Einstein


Simbologia e Arquétipo


No baralho de Rider-Waite, a carta da Grande Sacerdotisa tem como cores predominantes o Azul, o Branco e o Negro. Os seus símbolos são a romã de Perséfone (Deusa Grega do Submundo), a coroa lunar de Isis (Deusa-Mãe dos Egípcios), o véu, a cruz grega, e a Lua Crescente. A figura feminina surge ladeada pelos dois pilares do Templo de Salomão: um negro, com a letra B de Boaz, e o outro branco, com a letra J de Jachin. No conhecimento maçónico, como no misticismo moderno, as duas colunas simbolizam a dualidade que reside em tudo o que existe. Entre as mãos da Grande Sacerdotia repousa um pergaminho com a palavra TORA - da Torah judaica, ou talvez um anagrama de Tarot sem que se veja o último “T”.

Se o Mago é o arquétipo masculino, a Grande Sacedortisa é o arquétipo feminino no seu sentido mais profundo. Ela é a guardiã do Inconsciente, e é o seu véu que nos separa da nossa paisagem interior, do que temos de mais íntimo e inacessível.


A Viagem do Louco

Continuando a sua viagem, o Louco encontra uma mulher que tem tanto de deslumbrante como de misteriosa, sentada no seu trono ladeado por dois pilares, iluminado pela Lua. Ela é o oposto do Mago: silêncio em vez de eloquência, quietude em vez de movimento, a escuridão da noite e não a luz do dia. Ela é a Grande Sacerdotisa, e causa espanto no Louco por saber tudo sobre ele. “Já que me conheces tão bem, talvez me possas ajudar”, diz o Louco, mostrando a espada, o cálice, o bastão e o pentáculo que traz consigo. “O Mago mostrou-me estes instrumentos, mas agora tenho um problema. São tantas as coisas que posso fazer! Não me consigo decidir.” Em resposta, a Grande Sacerdotisa estende-lhe um par de antigos pergaminhos. “Aqui está o que precisas de aprender para saberes decidir.” Sentado aos pés dela, o Louco inicia a leitura sob a pálida luz da Lua Crescente. Finalmente, ele sabe o suficiente e pode agora decidir o que quer, onde irá, e o que fará. Embora suspeite que a Grande Sacerdotisa tem ainda mais segredos para ensinar – como os que se escondem por detrás da cortina de romãs –, o Louco está agora concentrado nos seus objectivos e preparado para partir. Agradecendo à misteriosa senhora, segue o seu caminho. Mas à medida que se afasta consegue ouvir ainda um murmúrio, sereno como as águas que burbulham sob o trono da Grande Sacerdotisa: “Encontrar-nos-emos novamente… quando estiveres pronto para viajar pelo mais secreto de todos os caminhos”.


Notas Interpretativas

A Grande Sacerdotisa é a carta do conhecimento instintivo, sobrenatural, secreto. Possui os pergaminhos com a informação mais fundamental, que pode ou não revelar a quem com ela se cruza. À Lua na sua coroa, como a Lua aos seus pés, simbolizam a sua vontade de iluminar aquilo que de outro modo permaneceria oculto, de mostrar o que é preciso saber para tomar uma decisão sobre um problema, um emprego, um investimento, uma relação afectiva… Atrás do trono, estende-se o véu que esconde o conhecimento esotérico mais profundo e mais secreto. As romãs que o decoram servem para recordar Perséfone, que foi levada para a Terra dos Mortos, comeu os seus frutos e tornou-se na única Deusa capaz de viajar de e para o Submundo. O que significa que, quando aparece a Grande Sacerdotisa, é previsível a aprendizagem de coisas muito, muito estranhas.






A Grande Sacerdotisa no Baralho Golden Tarot (Edição US Games, 2004)









Esta é, por excelência, a carta que simboliza quem se dedica ao estudo do Tarot, alguém com poderes psíquicos, intuição e conhecimentos secretos. Enquanto o Mago falava numa revelação, a Grande Sacerdotisa trata de manter as coisas escondidas atrás de uma cortina. Coisas que se sabe, mas de que não se fala.

Se, numa leitura, a Grande Sacerdotisa representar o Querente, então é tempo de investigação solitária e de transmissão de segredos. O Querente irá passar algum tempo em velhas bibliotecas, estudando documentos empoeirados ou antigos textos religiosos. O que foi mantido oculto ser-lhe-á revelado. Os segredos podem também surgir por via psíquica, através de sonhos, visões ou poderosos instintos.

Representando alguém que não o Querente, a Grande Sacerdotisa simboliza normalmente uma pessoa espiritual, uma freira ou astróloga, ou algum parente mais solitário que sabe muitos segredos de família. A Grande Sacerdotisa é como uma biblioteca ambulante, com instintos e visões apuradíssimos, mas pode também parecer fria, imprevisível, até assustadora.





A Grande Sacerdotisa no Baralho Universal Goddess Tarot (Edição Lo Scarabeo, 2006)








Enquanto carta, a Grande Sacerdotisa fala de conhecimento. “Tive uma ideia!” diz o Querente – graças ao Mago. Talvez a abertura de um novo negócio, uma mudança de carreira. Mas como decidir que tipo de negócio abrir, que nova carreira encetar? Conhecimento. O melhor será talvez procurar conselho junto de alguém mais experiente. A um nível mais profundo, Grande Sacerdotisa desafia o Querente a ir mais fundo – a ver para além do óbvio, do superficial, a procurar aquilo que está escondido e obscuro. Quanto mais segredos o Querente souber, mais fácil será para ele decidir o que fazer com a ideia que teve. Esta é a função da Grande Sacerdotisa, para que, como a Lua na Noite, o Querente possa encontrar o seu caminho. Ela senta-se entre os pilares da Luz e da Escuridão, da existência e da negação. Todo o conhecimento secreto é seu.


Fontes: Aeclectic, LearnTarot

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