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quarta-feira, 25 de julho de 2007

Teosofia - Introdução


“Teosofia: sabedoria-religião, ou ‘Sabedoria Divina’. O substrato e a base de todas as religiões e filosofias, ensinadas e praticadas desde que o Ser Humano se tornou consciente. No seu sentido mais prático, Teosofia é puramente ética divina.”

H.P. Blavatsky in "Glossário Teosófico" (1892)


A Teosofia (do Grego “Sabedoria de Deus”) designa um conjunto de ideias que remontam à Grécia Antiga, e que foram reformuladas no séc. XIX para definir uma nova filosofia religiosa. A ideia-chave da Teosofia é a de que todas as religiões são igualmente válidas porque têm como objectivo comum aproximar o Ser Humano do Absoluto, pelo que contêm em si mesmas uma pequena parte da Verdade.


Breve História da Teosofia


As raízes da Teosofia encontram-se em todas as culturas que procuraram o conhecimento espiritual, desde a Índia até à Grécia, e também nas obras de Platão (427-347 a.C.) e dos Neo-Platonistas como Plotino (205-270 e.C.) e Jakob Böhme (1575-1624). A Teosofia moderna surgiu com Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), que em 1875 fundou a Sociedade Teosófica, juntamente com Henry Steel Olcott.


A senhora Blavatsky era uma pessoa viajada que alegava ter poderes psíquicos e espirituais. A sua primeira grande obra, “Isis Revelada” (1877), apresenta elementos da sabedoria Ocidental, recolhidos na Ásia, Europa e Médio Oriente. Por outro lado, o seu segundo livro, “A Doutrina Secreta” (1888), baseia-se no Budismo esotérico e no Hinduísmo. Ambas as obras se tornaram nos pilares do movimento Teosófico, além das “Cartas de Mahatma”, que teriam origem em seres humanos com elevado grau de desenvolvimento e que serviriam para orientar a Sociedade Teosófica.Com a morte da senhora Blavatsky em 1891, a Sociedade Teosófica fragmentou-se em dois grandes grupos: um na Índia, liderado por Annie Besant, e o outro em Nova Iorque, orientado primeiro por Qilliam Quan Judge e que viria mais tarde a ser alvo de novas divisões. Rudolf Steiner criou um dos mais bem sucedidos descendentes da Sociedade original, a Sociedade Teosófica Adyar na Alemanha, que mais tarde viria a tornar-se na Sociedade Antroposófica, essencialmente voltada para o esoterismo Ocidental com influências cristãos (já um pouco distante das ideias originais da senhora Blavatsky). Outros grupos dissidentes viriam ainda a surgir no Reino Unido e nos Estados Unidos.


O lema da Sociedade Teosófica permaneceu imutável, desde a sua fundação até aos dias de hoje:


"NÃO HÁ RELIGIÃO SUPERIOR À VERDADE"


O símbolo da Sociedade combina vários elementos de diversas origens culturais: a estrela de David (do Judaísmo e do Cristianismo), a suástica (símbolo de bem-estar e boas-vindas no Hinduísmo e no Budismo), o ankh (hieroglifo egípcio que simboliza a Vida) e o ouroboros (a serpente ou dragão que morde a própria cauda, símbolo dos infinitos ciclos de morte e renascimento).


Os objectivos da Sociedade Teosófica, descritos por H.P. Blavatsky em “A chave para a Teosofia” (1889), são os seguintes:


1. Formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, religião, sexo, casta ou cor.


2. Encorajar o estudo de Religião Comparativa, Filosofia e Ciência.


3. Investigar as leis da Natureza que permanecem por explicar,assim como os poderes latentes existentes no Ser Humano.


Princípios Básicos da Teosofia


- A Consciência é Universal e Individual. Na Natureza nada acontece por acaso. Tudo obedece a leis que fazem parte de um paradigma universal. Tudo que existe, vivo ou não vivo, é feito da mesma “matéria”, cujas construções evoluem no sentido da
Consciência.


- O Ser Humano é temporariamente imortal. Todos os seres humanos, na sua mais elevada forma, são imortais. As suas personalidades, os seus egos desconhecem a ligação à sua natureza espiritual e eterna, e por isso acabam por morrer.


- A Reencarnação é Universal. As pessoas atingiram o estado humano depois de muitas encarnações, onde foram minerais, vegetais e depois animais antes de serem humanos. No entanto, os seres humanos não podem voltar a encarnar em vegetais ou animais, excepto em casos raros de “almas perdidas”. As pessoas são apenas o estado máximo da evolução no que diz respeito à existência física na Terra, mas são apenas um passo na evolução espiritual, que inclui etapas superiores como os Seres Búdicos ou os Dhyan-Chohans (os “Arquitectos do universo”).


- O Karma é a Lei Universal da Justiça Retributiva, que determina como e quando cada ser vai reencarnar. Cada indivíduo é por isso responsável pela situação em que se encontra em cada momento da sua vida, pois essa situação resulta do Bem ou do Mal que esse indivíduo praticou em vidas passadas. No entanto, como referiu Blavatksy, “Não são as injustiças ou os erros do Karma que provocam o que parece ser ‘infelicidade não merecida’, mas antes outras causas, independentes do Karma quer do que actua quer do que é vítima do acto, novas acções geradas pela perversidade do ser humano e das circunstâncias”. Se o sofrimento é causado agora, haverá compensação para isso no Futuro. Temos o livre arbítrio para tornar as nossas vidas melhores ou piores AGORA. Fazemos o nosso Karma no Presente tanto quanto o fizemos no Passado.


