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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Tarot - XIII. A Morte

"A chamada da Morte é uma chamada de amor. A Morte pode ser doce se lhe respondermos afirmativamente, se a aceitarmos como uma das grandes formas eternas de Vida e Transformação."

Herman Hesse (Poeta, novelista e pintor germano-suiço, 1877-1962)


Símbolos Básicos

Um esqueleto a cavalo, com armadura ou vestes negras, segura um alfange ou uma bandeira com uma rosa branca sobre fundo preto. Em certos baralhos é possível ver o Sol nascente no horizonte. Outras figuras secundárias podem aparecer nesta carta, habitualmente crianças.


A Viagem do Louco

Depois de deixar a árvore onde esteve dependurado, o Louco move-se cautelosamente por um campo em pousio. O ar está frio, invernoso, as árvores despidas de folhas. À sua frente, avançando como o Sol que nasce no horizonte, encontra um esqueleto vestido com uma armadura negra, montado num cavalo branco. Reconhece-o: é a Morte. O cavaleiro-esqueleto detém-se à sua frente. Humildemente, o Louco pergunta-lhe “Vens dizer-me que morri?”. De facto, sente-se tão vazio e desolado como a paisagem que o circunda. A Morte responde: “Sim, de certa forma. Sacrificaste o teu velho mundo, o teu velho Eu. Ambos desapareceram, morreram.” Reflectindo sobre estas palavras, o Louco deixa escapar um lamento. “Que triste…”. “Sim, é triste”, diz a Morte, “mas é a única forma de renascer. Um novo Sol ascende já no horizonte, e este é, para ti, um tempo de grande transformação.” A Morte afasta-se, a galope, e o Louco sente dentro de si a verdade das suas palavras. Também ele se sente como um esqueleto, despojado de

 tudo o que sempre lhe foi familiar. Sim, é desta forma que começam todas as transformações, removendo tudo até ao osso, e construindo o novo sobre as fundações despidas.

 

Notas interpretativas

A Carta da Morte pode significar literalmente “morte”, nas circunstâncias adequadas (p.ex. uma questão sobre um familiar idoso ou muito doente). No entanto, e ao contrário do que mostram as suas esporádicas aparições dramáticas em filmes e séries televisivas, esta carta tem muito maior probabilidade de sinalizar uma transformação, uma passagem, uma mudança. Escorpião, o signo que rege a Carta da Morte, tem 3 formas: escorpião, serpente e águia. Esta carta simboliza por isso a evolução do ponto mais baixo para o ponto intermédio, para o ponto mais alto. Trata de humildade, e pode indicar que o Querente atingiu ou atingirá um ponto baixo na sua vida, mas apenas para que possa subir mais alto do que alguma vez subiu. E não esquecer que, até nesta carta de escuridão, há um nascer do Sol.

O signo de Escorpião contém também a dualidade sexo/morte. Na cultura ocidental é comum encarar a Morte como algo assustador, um fim que deve ser temido e por isso mesmo odiado. Noutras tradições, no entanto, a Morte, embora traga tristeza, é tão importante e natural como qualquer outra parte do ciclo da Vida. No sentido kármico, temos de morrer para podermos renascer. O Inverno acontece para que a Primavera lhe possa suceder, e só quando experimentamos a perda podemos apreciar aquilo que temos. A Carta da Morte indica por isso um tempo de mudança, o fim do velho para que o novo possa começar. Esta transição pode implicar tristeza, uma sensação de vazio, mas também a oportunidade para ascender novamente, como Fénix renascida das cinzas. A Morte não é o fim. É apenas o percursor da ressurreição.


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