- Universalidade: Tudo tem uma origem divina. Todas as coisas são mónadas, partículas elementares únicas que possuem os mesmos princípios, e cujas formas e natureza são uma expressão do seu actual estado de consciência.


- Evolução: A religião, a filosofia, a ciência, as artes, o comércio e a filantropia, entre outras actividades, contribuem para uma aproximação progressiva do Ser Humano ao Absoluto. Os planetas, sistemas solares e galáxias são seres conscientes que, como as pessoas, seguem o seu próprio caminho evolutivo.As unidades espirituais do Universo são as mónadas, que em alturas diferentes se podem manifestar como planetas, anjos, seres humanos, e em muitas outras formas. A Humanidade, como tem acontecido noutras partes do Universo, desenvolve-se em ciclos de 7 eras. Na primeira era, os humanos eram puro espírito. Na segunda era, tornaram-se conhecidos como Hiperboreanos. Na terceira, como Lemurianos. Na quarta, como Atlanteanos. A queda de Atlântis foi o seu ponto mínimo, e agora, na quinta era, é altura de recuperar as qualidades psíquicas da Humanidade.


- O Septenário: Como outros grupos esotéricos e sociedades ocultas, a Teosofia defende que i Universo se encontra ordenado pelo número Sete. A mónada, unidade que reencarna, possui duas componentes espirituais que resultam da soma de Sete entidades humanas: Sthula-Sarira (o corpo físico), Linga-Sarira (o corpo astral), Prana (o sopro da Vida), Kama (o desejo), Manas (o ego), Buddhi (o espírito) e Atman (a consciência universal).


Mais do que uma “colagem” de ideias do misticismo Ocidental e Oriental, a Teosofia defende um verdadeiro estudo da espiritualidade do Ser Humano, fugindo a qualquer rótulo cultural ou religioso que possa macular o movimento com ideias pré-concebidas. Eis como se define este movimento singular, nas palavras de alguns dos seus mais célebres adeptos:


“A Teosofia é aquele oceano de conhecimento que banha os litorais da evolução dos seres conscientes; imensurável nas suas regiões mais profundas, mostra às grandes mentes o seu verdadeiro alcance; e com águas superficiais junto à praia, para não oprimir a compreensão de uma criança.”

William Q. Judge in O Oceano da Teosofia, 1893


“A Teosofia não crê em milagres, divinos e demoníacos. Reconhece que nada é sobrenatural. Acredita apenas nos factos e na Ciência, no estudo das leis da Natureza, ocultas como evidentes, mas dando especial atenção às ocultas.”

H.P. Blavatsky in “Fenómenos Ocultos” (1880)


“Dogma? Fé? São os pilares da Teologia opressora de almas. Os Teósofos não têm dogmas, nem fé cega. Os Teósofos estão sempre preparados para abandonar cada ideia que se demonstre estar errada pela lógica dedutiva. Conscientes da impossibilidade de capturar a Verdade Absoluta, os Teósofos repudiam todas as alegações de infalibilidade. Os mais venerados preconceitos, a mais piedosa esperança, a mais forte paixão, são varridos do caminho teosófico, quando o seu erro é demonstrado.”

H.P. Blavatsky in “Uma Sociedade sem Dogma” (1877)


“A Teosofia descreve, tanto quanto possível de forma científica e impessoal, a natureza do processo evolutivo no qual todos vivemos, nos movemos, e onde temos a nossa existência. Descreve o Passado. Explica o Presente. Traça uma imagem do Futuro. E dá liberdade a cada indivíduo para utilizar tanto dessa descrição quanto quiser, deixando ao seu critério julgar aquilo que lhe é útil e aquilo que, no presente, não tem para si qualquer significado.”

George Arundale, in “Você, a Teosofia e a Sociedade” (1935)


“A filosofia teosófica é antiga. Vem de tempos imemoriais. É uma tradição universal. Hoje estudamo-la de uma forma sistemática. Podemos chamá-la um conjunto de ensinamentos.[…] A Teosofia não foi criada pelo Homem. Por mais longe que se recue no Tempo, é sempre possível encontrar os seus vestígios, como um fio dourado que fez parte do tecido de várias escolas de pensamento no Passado. Houve sempre uma doutrina básica, fundamental, que era espiritual, intelectual, psicológica e ética. Este conjunto de ensinamentos é universal por natureza. É a fonte. Em certas ocasiões, em alguma parte do mundo, envia um raio de luz […], uma remessa periódica de sabedoria antiga sai para o mundo, para formar uma nova religião ou escola filosófica”.

Boris de Zirkoff, numa palestra intitulada “O que é a Teosofia?” (1954)


Fontes:

Exploring Theosophy, Sociedade Teosófica no Brasil, Theosophy Library Online, Theosophy World, The Theosophical Society - Adyar, The Theosophical Society in America, Wikipedia

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